I'VE GOT TO FIND MY BABY!

Entrevista com Shaun 'Sherrill' Nielsen


Não é segredo que Elvis adorava a voz do tenor Sherrill Nielsen. Durante um dos dos shows de 1970 em Las Vegas, Elvis o introduziu como "o melhor tenor da música gospel". Nos anos finais Sherrill fez parte dos músicos do Rei do Rock tanto no palco como no estúdio.

Ele pode ser ouvido fazendo a harmonia em 'Spanish Eyes' e 'Help Me' e é Sherrill que faz o falsetto no final de 'Unchained Melody'. Mas ele provavelmente é mais conhecido por cantar 'O Sole Mio' na introdução de 'It's Now or Never' nos shows de 1976 e 1977 e pela diferente 'Softly, As I Leave You', onde canta enquanto Elvis recita a letra.

A música gospel é muito importante e presenta na vida de Sherrill e ele foi o tenor em grupos muito influentes como The Speer Family, The Statesmen e The Imperials. Ele foi introduzido no Hall da Fama Gospel pelas conquistas nessa área.

A entrevista a seguir se deu em sua casa em Viborg, Dinamarca, em 2010 e todos os direitos são reservados ao Fã-Clube Oficial de Elvis na Austrália.

Sherrill morreu em 10 de dezembro de 2010 devido a um câncer no pulmão.
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Você nasceu em Montgomery, Alabama, em 10 de setembro de 1942. Você pode nos contar um pouco sobre sua formação?

Eu comecei a cantar na igreja quando tinha quatro ou cinco anos de idade. Na escola eu era um pouco famoso, porque podia correr mais que todos os meninos e cantar mais alto do que todas as meninas! (risos). Eu também era o menor na classe, mas mesmo assim descobri que poderia ser aceito por cantar, e isso é parte do que me motivou a cantar. Eu tinha uma vida doméstica muito infeliz, mas achei aceitação no canto. Saí de casa e fui morar com meus avós quando tinha 14 anos. Eles eram extremamente religiosos, por isso mesmo eu tinha que me esconder, basicamente, para ouvir Roy Orbison, Elvis e Sam Cooke, então acabei por cantar Gospel.

Foi uma oportunidade para cantar, e é isso que eu queria fazer. Tenores eram difíceis de encontrar, e aconteceu de eu ser um tenor, então todos estes grupos estavam interessados ​​em mim. Lembro-me de meu avô disse uma vez: 'Filho, você tem que arranjar um emprego regular, você não pode fazer uma vida cantando!' (risos). Ele podia estar certo, mas enfim - é assim que eu comecei a cantar.

Como você entrou nos quartetos profissionais?

A oportunidade surgiu quando eu estava na faculdade em Nashville, Tennessee. Eu tinha gravado um álbum em um pequeno estúdio de lá, um álbum Gospel que eu vendia quando estava cantando em revivals e igrejas. Eu participava dos eventos Gospel que duravam a noite toda em Nashville, com os The Statesmen e os The Blackwood Brothers [do qual JD Sumner fazia parte]. Isto foi basicamente em torno do mesmo tempo em que Elvis ia assistir seus shows em Memphis.

O homem responsável [pelos shows] perguntou se eu poderia cantar. Mais tarde, ele disse que a razão de ele ter perguntado isso era porque eu estava vestindo um smoking com uma camisa extravagante. Eu estava vestido tão bem, que ele pensou: "Bem, quem sabe?". Então, ele me colocou no show e eu cantei, e eles não me deixaram mais sair do palco. The Statesmen e Jake Hess me ouviram. Hovie Lister, dos Blackwood Brothers, me levou até o ônibus da banda, me deu um disco e me convidou para cantar em seu programa de rádio. Jake anotou meu telefone, contou ao grupo sobre mim, e, mais tarde, eu fui me juntar a um grupo chamado Songfellows na Califórnia. Então ele [Jake] contou à família Speer. Eu cresci com a família Speer em Montgomery, que eram membros da minha igreja. Lembro-me que minha avó me levou para cantar para Ben Speer uma vez, e ele me elogiou. Ben teve um ataque cardíaco e eles precisavam de alguém para substituí-lo, então a família Speer me contratou.

Você ouvia muito as músicas de Elvis nos anos 1950?

