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I'VE GOT TO FIND MY BABY!

2 de setembro de 1974: Desert Storm (Fort Baxter, 1996)



Depois das internações de 1973 e um bom início de 1974, Elvis havia começado novamente a demonstrar sinais de instabilidade emocional em julho daquele ano. Eram pequenas amostras de raiva contida dadas nos palcos, sempre seguidas de grandes e acalmadoras apresentações de golpes de karatê com o auxílio de Charlie Hodge ou Ed Parker.

Setembro mostraria ser um mês difícil para Elvis, seus fãs e familiares. As mudanças constantes de humor do cantor tornavam a dinâmica e segmento de sua apresentação totalmente desconhecidos para a banda, que tinha de arranjar um jeito de acompanhá-lo rapidamente sob pena de levar broncas na frente de todo o público. De fato, essas broncas foram o motivo pelo qual Duke Bardwell ficou pouco tempo na banda.


Elvis e Sheila Ryan passeiam por Las Vegas.
Setembro de 1974.
Na vida amorosa, o caos era o mesmo. Apesar de ainda se manter em contato com Priscilla e até mesmo deixar um camarote à sua disposição em todos os shows em Las Vegas, o Rei do Rock estava em uma relação que já podia ser encarada como sólida com Linda Thompson. Mas isso não o impedia de aparecer aqui ou ali com Sheila Ryan, que tornou-se uma espécie de "estepe" de Linda para quando ela se comportasse mal aos olhos de Elvis.

Mas nada preparou o público e crítica, nem mesmo a Máfia, amigos e familiares, para o que viria no show da meia-noite de 2 de setembro, que encerraria aquela temporada. Quando Elvis adentrou o palco do Las Vegas Hilton Hotel vestindo o jumpsuit Mad Tiger (tigre louco), a atmosfera de apreensão era palpável. O cantor deu um show de interpretação, como sempre, apresentando clássicos temporários como "Until It's Time For You to Go" e "If You Talk In Your Sleep", mas entre uma música e outra é que o espetáculo realmente acontecia.







FOTOS: 1 E 2 DE SETEMBRO DE 1974
(Jumpsuit Mad Tiger)







RESENHA: DESERT STORM (Fort Baxter, 1996)

Faixa 1. Diálogo sobre o microfone. Infelizmente, o engenheiro de som da RCA não gravou a abertura do show ("Also Sprach Zarathustra" e "See See Rider"), mas quando percebeu que Elvis ia enveredar para um de seus "chiliques" a gravação começa. Podemos ouvir Elvis reclamando sobre a altura do pedestal do microfone e culpando "Jerky Kahoon" (o humorista Jackie Kahane, que abria todos os seus shows) por isso. Em seguida, como todos riem, ele passa a tentar provar que está certo em sua reclamação, enfiando o microfone na boca e tentando cantar. Em meio a isso, Elvis ainda arranja uma brecha para falar que JD é pão duro, criticando a qualidade dos microfones dos backing vocals, e ridicularizando a roupa dos membros da banda.

Faixa 2. I Got a Woman/Amen. A canção começa quase de imediato e sem muitos avisos para a banda. A versão ouvida aqui é um pouco mais ritmada e rápida do que nos acostumaríamos a ouvir de 1975 em diante. A banda erra a entrada de "Amen" e Elvis responde "filhos da puta!". É possível notar que ele canta em uma nota bem acima da correta. O famoso "striptease" se segue e é bem longo, para o delírio das fãs. JD executa seu dive bomb na sequência, mas Elvis quer mais: "Quero que você me leve até o teto de um B-52, faça os motores falharem e ligarem de novo, ok?". JD não decepciona e arranca gargalhadas de todos.

Faixa 3. Diálogo sobre Karatê. Elvis dá boa noite para a plateia e se apresenta como Bill Cosby (que está na plateia). Em seguida, passa a explicar sobre a sua faixa no Karatê e onde quer chegar:

"Olhem, olhem... Alguém me deu isso. É, alguém me deu... Eu acabei de receber uma faixa preta de 8º grau no Karatê. Depois de 16 anos fazendo essa arte, eu recebi o oitavo grau... há somente dez graus de preto... o oitavo eu recebi essa semana... o nono grau é Mestre Sênior da Arte e o décimo é Grande Mestre Sênior da Arte, que é onde eu quero chegar, mas demora bastante."

Faixa 4. Until It's Time For You to Go. Elvis faz algumas "correções" na letra de acordo com seu humor. A primeira estrofe claramente passa o recado de que alguém quer ir embora de sua vida e ele não está disposto a deixar. Aparte disso, a versão é uma das melhores.

Faixa 5. If You Love Me (Let Me Know). Depois de agradecer a plateia rapidamente, Elvis já entra na canção. Uma versão padrão.

