I'VE GOT TO FIND MY BABY!

Entrevistas com JD Sumner

Elvis divide os holofotes com Sherrill Nielsen e JD Sumner durante seu último show em Memphis.
Mid-South Coliseum, Memphis, Tennessee, 5 de julho de 1976.



Backing vocal de Elvis entre 1971 e 1977, além de líder do grupo Gospel The Stamps, JD Sumner é reconhecido mundialmente por seu vozeirão - que entrou para o Guinness Book of Records como a voz mais grave do mundo - e pelos magníficos "dive bombs" que fazia nos shows do Rei do Rock. Além de ser uma das atrações musicais do show, JD também era um dos amigos mais próximos de Elvis e a pessoa a quem ele recorria em seus momentos de dúvida e desespero. Nestes ocorridos, JD sempre tinha uma palavra amiga ou um trecho da Bíblia pronto para seu amigo e ambos acabavam passando horas conversando via telefone sobre o significado daquelas palavras e o que afetavam na vida de um cristão.

Foto considerada como a primeira em que Elvis e JD
aparecem juntos, tirada provavelmente em 1954-55.
Mas muito antes de integrar a equipe de Elvis, John Daniel Sumner já tinha sua fama consolidada. Sua voz única o colocou à frente de diversos grupos Gospel reconhecidos na comunidade mundial desde seus 13 anos, em 1937, quando gravou "Peace In the Valley" (regravada por Elvis em 1957). Nos anos 1940 e 1950, sua fama cresceu até o ponto de transformá-lo em um superstar Gospel. Qualquer grupo do qual ele fizesse parte faria sucesso e gravaria dezenas de discos, batendo recordes de vendas no gênero. Este foi o principal motivo, além da adoração que tinha por JD, que fez com que Elvis o contratasse para compor seus backing vocals.

No início dos anos 1950, Elvis costumava ver JD se apresentando na liderança do grupo The Blackwood Brothers no Ellis Auditorium, em Memphis, e frequentemente estava nos bastidores conversando com os cantores. Uma noite JD percebeu que Elvis não estava e o indagou sobre isso no show seguinte, descobrindo que ele não havia comparecido porque não tinha dinheiro para pagar o ingresso. A partir deste momento JD começou a deixá-lo assistir as apresentações de graça, deixando-o entrar pela porta dos fundos do local. Quis o destino que vinte anos depois eles se juntassem e se tornassem grandes amigos.

Nos anos que antecederam sua morte, em 16 de novembro de 1998, três dias antes de completar 74 anos, JD era figura presente em revivals Gospel e programas musicais diversos dos EUA. Ele era frequentemente visto usando sua voz para o delírio dos presentes, como no vídeo abaixo. Na marca de 2:20, JD faz todos caírem na gargalhada devido a seu declarado ódio contra o som dos órgãos. Ele faz questão de frisar que deixou escrito em seu testamento que não devem usar órgãos em seu funeral.


JD foi uma das pessoas que mais sofreu e sentiu a morte de Elvis em 1977. Desde lá e para o resto de sua carreira, ele relembraria o Rei do Rock em suas apresentações e entrevistas.  Ele e os Stamps gravaram cinco discos em homenagem a Elvis, um deles ao vivo durante a turnê de seu show "Memories of Our Friend Elvis". Em dois destes discos JD é entrevistado e fala sobre Elvis, sua amizade com ele e diversas outras coisas, incluindo momentos engraçados. O primeiro disco, "Elvis Has Left the Building", trouxe uma homenagem recitada por JD acompanhado dos Stamps.

Em 2009, onze anos após a morte de JD, um esforço coletivo de algumas gravadoras conseguiu lançar todas as gravações feitas para os discos em homenagem a Elvis em uma caixa comemorativa. Nesta caixa foi lançada pela primeira vez a gravação ao vivo de uma das músicas mais pedidas nos shows de JD, "Sweet Sweet Spirit", que ele cantou para Elvis e uma plateia em total êxtase silencioso em 1972.


Abaixo transcrevemos o conteúdo das entrevistas concedidas nos discos citados e em outros meios, entre 1977 e 1995, que jogam nova luz sobre quem foi Elvis Presley aos olhos de JD Sumner.

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Em 1977, JD lançou um single com a homenagem a Elvis
e a regravação de "Sweet, Sweet Spirit"
Para "Elvis' Favorite Gospel Songs", lançado em 1977, JD e os Stamps gravaram as músicas mais pedidas pelo Rei do Rock em shows ou ocasiões particulares. O conteúdo do single citado ao lado foi anexado ao disco, bem como uma regravação do panegírico em sua totalidade. No lançamento, a QCA Records fez questão de frisar tanto na capa como na contracapa do disco que o produto não era uma obra com a voz de Elvis nem ligada à RCA, mas que parte da arrecadação de suas vendas seria revertida para o Elvis Presley Memorial Fund, órgão mantenedor do Jardim da Meditação em Graceland.

No relançamento de 1985 em CD, uma entrevista de uma hora foi arranjada com JD em uma rádio de Nashville, Tennessee, para que ele falasse do disco e de sua amizade com Elvis, respondendo questões de diversos jornalistas sobre vários assuntos durante quase quarenta minutos da mesma.

Segue transcrição.





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Apresentador: Aqui na Carville Cative News em Nashville, Tennessee, nós fomos inundados com questões e inquisições sobre as controvérsias em volta da possível "farsa" da morte de Elvis Presley. E para chegar às respostas, temos que ir direto a elas, isso é, ir até o homem responsável por cuidar dos procedimentos do funeral de Elvis Presley, seu amigo de longa data e backing vocal JD Sumner, que concordou em encontrar alguns de nós aqui na Carville Cative News Publication para resposnder algumas perguntas.


Apresentador: Sr. Sumner, como você conheceu Elvis? E sob quais circunstâncias?

JD: Elvis morava a duas quadras do Ellis Auditorium, em Memphis, Tennessee. Era um jovem de quatorze anos que costumava ir aos shows Gospel que os The Blackwood Brothers faziam no Ellis Auditorium em Memphis. Nessa época ele tinha quatorze anos e quando não estava trabalhando ia nos ver e ficava nos bastidores comigo, fazendo perguntas. E foi assim que eu conheci Elvis Presley. Claro, na época eu nem sabia seu nome.


Apresentador: Então, ele era só um fã que ia aos bastidores, na sua concepção.

JD: Só um garotinho que ficava nos bastidores e que, às vezes de forma cansativa, fazia perguntas que não eram importantes para mim, mas acho que eram para ele. Essa é minha primeira lembrança sobre conhecer "o" Elvis Presley.


Apresentador: E isso foi em um concerto de música Gospel, de um quarteto Gospel, certo?

JD: Um concerto de um quarteto Gospel, pois essa era a bagagem de Elvis. Elvis cresceu em Tupelo, Mississippi, e nessa época os The Melody Boys se apresentavam em Little Rock, ele ouvia a rádio de lá, com John Roper e The Melody Boys. E os The Blackwood Brothers se apresentavam em Memphis, Tennessee, e qualquer quarteto que ele pudesse ouvir, ele ouvia, porque aquele era seu tipo favorito de música.


Jornalista Donna Suthers: A música Gospel era realmente seu gênero preferido?

JD: Com tudo que ele ouvia, eu não poderia dizer se era seu gênero preferido, mas acho que tenho que dizer que sim, porque era o que ele mais gostava de ouvir. Elvis quase nunca ouvia nada além de música Gospel, mesmo em sua sala de música ou de televisão em Graceland. Você pode ir lá e ver os discos que estão à mostra e você não verá nada além de quartetos Gospel incluindo The Blackwood Brothers, The Stamps, The Statesmen, The Florida Boys, The Imperials, The Speer Family... Ele tinha todos. 


