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I'VE GOT TO FIND MY BABY!

An American Trilogy: O Disco Que Nunca Existiu (Las Vegas, 1972)

Elvis (jumpsuit Lucky) e Charlie Hodge em show de agosto de 1972 em Las Vegas

Depois do sucesso de seu último álbum ao vivo (On Stage, de 1970) e percebendo que já havia passado um bom tempo, a RCA encomendou um novo disco ao vivo para Elvis em seu retorno a Las Vegas no início de 1972. O LP, que se chamaria "An American Trilogy", nunca saiu do papel por motivos desconhecidos até hoje.




LAS VEGAS, 1972

Elvis nunca viu seu nome em tanta evidência quanto no período de 1968 a 1972 (e depois até meados de 1974), exceto pelos dias da explosão de seu novo ritmo no início dos anos 1950.

Os discos de 1969, que voltavam às suas raízes country e traziam um Elvis mais letrado em todos os estilos musicais, ainda eram de grande procura e suas apresentações em Las Vegas esgotavam assim que as vendas dos ingressos eram abertas; pessoas do mundo todo, incluindo artistas renomados, reservavam seu lugar na platéia do International com meses de antecedência para poder ver o fenômeno em pessoa.

Elvis em Greensboro, Carolina do Norte, em 14 de abril de 1972
(jumpsuit Royal Blue Fireworks)


"From Elvis In Memphis", primeiro disco lançado na ocasião de seu retorno em 1969 e pouco antes dos primeiros shows em Vegas, mostrava que Elvis podia estar mudado, mais consciente de sua potência vocal e focado em defender suas raízes de RockR&B e Country. Seu primeiro disco ao vivo, "Elvis In Person at the International Hotel", lançado em 14 de outubro de 1969 juntamente com "Back In Memphis", já era um sucesso estrondoso no início do ano seguinte e os novos lançamentos só iam aumentar as vendas.


Os anos de 1970 e 1971 também haviam ajudado a criar a imagem que agora tomava conta do país e do mundo. "On Stage", o segundo disco ao vivo, lançado em junho de 1970, trouxe algumas canções que Elvis raramente voltaria a cantar e atiçou ainda mais a vontade de seus fãs, e mesmo de quem ainda o desconhecia, de estar em um de seus shows. "Elvis Country", "Love Letters from Elvis" e "Elvis Sings the Wonderful World of Christmas", todos de 1971, só fizeram provar a superioridade artística de Elvis e sua facilidade em transitar entre gêneros.

Elvis ao fim do show das 20:15 em Las Vegas em 2 de setembro de 1972
(jumpsuit Wheat)


Na esfera de Vegas, nem seria necessário dizer que a chama estava ficando cada vez mais alta. Plateias sempre lotadas esperavam ansiosas pelos shows do Rei do Rock e a Cidade do Pecado vivia o auge de seu boom comercial. Novas canções estavam no repertório de Elvis e "Also Sprach Zarathustra" já estava consagrada como o tema de abertura de todos os seus shows.

Dado o sucesso de seus dois discos ao vivo, tanto Elvis quanto o Coronel e a RCA chegaram à conclusão de que, passado mais de um ano do lançamento de "On Stage", já era hora de um novo disco com partes de shows ou até mesmo um completo.

E nada melhor do que gravá-lo em no ambiente controlado, com uma plateia ordeira e fiel, dos dois anteriores: o palco do International. Elvis e a RCA decidiram então fazer as gravações em meados da primeira temporada de 1972 em Las Vegas, que se estendeu de 26 de janeiro a 23 de fevereiro com dois shows diários.


Elvis durante o show das 20:30 de 18 de novembro de 1972 no Havaí
(jumpsuit Aztec Star)


AN AMERICAN TRILOGY

Elvis e a RCA entraram em um acordo e decidiram que a melhor data para gravar os shows seria entre os dias 14 e 17 de fevereiro, período em que o movimento em Vegas era menor e a plateia presente seria a mais calma possível. Seria preciso parar a canção e recomeçá-la se houvesse algum erro, além de um intervalo maior entre rendições, o que provavelmente não agradaria o público da temporada mais alta.

Com tudo preparado, Elvis toma o palco com entusiasmo nos dois shows do dia 14 de fevereiro. Nesta noite, a RCA captura a primeira rendição da canção "An American Trilogy", que acabou tornando-se a versão do single e é a mais conhecida hoje. Contudo, somente esta música, "A Big Hunk O' Love" e o medley "Little Sister/Get Back" foram aproveitadas, todas do show da meia-noite, devido a problemas técnicos.

Os dois shows do dia 15 foram os que renderam mais gravações, oito no total, completando praticamente toda a demanda de faixas para um disco (que gira em torno de 12 a 15 faixas). "Proud Mary" e "Never Been to Spain" brilharam em novos arranjos, bem como "You Gave Me a Mountain", apresentada aqui apenas em sua sexta rendição.

