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Aloha From TV: Nos Bastidores de Aloha From Hawaii

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Esta postagem não leva em conta os concertos em si, e sim as circunstâncias em torno deles. Qualquer menção que possa ser vista como negativa não é, portanto, dirigida a Elvis ou aos shows em questão.
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Aloha from Hawaii é um dos mais conhecidos concertos de Elvis Presley, e foi transmitido ao vivo via satélite em 14 de janeiro de 1973. A apresentação ocorreu no Centro Internacional de Honolulu (HIC - agora conhecido como Neal S. Blaisdell Center), em Honolulu, Havaí, e foi exibido em mais de 40 países da Ásia e  Europa.


HISTÓRIA

Em 8 de julho de 1972, inspirado em uma recente visita feita pelo presidente dos EUA, Richard Nixon, à China, o empresário de Presley, o coronel Thomas Parker, anunciou que haveria uma transmissão mundial via satélite de um show de Elvis no Havaí para permitir que o mundo inteiro tivesse a chance de ver uma de suas apresentações "uma vez que é impossível nos apresentarmos em todas as grandes cidades" (o que não era fato, e sim apenas o medo de Parker de sair dos EUA e não poder mais voltar - ele entrara clandestinamente nos anos 1920).

Parker inicialmente declarou que iria acontecer em outubro ou novembro de 1972, mas esta data foi alterada para o início de 1973 após a MGM mostrar preocupação com a data, que confrontaria com o lançamento de seu documentário Elvis on Tour. Como os shows já haviam sido planejados, os três ocorreram normalmente nos dias 17 e 18 de novembro de 1972, mas sem serem filmados.

Os jumpsuits usados nas apresentações de 1972 no Havaí.
Esquerda para a direita: Thunderbird (17/11/72), Black Conquistador (18/11/72, 14:30), Aztec Star (18/11/72, 20:30)


Parker então realizou mais uma conferência de imprensa em 4 de setembro de 1972, em Las Vegas, para confirmar que o concerto, agora intitulado Aloha From Hawaii, seria transmitido em 14 de janeiro de 1973. A apresentação beneficente visou arrecadar fundos para a Fundação do Câncer Kui Lee e conseguiu o montante de US$ 75 mil para a causa (US$ 900 mil atuais).

A imprensa foi informada de que um público de 1 bilhão de pessoas era esperado para ver o "primeiro show especial a ser transmitido ao vivo em todo o mundo", embora Parker não tenha levado em conta o fato de que muitos países, incluindo partes da Europa e da América, não iriam ver o show ao vivo devido ao horário da transmissão e outros fatores.

Mesmo nos EUA, o especial não passou ao vivo. O show só foi ao ar quase três meses depois, em 4 de abril de 1973, cheio de cortes e com a inserção de clipes. O Brasil também não viu a apresentação até 1977, quando o especial passado na TV americana foi exibido em homenagem a Elvis na ocasião de seu falecimento.

No nosso caso, isso se deu porque havia um parâmetro que determinava quais países poderiam receber o show ao vivo: pelo menos 50% dos televisores do país deveriam ser a cores, pois o cenário do concerto havia sido estrategicamente montado e colorido para impressionar a vista. Em 1973 o Brasil possuía pouquíssimos aparelhos de TV coloridos, pois a venda dos mesmos e as transmissões a cores haviam recentemente começado, em 1972.

Apesar disso, toda a promoção do especial mostrava que pelo menos 40 países, entre eles o Brasil, receberiam a transmissão ao vivo, o que não ocorreu.

Marketing: apesar de não receber a transmissão, o Brasil constava entre os 40 países que veriam a apresentação.
FOTO: Conferência de imprensa para o Aloha From Hawaii em Las Vegas, ocorrida em 4 de setembro de 1972.