Capa do raro disco de 1977, Elvis' Favorite Gospel Songs
Jornalista não identificado: Sr. Sumner, como seu grupo, The Stamps, e o senhor começaram a trabalhar com Elvis?

JD: Bem, há alguns anos eu gerenciava a Suemore Talent Agency, e nesta agência eu tinha os The Imperials no momento em que Elvis estava procurando uma agência para gerenciar talentos. Os The Imperials estavam trabalhando com Elvis e também começaram a marcar eventos com a agência Jimmy Dean, tendo eventos duplos, e Elvis decidiu que queriam fazer uma turnê - e quando Elvis queria ir, ele queria ir! Então aconteceu que os The Imperials estavam sob contrato com a Jimmy Dean e não poderiam participar desta turnê.

Então, Elvis me ligou e queria que eu conseguisse um quarteto que fosse bom o suficiente para ir com ele nesta turnê, para substituir os The Imperials. Naquela época eu tinha Richard Sternin - que agora está cantando baixo com os Oakridge Boys -, tinha Bill Baise, tinha o quarteto que eu achava que era bom o suficiente para cantar com Elvis Presley. Então eu disse a ele que os The Stamps poderiam ir nesta turnê e enviei um disco nosso que havia recém sido lançado. Minha ideia era colocar os The Stamps lá e eu ia me aposentar; foi por isso que contratei Richard Sternin. Se eu conseguisse um trabalho para os The Stamps e não precisasse cantar, eu poderia ficar em casa com minha esposa.

Mas as coisas não funcionaram assim. Quando chegamos a Milwaukee para começar os ensaios para a turnê, eu fui junto para ver se os The Stamps estavam fazendo seu trabalho direito e controlar tudo. Mas Elvis me disse durante o ensaio... Eu estava sentado em uma cadeira vendo eles no palco e Elvis disse "venha aqui, JD, quero ouvir você cantar como baixo"; eu disse "você não precisa de mim, eu já  tenho um baixo" e ele respondeu "não, eu quero você, eu quero um daqueles finais 'legato'" [os famosos dive bombs de JD]. E foi assim que eu me encontrei fazendo backing vocal para Elvis Presley ao invés do que queria fazer.


Jornalista David Tider: Havia alguma droga envolvida na organização?

JD: Havia muitas drogas. Muitas pílulas de diferentes tipos com os The Stanley Boys, alguns dos meus também... Mas eu nunca usei nenhum tipo de droga. Elvis Presley usava drogas prescritas... Ele tinha glaucoma, tinha um problema no cólon, tinha diversos problemas para os quais ele usava drogas prescritas. Mas havia muitas drogas que eram pedidas no nome de Elvis e ele não sabia nada sobre elas.

Íamos para Las Vegas e até mesmo alguns do The Stamps Quartet colocavam a mão dentro de uma mala preta e pegavam um punhado de pílulas diferentes. A única pílula que eu tomei foi uma que supostamente mantinha você eufórico e acordado - se chamava Black Wood ou Black Spider, não lembro - e acabei com a língua inchada por quatro dias; foi a única que tomei na vida. Mas havia muitos tipos de drogas, porém nenhuma para Elvis, apenas compradas usando seu nome em receitas que eram fajutas... A assinatura do Dr. Nick era falsificada para conseguir remédios nas farmácias, mas não eram para Elvis Presley.


Donna Suthers: Sr. Sumner, poderia por favor descrever para nós os eventos de 16 de agosto de 1977 na vida e através dos olhos de JD Sumner?

JD: Minha esposa, Mary, tinha me levado ao aeroporto e nosso neto, Jason havia ido junto. Elvis tinha enviado seu jato para pegar o pessoal de Nashville, que incluia Felton Jarvis, o The Stamps Quartet e eu. Estávamos dentro de seu avião, preparados para partir, e eles entraram no avião e nos avisaram de que a turnê havia sido cancelada. Eu não acreditei e tentei questionar sobre o por que, mas eles só disseram "acreditem, está cancelada". Se eles sabiam, não nos disseram. "A turnê foi cancelada, voltem para casa".

Minha esposa ainda não tinha ido embora, estava esperando ver meu avião partir, então eu voltei para o carro com ela e meu neto e fomos para casa, nos perguntando o que teria acontecido para a turnê ter sido cancelada. Eu achei que possivelmente acontecera algo com Vernon Presley, o pai do Elvis, que estava muito doente. No caminho para casa, ligamos o rádio do carro - eu raramente ouço rádio no carro, mas naquele dia ligamos porque estava muito escuro e parecia que ia ter uma tempestade, estávamos esperando notícias sobre um tornado na região - e eles anunciaram "o Rei do Rock foi encontrado morto às duas da tarde de hoje" - isso era em torno das 16:00. Imediatamente, todos ficaram quietos. Eu fiquei quieto, minha esposa também e até meu neto de dois anos não fez nenhum barulho - e ele nem sabia o que estava acontecendo. Mas eu não acreditei de início. Pensei que aquilo poderia ser uma manobra publicitária do Coronel ou que o Vernon tinha morrido e eles se enganaram. 

Fui para casa e quando cheguei, em dilema por não saber o que fazer, minha filha veio até mim subindo a colina - morávamos em Bellevue e era preciso subir uma colina até minha casa -  e disse "papai, você ouviu que Elvis morreu?". Eu disse "sim, e estou indo para Memphis porque quero saber o que está acontecendo", porque não acreditei que ele estivesse morto. Então contratei um motorista... Elvis tinha me presenteado com uma limusine Lincoln com TV, bar e tudo mais... Contratei um motorista e chamei meu genro, e fomos para Memphis. Chegamos próximo a Graceland e vendo uma multidão dos dois lados da avenida, no canteiro central também, foi quando eu percebi que era aquilo mesmo - que Elvis tinha morrido. 

Fui até onde a polícia deixou, porque disseram que ninguém podia entrar em Graceland. Mas eu parei próximo ao portão, forcei minha passagem pela barreira policial e eles viram quem eu era, então abriram o portão e me deixaram entrar. Quando entrei em Graceland, claro, havia gente sentada por ali, chorando e conversando, como quando alguém morre mesmo... Entrei e alguém me disse "Vernon quer vê-lo". Vernon estava em um pequeno escritório, o local onde a tia de Elvis, Delta, ficava - ela era mais ou menos responsável pela governança da casa para Elvis. Entrei, Vernon estava lá, sua mãe e Delta também... Tentei consolar Vernon, como qualquer um faria, e ele me perguntou se eu poderia ficar encarregado do funeral. Ele disse "você sabe mais sobre o que ele gostaria, sobre quem ele gostaria que fosse o pastor do funeral... você faria isso?". Eu disse "sim, senhor".

Então assim que pude eu aluguei um quarto em um hotel e comecei a fazer ligações... Ligue para minha esposa, claro, e disse a ela que era verdade, que ele havia morrido, e então liguei para [o reverendo] Rex Humbard e outros que eu sabia que Elvis gostaria que cantassem e falassem em seu funeral; chamei os The Stamps Quartet, The Statesmen Quartet, consegui James Blackwood dos The Blackwood Brothers, e foram estes que cantaram no funeral dele. The Stamps Quartet e Jake Hess, que era o cantor Gospel favorito dele... Suponho que se fossemos pegar um homem que Elvis tentava copiar o cantar parecido, seria Jake Hess. Chamei quem sabia que Elvis gostaria de ouvir cantando... Chamei Kathy Westmoreland para cantar "My Heavenly Father Watches Over Me" e cantei "Known Only to Him", "Sweet, Sweet Spirit" e "How Great Thou Art". As músicas que Elvis nos pedia para cantar quase todas as vezes em que nos juntávamos, foram as canções cantadas em seu funeral.

