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       Diego Mantese.


Closing Night - September 3, 1973 CS (CD - FTD, 2004)

Título:
Closing Night
Selo:
FTD [FTD 039]
Formato:
CD
Número de faixas:
25
Duração:
77:00
Tipo de álbum:
Disco comum
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2004
Gravação:
3 de setembro de 1973 CS
Lançamento:
1 de outubro de 2004
Singles:
---


Closing Night é o 39º lançamento da gravadora FTD. Ele contém a recriação, com partes do show das 20h15 do mesmo dia, da apresentação de encerramento da temporada de agosto / setembro de 1973 em Vegas, ocorrida à meia-noite do dia 3 de setembro, que se tornou icônica pelos ocorridos em seu andamento. O disco está atualmente fora de catálogo.

Em julho de 1973 Elvis foi ao Stax Recording Studio, onde passou vários dias – em seu caso, noites – colocando sua voz em faixas devidas à RCA como parte de seu mais novo contrato, assinado em 1º de março daquele ano. Tanto a RCA quanto o Coronel estavam desesperados por novos materiais e, como Elvis demonstrava pouco interesse em gravar, alugaram o Stax, que ficava a apenas dez minutos de Graceland, na esperança de animar a estrela relutante que poderia sempre voltar para casa e dormir em sua própria cama e não em um hotel qualquer.

Elvis concordou em gravar, mas as coisas não ocorreram como planejado. Na primeira noite, ele já não compareceu; na segunda, chegou cinco horas atrasado. Elvis estava com um péssimo humor, odiava o estúdio e reclamava que a acústica era muito pobre. Todas as faixas recomendadas pela RCA foram sistematicamente recusadas. Quando concordava em gravar uma canção, Elvis logo a abandonada dizendo ser “um pedaço de merda”.

Das trinta canções que constavam em seu contrato, Elvis gravou apenas oito – a maioria falando de amores perdidos e corações partidos. “For Ol’ Times Sake” capturou os sentimentos e o conflito emocional de Elvis com perfeição autobiográfica.

Elvis estava lentamente afundando em seu inferno pessoal. Ele passaria as duas últimas semanas de julho trancado em seu quarto em Graceland antes de retornar a sua outra prisão no início de agosto – a suíte do Hilton em Las Vegas.

Essa temporada seria notável por vários fatores. Para começar, seria a última vez em que Elvis se apresentaria por trinta dias seguidos no hotel (nos próximos contratos, esse tempo seria reduzido a apenas duas semanas). Ele estava com um humor terrível antes da noite de abertura, no dia 6 de agosto. Depois, ele abandonaria o ritual de usar a capa das jumpsuits no encerramento dos shows.

Não há dúvida de que esta data, 3 de setembro de 1973, e este concerto são extremamente importantes na história de Elvis. No final de sua nona temporada em Vegas, as emoções de Elvis eram uma confusão de contradições. Em 1971 Elvis já estava entediado com a rotina de Las Vegas e por isso aqui, em 1973, ele estava extremamente feliz por estar no final de sua temporada.

Não só isso, mas o contrato com o Hilton já tinha expirado e outros hotéis estavam desesperados para contratá-lo. Na realidade, Elvis estava irritado com o estilo do Coronel Parker de gestão e realmente queria sair de Las Vegas completamente, sentindo um desejo por algo novo. Antes do concerto, Elvis é citado como dizendo: "Eu não quero mais me apresentar aqui. Vou fazer de tudo para que os filhos da puta não me chamem novamente."

Este é o momento em que Elvis deveria ter seguido em frente dizendo "adeus Las Vegas, e tchau Coronel também!". Infelizmente isso nunca aconteceu. A principal falha de Elvis era ter seu pai, um homem que nunca terminou o ensino médio, como seu contador. Qualquer outro consultor teria visto os truques sujos do Coronel Parker e, em seguida, a história teria sido muito diferente.

Suas apresentações anteriores na temporada foram, no mínimo, todas inconsistentes. Às vezes Elvis era totalmente bobo, entrando no show cavalgando Lamar Fike, deitando em uma cama para cantar “What Now My Love” ou simplesmente começando o show com um macaco de pelúcia nos ombros. Outras vezes eram puramente abismais, trocando as letras originais das canções por frases de conteúdo sexual muito pesado.

Elvis está usando drogas” era uma frase que ecoava por Vegas.

No show de encerramento da temporada, em 3 de setembro, as coisas não foram diferentes. Na verdade, foram até mais desastrosas do que de costume – Elvis “demitiria” o Coronel depois desta noite!


FOTOS: LAS VEGAS, 3 DE SETEMBRO DE 1973 CS
(jumpsuit 1973 Arabian)








Abaixo segue a resenha da apresentação contida neste CD.
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- 1. Also Sprach Zarathustra (03/09/73 DS): Como de costume, anunciava-se o início do show de Elvis.

- 2. See See Rider (03/09/73 DS): Logo de início já se percebe que Elvis não está nas mais perfeitas condições para a apresentação. Normalmente, “I said see”, a primeira frase da canção, ecoaria pelo salão. Aqui, ela simplesmente aparece de uma forma triste, quase apagada. A voz de Elvis está um tanto embargada e contida. Uma conversa sobre troca de microfones e algumas piadas (aparentemente internas) seguem o pobre início.

-  3. I Got a Woman / Amen (03/09/73 DS): A canção inicia com Elvis arrastando a voz, mas melhora ao longo da execução. No final, Elvis balbucia algumas coisas e pede para que J.D. repita sua parte solo na canção – o famoso “bomb dive”. A risada das Sweet Inspirations leva a uma pergunta de Elvis: “Do que estão rindo, Supremes?”.

4. Love Me (03/09/73 DS): Uma rendição padrão, à exceção da troca da letra de algumas partes. “Querida, eu serei tão... chinês... porque chineses são loucos” arranca risos da platéia. Elvis brinca com a platéia dizendo que sua banda não o conhece, pois querem terminar a canção antes dele. “Eles não me conhecem... Vão direto ao ‘weeeeeeelllll...’. Eu não estou nem aí.

5. Steamroller Blues (03/09/73 DS): Não gosto de lenços brancos”, diz Elvis – provavelmente para Charlie Hodge. “Steamroller...” tem partes balbuciadas e outras executadas com a maior maestria. Como de costume nessa época, era a partir desse momento, 15 minutos após o início do show, que Elvis acordava para seu trabalho.