A afirmação do "primeiro show especial a ser transmitido ao vivo em todo o mundo" também não era verdadeira, pois a primeira transmissão do tipo - o especial Our World - tinha se dado em 25 de junho de 1967, incluindo artistas de renome como Maria Callas, Pablo Picasso e The Beatles - Aloha From Hawaii foi, então, somente o primeiro concerto ao vivo via satélite com um único performer. Também é incorreta a informação dada por Parker e pela imprensa de que entre 1 e 1,5 bilhão de pessoas assistiram ao show ao vivo. A população total dos países em que a transmissão seria em tempo real era em torno de 1,3 bilhão - implicando em que todos teriam de ver o show para que a informação fosse correta - e nem todos veriam o evento por causa do fuso-horário.

Duas semanas após a conferência de imprensa em Las Vegas, Parker recebeu uma carta do colunista do Honolulu Advertiser, Eddie Sherman. Ele havia lido notícias de que os ingressos para as apresentações não seriam cobrados, e que em vez disso cada pessoa faria uma doação de qualquer valor para a caridade. Sherman sugeriu a Parker que Elvis cantasse "I'll Remember You", que era uma composição de Kui Lee - um dos artistas mais famosos do Havaí - e fazia parte dos shows regulares de Presley, como uma forma de agradecimento ao povo e ao homem que deu nome à instituição que receberia as doações, a Fundação do Câncer Kui Lee. Vendo a oportunidade de divulgar a natureza beneficente de Elvis Presley, mais uma vez, Parker ansiosamente concordou.


IDÉIAS E ENSAIOS

Presley chegou ao Havaí em 9 de janeiro de 1973, um dia depois de seu 38 º aniversário, para começar os ensaios. Apesar das circunstâncias na vida pessoal de Elvis, tudo parecia estar melhorando, pois Elvis não costumava deixar o lado pessoal interferir nos palcos.


FOTOS: ELVIS CHEGA AO HAVAÍ - 9 DE JANEIRO DE 1973








Elvis perdera 11 quilos para os shows  e estava confiante após receber a notícia de que suas vendas de discos estavam aumentando e que "Elvis On Tour" tinha sido nomeado para um Globo de Ouro.

Os ensaios foram realizados no Hilton Hawaiian Village Hotel enquanto o conjunto principal, o Honolulu International Center (HIC) - onde os shows ocorreriam - estava sendo preparado. Embora houvesse vários problemas técnicos, os ensaios foram um sucesso total.

Hilton Hawaiian Village Hotel nos dias atuais


O produtor e diretor da atração, Marty Pasetta, tinha assistido um dos concertos de Presley em Long Beach, em meados de novembro de 1972, e achado "chato" e desprovido de qualquer excitação física. Ele se aproximou de Parker com idéias sobre a transmissão, incluindo uma pista que levaria para fora do palco para que Presley pudesse se aproximar de seu público. Mas Parker insistiu que as idéias eram inúteis e que Presley concordaria que eles eram inúteis.

Pasetta, no entanto, decidiu abordar Presley com as idéias e ficou agradavelmente surpreso ao descobrir que o cantor gostaria de fazer o que ele sentia ser melhor para o show. Este foi mais um exemplo da crescente distância entre Presley e seu agente que culminou nas já bem conhecidas brigas que levaram ambos a se separarem e juntarem por várias vezes nos anos seguintes.


DOIS SHOWS, DOIS ELVIS

Após 3 dias de ensaios, Elvis se apresentou, em 12 de janeiro de 1973, em uma espécie de "concerto-ensaio" que foi gravado, mas não transmitido. A apresentação, que ficou conhecida como The Alternate Aloha, se deu no mesmo local do "Aloha", o Honolulu International Center (atual Neal S. Blaisdell Center).

Honolulu International Center (Neil S. Blaisdell) atualmente


No concerto de 12 de janeiro, Elvis estava visivelmente mais solto e frequentemente falava com a platéia sobre o porquê de estar fazendo certas coisas - como procurar as marcas das câmeras - e não estar fazendo outras. Ele se dizia preocupado com o show via satélite e pedia ao público que desejasse muita sorte. Mesmo assim, o show foi gravado como uma espécie de "backup", caso qualquer coisa desse errada com a transmissão via satélite - se houvesse algum problema, o "concerto-ensaio" do dia 12 seria transmitido no lugar da apresentação ao vivo.


