FÃS DE ELVIS, QUEREMOS SUA OPINIÃO!

Responda nosso rápido formulário sobre um possível evento Elvístico em Porto Alegre (RS). Use a barra lateral ou scroll down para ver todas as perguntas. Não esqueça de clicar em ENVIAR ao terminar. Agradecemos a colaboração.

I'VE GOT TO FIND MY BABY!

Entrevista com Red West

Elvis e Red West na Alemanha, 1959

Nascido em 20 de novembro de 1936 em MemphisTennessee, Robert Gene "Red" West tornou-se amigo de Elvis Presley ainda durante o colegial. West pode ser considerado o membro fundador da Máfia de Memphis, tendo acompanhado o Rei do Rock durante toda sua carreira. Elvis o considerava um grande amigo, senão seu melhor amigo, tendo sido seu padrinho de casamento e financiado alguns empreendimentos e compras para ele.

Red fez sua vida em torno de Elvis, escrevendo várias músicas para ele ("You'll Be Gone", "That's Someone You'll Never Forget", "If Every Day Was Like Christmas", "Holly Leaves and Christmas Trees", "Separate Ways", entre outras) e participando como extra ou coadjuvante em 16 dos 29 filmes do cantor. Sua habilidade como dublê foi o que manteve seu nível de vida após a morte de Elvis, tendo trabalhado em diversos filmes de sucesso, como "Matador de Aluguel" (Road House, 1989) e "O Homem Que Fazia Chover" (The Rainmaker, 1997). Sua carreira como ator e dublê durou até 2013, ano em que se aposentou de forma não-oficial.

Em 1976, Red, Sonny e David Hebler foram demitidos por Vernon e se lançaram em uma jornada de vingança, escrevendo o livro "Elvis: What Happened?" para expor "os problemas físicos e mentais de Elvis, além do uso abusivos de drogas", dizendo ser "a única forma de abrir seus olhos". Red já lucrou muito com isso, mas atualmente prefere não comentar seus motivos e o impacto que o livro possa ter causado na vida de Elvis. Para ele, foi "um mal necessário".


Em 3 de novembro de 1999, Red West concedeu uma entrevista a Todd Slaughter, presidente do Fã-Clube Oficial de Elvis Presley na Grã-Bretanha, na Convenção Inglesa de Fã-Clubes. Abaixo transcrevemos a entrevista.

OBS.: Algumas frase foram reorganizadas para uma melhor compreensão textual.

_________________________________________________________________________________________________________________

Elvis, Joe Esposito, Sonny e Red West em 1975
RW - Um dos maiores desejos de Elvis era fazer uma turnê européia e vir para a Inglaterra. O mais próximo que ele chegou foi quando estávamos na Alemanha. Bill Haley estava em algum auditório em Frankfurt e nós fomos lá, e estávamos nos bastidores. Bill Haley estava cantando "Rock Around the Clock". Elvis apenas espiou pela cortina por um momento e todo o auditório nos perseguiu pela porta lateral, e isso é o mais próximo que ele chegou de aparecer na Europa, mas ele sempre quis vir para cá. Muitos de seus fãs da Inglaterra foram para Las Vegas. Ele falava com eles e aquela era uma das coisas que ... dos maiores erros que ele cometeu, um foi Elvis não vir aqui para que vocês pudessem vê-lo e ele pudesse ver o quanto você o amavam.

TS - Temos muitas perguntas para Red, as quais vamos passar parte por parte, e haverá um tempo no final para que vocês façam as suas, mas vamos voltar aos primeiros dias. Diz a lenda que você salvou Elvis de ser espancado no Humes High, quando um grupo de meninos quis cortar seu cabelo. Qual é a verdadeira história, e foi isso que aconteceu?

RW - Essa é a verdadeira história. A história é que Elvis sempre foi diferente. Nós usávamos - eu estou usando um agora porque fiz um filme que me obrigou a usar um visual do passado - cortes de cabelo pobres, usávamos camisetas e jeans; Elvis tinha o topete, as costeletas longas, usava roupas chamativas e, naturalmente, era um alvo para todos os valentões. Um dia felizmente entrei no banheiro dos meninos no Humes High School quando três caras iam cortar o cabelo dele só para, sabe... para se sentirem superiores ou fazê-lo se sentir inferior ou o que quer que seja, e eu impedi; acho que aquilo ficou na cabeça dele porque uns anos depois, quando lançou seu primeiro álbum, ele veio e me perguntou se eu gostaria de ir a Grenada, Mississippi, ou em algum lugar assim, e eu fui e estive com ele desde então, exceto por um par de anos em que estive no Corpo de Fuzileiros Navais.