6. You Gave Me a Mountain (03/09/73 DS): Aparte de uma reclamação por causa de microfonia (“o sistema de som deste hotel é uma porcaria...”), a rendição está entre as melhores daquela temporada. Depois da canção, Elvis pede desculpas a Bill Porter, o engenheiro de som, pela bronca durante a execução. Porter responde com um “obrigado!” que ecoa pelo prédio. “Ele é mais estranho do que eu pensava”, diz Elvis.

- 7. Trouble (03/09/73 DS): “Quero fazer um medley de canções folclóricas espanholas...”, brinca Elvis antes de cantar algumas palavras de “Guadalajara” (canção presente no filme “O Seresteiro de Acapulco”, de 1963). A execução de “Trouble” (do filme “Balada Sangrenta”, de 1958) traz uma mensagem a alguém – provavelmente a direção do hotel: “se você vai começar uma briga, não venha sozinho... porque eu sou louco”. Mais tarde no show, isso se esclarece.

8. Medley (03/09/73 CS): Executado desde os primeiros shows de 1973 até meados de 1974, este medley com cinco canções sempre agradava. Aqui, Elvis troca algumas partes das letras para inserir Charlie Hodge e J.D. Summer na canção (“eu vi Charlie Hodge com J.D.Sumner no beco...”). Elvis estende a parte final de Hound Dog com uma apresentação extra longa de golpes de caratê. Em seguida, atende pedidos da platéia com beijos e entrega de lenços.

- 9. Love Me Tender (03/09/73 CS): Quero cantar um pouco de Love Me Tender para vocês... bla-bla-bla-bla-bla... bla-bla-bla! Aí está, um pouquinho de Love Me tender... Em velocidade acelerada.” Quando a plateia pensa que Elvis finalmente vai cantar o clássico, ele simplesmente usa a melodia para criticar o hotel: “adeus, filhos da mãe... adeus papai, também... para o inferno com todo o Hilton Hotel... e este salão também”. Neste ponto, a certeza é que o Coronel já estava fervendo em sua cadeira.

10. Fever (03/09/73 CS): Elvis substitui a primeira estrofe  da canção por “Myrna Smith e J.D. Sumner tiveram um caso louco... quando seu esposo e esposa descobriram, só o que se via eram cabelos e dentes”. A música é executada de forma rápida e com muitas brincadeiras e trocadilhos.

11. What Now My Love (03/09/73 CS): Sonny West traz uma cama para o palco, de onde Elvis executa a canção deitado e fazendo trocadilhos sexuais extremamente pesados. A plateia, banda e backing vocals, caem na risada – certamente muito mais por estarem desconcertados do que por ser engraçado.

12. “Bridge Over Suspicious Minds” (03/09/73 CS): Os músicos começam a tocar “Suspicious Minds”, mas quem disse que Elvis queria cantá-la? Em sua lista – particular e invisível – constava “Bridge Over Troubled Water” e foi essa letra que ele cantou. Depois de um minuto, Elvis pára a canção, pede desculpas à banda e orquestra e procede a culpar Glen Hardin pelo erro (supostamente brincando).

13. Bridge Over Troubled Water (03/09/73 CS): Elvis executa a canção trocando várias partes das letras até que acaba esquecendo as originais. A banda e backing vocals se unem para ajudar enquanto Elvis os ouve calado. “Obrigado”, diz ao fim. A canção passa a ser executada de forma séria a partir daí e é consideravelmente boa. “Obrigado por me ajudarem na primeira parte da canção, amigos. De verdade.”, agradece Elvis.

14. Suspicious Minds (03/09/73 CS): A canção é bem executada e parece ser uma das melhores da temporada até a metade. “Ou limpe a mer... lágrimas dos seus olhos” é a frase que anuncia que o mal humor de Elvis havia tomado conta novamente. “Você sabe como eu odeio essa maldita canção”, ele canta; “eu odeio mesmo...”, confirma.

15. Introduções (03/09/73 CS): Durante cinco minutos, Elvis apresenta todos os membros de sua banda e equipe. Emory Gordy substitui Jerry Scheff no baixo. Na plateia, Elvis apresenta o ator George Hamilton, o Coronel, a cantora Bobbi Gentry, Bill Cosby e Shirley Bassey. As palmas mais efusivas são oferecidas ao pai de Elvis e algumas, não tão expressivas, a Linda Thompson.

16. My Boy (03/09/73 CS): Gostaria de cantar essa música que acabei de gravar... My Boy.” A tristeza na voz de Elvis é palpável no início e nas partes mais autobiográficas. Por anos, “My Boy” seria tida como um recado secreto a Lisa Marie. “Deixei Charlie Hodge para apresentar por último porque ele é o que menos importa”, brinca Elvis. “Não, ele tem feito harmonia para mim há 13 anos e faz isso tão bem que é como se fosse uma única voz.

17. I Can’t Stop Loving You (03/09/73 CS): Uma rendição básica do clássico de Ray Charles que esteve presente nos shows de Elvis desde 1969.

18. An American Trilogy (03/09/73 CS): Aparte de mudar uma frase da canção (“eu queria estar na Disney”), esta é a melhor versão da temporada. Algumas noites antes, uma reprodução da Lua em papelão que trazia desenhados uma águia careca  e Abraham Lincoln faria Elvis gritar – aparentemente surpreso – “meu Deus, a Lua está caindo!”.

19. A Big Hunk O’ Love (03/09/73 CS): A canção não tem novidades e os solos de Glen Hardin e James Burton são excepcionais. Após a execução, Elvis retorna a “American...” para cumprimentar o flautista solo, Jimmy, pela 144ª vez que toca sua parte. Ele também agradece os outros membros da orquestra e diz estar feliz por poder cantar para o público: “enquanto eu puder fazer isso, serei um filho da mãe feliz.

20. The First Time Ever I Saw Your Face (03/09/73 CS): Provavelmente uma das melhores versões do ano, bastante melodiosa e executada sem erros. Elvis faz um apelo aos Hilton: “Tem um cara aqui que trabalha no restaurante italiano... o nome dele é Mário. E essas pessoas aqui estão prontas para demiti-lo assim que eu for embora... E eu não quero isso – ele precisa do emprego. E eu acho que os Hilton estão acima disso. Sem querer faltar ao respeito, mas eu queria acordar Conrad [Hilton] e falar sobre o trabalho do Mário. Só isso.