[vídeo: Kathy Westmoreland canta "My Heavenly Father Watches Over Me" a pedido de Elvis durante show em Tuscaloosa, Alabama, em 30 de agosto de 1976]



David Tider: No auge de toda a controvérsia, só vejo um jeito de perguntar e é assim: Elvis está morto?

JD: Enterrei minha mãe ano passado e se alguém viesse e dissesse que viu minha mãe viva, eu lhe daria um soco. Eu enterrei meu melhor amigo, que era Elvis. Fui encarregado de seu funeral. Eu gostaria que ele não estivesse morto, mas Elvis Presley morreu e está enterrado sob seis toneladas de cimento. Ele foi enterrado primeiramente em um mausoléu no cemitério, mas houve ameaças de que iriam roubar o corpo, então Vernon conseguiu a permissão da prefeitura para movê-lo para Graceland e ao mesmo tempo eles também levaram a mãe dele para lá. Elvis Presley está enterrado lá e, claro, sua mãe também, e desde então sua avó morreu e Vernon também morreu. Então, Elvis Presley está morto e enterrado em Graceland.

Donna Suthers: Sr. Sumner, pode nos dizer por que o caixão de Elvis Presley parecia tão pesado? Era por que tinha um sistema de refrigeração que poderia ter sido colocada lá para preservar um boneco de cera? Por que o caixão era tão pesado?

JD: Em primeiro lugar, quem disse que o caixão era pesado? De onde essa informação brilhante veio? O caixão era pesado quando cantei no funeral da mãe dele. Quando minha mãe morreu, ela tinha um mausoléu e uma cripta, então eu não comprei um caixão realmente caro para colocá-la - custou 900 dólares. Quando a mãe de Elvis morreu, ele era muito jovem ainda, Elvis comprou o melhor caixão que pode encontrar. Ele gastaria um milhão de dólares... Se tivessem um que custasse um milhão de dólares, ele pagaria. Eles encontraram, em Oklahoma City, um caixão que era feito de cobre puro -  quanto mais você pagar, naturalmente, melhor ele será. O caixão de Elvis era pesado porque era de cobre puro. O mesmo tipo de caixão que sua mãe foi enterrada... Quando Elvis morreu, Vernon queria que ele fosse enterrado no mesmo tipo de caixão de sua mãe, então ele pediu ao Joe Esposito, que ligou para Oklahoma City e encomendou o mesmo tipo de caixão. Então, era um caixão pesado.

Mas quanto a ser um boneco de cera com um sistema de ar condicionado, isso é muito estúpido. Elvis Presley estava no caixão. Eu ajudei a pintar seu cabelo onde fosse preciso, porque ele pintava - Elvis teria cabelos grisalhos se não pintasse, como eu. Mas o cabelo dele precisava de retoques e foi retocado. Mas era Elvis Presley no caixão; não tinha ar condicionado, não era um boneco de cera - não havia razão para colocar ar condicionado no caixão. Isso é genuinamente implicação. Sugere... Não diria que sugere que algo é uma mentira, mas traz implicações de que, se foi sugerido que havia ar condicionado e um pedaço de cera naquele caixão, sugere uma mentira.


Donna Suthers: Sr. Sumner, e sobre a história de seu cabeleireiro ter colado suas suíças?

JD: Seu cabeleireiro, por assim dizer... Ele não tinha cabeleireiro. Se esse cara estivesse lá, às vezes ele deixaria que o penteasse, mas quem fazia o cabelo de Elvis Presley era Charlie Hodge - ele foi quem fez mais por esta parte. Não existia alguém que fosse "o cabeleireiro de Elvis Presley". Se existisse alguém com esse título, teria que ser Charlie Hodge, porque ele fez seu cabelo todas as noites antes de ir para o palco e toda vez que ia a qualquer lugar - Charlie Hodge fazia seu cabelo. Não havia cabeleireiro. Havia um cara lá, "Galagher" [Larry Geller], que saiu dizendo que era o cabeleireiro de Elvis, mas ele não era.

David Tider: Por que não existe um certificado de óbito?

JD: Bem, eu tenho certeza de que existe um certificado de óbito, porque ele está morto. Um certificado de óbito não é algo que você pendura em uma parede como se fosse uma conquista. Quando essa pergunta sobre o certificado de óbito de Elvis foi feita a mim antes, eu perguntei a minha esposa "querida, onde está o certificado de óbito da minha mãe?". Eu nunca o vi, minha esposa disse que estava dentro de uma Bíblia. Eu nunca vi o certificado de óbito da minha mãe - eu não quero ver o certificado de morte dela. Duvido seriamente que Vernon alguma vez tenha olhado para ele, porque não precisava olhar para um certificado de óbito para saber que tinha perdido seu filho. E eu não preciso ver um certificado de óbito para saber que Elvis Presley está morto. Vê-lo morto foi suficiente para mim.


David Tider: Sr. Sumner, por que ninguém coletou o seguro de vida após a morte de Elvis?

JD: Bem, pessoas como Elvis Presley, John Wayne, John Kennedy, John Lennon, pessoas assim, não têm seguro. Pessoas como eu... Eu tenho seguro, mas que tipo de seguro serviria para Elvis Presley? Pessoas como Elvis Presley são donas das companhias de seguro; elas não compram seguros, elas são donas da companhia.

Quando eu era um garoto, meus pais fizeram um seguros de 300 dólares em todos nós, seus filhos, e esse seguro custava 25 centavos por semana. Esse seguro foi mantido comigo por anos até que eu e minha esposa sacamos o pouco que nos rendeu. Elvis era muito mais pobre do que nossa família era, então, que tipo de seguro eles teriam? Um de 150, 200 dólares? Elvis poderia pagar 10 ou  mesmo 3 centavos semanais? Eu duvido muito. Elvis Presley gastava 500 mil dólares como eu gastaria 100 dólares, então não vejo nenhuma necessidade para que Elvis tivesse uma apólice de 10, 20 mil dólares, 100 mil ou um milhão de dólares. Lisa Marie vai herdar tudo que Elvis Presley deixou daqui a cinco anos e ela não vai precisar de seguro porque supostamente vai receber 200 milhões de dólares - e duvido que ela precise de um seguro.


[Vídeo: Elvis e JD se divertem durante versão de "Why Me, Lord?" em seu segundo show em Memphis, no dia 10 de junho de 1975]



Jornalista não identificado: Sr. Sumner, eu nomeei meu filho em homenagem a Elvis, usando seu nome do meio, "Aron", e eu soletrei "A-R-O-N" como sempre vi no certificado de nascimento de Elvis e em seus documentos oficiais. Então, por que seu sobrenome, "Aron", foi escrito "A-A-R-O-N" em sua lápide? Quer dizer, certamente, no tempo de seu nascimento, em Tupelo, Mississippi, eles saberiam como soletrar seu nome.