Seja como for, Elvis e eu éramos grandes amigos. Algumas coisas aconteceram que ... Eu quero me concentrar nos momentos mais felizes neste encontro porque eles diminuem o peso dos tempos ruins. Nós tivemos alguns bons tempos, alguns tempos de diversão e, na minha opinião, não há ninguém que venha a se comparar com Elvis algum dia. Ele era meu amigo e sempre vou lembrar dele.

TS - Deve ser muito difícil andar na sombra de alguém que é tão amado, tão adorado, tão adorado. Alguma vez houve um momento em que você sentiu, "eu gostaria que tivesse sido eu", ou você estava feliz por estar na sombra, por assim dizer?

RW - Eu não trocaria de lugar com ele por nada. Besteira. Qualquer um ... você sabe, o que ele tinha, a adoração e o dinheiro. Quero dizer, é isso que a vida é; imagino que todo mundo aqui gostaria de chegar a esse platô, de ter o que ele tinha, e de dizer "não, eu não trocaria de lugar com ele" - é uma declaração difícil de fazer. Ele tinha tudo, exceto a privacidade que deveria ter tido, isso é o que aconteceu com Elvis. Ele era um prisioneiro de sua própria carreira.

TS - Ser um tipo de prisioneiro foi prejudicial ao que Elvis poderia ter feito? Você acha que ele estava muito assustado, ou ser tão protegido e protetor estava tão encravado nele que ele não ousava sair em público?

RW - Não, ele tentava. Mesmo em Las Vegas, onde pessoas como Frank Sinatra, muitas das estrelas, Sammy Davis - eles poderiam sair e se misturar. Eles poderiam ir para o cassino se quisessem apostar ou qualquer outra coisa. As pessoas não incomodavam muito. Mas Elvis tentou - uma vez - e todo o cassino ... todos pararam de jogar e vieram só ver o que ele estava fazendo; ele não podia sair e fazer o que a maioria das pessoas faz, e tudo tinha que ser à noite . E ainda que ele fosse ver filmes à noite, porque não podia ir a uma sessão regular, mesmo assim o portão ficava sempre lotado com fãs e eles iriam segui-lo quando o filme acabasse, e era constante. Estávamos sempre tentando encontrar maneiras diferentes de ir a lugares, mas ele não queria ferir os sentimentos de ninguém mesmo querendo que tivesse um pouco mais de privacidade.

Red e Sonny West escoltam Elvis e Linda Thompson; Shreveport, Louisiana, 1 de julho de 1976 


TS - Trabalhando em um ambiente onde você era obviamente visto como "o grande protetor", você estava pessoalmente sempre esperando algo desagradável acontecer?

RW - Eu acho que sempre, porque você nunca sabe; mesmo nos primeiros dias, tivemos nossos problemas. Mais tarde, isso se tornou um problema real porque a ameaça ficou maior. Você sabe o que aconteceu com John Lennon. Bem, isso poderia ter acontecido com Elvis muito mais cedo. Na verdade, havia ameaças. Tentamos mantê-las em segredo por causa das pessoas lá fora, dos malucos que queriam fazer isso.

Estávamos recebendo ameaças nos últimos anos, levamos todas a sério. Todos estavam no limite. De fato, uma noite em Las Vegas nós prendemos um antes que Elvis entrasse no palco e até mesmo a administração disse que ele não precisava se apresentar porque aquela ameaça parecia bem real, mas ele disse, "bem, eu não vou parar um show por causa de algumas ameaças de um fulano". Mas as luzes estavam mais focadas no público, as cortinas estavam mais abertas, meu primo Sonny e eu estávamos muito mais perto e esse foi um dos sentimentos mais estranhos que eu já tive. Quando ele cantou a última canção e se abaixou para fazer uma posição de karatê, tornando-se um alvo fácil, Sonny e eu saímos correndo e ficamos na frente dele, esperando por qualquer coisa que estava por vir. Isso é um sentimento estranho, mas é isso que estávamos vivendo até o final, então muitas coisas estavam acontecendo que as pessoas não sabem.