Faixa 6. It's Midnight. A canção mal acaba e Elvis já anuncia sua mais nova gravação. Depois da primeira estrofe da letra extremamente tocante, Elvis diz "Listen, Cylla" (ouça, Cylla), chamando a atenção de Priscilla, que está em seu camarote, antes da estrofe que diz: "Onde está todo meu controle?/estou queimando na minha alma/e precisando de você/desejando ser o homem que tentei ser/me odiando por querer estar com você/sabendo que você não me ama como antes/mas é meia-noite, meu Deus/e eu sinto sua falta".

É evidente que ele está falando com ela através da letra da música. Elvis pode não ter notado como se expôs naquele momento, mas sua cabeça já criava uma resposta para a ação, que seria ouvida pela plateia em instantes.

Faixa 7. Big Boss Man. Versão padrão dos shows de 1974.

Faixa 8. You Gave Me a Mountain. Elvis faz uma rendição extremamente emocional da canção presente em seu repertório desde 1970. Para efeito dramático, ele prefere recitar uma das estrofes mais significantes ao momento:

"Privado do amor de um pai/culpado pela perda de sua esposa/sabe, Deus, eu estou em uma prisão/por algo que eu nunca fiz/tem sido uma montanha atrás da outra/mas, Deus, eu escalei todas/uma a uma". Mais à frente, ele repete a ação, recitando outra estrofe significativa: "Minha mulher se cansou do sofrimento/cansou da tristeza e da luta/cansou de trabalhar por nada/apenas, apenas cansou de ser minha esposa/ela levou meu único raio de sol/levou meu orgulho e alegria/levou minha razão para viver!/levou meu bebezinho".

Faixa 9. Diálogo sobre Priscilla. Antes de começar a canção, Elvis sente a necessidade de se explicar sobre o "listen, Cylla" e as mensagens em "You Gave Me a Mountain": "Eu canto essa canção faz tempo e muita gente acha que ela fala de mim, mas não tem nada a ver comigo ou minha esposa... ex-esposa, Priscilla - ela está aqui, levante-se, querida. Ela é uma garota linda, eu admito. Eu sei o que escolho."

Ao mesmo tempo, Elvis aproveita para apresentar Lisa e Sheila Ryan, que estão no mesmo camarote de Priscilla, antes de continuar a falar de seu divórcio: "Eu viajava muito, estava sempre longe, então decidimos decentemente que sempre seríamos amigos, porque temos uma filha para criar, e que ela poderia ter o que quisesse no processo - aí veio a notícia dos 2 milhões... Depois disso, eu dei um casaco de pele para ela e ela, esta noite, meu deu um Rolls Royce de 42 mil dólares. É o tipo de relação que temos. Não é ruim, não é, amigos? Eu peguei parte do valor de volta! Eu fiquei muito mal, mas peguei parte de volta"

Na sequência, ele volta a falar de Priscilla, desta vez incluindo Mike Stone: "Ela gosta de um 'stud' (garanhão)... não, do meu Stutz (carro da montadora homônima)... mas ela gosta de um 'stud'... Mike Stone não é um 'stud', então, esquece... Ela gosta do Stutz, então vou dá-lo para ela. Stone queria ser um 'stud', mas ele é um... cara legal."

Faixa 10. Softly, As I Leave You. Elvis introduz a música de um jeito peculiar: "Eu nunca cantei nem gravei essa canção, mas quando descobri que era baseado numa história real... eu não cantei mesmo, porque não gosto desse tipo de coisa."

Em seguida, Elvis pede para que Charlie tire seu cinto antes que ele seja castrado porque tem "lugares para ir, shows para fazer, mulheres para conhecer." Na sequência, ele lembra de Judy Spreckles, uma mulher mais velha com quem se envolveu em 1956, e recorda que ela lhe presenteou com um anel (o qual ele deu para Priscilla para oficializar seu noivado). Ao fim da canção, ele agradece à plateia e apresenta Sherrill Nielsen, que o acompanhou na harmonia.

Faixa 11. Hound Dog. Uma versão rápida e eletrizante.

Faixa 12. An American Trilogy. Elvis não costumava brincar muito com músicas Gospel ou de patriotismo, mas aqui ele faz alguns trocadilhos no início. Aparte disso, a versão é padrão daquele ano.

Faixa 13. It's Now Or Never. Elvis faz uma versão muito próxima à da gravação de 1960, sem muitas alterações. Aqui, Sherrill Nielsen ainda não havia sido escalado por Elvis para introduzir a canção cantando a letra original à capella.

Faixa 14. Introdução da banda I. Elvis apresenta The Sweet Inspirations, JD Sumner & The Stamps Quartet, Kathy Westmoreland, James Burton (que faz um pickin' improvisado a pedido de Elvis), John Wilkinson, Ronnie Tutt (que improvisa um solo magnífico enquanto Elvis pede para que ele faça como quiser porque há tempo de sobra), Duke Bardwell (que surpreendentemente é tratado bem por Elvis), Glen Hardin (que também faz um solo) e Charlie Hodge.