21. Mystery Train / Tiger Man (03/09/73 CS): A conversa de Elvis com os Hilton continua. “Eu gostaria de oferecer essa música à equipe e à hierarquia do Hilton”, avisa Elvis antes de iniciar a parte de “Tiger Man” no medley [eu sou o rei da floresta / eles me chamam de Homem Tigre / se você cruzar meu caminho / sua vida está em suas mãos].” A proteção dada por Elvis a Mário havia deixado o Coronel irado.

22. How Great Thou Art (03/09/73 CS): Uma canção Gospel depois de tanta confusão parecia ser o óbvio. Esta era uma das músicas que colocava Elvis em outro espírito, o deixava mais leve e em contato com Deus. Embora executada um tanto lenta, ainda acalma os ânimos. A platéia aplaude efusivamente, mas Elvis parece não estar satisfeito com as palmas para as canções anteriores: “Fico feliz que finalmente tenham apreciado alguma coisa.” A parte final da canção é novamente executada e, dessa vez, com grande maestria. Para a surpresa de todos, um Elvis empolgado pede a repetição da parte pela terceira vez. “Querem ouvir de novo? Não me importo, essa eu canto a noite toda.

23. Help Me Make It Through the Night (03/09/73 CS): Elvis parece estar com o espírito mais leve e até brinca com a plateia. A canção é executada como de costume.

24. Softly As I Leave You (03/09/73 CS): Elvis faz uma rendição diferente e bem mais emocional, lendo somente a letra, sussurrando as palavras e interpretando com grande valia,  e sem o acompanhamento usual da harmonia de Sherrill Nielsen. A orquestra se une a Elvis com um acompanhamento suave.

25. Can’t Help Falling In Love (03/09/73 CS): “Take it home, baby!”, diz Elvis para anunciar à banda que deve iniciar a execução da canção de encerramento. Após 1 hora e 17 minutos de show, Elvis deixa o recinto.
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"VOCÊ NÃO PODE ME DEMITIR - EU ME DEMITO!"

Durante todo o show de encerramento, Elvis fez questão de mostrar aos Hilton o seu descontentamento com o hotel, o salão e, principalmente, com a história de que iriam demitir Mário, o garçom que o servia desde 1970. Aquelas ofensas aos empregadores não iam passar batida pelo Coronel. E assim aconteceu após o show.

De imediato, Elvis e o Coronel entram com feições enraivecidas em um dos escritórios de Parker no hotel. Em seguida, gritos e xingamentos ecoam pelo andar inteiro. Parker não estava nada contente. Minutos depois, o Coronel, com o rosto vermelho de raiva e muito agitado, sai do escritório como uma tempestade.

Mais tarde, em sua suíte, Elvis ainda não havia se acalmado. "Com quem diabos aquele velho bastardo achou que estava falando?". Ninguém falava com Elvis Presley daquele jeito. Em um rompante de raiva, ele grita para Joe Esposito: "Traga aquele filho da puta aqui. Diga ao filho da mãe que quero vê-lo agora!".

O Coronel chega e fica bem claro para todos que ainda está enraivecido. Ele não tinha intenção alguma de beijar o traseiro de seu menino. Elvis havia ido muito longe dessa vez. Os dois continuam a discutir aos gritos até que Elvis deixa escapar: "Você está demitido!". O Coronel, que nunca deixaria sua criação dar a última palavra, retorna: "Você não pode me demitir! EU me demito!".

Parker diz a Elvis que pedirá uma conferência de imprensa no dia seguinte para contar ao mundo de sua demissão. E então grita para Elvis: "Você vai ter que pagar tudo que me deve!". Ele vira as costas e sai da suíte, dirigindo-se direto para seu escritório no quarto andar. Parker passa a noite toda calculando, centavo por centavo, tudo que Elvis deveria pagá-lo pela rescisão de seu contrato. Havia adiantamentos, comissões ainda devidas por trabalhos, royalties por músicas, discos e filmes. No início da manhã seguinte, o Coronel havia determinado que Elvis teria de pagar dez milhões de dólares a ele.

Quando Vernon e Elvis viram a soma final fixada por Parker, ficaram abismados. Elvis claramente devia uma fortuna ao Coronel. Sem tentativas de contato por parte de Parker, Elvis teve de voltar atrás e contatá-lo. Os dois se encontraram a portas fechadas e Parker só queria uma coisa: um pedido de desculpas de Elvis. Concedido isso, os dois se reconciliaram e a guerra de um dia acabou. Parker voltou a lucrar.
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VÍDEO (SHOW COMPLETO)

2 de setembro de 1974: Desert Storm (CD - Fort Baxter, 1997)

Título:
Desert Storm - Closing Night, Las Vegas, September 2, 1974
Selo:
Fort Baxter [Fort Baxter - 2200]
Formato:
CD duplo
Número de faixas:
25
Duração:
82:00
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia extra
Ano:
1997
Gravação:
2 de setembro de 1974 CS
Lançamento:
1997
Singles:
---

Desert Storm foi um dos lançamentos mais importantes da gravadora de bootlegs Fort Baxter. Ele contém o show completo de encerramento da temporada de agosto / setembro de 1974, à meia noite do dia 2 para 3 de setembro, no qual Elvis estava impaciente e cheio de recados para dar.

Depois das internações de 1973 e um bom início de 1974, Elvis havia começado novamente a demonstrar sinais de instabilidade emocional em julho daquele ano. Eram pequenas amostras de raiva contida dadas nos palcos, sempre seguidas de grandes e acalmadoras apresentações de golpes de karatê com o auxílio de Charlie Hodge ou Ed Parker. Setembro mostraria ser um mês difícil para Elvis, seus fãs e familiares. As mudanças constantes de humor do cantor tornavam a dinâmica e segmento de sua apresentação totalmente desconhecidos para a banda, que tinha de arranjar um jeito de acompanhá-lo rapidamente sob pena de levar broncas na frente de todos. De fato, essas broncas foram o motivo pelo qual Duke Bardwell ficou pouco tempo na banda.


Elvis e Sheila Ryan passeiam por Las Vegas;
setembro de 1974
Na vida amorosa, o caos era o mesmo. Apesar de ainda se manter em contato com Priscilla e até mesmo deixar um camarote à sua disposição em todos os shows em Las Vegas, o Rei do Rock estava em uma relação que já podia ser encarada como sólida com Linda Thompson. Mas isso não o impedia de aparecer aqui ou ali com Sheila Ryan, que tornou-se uma espécie de "estepe" de Linda para quando ela se comportasse mal aos olhos de Elvis.