FOTOS: 12 DE JANEIRO DE 1973 - JUMPSUIT AMERICAN EAGLE






Já no show de 14 de janeiro, o "Aloha" transmitido via satélite, Elvis adentrou o palco mais confiante. Porém, sua apresentação mostrou-se extremamente rígida do início ao fim, deixando-se soltar um pouco - mas não muito - durante a interpretação de "Fever".


FOTOS: 14 DE JANEIRO DE 1973 - JUMPSUIT AMERICAN EAGLE




















Tudo deveria ser rigorosamente coreografado, desde os movimentos, as expressões corporais e a interação com o público ao ritmo da apresentação e o trabalho de câmera. Afinal, não era um show de Elvis Presley, e sim uma promoção de Tom Parker, um programa de TV com platéia, por assim dizer.

E é isso que deixa claro a reportagem de Wayne Harada, do jornal Honolulu Advertiser, veiculada no dia 14 de janeiro:

"Elvis Presley recebeu uma coroa de ouro - e uma ovação de pé - na conclusão de seu inédito show de TV ao vivo transmitido via satélite para uma audiência global de mais de 1,5 bilhão nas primeiras horas da madrugada. Presley transpirava muito e simplesmente segurou com a coroa, aceitando os elogios, antes de desaparecer nos bastidores em mais uma noite de trabalho concluída.
A Arena HIC, lotada com 6000 fãs havaianos, tornou-se um gigantesco estúdio de TV para o espetáculo de uma hora, "Aloha from Hawaii", que foi transmitido pela para cerca de 40 nações. Foi uma hora emocionante - com música e gritos ruidosos - onde Presley cantou um total de 25 músicas, incluindo uma versão rara e pungente de "I'll Remember You", de Kui Lee. Assim como o ensaio de sexta-feira à noite, o show de ontem foi um benefício para o Fundação do Câncer Kui Lee.

Mas ao contrário de qualquer outra produção de caridade, este teve que aura de The Big Time: um superstar fazendo um super desempenho, bem diante dos olhos do mundo. As equipes de filmagem estavam por toda parte: no palco, nos corredores, na platéia; o zoom estava em Presley e seu desempenho inovador, coordenado pela RCA Record Tours. "Aloha from Hawaii" é a primeira transmissão especial ao vivo para um público global; ele será expandido para um especial de 90 minutos da NBC-TV, que será exibido aqui e no continente ainda este ano.

Talvez apenas um fenômeno como Presley pudesse realizar tal façanha em uma hora tão imprópria para shows - 00:30, hora do Havaí - e ainda lotar a casa. O concerto foi semelhante em formato ao seu par de shows de novembro de 1972 no HIC: começou na escuridão, com a fanfarra de "2001: A Space Odyssey" antecedendo entrada de Elvis Presley; terminou com Presley cantando "Can't Help Fallin' in Love with You". Claro, houve diferenças. Para começar, Presley arremessou sua capa branca e cravejada para o público - um marco do seu número final. Esse foi o sonho de um colecionador que se tornou realidade. O sortimento habitual de lenços foi disponibilizado para o público em determinados pontos do show.

O palco, especialmente construídos para a apresentação, era excepcionalmente grande e com uma plataforma saliente, consistindo de uma parede preta que se estendia desde o chão ao teto da arena. Uma série de espelhos emolduravam ambos os lados do palco e luzes especiais -  na forma de silhuetas de Presley e de letras -  soletravam o seu nome não só em inglês, mas em línguas estrangeiras, acendendo e apagando ocasionalmente. Uma vez no palco, Elvis nunca o deixou nem parou para intervalos comerciais.

Para o público havaiano, "I'll Remember You" foi a rendição mais sentimental. A versão de Presley manteve o sabor havaiano, mas também aproveitou o alcance internacional da música; facilmente poderia emergir como o próximo hit Nº. 1 de Elvis Presley. "An American Trilogy" foi outra instância emocional, que enviou várias centenas de fãs aos seus pés. Mas, aparentemente, a necessidade de manter o show andando - pois o tempo de transmissão na TV é precioso - forçou Presley a ignorar a resposta do público.