Faixa 15. I Couldn't Live Without You (não gravada pelo engenheiro de som) / Bringin' it Back (Voice). Elvis apresenta o grupo de Sherrill Nielsen, o Voice, e pede para que cantem a canção que seria gravada por ele em 1976.

Faixa 16. Aubrey. Elvis pede para que Sherrill também cante a canção que ficou famosa com o grupo Bread. Nielsen a gravaria em seu disco solo em 1975.

Faixa 17. Introdução da banda II e celebridades. Elvis apresenta Joe Guercio e sua orquestra, fala sobre ter ido ao hospital por causa de uma gripe, introduz Bill Cosby (que o substituiu enquanto estava no hospital), que já havia ido embora e elogia a cantora Vickie Carr, anunciando que ela está no Tropicana com seu show.

Faixa 18.  It's Now Or Never (reprise). Elvis pergunta a Vickie se ela ouvira quando ele cantou a canção. Como a resposta é negativa, ele decide cantar novamente.

Faixa 19. Let Me Be There. Elvis agradece a plateia e rapidamente introduz a próxima canção, fazendo uma rendição padrão com reprise da última estrofe.

Faixa 20. If You Talk In Your Sleep. Elvis a introduz como "Walk In Your Sleep" e faz uma versão bastante interessante, com uma entrada mais longa. Após a canção, Elvis rapidamente apresenta seu instrutor de Karatê e membro da Máfia, Ed Parker.

Faixa 21. Diálogo sobre drogas. Elvis faz aqui seu famoso comentário sobre drogas, que levou muitos a crerem que ele estava completamente chapado, depois de dizer que era membro oficial da agência de combate às drogas dos Estados Unidos:

"Não presto atenção em rumores, em revistas de fofoca, não as leio porque são todas um lixo. Não quero tirar o trabalho de ninguém, mas quando eles não têm o que dizer, inventam; no meu caso, eles inventam. Ouvi rumores por ai... Estive doente no hospital... Hoje você não pode nem ficar doente, você teve uma overdose! Fiquei doente uma noite, tive 41 graus de febre, não pude me apresentar... de três fonte eu ouvi que tive uma overdose de heroína. Juro por Deus... empregados do hotel, carregadores, os malucos que levam a bagagem para o quarto, pessoas que trabalham por aí e falam, camareiras... tive uma gripe, foi um dia e acabou... mas por toda a cidade... "overdose!". Não se ofendam, senhoras e senhores, estou falando com outras pessoas... mas se eu ver ou ouvir quem disse isso de mim, vou quebrar seu maldito pescoço, seu filho da puta! Isso é perigoso, prejudica a mim, meu pai, minha filha, meu médico, prejudica minha interação com a banda e com o público... eu vou arrancar sua língua pela raiz!"

Faixa 22. Hawaiian Wedding Song. "Deixe-e sair desse mau humor", diz Elvis antes de perguntar se a plateia viu a reprise de "Blue Hawaii" na noite anterior. "A canção mais pedida daquele filme foi 'Hawaiian Wedding Song'". Ele brinca um pouco no início da canção, mas em geral é uma boa versão executada enquanto Elvis recebe presentes da plateia e distribui abraços, beijos e lenços. Ele termina dando um beijo em Kathy Westmoreland (assim como se vê no show de Omaha em 19/06/77) depois de fazer algumas caretas para tentar desconcentrá-la.

Faixa 23. Diálogo sobre jóias. Elvis apresenta o engenheiro de som Bill Porter e seu pai, Vernon, que recebe aplausos efusivos. Ele também apresenta o Coronel, que não está no momento, e comenta que sabe muito bem que ele está no cassino. Antes que o show se acabe, ele fala de suas jóias:

"Essa pedra, eu usei no especial do Havaí e as pessoas pensavam que era uma pedra grande, mas não é... tem 11 quilates e é gigante. Talvez não tão grandes quanto os da Elizabeth (Taylor)... os dela (referindo-se aos seios da atriz) são maiores mesmo... as jóias também. Esse aqui eu comprei esta noite, para vocês. E o motivo pelo qual estou dizendo isso é: vocês pagaram por ele. Boa noite!".

Faixa 24. Can't Help Falling In Love. Após 80 minutos de show, um tempo longo para Vegas, Elvis inicia a canção que anuncia o fim do show.

Faixa 25. Closing Vamp. Assim que "Can't Help Falling In Love" termina, Elvis some por trás das cortinas. Ele retorna alguns segundos depois para receber mais presentes dos fãs antes de ir embora para sua suíte no hotel.


OUÇA O SHOW COMPLETO AQUI:
*o diálogo sobre drogas é omitido por conta de direitos autorais.

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