JD: Bem, vocês devem imaginar que Vernon Presley não sabia quando escreveram com dois "A" na lápide. Eu duvido que Vernon tenha percebido isso. Vernon Presley era um homem ignorante - e não me compreendam mal quando digo "ignorante". "Estúpido" é uma coisa e "ignorante" é outra - um homem ignorante pode aprender, mas um homem estúpido nunca vai aprender nada. Mas eu não saberia como soletrar "Aron" e duvido que Vernon soubesse como soletrar "Aron" - de fato eu nem sabia que seu nome do meio era Aron até que ele faleceu, para mim sempre foi Elvis. Mas o cara que fez a lápide provavelmente não era um grande fã como você é, que soletrou "A-R-O-N" - se você me perguntasse como soletrar, seria assim que eu diria - mas o cara que fez a lápide... Eu duvido seriamente que Vernon soubesse como foi escrito no certificado de nascimento ou mesmo que se importasse com o modo como foi escrito na lápide.


Jornalista não identificado: Sr. Sumner, a foto que foi tirada de Elvis no caixão... Aquele não se parecia com o Elvis que conhecíamos.

JD: Aquela foto foi supostamente tirada por um de seus primos e surgiu o boato de que não se parecia com Elvis, que seu nariz estava achatado e... É claro que Elvis não se parecia como quando estava vivo. Elvis morreu e ficou apoiado em seus joelhos e cotovelos, e seu rosto ficou pressionado contra o tapete. Foi um ataque cardíaco massivo. Ele ficou lá por 2 a 3 horas antes de ser encontrado naquela posição. Durante este tempo o corpo se deteriora e certamente quando encontraram Elvis o estado de Rigor Mortis já havia começado. Então seu rosto já havia ficado deformado ao ponto de que nenhuma funerária poderia fazer qualquer coisa para melhorar a aparência. Elvis passou por uma autópsia, que muda a aparência de um corpo... Ele passou por um tipo de autópsia onde tudo é removido do corpo. Isso deforma o corpo.

Se fosse eu, nunca teria aberto o caixão, mas Vernon veio da velha escola, a mesma da qual eu vim. Quando minha mãe morreu, eles me disseram "Sr. Sumner, agora é praxe não abrir o caixão na igreja, durante o funeral, mas o senhor decide"; eu disse "o caixão vai ser aberto". Vernon devia ter deixado o caixão fechado, mas ao invés disso Vernon pediu para que abrissem o caixão para que todos vissem. Havia 80 mil pessoas que vieram para ver o corpo em Graceland. Nos tempos antigos, era praxe velar o corpo em casa, e as pessoas disseram que foi o que aconteceu com Elvis, Vernon sendo da velha escola; agora não fazem mais isso. Elvis foi levado para casa, para Graceland, foi colocado no hall de entrada e milhares de pessoas foram autorizadas a entrar e ver Elvis Presley.

Poderia ser fácil ter um caixão fechado, um funeral fechado, e até mesmo eu não atenderia o funeral se fosse uma farsa ou qualquer coisa que levasse a uma farsa. Mas Elvis Presley estava morto, seu caixão estava aberto, milhares de pessoas o viram, todas as pessoas no funeral aquele dia o viram... Eu peguei sua mão - eu sei que Elvis Presley estava morto.


[Vídeo: Elvis e JD cantam "How Great Thou Art" durante show em Hampton Roads, Virginia, em 9 de abril de 1972]



Apresentador: Bem, acho que, tristemente, todos aqui nesta sala e que estejam ouvindo esta fita já sabem agora que, com você estando lá e tendo sido encarregado do funeral, é verdade que o Rei do Rock, Elvis Presley, está morto. Mas, para fecharmos esta entrevista, conte-nos algo engraçado.

JD: Bem, é claro que, quando se estava em torno de Elvis, tudo era engraçado - porque se ele queria que fosse engraçado, você ria mesmo que não fosse.

Mas eu estava em Tucson, Arizona, cantando em uma pequena igreja Batista. Recebi um telefonema de Elvis, que tinha me encontrado ligando para minha esposa em casa e descobrindo onde eu estava. Ele me achou e queria que o The Stamps Quartet e eu fossemos a Denver para cantar em um funeral. Claro, nós tínhamos compromissos todas as noites, então ele disse "meu jato está à caminho para pegar vocês"; ele não perguntou se queríamos ir ou não, o avião já estava à caminho. Naquela época, eu tinha um garoto cantando baixo, chamado Larry Strickland. Então deixei Larry com nosso ônibus, para que o dirigisse até nossa próxima apresentação em New Mexico. Então os Stamps pegaram o avião e foram para Denver. Nós cantamos no funeral.

Depois que o funeral acabou... Elvis tinha ido ao funeral vestido de policial, ele tinha um uniforme - ele e Linda foram ao funeral e ele supostamente era apenas um policial. Quando o velório acabou, Elvis veio e disse "quero que fique comigo" - e quando ele queria que você fizesse algo, você fazia; então, fiquei com ele - e o quarteto foi mandado para os locais que precisavam estar para terminar aquela turnê. Esperei em meu quarto, como todos costumeiramente faziam, para ver o que Elvis queria ou se ele precisava de alguma coisa. Então, esperei no quarto até quase o fim da noite e decidi ir até o restaurante. Comi o mais rápido que podia e voltei. Quando estava me aproximando do quarto, ouvi o telefone tocando; corri, abri a porta, era meu telefone tocando e era Elvis na linha. Elvis disse "vamos comer"; eu respondi "bem, acontece que acabei de comer, Elvis...". Ele disse "não me importa o que você fez, eu disse vamos comer!"; eu respondi "não fazia ideia que eu estava com tanta fome, mas estou faminto, vamos!".

Fomos a um restaurante em Denver - não lembro o nome - e ele estava usando seu uniforme policial. Estávamos comendo e ele tinha tirado o quepe, porque foi criado assim. Eu pedi lagosta, porque era pouca coisa e eu queria poder comer sem passar mal. Elvis pediu um sanduíche de manteiga de amendoim com geleia, que custou 18 dólares. Enquanto comíamos, um homem veio até Elvis e perguntou: "Desculpe, senhor, mas queria resolver uma disputa entre minha esposa e eu. Você é ele?". Mas quem era "ele"? O homem não perguntou "você é Elvis?", perguntou "você é ele?". Elvis disse "não". O homem respondeu "bom, você se parece com ele" e Elvis retornou "já me disseram isso várias vezes". Foi a única vez que o incomodaram durante o jantar.

Depois deste período em Denver, voltamos para nossas casas. Claro, durante o período, Elvis estava em um estupor quanto a dar Cadillacs de presente. Ele tinha dado Cadillacs para diferentes departamentos policiais em Denver. Estávamos vendo o noticiário na suíte dele e o âncora disse "bem, nosso amigo Elvis ainda está nessa - até agora, ele deu um total de 12 Cadillacs". E completou: "Aliás, Elvis, quando mandar o meu, quero um Sedan Deville preto". E Elvis disse "me dê o telefone". Eu pensei "meu Deus, o que ele vai fazer?". Então, ele ligou para o homem dos Cadillacs e disse "quero um Sedan Deville preto na porta da estação de TV na hora que esse cara sair do ar". O homem levou o Cadillac até lá e quando o âncora saiu do programa já havia câmeras preparadas. O levaram até o estacionamento e ele viu o Cadillac que tinha pedido a Elvis há alguns minutos.

Mas o que Elvis Presley estava fazendo? Ele estava produzindo seu próprio programa de TV a partir de seu quarto de hotel. E eu estava sentado lá pensando "meu Deus, por que diabos ele não me deu aquele Cadillac?!". Eu dirigia um Ford Pinto na época! Mas era assim que ele aproveitava a vida.