TS - Estava com medo? Elvis estava assustado?

RW - Sim, mas ele fez o show. Ele disse que não ia ser intimidado daquele jeito por algum idiota, você sabe, e nós estávamos assistindo a cada movimento, tudo o que se movia na platéia, e às vezes nós reagíamos com força demais, mas eu preferia reagir demais do que não estar lá a tempo.

TS - Mas você estava permanentemente na expectativa? Você estava sempre no limite, esperando o pior?

RW - Sempre. Sempre. Especialmente depois dessas coisas. Vimos o que aconteceu às pessoas por não estarem preparadas, ou não pensarem nas coisas que poderiam acontecer, por isso estávamos sempre pronto da melhor forma possível.

TS - Vamos voltar aos primeiros dias. Quando você conversou com Elvis sobre ele estar sendo agenciado pelo Coronel Parker? Você sabia o que estava acontecendo naquele momento?

RW - Não, realmente não. Eu não tinha nada a ver com isso. Eu estava me divertindo e vi que o coronel tinha muito mais influência e muita experiência naquele campo do que as pessoas que lidavam com Elvis antes, então as coisas começaram a acontecer imediatamente e ele foi para a RCA. Ele fez o The Jackie Gleason Show com Tommy & Jimmy Dorsey, que o deixou visível para o mundo e não apenas em torno de Tennessee, Texas e Arkansas, então eu sabia que algo grande estava acontecendo, mas eu não sabia que ia ser tão grande quanto se tornou.
TS - Nos primeiros dias, Elvis Presley enturmou-se com muitas outras estrelas ou ele tendia a se manter distante?

RW - Não, quando ele estava fazendo as turnês com os Browns, Hank Snow, e quando ele fez o Louisiana Hayride, Johnny Horton, George Jones  - que tem uma história engraçada, antes que eu me esqueça!

Elvis tinha três músicas de sucesso. Ele estava fazendo o Louisiana Hayride e George Jones se apresentou antes dele. Ele provavelmente foi convencido por Johnny Horton e outros veteranos a fazer o que fez, mas ele cantou todos os três sucessos de Elvis. Nós estávamos nos bastidores vendo aquilo quando George saiu do palco, disse "desculpe, faz tempo que não tenho uma música de sucesso" e foi embora. Elvis entrou, cantou três músicas Gospel, voltou e disse "vamos sair daqui". Aquilo foi engraçado! Não no momento, mas mais tarde nós rimos disso.

Elvis e Red praticam karatê em Graceland, início dos anos 1960
TS - Elvis obviamente trabalhou com essas pessoas, mas ele socializava com os outros?

RW - Oh sim. Temos uma foto em casa. Os Browns, eles eram um grupo country de irmãos e irmãs. Eles tinham um hit chamado "Little Jimmy Brown", e temos uma foto na casa deles celebrando o aniversário de casamento de seus pais e ao redor da mesa estava Hank Snow, Jr., Floyd Cramer, um grupo musical inteiro. Era com quem ele se socializava então. Mais tarde foi diferente, mas quando ele começou, gostava de sair com aqueles caras - Jimmy Horton e aqueles caras. Gostávamos de sair para jantar após o show, mas mais tarde ele meio que ficou sozinho.

TS - Houve um tempo em que você pensou que Elvis tomara uma decisão consciente de que não podia sair mais, que não poderia mais ir à lanchonete local, fazer compras, fazer qualquer coisa que as pessoas comuns e normais tenham a oportunidade de fazer? Tudo aconteceu de uma só vez, ou houve um aprendizado gradual de que haveria problemas?

RW - Acho que foi gradual. Quando ele começou a fazer os filmes e tornou-se ainda mais conhecido, ficou mais claro que as pessoas iam se aglomerar para vê-lo, e foi quando ele realmente percebeu que não poderia nem mesmo sair do portão e teria que voltar, sair, saltar sobre a cerca, seja o que for; mas quando os filmes começaram, após Love Me Tender, tornou-se muito difícil sair em público.

TS - Você acha que não teria entrado na indústria cinematográfica se não fosse por conhecer Elvis Presley, estar associado com Elvis, ou foi algo que você realmente queria fazer em sua vida?