Eu me lembro de sentar no conversível de um amigo durante a adolescência e ouvir 'Hound Dog'. Eu gostava, era divertido. O engraçado é que eu gostava das músicas dele, mas não era grande fã dele. Passei a ser um grande fã quando o conheci. Eu não tinha muita chance do ouvi-lo, estávamos sempre ocupados com nossas apresentações. The Imperials faziam mais de 200 shows por ano.

Em 1966 The Imperials trabalharam com Elvis pela primeira vez.

Sim, eu lembro da primeira vez em que nos encontramos com ele, foi no estúdio B da RCA em Nashville. Ele entrou pela porta, veio até mim, esticou a mão e disse: 'Oi, eu sou Elvis Presley. Tenho todos os seus discos. Você é um dos meus cantores favoritos'. Aquela foi minha introdução a ele. Eu não sabia que ele me conhecia, mas ele via nosso programa de TV matinal. Começava às seis horas da manhã, e ele ficava acordado para nos ver e depois ia dormir.

Quais foram suas impressões sobre ele na época?

Ele era basicamente um cara muito bom. Ele me pediu para sentar ao piano e lhe ensinar uma música que eu recentemente tinha gravado, 'Where No One Stands Alone'. Foi um momento de admiração mútua. Ele não tinha vergonha de dizer que me admirava pelo que eu fazia e como fazia. Depois disso eu percebi como ele era perfeccionista e competente como cantor e músico. Ele sabia exatamente o que queria.

Os métodos de gravação dele eram diferentes do que você estava acostumado?

Para mim não, porque ele queria fazer certo. Ele fazia e refazia até estar tudo certo. O diferente era o fato de ele não se preocupar com o tempo em estúdio e o quanto isso custava. Ele chegava lá em torno das 10, 11 da noite, mas as sessões só começavam depois da meia-noite. Antes ele conversava com todos, brincava e relaxava até estar pronto para gravar. Isso era único, pois quando você está em um estúdio você quer gravar o mais rápido possível porque custa caro. Ele não se preocupava com isso (risos).

Em junho de 1967 The Imperials trabalharam novamente com Elvis, mas você não estava lá.

Não, aquela sessão de 1966 foi a única que fiz com Elvis e os Imperials. Não gravei com ele novamente até 1973.

Em 1972 Elvis gravou 'The Impossible Dream', que aparentemente foi baseada em sua versão.

É exatamente a mesma. Eu não sabia que ele havia gravado até que a ouvi e percebi que ele havia retirado o arranjo diretamente do meu disco. Ele fez uma transposição que se movia na mesma nota. Eu sei que ele se orgulhava de cantar na mesma nota que o original e ele cantou na mesma que eu. Era engraçado de ouvir.



Em setembro de 1973 você tinha um grupo chamado The Rangers.

Sim, foi o primeiro nome que usamos. Estavamos tocando no Grand Ole Opry na época.

Li que Elvis queria que vocês cantassem com Tom Jones em Vegas.

Sim, ele mandou um jato particular e uma limusine para nos levar até o hotel. Nós fomos levados a um quarto onde estavam Elvis, Tom Jones e Bobby Joe Gentry. Cantamos por bastante tempo. No dia seguinte Elvis nos chamou e disse que tinha uma notícia boa e outra ruim. A ruim era que Tom Jones não poderia nos  usar por questões contratuais e a boa era que ele havia bolado uma espécie de contrato e que nós nos interessaríamos bastante. Ele havia escrito em uma folha de papel higiênico! (risos). Não sei o significado daquilo, mas dizia que pela soma de 100 mil dólares nós viajaríamos com ele, comporíamos músicas para sua companhia (Gladys Music) e trabalharíamos com ele. Ele nos perguntou se estávamos interessados, e é claro que estávamos! Um pouco depois ele decidiu que queria que nós abríssemos os shows dele. Na verdade eu acho que ele estava procurando alguma coisa para nós fazermos (risos).

Soube que o Coronel quase se engasgou com o charuto quando ouviu sobre os 100 mil dólares.

Imagino que sim. Não custou nada para ele, mas ele era extremamente controlador. Ele não gostava de nós porque não podia nos controlar. Ele queria controlar tudo à volta de Elvis, tudo que era feito. E ele não tinha nada a ver com aquilo.

Por quê Elvis mudou o nome do seu grupo para 'Voice'?