Aparentemente, quando Elvis era jovem, sanduíches de manteiga de amendoim e geleia eram seus favoritos. Então, uma noite em Graceland, ele queria o sanduíche de manteiga de amendoim e geleia daquele restaurante em Denver. Ligou para seu piloto, Marlowe, reuniu a equipe, entrou no Lisa Marie, voou para Denver... E eu vi a conta do combustível pessoalmente - custou 8 mil dólares para voar com o Lisa Marie de Memphis para Denver. Entrou no avião, voou para Denver, comprou o sanduíche e voou de volta para Memphis. Aquele sanduíche de manteiga de amendoim e geleia lhe custou 16 mil e dezoito dólares - e eu teria feito pessoalmente uma braçada deles e caminhado de Nashville para Memphis por 400 dólares.


David Tider: Sr. Sumner, sobre essa senhora que disse que tirou fotos de Elvis se escondendo na casa da piscina [de Graceland]...

JD: Quem quer que tenha dito que fez fotos dele, não fez fotos de Elvis Presley. A foto que vi, supostamente... Alguém disse que supostamente é Elvis sentado atrás de uma porta de tela, olhando para a piscina e para o Jardim da Meditação. Qualquer coisa pode ser feita com edições fotográficas. Você pode pegar duas fotos, juntá-las, deixar uma mais opaca no fundo, meio apagada... Quem quer que tenha dito que fotografou Elvis Presley mentiu, porque Elvis Presley estava morto e não teria como Elvis estar sentado atrás daquela porta, a não ser que Jesus tenha feito seu milagre de novo. As únicas duas pessoas que voltaram dos mortos foram Lázaro e Jesus Cristo. Elvis Presley está morto, então ninguém tirou tal foto dele. Essa foto é uma farsa.


Apresentador: Obrigado, Sr. Sumner, por seu tempo e sua visão do assunto. Agradecemos muito.

A controversa foto citada por JD, supostamente tirada em 31 de dezembro de 1977

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Antes da entrevista acima, JD já falava sobre as controvérsias por trás da morte de Elvis. Em 1977, enquanto se apresentava com os Stamps no show "Memories of Our Friend Elvis", JD já reservava algum tempo para responder perguntas da plateia ou falar sobre alguma coisa relacionada a seu amigo e sua partida prematura.

Em 1978, o disco duplo "JD Sumner & The Stamps Present Memories of Our Friend Elvis - Live On Stage", única homenagem lançada oficialmente pela RCA, fez um sucesso modesto. Abrindo a setlist com "Also Sprach Zarathustra" e "See See Rider", JD e os Stamps traziam um show com vinte canções gravadas por Elvis ou de sua preferência, no gênero Gospel ou Country.

A seguir, transcrevemos os diálogos de JD com a plateia.










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PROPÓSITO DO SHOW

Muito obrigado. Estava esperando ansiosamente para vir ao palco e mostrar a vocês como eu sou fantástico.

Eu gostaria de dizer, com toda a sinceridade, que estamos aqui esta noite para entretê-los. Não estamos aqui como imitadores nem estamos tentando cantar ou agir como ele. Mas ele era nosso amigo e nós trabalhamos juntos pelos últimos seis anos. Estamos simplesmente tentando fazer o que vocês, fãs dele, não nossos, gostariam que fizéssemos.

Há muitas perguntas que as pessoas gostam de fazer sobre Elvis e o que faço é pegar aquelas que posso e tento responder. Me sinto no direito - e não como se tentasse defender Elvis - de responder essas perguntas. Estou simplesmente falando a verdade sobre um monte de mentiras que foram escritas [referindo-se ao livro "Elvis: What Happened?"].


[Vídeo: Muito emocionado, JD faz uma versão de "My Way" com os Stamps em 1995]



A PERGUNTA PRINCIPAL

A primeira pergunta que as pessoas gostam de fazer, que querem saber é: Elvis usava drogas?

Há um Deus lá em cima agora mesmo, eu confio nesse Deus. Que Deus jogue um raio na minha cabeça bem aqui neste palco se eu estiver mentindo. Não tenho razão para fazê-lo.

Elvis Presley não usava drogas. Ele não era um idiota. Quando se fala de "droga", se fala de "droga". Se você toma Aspirina, você está tomando droga. Elvis Presley não usava drogas. Passei muito tempo com ele... Não direi que conhecia ele melhor do que ninguém, mas eu o conhecia tão bem quanto a outras pessoas. Nunca entrei em seu quarto sem ver uma Bíblia ou um livro relacionado a religião em seu criado-mudo. Passamos muito tempo rezando, só Elvis e eu.


TVS E TIROS

Quanto a coisas sobre ele que saíram em alguns noticiários, como atirar em televisões... Eu estava em seu quarto certa vez, em Asheville, e estávamos vendo um programa quando linhas transversais começaram a correr na tela e todos nós "técnicos" tentamos consertar. Quando conseguíamos, elas voltavam a correr na tela antes mesmo de nos sentarmos. Então, ele pediu para todos se afastarem, mandou pegarem a arma dele e atirou naquela belezinha! Eu fiquei tão orgulhoso por ele que mal podia ficar em pé! Não vou poder atirar nem mesmo em uma antes de morrer. Eu teria que sair e comprar uma usada em preto e branco só para poder atirar nela!


ELVIS E O DINHEIRO

Havia dois graus diferentes de relacionamento com Elvis: um era o de quem trabalhava com ele, o homem que recebia um salário toda segunda-feira de manhã. E havia alguns de nós que não recebiam cheques na segunda, que mais ou menos trabalhávamos com ele - não para ele - em seu show. Acho que ele nos encaixava nesse grau e os outros, na outra - em duas categorias diferentes. Mas ele me disse que, quando era garoto, vivia em imensa pobreza; em 1955-56, se tornou um milionário. Foi de não ter dinheiro suficiente nem para comprar um hambúrguer a ter dinheiro para comprar o que quisesse no dia seguinte. Então, ele nunca soube o significado do dinheiro. Dinheiro não significava nada para ele.

Ele comprou uma fazenda no Mississippi... Graceland fica na parte Sul do Tennessee, em Memphis, e cerca de 16km de lá fica o Mississippi. Ele comprou uma fazenda e gastou mais de 100 mil dólares consertando a casa que havia lá. Agora, o que quer que Elvis quisesse fazer, o dinheiro não era problema e não significava nada. Então, ele decidiu que queria ser um fazendeiro e comprou uma caminhonete. Consertou sua casa, tinha uma fazenda, e na sua cabeça, naquele momento, ele era simplesmente um fazendeiro.

Ele falou com seu pai, Vernon... Vernon era o tipo de homem que gostava de economizar dinheiro; e provavelmente foi bom ele ser esse tipo de homem, porque Elvis distribuía dinheiro aos milhares de dólares por vez. Não significava nada para ele, porque você tem que perceber que, mesmo que desse todo seu dinheiro, ele poderia fazer mais shows e teria mais de um milhão de dólares em duas semanas. Mas Vernon tentava economizar. Então, quando comprou sua fazenda, ele disse "pai, quero uma caminhonete". Vernon, sabendo que Elvis Presley não tinha motivos para ter uma caminhonete, disse "filho, você não precisa de uma caminhonete". 