O concerto foi inteligentemente ritmado e embalado para atender todos os campos da discografia de Presley. Haviam os antigos sucessos - Love Me, Blue Suede Shoes, Hound Dog, Johnny B. Goode, Long Tall Sally; haviam os recentes - Suspicious Minds, Burning Love, What Now My Love; e haviam as partes acaloradas - See See Rider, Something, Fever, esta última com os clássicos movimentos pélvicos de Presley. E também estavam lá as rendições especiais de Welcome to My World, It's Over e I'm So Lonesome I Could Cry.

Ele só tocou sua guitarra uma única vez. Afinal, tinha todo o apoio musical de que precisava: a combinação dos seis músicos de sua banda, com JD Sumner, The Stamps Quartet e The Sweet Inspirations fazendo os backing vocals, e uma orquestra gigantesca de de 40 músicos, incluindo uma seção de cordas esplendidamente ágil composta por alguns dos nossos músicos sinfônicos. Presley manteve a conversa ao mínimo. Brincou sobre Hound Dog: "Eu era apenas um bebê quando eu fiz essa canção". Ele introduziu Jack Lord como um de seus atores favoritos. E relatou que sua meta original de US$ 25.000 para a Fundação do Câncer Kui Lee tinha sido ultrapassada, com mais de US$ 75.000 levantados em doações.

O Aloha de Elvis Presley para o Havaí tinha sido demonstrado antes, quando ele ajudou a levantar fundos para a construção do USS Arizona Memorial em 1961. O show de ontem reafirma o carinho filantrópico de Presley e do Coronel Tom Parker para com o Havaí. Como a natureza duradoura da música de Kui Lee, a incandescência de Presley é incomparável. Talvez Presley tivesse uma mensagem oculta em quando cantou as linhas de fechamento da canção de Kui Lee: "... ama-me sempre, prometa que sempre se lembrará também."


LUZ, CÂMERA... ALOHA!

No intuito de mostrar Elvis com perfeição, vários fatores, efeitos e técnicas foram usados.

Em primeiro lugar, o cenário colorido deveria refletir o Havaí e sua flora, além de realçar o branco do jumpsuit de Elvis. Depois, o palco alto deveria impedir que as fãs pudessem agarrar Presley e provocar uma cena "escandalosa" que seria vista no mundo inteiro. Mas Elvis quebrou o protocolo algumas vezes, deixando que as fãs o abraçassem - e até tentassem roubar seus anéis, ação sempre correspondida com uma risada sarcástica.

Em seguida, espelhos foram inseridos nas extremidades do palco para refletir a platéia - e simular um público maior do que os 6 mil realmente presentes. Por último, como o show não poderia ser parado nem as canções poderiam ser repetidas, Elvis tinha a sua disposição dálias com as letras logo abaixo da câmera que o filmava desde o centro do palco.


FOTOS: DETALHES DA ILUMINAÇÃO, ESPELHOS E DÁLIAS








DEPOIS DO SHOW, MAIS TRABALHO

Quando o especial Aloha From Hawaii terminou, já passava de 1:30 da manhã no Havaí. Em partes dos EUA, já era mais de 7:30. Mesmo assim, Elvis teve de esperar a Arena HIC esvaziar para cumprir sua última parte no contrato.

Ele precisava gravar algumas canções para o especial que seria transmitido na TV americana em 4 de abril de 1973. Eram quatro músicas: "Blue Hawaii", "Ku-u-I-po", "Hawaiian Wedding Song" e "Early Morning Rain". Elvis começou a gravar às 2:15 da manhã e, entre erros e acertos, o trabalho estava pronto em torno das 3 horas.

Elvis grava as canções para a edição da TV americana



O LEGADO HAVAIANO

Em última instância,  todo este trabalho se traduziu em uma apresentação memorável que marcou a história das transmissões via satélite e resumiu os dias áureos da carreira de Elvis Presley. O show, existente hoje em VHS e DVD, permanece um dos mais lembrados da música internacional.


2 comentários:

  1. Ótimo texto com um resumo do que foi esse espetáculo que permanece imponente até os dias atuais. Sempre que me perguntam sobre Elvis costumo dizer: cara repita o que ele fez ao vivo no Hawaii em 1973 pra ver se é fácil.

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