Elvis recebia um jornal com este nome e ele gostava. Fico feliz que tenha sido 'Voice'. Ele podia ter nos chamado de 'Merda' e nós diríamos: 'É maravilhoso!' (risos).

Vocês discutiam religião com ele?

Sim, frequentemente nos sentavamos à beira da cama dele. Ele 'pregava', por assim dizer (risos). Eu ouvia, mas era um pouco engraçado porque eu não entendia uma palavra do que ele dizia.

No final de setembro de 1973 houve uma sessão de gravação na casa de Elvis em Palm Springs.

Sim, eu lembro porque havia recém feito um transplante de cabelo e ainda estava com as bandagens na cabeça. Durante uma música o sangue começou a escorrer sobre meu olho! Mas eu adorei gravar daquele jeito porque era mais relaxante. Nós gravamos 'Are You Sincere', e essa é a única música de que me lembro porque foi quando o sangue começou a escorrer e eu cantei em bemol no final. Por sorte, acho que eles refizeram aquilo e retiraram as vozes.





Pelo que sei você sugeriu essa canção.

Sim. Eu a cantei em um concurso de talentos. Foi quando eu aprendi: Nunca entre depois de um ato com um cão ou artista infantil! Uma criancinha me venceu, fiquei em segundo. Mas me senti bem, porque Elvis também perdeu aquele concurso em Tupelo! Então, me senti em boa companhia!

A razão para aquela sessão em Palm Springs era fazer o overdub de algumas canções e ele pôs a voz em 'Sweet Angeline'. Dizem que ele trabalhou em uma canção chamada 'Color My Rainbow'. Você lembra dela?

Não lembro. Deve ter sido quando eu sai para reparar minha cabeça ou algo do tipo.
[OBS.: foi gravado um take da trilha, mas Elvis nunca colocou sua voz na mesma]

Também existe uma gravação particular daquela época, onde ele canta 'Let Me Be the One' e 'Spanish Eyes'.
[OBS.: "Let Me Be The One" foi gravada por Sherrill Nielsen em 1975]

Sim, foi em Palm Springs. Nós fizemos um dueto em 'Spanish Eyes'. Foi a Linda Thompson que gravou, porque ela deu uma cópia para o David Briggs e ele me deu uma cópia. Eu a tenho naquela gravação. Quem quer que tenha feito o bootleg onde ela aparece tirou da minha cópia. Estávamos em volta do piano. Ele estava apenas se divertindo.






Você tem alguma memória das sessões no Stax, em Memphis?

Eu lembro que ele cantou a própria harmonia em 'Promised Land'. Ele fez um bom trabalho. Também lembro que ele mandou comprar 40 hamburgers! (risos). Nós todos comemos. Além disso, foi uma ótima sessão. Acho que ele fez um bom trabalho. Eu gostei de cantar com ele lá.



Dizem que ele trabalhou em uma canção chamada 'We Had it All'.
[A canção foi ensaiada na noite de 14 para 15 de dezembro de 1973, mas nunca gravada]

Acho que sim. Eles nunca lançaram ela, mas lembro que ele considerou isso.

Elvis gravou algumas canções naquela sessão com um contrato de publicação exclusivo para o Voice, por exemplo, 'Mr. Songman'.

Sim, lembro que estavamos tocando aquela canção e Lamar Fike entrou e disse: 'Quem escreveu esse pedaço de merda?'. E eu disse: 'Bem, basicamente as mesmas pessoas que escreveram todas as outras merdas que você não tem os direitos de publicação' (risos). Ele não gostava de nada que ele não tivesse os direitos na mão.



A temporada de fevereiro de 1974 em Las Vegas foi a primeira vez em que vocês tocaram ao vivo com ele e vocês tinham dois duetos, 'Help Me' e 'Spanish Eyes'.

Sim, eu tinha gravado 'Help Me' com ele - foi a primeira vez que me ouvi cantando com ele em um disco. Mas 'Spanish Eyes' foi uma total surpresa. Ele me pedia para ir para o centro do palco e eu ficava com muito medo porque não planejava aquilo! (risos). Depois da primeira vez, ele quis fazer várias outras. Em Vegas nós fazíamos sessões privadas tarde da noite. Para a maioria dos caras era uma ótima oportunidade de conseguir namoradas, porque as garotas ficavam impressionadas se conhecessem Elvis. O problema dessas sessões é que elas eram infindáveis. Quando ele começava, só parava ao amanhecer! Às vezes eram sessões cansativas que duravam a noite toda! (risos).