Poster de lobby dos anos 1960 mostrando o showroom do International Hotel

Nos shows do dia 16, as gravações continuaram, mas sem sucesso em obter novas faixas. Somente o show da meia-noite produziu duas canções utilizáveis, as quais se tornaram itens um tanto raros. "It's Impossible", uma versão traduzida da original mexicana "Somos Novios", de Armando Manzanero, aparece pela última vez em um show de Elvis e é a única gravada profissionalmente. Sem uso, ela acabou inserida no disco "ELVIS" (1973) para completar o número de faixas necessárias para o LP. Na sequência, "The Impossible Dream", de "O Homem de la Mancha", ganhou arranjos supremos e acabou sendo lançada em single nos meses seguintes; além disso, essa seria a penúltima vez em que Elvis a cantaria (a última foi no Madison Square Garden em 10 de junho de 1972).

Os shows de 17 de fevereiro foram os que menos renderam às gravações. Deles, somente "It's Over", da apresentação das 20:15, foi utilizada. A canção acabou lançada em single e só chegou ao público em geral em 2007 na edição dupla do CD "Viva Las Vegas".


O DISCO QUE NUNCA EXISTIU

Poderia ser este o disco culpado pela inexistência
de "An American Trilogy"?
A incógnita do porque de o disco não ter sido produzido e lançado permanece até hoje. Há alegações de que as faixas não eram suficientes, mas se sabe que, no total, 17 canções eram utilizáveis - mais do que o necessário. Além disso, a RCA tinha material ainda não lançado que poderia ser incluído no trabalho. Por outro lado, alguns dizem que Elvis não gostou das rendições e cancelou o projeto, mas como se sabe, ele raramente ouvia seus discos.

A teoria mais aceita por todos é que a RCA tenha preferido gravar uma ocasião com mais fãs e mais única. E é por isso mesmo que eles teriam escolhido os shows no Madison Square Garden, que ocorreriam entre 9 e 11 de junho daquele ano. Se pararmos para pensar, faz sentido vender Elvis em meio a uma multidão de fãs gritando descontroladamente quando já era comprovado que ele se apresentaria no Havaí em novembro. O mundo precisava ouvi-lo de forma diferente, cheio de energia e com muito tumulto.

Mas o fato é que, aparte das especulações, não há motivo aparente conhecido para o cancelamento deste projeto. A RCA não poderia alegar falta de fundos para lançar dois discos ao vivo consecutivos de um artista sendo a maior gravadora do mundo. O mistério parece que permanecerá por muito tempo.

Elvis durante a temporada de agosto/setembro de 1972 em Las Vegas
(jumpsuit Light Blue Spanish Flower). FOTO: ©Rex Martin.


FTD REVIVE AN AMERICAN TRILOGY

Capa do disco remasterizado lançado pela FTD em 2007
Se a RCA deixou o projeto de lado em 1972, 35 anos depois a FTD recuperou as fitas e colocou o disco em pauta novamente, conseguindo o que a RCA não conseguia há muito tempo: lançar um disco de Elvis com material totalmente novo. As fitas multi-track são materiais muito confiáveis de se trabalhar, apesar de perderem qualidade com o tempo, mas a masterização de Lene Reidel conseguiu capturar a essência das apresentações, embora o som não tenha ficado tão cheio quando desejaríamos.

Ouvindo o tema de abertura, a excitação se acumula e somos surpreendidos por uma versão entusiasta de "See See Rider". "Proud Mary" tem uma grande percussão e "Never Been to Spain" também é uma versão forte que leva diretamente ao real destaque desse disco, "You Gave Me a Mountain", que ganhou uma leitura sincera com algumas diferenças sutis de outras versões. Outra surpresa, após Elvis tossir e dizer "com licença enquanto eu morro" à platéia, é "Hound Dog", executada praticamente com a mesma batida ouvida nas apresentações dos anos 1950 no The Ed Sullivan Show.


Para produzir o "disco que nunca existiu", a FTD teve acesso aos documentos da RCA e retirou deles a setlist do álbum original:

1. Also Sprach Zarathustra (15/Midnight)
2. See See Rider (15/Midnight)
3. Proud Mary (15/Midnight)
4. Never Been To Spain (15/Midnight)
5. You Gave Me A Mountain (15/Midnight)
6. Love Me (15/Midnight)
7. All Shook Up (15/Midnight)
8. Teddy Bear / Don't Be Cruel (15/Midnight)
9. Hound Dog (15/Midnight)
10. Little Sister / Get Back (14/Midnight)
11. It's Impossible (16/Midnight)
12. It's Over (17/Dinner)
13. The Impossible Dream (16/Midnight)
14. A Big Hunk O' Love (14/Midnight)
15. An American Trilogy (14/Midnight)
16. Can't Help Falling In Love (15/Midnight)
17. Closing Riff (15/Midnight)


O nível de qualidade auditiva cai significativamente após o fim do disco original, nas sete faixas incluídas como bônus pela FTD:

18. Until It's Time For You To Go
19. Polk Salad Annie
20. One Night
21. Bridge Over Troubled Water
22. Lawdy, Miss Clawdy
23. I'll Remember You
24. Suspicious Minds

Isso se deu porque elas não foram gravadas em multi-track, algo que ocorreu frequentemente em 1972. Em geral, se os direitos pela canção não fossem da RCA, a gravadora não usava fitas multi-track, que eram caras e seriam inutilizadas por não poderem ser totalmente comercializadas.
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*não existem fotos dos shows utilizados para o disco. A fato utilizada pela FTD para a capa do CD é da temporada de agosto/setembro de 1972 em Las Vegas e pertence ao fotógrafo Rex Martin.
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OUÇA O DISCO COMPLETO AQUI:


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