Mas nada preparou o público e crítica, nem mesmo a Máfia, amigos e familiares, para o que viria no show da meia-noite de 2 de setembro, que encerraria aquela temporada. Quando Elvis adentrou o palco do Las Vegas Hilton Hotel vestindo o jumpsuit Mad Tiger (tigre louco), a atmosfera de apreensão era palpável. O cantor deu um show de interpretação, como sempre, apresentando clássicos temporários como "Until It's Time For You to Go" e "If You Talk In Your Sleep", mas entre uma música e outra é que o espetáculo realmente acontecia.






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FOTOS: 1 E 2 DE SETEMBRO DE 1974
(Jumpsuit Mad Tiger)






Abaixo segue resenha do show de encerramento da temporada de agosto / setembro de 1974 em Las Vegas, à 0h de 2 de setembro.
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- 1. Diálogo sobre o microfone: Infelizmente, o engenheiro de som da RCA não gravou a abertura do show ("Also Sprach Zarathustra" e "See See Rider"), mas quando percebeu que Elvis ia enveredar para um de seus "chiliques" a gravação começa. Podemos ouvir Elvis reclamando sobre a altura do pedestal do microfone e culpando "Jerky Kahoon" (o humorista Jackie Kahane, que abria todos os seus shows) por isso. Em seguida, como todos riem, ele passa a tentar provar que está certo em sua reclamação, enfiando o microfone na boca e tentando cantar. Em meio a isso, Elvis ainda arranja uma brecha para falar que JD é pão duro, criticando a qualidade dos microfones dos backing vocals, e ridicularizando a roupa dos membros da banda.

- 2. I Got a Woman / Amen: A canção começa quase de imediato e sem muitos avisos para a banda. A versão ouvida aqui é um pouco mais ritmada e rápida do que nos acostumaríamos a ouvir de 1975 em diante. A banda erra a entrada de "Amen" e Elvis responde "filhos da puta!". É possível notar que ele canta em uma nota bem acima da correta. O famoso "striptease" se segue e é bem longo, para o delírio das fãs. JD executa seu dive bomb na sequência, mas Elvis quer mais: "Quero que você me leve até o teto de um B-52, faça os motores falharem e ligarem de novo, ok?". JD não decepciona e arranca gargalhadas de todos.

- 3. Diálogo sobre Karatê: Elvis dá boa noite para a plateia e se apresenta como Bill Cosby (que está na plateia). Em seguida, passa a explicar sobre a sua faixa no Karatê e onde quer chegar:

"Olhem, olhem... Alguém me deu isso. É, alguém me deu... Eu acabei de receber uma faixa preta de 8º grau no Karatê. Depois de 16 anos fazendo essa arte, eu recebi o oitavo grau... há somente dez graus de preto... o oitavo eu recebi essa semana... o nono grau é Mestre Sênior da Arte e o décimo é Grande Mestre Sênior da Arte, que é onde eu quero chegar, mas demora bastante."

- 4. Until It's Time For You to Go: Elvis faz algumas "correções" na letra de acordo com seu humor. A primeira estrofe claramente passa o recado de que alguém quer ir embora de sua vida e ele não está disposto a deixar. Aparte disso, a versão é uma das melhores.

- 5. If You Love Me (Let Me Know): Depois de agradecer a plateia rapidamente, Elvis já entra na canção. Uma versão padrão.

- 6. It's Midnight: A canção mal acaba e Elvis já anuncia sua mais nova gravação. Depois da primeira estrofe da letra extremamente tocante, Elvis diz "Listen, Cylla" (ouça, Cylla), chamando a atenção de Priscilla, que está em seu camarote, antes da estrofe que diz: "Onde está todo meu controle? / estou queimando na minha alma / e precisando de você / desejando ser o homem que tentei ser / me odiando por querer estar com você / sabendo que você não me ama como antes / mas é meia-noite, meu Deus / e eu sinto sua falta".

É evidente que ele está falando com ela através da letra da música. Elvis pode não ter notado como se expôs naquele momento, mas sua cabeça já criava uma resposta para a ação, que seria ouvida pela plateia em instantes.

- 7. Big Boss Man: Versão padrão dos shows de 1974.

- 8. You Gave Me a Mountain: Elvis faz uma rendição extremamente emocional da canção presente em seu repertório desde 1972. Para efeito dramático, ele prefere recitar uma das estrofes mais significantes ao momento: "Privado do amor de um pai / culpado pela perda de sua esposa / sabe, Deus, eu estou em uma prisão / por algo que eu nunca fiz / tem sido uma montanha atrás da outra / mas, Deus, eu escalei todas / uma a uma".

Mais à frente, ele repete a ação, recitando outra estrofe significativa: "Minha mulher se cansou do sofrimento / cansou da tristeza e da luta / cansou de trabalhar por nada / apenas, apenas cansou de ser minha esposa / ela levou meu único raio de sol / levou meu orgulho e alegria / levou minha razão para viver! / ela levou meu bebezinho".

- 9. Diálogo sobre Priscilla: Antes de começar a canção, Elvis sente a necessidade de se explicar sobre o "listen, Cylla" e as mensagens em "You Gave Me a Mountain": "Eu canto essa canção faz tempo e muita gente acha que ela fala de mim, mas não tem nada a ver comigo ou minha esposa... ex-esposa, Priscilla - ela está aqui, levante-se, querida. Ela é uma garota linda, eu admito. Eu sei o que escolho."

Ao mesmo tempo, Elvis aproveita para apresentar Lisa e Sheila Ryan, que estão no mesmo camarote de Priscilla, antes de continuar a falar de seu divórcio: "Eu viajava muito, estava sempre longe, então decidimos decentemente que sempre seríamos amigos, porque temos uma filha para criar, e que ela poderia ter o que quisesse no processo - aí veio a notícia dos 2 milhões... Depois disso, eu dei um casaco de pele para ela e ela, esta noite, meu deu um Rolls Royce de 42 mil dólares. É o tipo de relação que temos. Não é ruim, não é, amigos? Eu peguei parte do valor de volta! Eu fiquei muito mal, mas peguei parte de volta".

Na sequência, ele volta a falar de Priscilla, desta vez incluindo Mike Stone: "Ela gosta de um 'stud' (garanhão)... não, do meu Stutz (carro da montadora homônima)... mas ela gosta de um 'stud'... Mike Stone não é um 'stud', então, esquece... Ela gosta do Stutz, então vou dá-lo para ela. Stone queria ser um 'stud', mas ele é um... cara legal."