Parece que 'Softly, As I Leave You' veio de uma dessas sessões.

Sim, estavamos no camarim e Elvis começou a falar sobre ela. Eu conhecia a canção e comecei a tocar no piano e cantar, mostrando a ele como ela era caso ele quisesse cantar. Ele começou a recitar a letra calmamente e o pai dele disse: 'Elvis, isso é lindo. Por quê você não faz isso?'. Foi só o que ele precisou. Ele mandou chamar Glen Hardin e nós a tocamos pela primeira vez no próximo show. Na primeira noite não havia um holofote em mim, eu estava no escuro cantando. Na noite seguinte já havia um holofote em mim e ela se tornou um dueto.



Em março de 74 vocês caíram na estrada com ele. Como era isso?

Era divertido. Muita gente não estava preparada para a excitação de um show do Elvis. Vários guardas tinham as costelas quebradas por fãs que queriam subir no palco. Lembro de uma situação em que estavamos saindo e havia uma mulher deitada no chão com as pernas tremendo. Eu perguntei a um guarda o que tinha acontecido e ele disse que ela ficou tão excitada com Elvis que resolveu pular do balcão e quebrou as duas pernas. Eu fiquei com sentimentos misturados. Eu estava com pena, mas ao mesmo tempo com inveja porque nunca havia encontrado nada tão excitante que me fizesse pular de um balcão! Uma vez Elvis jogou um lenço para uma mulher e ela cometeu o erro de enrolá-lo no pescoço. Havia uma mulher de um lado e outra do outro e elas estavam puxando o lenço e estrangulando a mulher no meio. Elvis teve que jogar um lenço para cada uma e acho que ele salvou a vida daquela mulher.

Ás vezes acho que ninguém ouvia o que o Elvis estava cantando, porque era muita gritaria. Nós não podiamos ouvir o que estávamos cantando. Lembro de um incidente onde uma garota passou pela segurança e eu estava cantando. Eu literalmente estiquei uma mão, a tirei do chão e continuei cantando! Ela queria chegar até Elvis e eu a segurei e continuei cantando até a segurança pegá-la. Foi um acontecimento engraçado.

Ouvi que havia muito ciume em relação ao Voice, porque vocês tinham posições muito privilegiadas.

Sim, havia muito mesmo. Especialmente Lamar, que sabia que nós tínhamos a oportunidade perfeita de indicar canções para Elvis. Se ele gravasse uma canção, o compositor ganhava um milhão de dólares em royalties. Isso e o fato de que eramos as únicas pessoas pagas diretamente por Elvis, nós e o James Burton. E isso irritava muito o Coronel. Havia um ou outro caso de inveja, mas nada muito explícito. O único que era óbvio era o Charlie! (risos).

Em março de 1975 vocês fizeram uma sessão com ele em Hollywood, onde ele gravou 'T.R.O.U.B.L.E'.

Sim, eu lembro disso. Ele gostava da música e, uma vez gravada, ele ficou ouvindo a noite toda. Lembro que eu deitei atrás de uma caixa de som e dormi no chão! E tivemos que gravar várias vezes até ficar como ele queria. Isso é interessante, porque dizem que ele odiava rock no fim da carreira e ele adorava aquela canção. Naquele ponto da história, se ele não gostasse de uma música ele simplesmente não gravava. Ele não dava a mínima bola para o que a RCA queria, eles não conseguiam que ele fizesse nada do que eles queriam. Na verdade, eles tinham que mandar carros de som para o local onde ele estava só para fazê-lo ir para o estúdio. Mas ele adorava aquela música.



Uma das músicas daquela sessão, 'Bringin' it Back', era do 'Voice'.

Sim, eu costumava tocá-la no piano para ele. Ela foi escrita por Greg Gordon, que foi membro do Voice por pouco tempo. Ele tinha uma namorada que era extremamente religiosa e não queria que ele cantasse conosco.





De acordo com a história, o Voice se separou entre agosto e dezembro de 1975.