Isso deixou Elvis furioso. Então, ele foi até seu contabilista, Joe Esposito, e disse "saia e compre cem caminhonetes". Na manhã seguinte, quando Vernon foi á fazenda, havia cem caminhonetes no quintal. Elvis deu todas elas. Ele saia em sua limusine e, quando via um fazendeiro trabalhando, parava, atravessava a cerca... E eu posso imaginar esse fazendeiro vendo aquele cara vestido de forma diferente da normal na região; Elvis se aproximava e o cara provavelmente pensava que ele fosse um hippie. Ele dizia "como vai, senhor? Sou Elvis Presley" - e posso imaginar o fazendeiro dizendo "sim, e eu sou Franklin D. Roosevelt". Mas Elvis dizia "senhor, gostaria de ter aquela caminhonete?" e é claro que isso chamava a atenção do fazendeiro, que dizia "sim". Elvis dizia "este é meu contabilista, Joe Esposito; dê seu endereço a ele e eu mandarei os documentos amanhã de manhã". E assim ele deu todas as cem caminhonetes.


O PODER DO NOME ELVIS PRESLEY

Elvis Presley não precisava gravar uma certa música para ser popular. Ele era supremo em suas gravações. Nos últimos anos de sua carreira, ele gravava o que queria.


ELVIS E A SOLIDÃO

Os artigos que foram escritos sobre Elvis... Ele era solitário? Elvis Presley não era solitário. Se ele era, então eu também quero ser solitário. De certo modo, todos nós levamos uma vida solitária. Às vezes você pode estar com alguém e ainda assim estar solitário. E há um preço a pagar por ser Elvis Presley, não há porque tentar se enganar dizendo que ele era um ser humano comum - ele tinha que pagar um preço por ser Elvis. Mas ele se alegrava em pagar esse preço porque amava o que fazia, amava muito. Há um preço a se pagar por qualquer coisa na vida e Elvis se alegrava em pagar esse preço, mas ele certamente não era solitário.

Elvis tinha amigos profundamente próximos. Era um homem que tinha todo o dinheiro do mundo e, se ele quisesse falar com JD Sumner, se dissesse "JD, vou mandar meu avião buscá-lo, quero falar com você", eu ia. Falávamos por telefone durante duas, três ou quatro horas. Ele certamente não era solitário. Ele vivia como queria; fazia o que queria, quando queria, como queria e onde queria. Eu tinha no meu quarto - e ainda tenho -  um telefone que ninguém no mundo tinha o número, a não ser Elvis. Quando ele queria falar comigo ou quando queria que eu fosse a Memphis, Palm Springs, LA ou Colorado, onde ele estivesse na estrada, ele ligava e, claro, eu ficava feliz em ir. E Elvis tinha muitos amigos como este.


[Vídeo: Elvis, Charlie Hodge, JD e os Stamps fazem sessão Gospel durante ensaios para "Elvis On Tour"]



ELVIS SÓ QUERIA AJUDAR

Ele me ligou de Fort Worth uma noite e disse "JD, quero um ônibus". Eu estava em casa, em Nashville, e ele em Fort Worth. Eu disse "ok" e ele respondeu "esteja com ele em Memphis quando eu chegar em casa"; eu perguntei "ok, mas quando você vai chegar?" e ele disse "daqui uma hora". Eu disse "Elvis, não daria nem para eu dirigir meu ônibus de Nashville até Memphis em uma hora" e ele então retornou "bem, então apenas encontre um ônibus e eu ligo mais tarde". Então falei com Ed Enoch e Larry Strickland e começamos a ligar para diferentes lugares que poderiam nos sugerir ônibus, e eles encontraram um em North Carolina.

Ele chegou em casa e me ligou, perguntando "e então, conseguiu um ônibus?"; eu disse "sim, mas ele está em North Carolina". Ele não me disse por que queria o veículo nem nada disso, mas acontece que ele tinha ouvido [o cantor country] T.G. Sheppard no rádio, que estava recém começando, e queria comprar um ônibus para o cantor. Ele disse "como você vai comprar?" e eu respondi "Elvis, não vou comprar nada e gastar seu dinheiro antes de investigar e me certificar de que o ônibus é bom". Ele disse "ok, como você quer fazer?" e eu respondi "mande seu avião para cá às 9 da manhã junto com um cheque em branco assinado".

Ele fez isso e nós fomos para North Carolina, compramos o ônibus e Larry Strickland o dirigiu até Memphis. Quando chegamos, Elvis sentou no banco da frente e mandou sua limusine nos seguir até a casa de T.G. Sheppard, que também era em Memphis. Quando chegamos, Elvis saiu do veículo e pediu para chamarem Sheppard, que mal podia acreditar no que ouviu quando Elvis disse "aqui está seu ônibus". Ele disse que não entendia e Elvis simplesmente respondeu que ele não precisava entender, que ele tinha investigado e visto que T.G. era um jovem em início de carreira que tinha dificuldades financeiras e que queria ajudar. Esse era o tipo de homem que Elvis foi. Se você estivesse em dificuldade, ele tentava ajudar.


ELVIS E PRISCILLA

Muita gente pergunta sobre ele e sua esposa: Eles realmente se amavam? Certamente, sim. Mas a árdua tarefa de ser Elvis, a árdua tarefa de entreter, de cantar, é o preço que um artista tem que pagar. Havia muita gente pegando muitas partes de sua vida. Ele se abria a tanta gente que acabava se tornando bastante ausente para sua família. Esse era o preço que sua esposa tinha que pagar e era simplesmente muito caro. Elvis não podia evitar isso porque recebeu de Deus a árdua tarefa de ser Elvis Presley.


RELIGIÃO

Muita gente pergunta: Ele era Cristão? Estava salvo? Era religioso? Ele era muito mais religioso do que qualquer um poderia imaginar. Ele certamente não era o Elvis que você via no palco. Ele tinha bastante tato para saber que o artista deve deixar política, religião e vida pessoal fora do palco; Elvis sabia que devia subir ao palco somente para entregar o prometido às pessoas que pagaram 10, 15 dólares para vê-lo cantar. Mas sua vida pessoal era muito, muito religiosa. Passei muitas horas com ele lendo a Bíblia, falando sobre Jesus Cristo... Certamente, Elvis não era perfeito, mas era um homem profundamente religioso. Se você já ouviu Elvis cantando Gospel ao vivo ou em um disco, você pode perceber que ele o fazia com toda a sinceridade.


COMPORTAMENTO

Saíram muitas notícias, e vocês devem ter lido, sobre Elvis levar uma vida selvagem, tipo Howard Hughes - eu não sei como era Howard Hughes além do que os livros descrevem -, mas Elvis não era esse tipo de homem. Elvis raramente comparecia a algumas das coisas que escreveram, como festas selvagens; ele sabia delas, mas não participava. Algumas coisas que foram escritas sobre orgias sexuais selvagens... Elvis nunca fez parte dessas coisas.


[Vídeo: uma das últimas apresentações de JD Sumner junto aos Stamps]



ELVIS E SUAS BRINCADEIRAS

Estávamos tocando em Vegas e um homem da segurança veio até nós e disse que receberam tês telefonemas de um maluco que dizia que iria matar Elvis no primeiro show da noite. Ele disse "fiquem de boca fechada, mas cuidem a plateia. Se virem alguém se aproximar de forma suspeita, nos avisem e lembrem de tentar proteger Elvis". Eu fiquei muito nervoso e realmente cuidei a plateia.

Depois do primeiro show - sempre fazíamos dois - o segurança voltou e disse que haviam recebido mais uma ligação do maluco, dizendo que mataria Elvis no segundo show. Ele disse "leve os Stamps para a suíte - chamada suíte Imperial -, quero instruí-los em algumas coisas sobre segurança". Ele disse para não dizer sobre o que era a urgência, mas que apenas avisasse que Elvis queria vê-los na suíte. Eu os levei até lá, Elvis estava cercado por uns vinte seguranças do hotel, além dos nossos. Eles contaram aos Stamps sobre o maluco que prometia matar Elvis durante o show e todos ficaram apreensivos.