- 10. Softly, As I Leave You: Elvis introduz a música de um jeito peculiar: "Eu nunca cantei nem gravei essa canção, mas quando descobri que era baseado numa história real... eu não cantei mesmo, porque não gosto desse tipo de coisa." Em seguida, Elvis pede para que Charlie tire seu cinto antes que ele seja castrado porque tem "lugares para ir, shows para fazer, mulheres para conhecer." Na sequência, ele lembra de Judy Spreckles, uma mulher mais velha com quem se envolveu em 1956, e recorda que ela lhe presenteou com um anel (o qual ele deu para Priscilla para oficializar seu noivado). Ao fim da canção, ele agradece à plateia e apresenta Sherrill Nielsen, que o acompanhou na harmonia.

- 11. Hound Dog: Uma versão rápida e eletrizante.

- 12. An American Trilogy: Elvis não costumava brincar muito com músicas Gospel ou de patriotismo, mas aqui ele faz alguns trocadilhos no início. Aparte disso, a versão é padrão daquele ano.

- 13. It's Now Or Never: Elvis faz uma versão muito próxima à da gravação de 1960, sem muitas alterações. Aqui, Sherrill Nielsen ainda não havia sido escalado por Elvis para introduzir a canção cantando a letra original à capella.

- 14. Introdução da banda I: Elvis apresenta The Sweet Inspirations, JD Sumner & The Stamps Quartet, Kathy Westmoreland, James Burton (que faz um pickin' improvisado a pedido de Elvis), John Wilkinson, Ronnie Tutt (que improvisa um solo magnífico enquanto Elvis pede para que ele faça como quiser porque há tempo de sobra), Duke Bardwell (que surpreendentemente é tratado bem por Elvis), Glen Hardin (que também faz um solo) e Charlie Hodge.

- 15. I Couldn't Live Without You (não gravada pelo engenheiro de som) / Bringin' it Back (Voice): Elvis apresenta o grupo de Sherrill Nielsen, o Voice, e pede para que cantem a canção que seria gravada pelo Rei em 1975.

- 16. Aubrey: Elvis pede para que Sherrill também cante a canção que ficou famosa com o grupo Bread. Nielsen a gravaria em seu disco solo em 1975.

- 17. Introdução da banda II e celebridades: Elvis apresenta Joe Guercio e sua orquestra, fala sobre ter ido ao hospital por causa de uma gripe, introduz Bill Cosby (que o substituiu enquanto estava no hospital), que já havia ido embora, e elogia a cantora Vickie Carr, anunciando que ela está no Tropicana com seu show.

- 18.  It's Now Or Never (reprise): Elvis pergunta a Vickie se ela ouvira quando ele cantou a canção. Como a resposta é negativa, ele decide cantar novamente.

- 19. Let Me Be There: Elvis agradece a plateia e rapidamente introduz a próxima canção, fazendo uma rendição padrão com reprise da última estrofe.

- 20. If You Talk In Your Sleep: Elvis a introduz como "Walk In Your Sleep" e faz uma versão bastante interessante, com uma entrada mais longa. Após a canção, Elvis rapidamente apresenta seu instrutor de Karatê e membro da Máfia, Ed Parker.

- 21. Diálogo sobre drogas: Elvis faz aqui seu famoso comentário sobre drogas, que levou muitos a crerem que ele estava completamente chapado, depois de dizer que era membro oficial da agência de combate às drogas dos Estados Unidos:

"Não presto atenção em rumores, em revistas de fofoca, não as leio porque são todas um lixo. Não quero tirar o trabalho de ninguém, mas quando eles não têm o que dizer, inventam; no meu caso, eles inventam. Ouvi rumores por ai... Estive doente no hospital... Hoje você não pode nem ficar doente, você teve uma overdose! Fiquei doente uma noite, tive 41 graus de febre, não pude me apresentar... de três fonte eu ouvi que tive uma overdose de heroína. Juro por Deus... empregados do hotel, carregadores, os malucos que levam a bagagem para o quarto, pessoas que trabalham por aí e falam, camareiras... tive uma gripe, foi um dia e acabou... mas por toda a cidade... "overdose!". Não se ofendam, senhoras e senhores, estou falando com outras pessoas... mas se eu ver ou ouvir quem disse isso de mim, vou quebrar seu maldito pescoço, seu filho da puta! Isso é perigoso, prejudica a mim, meu pai, minha filha, meu médico, prejudica minha interação com a banda e com o público... eu vou arrancar sua língua pela raiz!"

- 22. Hawaiian Wedding Song: "Deixe-e sair desse mau humor", diz Elvis antes de perguntar se a plateia viu a reprise de "Blue Hawaii" na noite anterior. "A canção mais pedida daquele filme foi 'Hawaiian Wedding Song'". Ele brinca um pouco no início da canção, mas em geral é uma boa versão executada enquanto Elvis recebe presentes da plateia e distribui abraços, beijos e lenços. Ele termina dando um beijo em Kathy Westmoreland (assim como se vê no show de Omaha em 19/06/77) depois de fazer algumas caretas para tentar desconcentrá-la.

- 23. Diálogo sobre jóias: Elvis apresenta o engenheiro de som Bill Porter e seu pai, Vernon, que recebe aplausos efusivos. Ele também apresenta o Coronel, que não está no momento, e comenta que sabe muito bem que ele está no cassino. Antes que o show se acabe, ele fala de suas jóias: "Essa pedra, eu usei no especial do Havaí e as pessoas pensavam que era uma pedra grande, mas não é... tem 11 quilates e é gigante. Talvez não tão grandes quanto os da Elizabeth (Taylor)... os dela (referindo-se aos seios da atriz) são maiores mesmo... as jóias também. Esse aqui eu comprei esta noite, para vocês. E o motivo pelo qual estou dizendo isso é: vocês pagaram por ele. Boa noite!".

- 24. Can't Help Falling In Love: Após 80 minutos de show, um tempo longo para Vegas, Elvis inicia a canção que anuncia o fim do show.

- 25. Closing Vamp: Assim que "Can't Help Falling In Love" termina, Elvis some por trás das cortinas. Ele retorna alguns segundos depois para receber mais presentes dos fãs antes de ir embora para sua suíte no hotel.
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VÍDEO (SHOW COMPLETO*)
*o diálogo sobre drogas é omitido por conta de direitos autorais.