Sim, foi quanto o Elvis parou de fazer turnês por um tempo. Eu havia saído antes, no meio de uma turnê, porque eu estava desgostoso com tudo, com os problemas do grupo. Eu também achava que o Coronel nos tratava como gado e não gostava nada daquilo. Então eu escrevi uma nota para o Elvis e ele respondeu que se eu não voltasse, ele não faria a turnê. Então eu disse: 'Bem, eu volto, mas só pelo dinheiro'. Foi o Red que me ligou e eu perguntei: 'Ele quer que o grupo todo volte?'. E ele disse: 'Não, ele só quer você'. Então eu decidi o quanto queria para voltar a trabalhar. Era basicamente 2500 por semana e todas as despesas pagas.

Em fevereiro de 1976 Elvis fez uma sessão em Graceland, mas você não estava lá. Por quê?

Eu estava me apresentando no Chattanooga Choo Choo. O Coronel tinha orgulho de nunca nos deixar saber quando uma sessão estava acontecendo. Era uma situação contratual, nós poderíamos ser processados. Eu realmente queria ter estado lá, porque o Elvis havia me falado sobre gravar 'Danny Boy' do mesmo jeito que fazíamos 'Softly, As I Leave You', comigo cantando e ele recitando a letra.





Mas você estava lá na sessão de outubro de 1976.

Sim.

O que você me diz sobre 'Fire Down Below'?

Foi a que eu coloquei minha voz para a banda ter uma trilha vocal. Ele nunca chegou a trabalhar nela.
[OBS.: A versão disponível hoje é uma trilha sem a voz de Sherrill]



Qual a história por trás do medley 'O Sole Mio / It's Now or Never'?

Bem, estavamos brincando em Graceland uma noite, tentando adivinhar qual a música dele que havia vendido mais, e ele disse que era uma de Enrico Caruso. Então eu comecei a cantar 'O Sole Mio' e ele ficou impressionado por eu conhecer a música. Minha avó costumava cantar para mim. Ele pediu para eu cantar para ele e foi o que fiz. No primeiro show da temporada ele tirou isso da cartola no meio do nada! Pediu para o James dar a nota e eu cantei como se soubesse o que estava fazendo. Aparentemente ele gostou muito, porque fizemos muitas vezes depois.



Outra canção que ele começou a cantar na época foi 'Unchained Melody', mas é você que faz o falsetto no disco.

Sim, ele me pediu para fazer o overdub no estúdio. Na verdade, enquanto ele estava cantando, eu estava segurando a nota junto, mas meu microfone não estava ligado. Que eu saiba, aquela foi a única canção da carreira dele que alguém fez overdub no final.



Eu li que nos shows do último ano de carreira ele pedia para os músicos atingirem a nota por ele quando estava muito cansado.

Ele fazia isso raramente. A maioria das notas eram atingidas por ele mesmo, mas eu as atingia e Ed Enoch também. Ele só queria que tivesse alguém na mesma nota caso ele quisesse parar. Mas 'Hurt' ele sempre fazia sozinho. Mesmo em Cincinnati, quando ele parecia péssimo e devia estar se sentindo péssimo também, ele a fez perfeitamente.



O último concerto em Indianapolis foi também a última vez que você o viu com vida?

Sim, eu estava muito preocupado com ele. Mas mesmo preocupado, eu não achava que ele ia morrer. Eu achava que ele deveria se cuidar mais, ir para um hospital, melhorar a forma. Mas também o admirava por ter aquele espírito de 'o show deve continuar'.

Você foi ao funeral?

Não, nós fomos chamados para um velório particular um dia antes. Eu fiquei ao lado do caixão e a Lisa estava lá também; ela me olhou e eu fiquei sem saber o que dizer. Eu disse a Priscilla que sentia muito e ela me disse que ele costumava ouvir meus discos por horas e que eu havia trazido muita felicidade a ele. Aquilo me fez sentir um pouco melhor.

Sendo cantor profissional, como você avalia a voz de Elvis Presley?

Ele tinha uma voz incrível que foi ficando cada vez mais madura com a idade. Uma das vozes mais versáteis que já ouvi. Ele podia cantar de tudo e eu nunca vi nada igual, nem mesmo hoje. Ele tinha uma voz que podia fazer de tudo. E ele me ensinou a importância de se comunicar com a platéia. Ele tinha a habilidade de fazer parecer que ele estava cantando diretamente para você. Era único.

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