De onde estávamos, podíamos ver a porta de saída. Houve um grande estrondo, a porta foi arrombada e a segurança gritou "é agora!". Eles começaram a atirar e, claro, como estávamos nervosos, pensamos que alguém havia invadido a suíte e estava tentando matar Elvis. Ele e os Stamps se jogaram no chão e um dos guardas caiu e começou a se contorcer. Quando Elvis deitou, não sei por que fiz isso, mas eu deitei sobre o corpo dele pensando que eles não me matariam - claro, eu estava  maluco, porque eles me matariam e depois a ele. Eu amava muito Elvis, ele era meu amigo, mas eu não necessariamente queria que ele morresse naquele momento.

Mas eu deitei sobre o corpo dele e tentei cobrí-lo e, enquanto isso, ainda havia tiros sendo disparados na suíte. Elvis começou a rir, mas eu ainda fiquei deitado sobre ele, mesmo sentindo que ele estava se contorcendo de tanto rir. Então, ele disse "ok, amigos, foi só uma brincadeira!" e um dos guardas veio com uma arma e disparou diretamente no meu rosto - era um festim, que não vai matá-lo, mas deixa uma boa marca se o atingir de perto. Percebi que era realmente algo armado e voltei para meus afazeres, com todos rindo pelas minhas costas. Essa foi a única brincadeira perigosa que Elvis fez com a gente, mas os guardas sempre faziam alguma. Éramos uma família feliz, a Família TCB, cheia de pessoas fantásticas. Todos.


ELVIS: WHAT HAPPENED?

O livro que foi escrito... Esses homens [Red e Sonny West], eu não acredito que eles o escreveram. Eu os conhecia pessoalmente, conhecia suas vidas particulares, sabia o quanto amavam Elvis, o quanto Elvis os amava... Simplesmente não acredito que eles tenham dito o que o livro conta até que eles, pessoalmente, me digam que o escreveram. Simplesmente não acredito. Elvis Presley ganhou 4 bilhões de dólares em sua vida. Não quis dizer 4 milhões, mas 4 bilhões mesmo. Ele deu mais de metade disso para seus amigos, para a caridade... Ele deu muitas coisas para a caridade, mas nunca quis que ninguém soubesse.


UMA DECISÃO DIFÍCIL

Não sei se alguém já passou por uma situação como essa, além de mim. Eu precisava de um ônibus novo, o nosso estava quebrado e Elvis sabia disso. Então, estávamos tocando em Shreveport, e ele, entre um show e outro - muitas vezes fazíamos um á tarde e outro à noite - me chamou até seu quarto. Sempre era fantástico ser chamado por Elvis, porque você queria fazer algo por ele, uma vez que ele fazia muito por todos à sua volta. Eu havia pedido uma refeição e estava preparado para comer, então apenas paguei por ela, saí e fui ver Elvis.

Ele sempre tinha sua suíte, então fui até lá e Joe [Esposito] disse que ele queria me ver. Elvis estava de pijamas e um casaco do hotel. Ele pediu para que eu sentasse e mandou Joe trazer um cheque em branco. Elvis disse "você precisa de dinheiro, então preencha com o valor que quiser". Eu disse "Elvis, não posso fazer isso! Simplesmente não posso", e ele respondeu "não pode, o caramba! Preencha!". E lá estava eu.... Eu poderia colocar um milhão de dólares e ele teria assinado. Claro que eu não fiz isso e preenchi com o que eu precisava. Ele disse "não é muito, se precisar de mais é só voltar aqui. Me deixe saber o que você precisa e você terá". Esse era o tipo de homem que ele era.

Era um homem para o qual dinheiro não significava nada, somente seus amigos e a humanidade. Um homem que vivia sua vida para se público, que obedecia as obras de Deus, simplesmente não podia ser mau. Ele não era perfeito. Eu também não sou e nem você é, mas só posso desejar poder ser tão bom quanto Elvis Presley foi. Se você já o ouviu cantar "How Great Thou Art", se você acredita em Deus, se você acredita no Paraíso, então tem que saber que é lá que Elvis Presley está.


[Vídeo: JD canta "How Great Thou Art em sua penúltima apresentação (22/03/1997) ]


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INDIANAPOLIS: ELVIS QUERIA CONFIDENCIAR ALGO A JD

Em uma de suas últimas entrevistas, JD fala sobre como conheceu Elvis e a amizade que mantiveram até 1977. No trecho final, ele revela o que segue:

Sempre vou me arrepender de... Ele me ligou depois do último show em Indianapolis. Me ligou antes de sair... Na verdade, ele não saiu do auditório naquela noite. Eles sempre diziam "Elvis já deixou o recinto", mas ele não saiu naquele noite e me chamou até seu camarim após o show. Ele disse "JD, quero que você vá a Memphis, quero falar com você sobre algo muito importante". Eu não tive tempo de ir até lá falar com ele. Nunca soube o que era.


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ELVIS ME DEIXAVA BEBER NO PALCO PELO BEM DO SHOW

Em 1989, enquanto se recuperava de seu vício em álcool, JD apareceu no programa de Geraldo Rivera (que chegou a passar no Brasil pelo SBT) para falar sobre o vício e responder perguntas da plateia.

Na sequência, separamos os segmentos mais relevantes da entrevista (uma vez que Geraldo sempre foi - e continua sendo - extremamente arrogante e convencido de suas opiniões patéticas sobre a vida).
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 Geraldo: Viver intensamente e morrer jovem, não era assim? Ele achava que morreria jovem? Elvis achava que era invencível?

JD: Elvis se considerava um expert, como se fosse seu próprio médico. Ele lia muito e conhecia muito sobre os remédios. Ele considerava que sabia o suficiente para se manter em um nível seguro. Mas ele não sabia que era viciado, a partir do ponto de vista dele mesmo.

Geraldo: Ele tinha uma enciclopédia médica para referência?

JD: Sim [afirmando com gestos de cabeça antes de ser interrompido por um insight irrelevante de Geraldo].

[Sobre seu vício em álcool]

JD: Eu era o companheiro de copo de Elvis, embora ele não bebesse. Eu o conhecia desde os 14 anos e ele não bebia nada além de uma dose de brandy de pêssego de vez em quando.

Geraldo: Mas ele bebia isso para engolir seus Qualudes, Percodans e coisas do tipo?

JD: Bem, as únicas coisas que eu sei que Elvis tomava eram Qualudes, pílulas para dormir e antidepressivos - antidepressivos fortíssimos. Ele o demitiria por fumar maconha, odiava cocaína, mas aprovava que eu bebesse. Isso porque eu o convenci de que minha bebedeira me ajudava a atingir os graves. Eu era um ótimo mentiroso - era o único que podia beber no palco! Do meu lado direito, no palco, eu sempre tinha uma garrafa de whisky puro.

Geraldo: Que bom que isso não arruinou sua voz, agora que está sóbrio.

JD: Eu bebia 750ml (uma garrafa) por dia e eles dizem que 375ml por dia matam uma pessoa. Isso está errado - eu bebia 750ml por dia. Mass Elvis veio falar comigo e disse: "Isso não atrapalha o show, mas vai te matar, e é isso que me preocupa. Quero que você diminua sua ingestão de álcool". Porém, eu tive que atingir o fundo do poço. Quando se está nessa situação, quando se bebe muito ou é um alcoólatra, ninguém pode te dizer nada - você precisa atingir o fundo do poço sozinho.