The Jungle Room Sessions (CD - FTD, 2000)

Título:
The Jungle Room Sessions
Selo:
FTD [FTD 004]
Formato:
CD
Número de faixas:
17
Duração:
72:00
Tipo de álbum:
Disco comum
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2000
Gravação:
2 a 7 de fevereiro / 29 a 31 de outubro de 1976
Lançamento:
Abril de 2000
Singles:
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The Jungle Room Sessions foi o quarto CD lançado pela gravadora Follow That Dream (FTD). Ele contém 16 dos melhores takes das canções gravadas na Jungle Room de Graceland durante as duas sessões de 1976 e a trilha rara de "Fire Down Below", canção para a qual Elvis nunca gravou vocais. O trabalho está atualmente fora de catálogo.

Desde 1972, Elvis vinha encontrando dificuldades para gravar em estúdio. O material não era bom o suficiente, as sessões eram corridas e extensas, e ele mesmo passava por um difícil período em sua vida pessoal. Naquele ano Elvis gravaria apenas sete músicas, e 1973 não seria muito diferente. De fato, aparte do especial Aloha From Hawaii, o cantor participaria de somente 13 sessões de gravação. Não é novidade que seu divórcio mexeu com o psicológico e Elvis teria reações erráticas em diversos shows daquele ano e de 1974, no qual não gravou sequer uma única faixa nova.

1975 chegou e a RCA implorava por material novo, mas Elvis estava totalmente indiferente. Enquanto se preparava para a primeira temporada em Vegas daquele ano, que iniciaria em 18 de março, ele foi convencido a entrar no estúdio em Hollywood para gravar pelo menos dez faixas para um novo disco. A gravadora enviou mais de 30 canções para avaliação, mas Elvis foi categórico em suas escolhas - foram gravadas somente 10, todas do estilo country.

Como nada era resolvido e sessões eram sempre recusadas, Felton Jarvis teve uma ideia que certamente funcionaria: Elvis sempre tivera vontade de ter seu próprio estúdio, então por que não construí-lo em Graceland? A mansão tinha uma sala especial, bastante escura e próxima à cozinha, onde Elvis e seus amigos podiam relaxar e que, por coincidência, tinha uma ótima acústica; conhecida como "The Den" ("A Toca"; "Jungle Room" foi um nome dado muito após a morte de Elvis), a área era perfeita para um estúdio e foi reformada para este uso durante a metade final de 1975.

O ambiente acabou por agradar o cantor, tendo acesso a tudo que necessitava e estando perto de sua família o tempo todo, e Elvis fez sua primeira sessão ali em 2 de fevereiro de 1976. Durante os próximos cinco dias foram gravadas canções para dois discos, a maioria sendo usada em "From Elvis Presley Boulevard, Memphis, Tennessee" e "Moody Blue" ficando como sobra para um próximo LP. O sucesso do disco foi bem maior do que Elvis já estava acostumado, mas nem mesmo isso o animou a fazer mais sessões. Ele só retornaria à Jungle Room de  29 a 31 de outubro daquele ano - última ocasião em que gravou material novo - por insistência da RCA, que precisava de pelo menos mais nove músicas para o álbum que mais tarde seria intitulado "Moody Blue" e seria o último lançado durante sua vida.

Elvis acabou gravando apenas quatro canções por completo e uma quinta, "Fire Down Below", de autoria de Jerry Scheff, teve uma trilha produzida, mas o cantor nunca colocou sua voz sobre ela. Sem muitas opções, a RCA juntou as cinco canções (as quatro de outubro, mais "Moody Blue") a outras cinco faixas ao vivo para compor o disco derradeiro de sua carreira. Já a trilha de "Fire Down Below" só viria a público neste lançamento da FTD.

Abaixo segue resenha do material disponibilizado no CD.
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- 1. Bitter They Are, Harder They Fall (Alternate Takes 2-5): "Amigos, não me abandonem na primeira parte, ok?", Elvis diz a seus backing vocals logo no início como se estivesse inseguro. O take começa bem, mas Elvis perde a concentração quanto seu telefone toca. "Corta! Maldito telefone. Atirem ele na parede!", brinca. Seus cachorros começam a latir e isso desperta mais uma brincadeira: "Atirem nos cachorros e no telefone! Esperem! Atirem no outro cachorro!". Depois de três interrupções, o take 5 finalmente sai completo.

- 2. She Thinks I Still Care (Alternate Takes 2 & 2A): Depois de um breve recomeço, a harmonia dos backing vocals leva a um take maravilhoso, mas Elvis parece não estar ainda muito acostumado com as notas que a canção exige. De qualquer forma, uma versão que poderia muito bem ser lançada.

- 3. The Last Farewell (Alternate Take 2): O bom humor de todos na sessão sinaliza que Elvis está em um dia bom e que com certeza qualquer canção gravada seria totalmente mágica. O take é muito bom, apesar de pequenas falhas facilmente esquecíveis.

- 4. Solitaire  (Alternate Take 3): O sucesso de Neil Sedaka em 1975 ganha nova roupagem com Elvis e a canção soa mais profunda e triste do que naturalmente é. Em um momento em que o cantor estava revendo sua vida e tentando esquecer a solidão que ser famoso lhe trazia, esta é uma das músicas mais autobiográficas que ele gravaria.

- 5. I'll Never Fall In Love Again  (Alternate Take 5): A canção mais lembrada na voz de seu amigo Tom Jones, apesar de ter se tornado sucesso com Dionne Warwick, é outra que fala alto sobre os sentimentos de Elvis na época. É bastante claro que ele não brinca e põe todo seu coração neste take.

- 6. Moody Blue (Alternate Takes 3 & 7): A música que se tornaria o carro-chefe do último disco lançado em sua vida traz Elvis se perdendo em uma estrofe e tendo que recomeçá-la. "É a versão italiana", diz ele depois de emitir vários sons onomatopeicos. A retomada do take corre bem, mas Elvis parece ter perdido um pouco da excitação depois do erro e murmura algumas linhas.

- 7. For the Heart (Alternate Takes 2 & 3): Elvis gostava bastante desta canção, mas não era o suficiente para que ele desejasse fazer uma obra de arte dela logo nos primeiros takes. O take 3 é o início de um trabalho que teria seu Master somente no sexto.

- 8 . Hurt (Alternate Takes 3 & 3A): Outra música que Elvis interpreta com seriedade, apesar de errar sua entrada na primeira tentativa. Pouco antes, ele havia cantado o que chamara de "Take 69" durante os ensaios.

- 9. Danny Boy (Alternate Take 8): Elvis cantava a canção desde que se deu por gente pela primeira vez. Ela era ouvida todas as vezes que ele se reunia com os amigos para tocar e cantar, a exemplo das gravações caseiras dos anos 1959 e 1966. O cantor somente gravou sua própria versão nesta ocasião, e não antes por motivos desconhecidos, mas ela não é exatamente o que Elvis esperava, apesar de extremamente linda. O Rei do Rock desejava fazer um dueto com Sherrill Nielsen, mas o backing vocal não ficou sabendo desta intenção por causa da mania que o Coronel tinha de avisar sobre as sessões quando elas estavam à beira de começar.

- 10. Never Again (Alternate Take 11): Uma das amostras de como Elvis progredia take após take, a canção é bem executada e levaria ao Master no de número 14.

- 11. Love Coming Down (Alternate Take 2): Uma linda canção é executada em um lindo take. Não há muito o que se falar deste, mas Elvis ainda a acha "muito lenta" na finalização.

- 12. Blue Eyes Crying In the Rain (Alternate Take 2): Sempre confundida como "a última música que Elvis gravou" (quando, na verdade, esta é "He'll Have to Go"), é um take bastante comum e sem atrativos ou deméritos.

- 13. It's Easy For You (Alternate Take 1): Escrita por Andrew Lloyd Webber, criador da ópera moderna "O Fantasma da Ópera", especialmente para Elvis, a canção é trazida aqui em sua primeira tentativa de gravação e já encanta. Por ser uma letra extremamente pessoal naquele momento da vida de Elvis, ele a enche de emoção e qualidade vocal para conseguir um dos Masters mais rápidos de sua carreira - já no take 2. Com razão, Elvis diz logo no início do take: "Eu me deixo levar muito facilmente; sou um filho da mãe emotivo."

- 14. Way Down (Alternate Takes 2B & 2C - Undubbed Master): Elvis tinha vontade de incluir esta canção em suas apresentações e isso certamente seria bem vindo. A voz extremamente grave de JD traria um ingrediente que animaria a plateia e o Rei do Rock poderia se sentir mais à vontade com o estilo country. O take é completado com perfeição e vira o Undubbed Master.

- 15. Pledging My Love (Take 6 - Unedited Master): A guitarra de James Burton se pronuncia claramente no início do take. O entrosamento é sentido no ar e a harmonia entre vozes e instrumentos leva a crer que este seria um take vencedor se finalizado. Felizmente, ele é completado e se torna o Unedited Master.

- 16. He'll Have to Go (Take 2 - Rough Mix Master): Elvis já era familiarizado com esta que se tornaria a última canção trabalhada por ele em estúdio, mas não estava presente no momento da gravação do instrumental. Ele faz um trabalho rápido no take que se tornaria o Rough Mix Master e, posteriormente, o Master final, colocando sua voz sobre a trilha já na madrugada do dia 31 de outubro de 1976.

- 17. Fire Down Below (Take 14 - Master): Escrita por Jerry Scheff para Elvis, a trilha instrumental foi acabada em incríveis 14 takes, um número muito alto para faixas sem voz. Elvis, por algum motivo desconhecido, nunca colocou sua voz na trilha.

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VÍDEO (CD COMPLETO)

In a Private Moment (CD - FTD, 2000)

Título:
In a Private Moment
Selo:
FTD [FTD 003]
Formato:
CD
Número de faixas:
29
Duração:
57:00
Tipo de álbum:
Trilha sonora
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2000
Gravação:
1959, 1960 e 1966
Lançamento:
Janeiro de 2000
Singles:
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In a Private Moment foi o terceiro CD lançado pela FTD, no início de 2000. O trabalho traz canções gravadas informalmente por Elvis e seus amigos em ocasiões entre os anos 1959 e 1966. O disco está atualmente fora do catálogo da gravadora.

Um Elvis de bom humor e brincalhão é a característica principal deste lançamento que traz canções gravadas em fita em suas casa na Alemanha, em 1959, e em Malibu, em 1960 e 1966. Este material foi gravado em equipamento amador, com qualidade que não é das melhores, mas ainda bastante decente para esse tipo de coisa.

O CD, que é a continuação do "The Home Recordings" da RCA, oferece uma visão musical rara de um superstar sentado em casa tocando com os amigos e é um prazer de ouvir. Há muitos destaques aqui, como "Danny Boy", "Sweet Leilani", a sombria e perturbadora "Moonlight Sonata", e "What Now, My Love". A maioria das faixas conta com Elvis cantando e tocando piano, às vezes acompanhado por amigos como Red West, Charlie Hodge, Nancy Sharp e outros. Embora a qualidade não seja nada perto da perfeição do estúdio, ela permanece mais que palatável.

Nenhum fã sério de Elvis deveria ficar sem esse CD que contém muitas músicas raras não disponíveis em outros lugares. Simplesmente porque aqui se ouve o artista no exílio, trabalhando através de uma variedade de números por prazer, edificando sua essência e com um olho em seu retorno em 1960. Seja dirigindo o processo de gravação ou simplesmente se exibindo para amigos, este é Elvis em seu melhor - o recesso do lar.

Abaixo segue resenha do material disponibilizado no CD.
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- 1. Loving You (1959): Iniciamos com Elvis cantando a parte final de uma das best-sellers de 1957.

- 2. Danny Boy (1959): Uma das canções que não podia faltar em ensaios de Elvis também estaria certamente incluída em seus momentos privados. Sua voz soa perfeita na gravação, como se estivesse muito próximo ao gravador, e seu violão mostra uma técnica raramente percebida. Elvis a gravaria oficialmente em 1976 para o LP "From Elvis Presley Boulevard, Memphis, Tennessee" e a cantaria ao vivo em raras ocasiões.

- 3. I'm Beginning to Forget You (1959): Uma canção de "desamor" ao estilo de "I Forgot to Remember to Forget Her", gravada por Elvis ainda no Sun Studio em 1955, e com toques de "Only You" do The Platters é o que se segue. A voz aveludada do Rei do Rock casa perfeitamente com o sentimento da canção.

- 4. Beyond the Reef (1960): A gravação começa já no decorrer da canção e desta vez Charlie Hodge e Nancy Sharp, então namorada de Elvis (ambos haviam se conhecido no set de Flaming Star, onde ela era parte da equipe de figurino), se juntam na harmonia. O cantor gravaria uma versão bastante parecida em 1966, a qual só viria a público na caixa "Elvis Aron Presley" em 1980.

- 5. Sweet Leilani #1 (1960): Nancy Sharp e Charlie Hodge continuam a acompanhar Elvis neste clássico havaiano. A versão não passa de um breve ensaio, mas eles voltariam a ela.