[continuação após interrupções]

JD: Eu nunca fiquei bêbado. Você poderia falar comigo como estamos falando agora e não perceberia, a menos que cheirasse meu hálito. Eu era o melhor alcoólatra que já existiu!

Geraldo: Quando você atingiu o fundo do poço, JD?

JD: Quando cheguei ao ponto de não comparecer aos ensaios se não tivesse bebido muito. Eu bebia muito e você não percebia. Então, você precisa atingir o fundo do poço e precisa se permitir perceber que, "bem, JD Sumner tem um problema", antes de poder resolver isso.

[Vídeo: JD canta "An American Trilogy" em sua última apresentação (23/03/1997) ]


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"ELVIS HAS LEFT THE BUILDING"

Em 1977, JD e os Stamps lançaram um single com uma homenagem a Elvis recitada por JD e harmonizada pelos Stamps. Abaixo disponibilizamos vídeo com o áudio desta gravação e, na sequência, sua tradução.



[cantado]
Preciosas memórias
Como elas perduram
Como elas enchem minha alma

[recitado]
O tempo era 1935.
O lugar: Tupelo, Mississippi.

Deus mandou a este mundo
Um bebê menino que nasceu na pobreza.
E quando criança ele se perguntava qual seria seu destino.
Sua vida seria corrida
E coisas que nem ele acreditaria iriam acontecer.

Ele tinha muito a dar, mas mesmo assim, pouco a receber.
Ele começou com uma canção e um gingado
Que muita gente não conseguia entender.
Mas você e eu agora sabemos
Que estava tudo nos planos de Deus.

Tão cedo quanto ele começou, ele perderia seu mais precioso tesouro.
A tragédia atingiu a vida desse jovem:
Sua mãe morreu.
Nesta época ele tinha o Coronel, que guiaria todos os seus passos.
E coisas começaram a acontecer de uma forma que nenhum dos dois previu.

Ele voltou para casa do Exército e nós o vimos na TV.
E por causa daquele gingado, eles nem mostravam seus joelhos.
Sua carreira cresceu e ele começou a fazer filmes.
Isso o tirou de nós por algum tempo.
Mesmo que ele não gostasse, ele ainda fazia o mundo sorrir.

Então ele voltou para nós em pessoa.
Porque cantar para seus fãs
Era o que ele realmente gostava.
E quando ele achava que não tinha nos agradado,
Ele ficava bravo consigo mesmo.

Nós exigíamos, sem entender, que ele desse a nós tudo o que pudesse.
Ele tentava fazer o que queríamos, para o grande e o pequeno.
A demanda por seus discos, para vê-lo ou tocar suas mãos,
Pouco a pouco cobrou seu preço,
Pois, mesmo ele, era apenas um homem.

Sim, ele era muito feliz na vida
E não tinha medo de morrer.
Mesmo agora,
Com nossos corações partidos,
Ele não iria querer que chorássemos.

Deus, em toda Sua sabedoria,
Mesmo que o amássemos tanto,
Sabia o que era melhor.
Nós não entendemos,
Mas era hora de ele partir.

Que você e eu, em nossas memórias,
Nunca esqueçamos o que ele nos deu.
Porque, enquanto ele viveu,
Por Deus e seu país, por você e eu,
Ele foi um escravo.

Sim, o Céu agora está mais iluminado,
Embora este mundo tenha perdido uma Luz.
"Take Care of Business",
É o que ele nos diria.
Você deve continuar sua vida.

Mesmo seu pai e a pequena Lisa,
Eles devem aceitar o que Deus fez.
Mesmo que,
Como nosso Pai Celestial,
Vernon tenha dado seu filho único.

Agora o show acabou
E a cortina desceu.
"Elvis Has left the Building",
Mas sempre estará por perto.


"THE 'REST IN PEACE' NARRATION"

No fim da entrevista cedida em 1985, JD recriou e regravou "Elvis Has Left the Building" com trechos inéditos, fazendo uma espécie de desabafo. A nova versão foi intitulada "The 'Rest In Peace' Narration" e fechou o CD citado na entrevista. Segue tradução (vídeo/áudio indisponível).


[cantado]
Preciosas memórias
Como elas perduram

[recitado]
Deus mandou a este mundo
Um bebê menino que nasceu na pobreza.
E quando criança ele se perguntava qual seria seu destino.
Sua vida seria corrida
E coisas que nem ele acreditaria iriam acontecer.

Ele tinha muito a dar, mas mesmo assim, pouco a receber.
Ele começou com uma canção e um gingado
Que muita gente não conseguia entender.
Mas você e eu agora sabemos
Que estava tudo nos planos de Deus.

Tão cedo quanto ele começou, ele perderia seu mais precioso tesouro.
A tragédia atingiu a vida desse jovem: Sua mãe morreu.
Nesta época ele tinha o Coronel, que guiaria todos os seus passos.
E coisas começaram a acontecer de uma forma que nenhum dos dois previu.

Ele voltou para casa do Exército e nós o vimos na TV.
E por causa daquele gingado, eles nem mostravam seus joelhos.
Sua carreira nos filmes o tirou de nós por algum tempo.
Mesmo que ele não gostasse, ele ainda fazia o mundo sorrir.

Então ele voltou para nós em pessoa.
Era o que ele realmente gostava.
E quando ele achava que não tinha nos agradado,
Ele ficava bravo consigo mesmo.

Nós exigíamos, sem entender, que ele desse a nós tudo o que pudesse.
Ele tentava fazer o que queríamos, para o grande e o pequeno.
A demanda por seus discos, para vê-lo ou tocar suas mãos,
Pouco a pouco cobrou seu preço,
Pois, mesmo ele, era apenas um homem.

Deus, em toda Sua sabedoria,
Mesmo que o amássemos tanto,
Sabia o que era melhor.
Era hora de ele partir.

[cantado]
Precioso Pai
Adorada Mãe

"O Rei se foi", é o que eles disseram em 16 de agosto de 1977.
Meu amigo Elvis estava morto.
Eu não podia acreditar! Como podia ser?
Por que, Deus? Por que levar Elvis? Por que não eu?

Eu nunca esquecerei o funeral naquele dia.
O que íamos cantar? O que diríamos?
Eu escolhi as canções e aqueles que as cantariam.
Chamei Rex Humbard.
Sim, ele saberia o que dizer.

Anos se passaram e mentiras foram contadas.
Como podem essas pessoas terem tanta ousadia?
Bem, talvez seja mentira e talvez seja verdade,
Mas certamente não há nada que ninguém possa fazer.

Não, há uma última coisa.
Uma última tentativa de derrubar o Rei.
Uma coisa que vocês esqueceram quando escreveram seu livro
É que o caixão poderia estar fechado e ninguém o teria visto.

Eu estava lá! Eu sei!
Eu peguei sua mão.
E eu sei a diferença de um pedaço de cera
E de um homem de verdade.

Se ele quisesse criar uma farsa,
Como foi sugerido,
Ele era esperto o suficiente para fazê-lo.
Mas Elvis jamais viveria uma mentira.

Bem, este livro também juntará poeira
E os lugares que o imprimiram também perecerão.
Mas há uma coisa que ninguém vai apagar:
E isso são as memórias de um grande homem,
um grande humanista e um grande artista:
Elvis, meu amigo.

[cantado]
Preciosas memórias
Como elas perduram
Como elas enchem minha alma
Na solidão da meia-noite
Preciosos segredos se revelam 


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Fotos: Google
Vídeos: Youtube
Tradução: Elvis Presley Index | http://www.elvispresleyindex.com.br
>> a re-disponibilização desta tradução só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<

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