- 6. If I Loved You (1960): Nancy Sharp por vezes lembra Millie Kirkham ou mesmo Kathy Westmoreland, embora claramente sem nenhum background musical. Elvis começa a demonstrar sua voz perfeita para o tenor, a qual desenvolveria bastante nos anos 1970.

- 7. Lawdy Miss Clawdy (1960): O clássico de 1957 infelizmente dura apenas alguns segundos, mas o que se ouve é bastante encantador.

- 8. I Wonder, I Wonder, I Wonder (1960): Elvis parece não conhecer bem a letra e é ajudado por Charlie Hodge. Apesar disso, a versão é bastante longa e a diversão é notória.

- 9. He (1960): Elvis começa a cantar "An Evening Prayer", que gravaria em 1971 para o disco "He Touched Me", lançado no ano seguinte, mas logo a interrompe e passa a cantar outro clássico Gospel. Dada a versão, uma gravação de estúdio certamente teria sido bem vinda em "His Hand In Mine".

- 10. When the Swallows Come Back to Capistrano (1960): Uma rendição bem humorada da canção italiana eleva o astral.

- 11. She Wears My Ring (1960): 13 anos antes de gravá-la em estúdio para o disco "Good Times", de 1974, Elvis mostra seu potencial com a canção. A versão é bastante tímida, mas forte.

- 12. Sweet Leilani #2 (1960): De volta à canção havaiana, Elvis e Nancy Sharp fazem um dueto e a cantam por completo. Este é conhecido como um "take alternativo" já lançado em outros trabalhos.

- 13. Moonlight Sonata (1966): Pulamos para 1966 e Elvis está em sua casa em Malibu. A primeira canção daquele ano no CD é uma versão bastante obscura do clássico de Beethoven. De qualquer forma, todos parecem se divertir com a música e seu tom sombrio, com Elvis e Charlie Hodge atingindo belíssimas notas graves.

- 14. Blue Hawaii (1966): Uma versão muito curta para quaisquer avaliações, mas nota-se que Elvis e seus amigos não encontram a nota certa para iniciá-la.

- 15. Hide Thou Me (1966): Uma das canções que Elvis cogitou colocar no disco "How Great Thou Art", lançado em 1967, tem aqui uma curta versão que nos deixa com vontade de ouvi-la propriamente gravada em estúdio.

- 16. Oh, How I Love Jesus (1966): Mais uma canção Gospel se segue e é outra que nos deixa ávidos por uma versão de estúdio.

- 17. Fools Rush In (1966): Uma das versões que mais trazem perguntas, ela é acompanhada de um fundo orquestrado que certamente não poderia ser gravado na casa de Elvis. Ao que parece, esta é uma das músicas enviadas para Elvis colocar sua voz enquanto descansava após brigar com os executivos da RCA por causa das péssimas canções que estava sendo obrigado a produzir para seus filmes. Sua versão de estúdio, mais country e seguindo a linha de Willie Nelson, seria gravada em 1971 e vendida no ano seguinte no disco "Elvis Now".

- 18. It's a Sin to Tell a Lie (1966): Novamente o acompanhamento orquestrado nos leva a crer que se trate de ima das faixas que passaram por overdubs em Malibu. Para qual filme teriam sido gravadas ainda permanece um mistério.

- 19. What Now, My Love (1966): Embora Elvis tenha arranjado uma versão bastante triste para seus shows de 1972 a 1974, esta é mais leve e animada. Elvis, ao piano, é acompanhado por Vernon, Red West e Charlie Hodge.

- 20. Blowin' In the Wind (1966): Apesar de Bob Dylan fazer questão de ter uma rusga com Elvis por diversos anos, o Rei do Rock ainda assim deixava clara sua admiração. Talvez uma versão de estúdio desta canção, um dos maiores sucessos de Dylan, não fosse recomendada, mas Elvis ainda gravou "Tomorrow Is a Long Time" pela RCA neste mesmo ano, a qual somente foi lançada em janeiro de 1977 no LP europeu "Elvis In Demand".

- 21. 500 Miles (1966): Escrita pela cantora folk Hedy West em 1961, é mais um hit country que Elvis adorava. A harmonia de todos na sala é brilhantemente combinada à voz profunda de Elvis.

- 22. I, John (1966): Infelizmente a fita não resistiu ao tempo e esta canção Gospel tem apenas alguns segundos. Elvis a gravaria em 1971 para o LP "He Touched Me", do ano seguinte.

- 23. I'll Take You Home Again, Kathleen #1 (1959): De volta à Alemanha em 1959, a famosa canção irlandesa é rendida de forma rápida e como um ensaio para o que viria a seguir. Elvis gravaria sua própria versão em 1971.

- 24. I Will Be True (1959): Um clássico cinquentista, é cantada por Elvis enquanto toca piano em sua casa em Bad Neuheim. Demoraria, mas o cantor gravaria sua própria versão em estúdio em 1971, a qual apareceria no disco "Elvis (The Fool Album)" de 1973.

- 25. Apron Strings (1959): Embora o volume do piano esteja bem mais alto do que o da voz de Elvis na gravação, ainda se pode saborear este clássico do Be-bop.

- 26. It's Been So Long, Darling (1959): Sucesso de Ernest Tubb em 1945, é rendida por Elvis tendo como base a versão de 1957 de Hank Snow. De fato, Elvis e Hank já a cantavam em seus encontros nos tempos do Louisiana Hayride.

- 27. I'll Take You Home Again, Kathleen #2 (1959): Voltando ao clássico irlandês, esta versão mais lenta é a que mais se parece com a gravação de estúdio que Elvis faria em 1971 e a RCA disponibilizaria no disco "Elvis (The Fool Album)" em 1973.

- 28. There's No Tomorrow (1959): Esta é uma das raridades mais importantes deste CD. Elvis canta o título e a versão conhecida da música até então, um sucesso de Tony Martin em 1949, sem saber que menos de um ano depois estaria gravando-a para a RCA. Sua versão receberia letra diferente, mas ainda assim seria baseada na canção italiana "O Sole Mio" apesar de se chamar "It's Now or Never". O hit se tornaria parte de suas apresentações de 1961, 1969 a 1974 e mais proeminentemente do final de 1975 em diante.

- 29. Number Eight (1959): Gravada originalmente por Wynn Stewart em 1958, faz parte das canções enviadas a Elvis pela RCA para que ele avaliasse a possibilidade de gravá-la em estúdio. Não se sabe se o Rei do Rock a recusou ou se a gravadora a descartou, mas o fato é que Elvis nunca a gravou e a versão de Wynn só surgiria no mercado em 1990.

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