RW - Isso é o que eu sempre quis fazer, mas não, eu nunca teria feito isso sem conhecê-lo porque as pessoas que conheci através dele foram as que me ajudaram a entrar nisso quando voltei da Alemanha e fui diretamente para Hollywood. É o que eu sempre quis fazer, mas conhecê-lo abriu portas que nunca teriam sido abertas; Então Nick Adams - eu não sei se você se lembra de Nick Adams - fez uma série chamada The Rebel. Ele era amigo de Elvis e eu fui a Hollywood conhece-lo. Ele me ajudou a entrar na primeira porta e depois veio Robert Conrad, que fez Hawaiian Eye e Wild Wild West; jogávamos futebol todos os domingos depois que Elvis voltou e todas aquelas pessoas apareceram, como Pat Boone; eu conheci essas pessoas e acabei trabalhando com elas. Então, não, tudo o que tenho que devo a Elvis.

TS - Isso realmente é uma declaração importante, não é?

RW - Sim, realmente, é verdade.

TS - Você teve que fazer alguma aula de interpretação, ou isso veio naturalmente?

RW - Não, eu estudei atuação com um cara que ainda está por aí, Jeff Corey, um velho ator. Robert Blake, eu acho que estudou com ele, Jack Nicholson estudou com ele. Não, você não sai e começa a atuar. Elvis poderia ter sido, eu acho, um ator tremendo se tivesse a chance de estudar primeiro em vez de ser jogado diretamente nos filmes. Qualquer um que queira ser um ator estuda atuação primeiro. Você não apenas entra na frente de uma câmera, você vai esquecer até seu nome  - e eu fiz!

TS - Você gostava dos filmes que Elvis fazia?

RW - Sim, eu gostei dos primeiros. Blue Hawaii, G.I. Blues, Flaming Star especialmente, eu poderia contar em uma mão os que eram bons e o resto foram coisas  jogadas nele sem pensar em nada além de fazer dinheiro fácil. Esqueça as músicas ruins, os roteiros ruins, mas aqueles que viram Wild In the Country e os filmes que eu mencionei, sabem que ele tinha a habilidade se tivesse algum treinamento, e também que ele poderia ter atuado melhor nos outros.

Ele só meio que fez os outro sem estar interessado, somente para tirá-los do caminho, porque não havia nada de bom neles. Quer dizer, Wild in the Country foi uma das melhores atuações dele sem dúvida, e aquele em Nova Orleans - King Creole - aquelas duas. King Creole foi escrito para James Dean e eles mudaram o ator - é claro, James Dean havia morrido e Elvis obteve o papel. Esse foi um papel dramático e pesado para ele, e eu acho que ele interpretou muito bem, mas então ele perdeu o interesse com os outros filmes.

Elvis e Red West ensaiam uma cena de luta em Follow That Dream, 1962
TS - Acho que quando a Invasão Britânica começou a penetrar nas paradas nos Estados Unidos, Elvis, naquela época, e todos vocês naquele momento, devem ter dado um passo atrás e se perguntado o que estava acontecendo, pensado em como reafirmar seu lugar no mercado, porque todos aqueles "brits" estavam sugando seu dinheiro.

RW - Não, Elvis sempre disse que havia espaço para todos. Ele nunca se sentiu ameaçado. De fato, quando ele tinha a casa em Bel Air, acho que todo mundo sabe sobre quando os Beatles foram lá. Foi um dos melhores e mais divertidos momentos que tivemos. Nós apenas nos sentamos por ali. Ringo, eu e Sonny jogamos bilhar. Ringo era uma espécie de solitário, o resto deles e Elvis se sentaram na sala e conversaram a noite toda.

A única coisa foi quando ele estava no Exército, ele sentia como se suas mãos estivessem amarradas e todo mundo estivesse fazendo algo enquanto ele estava lá, mas dizia que sabia que tinha que fazer aquilo e que esperava que as pessoas se lembrassem dele no retorno. Mas ele nunca desejou a ninguém qualquer tipo de má sorte ou algo assim. Talvez você já tenha ouvido falar, mas não acredite.

TS - Eu acho que quando Elvis estava nos estúdios de cinema, seus deveres como um protetor, olhando por cima de seu ombro, eram menos problemáticos do que quando Elvis voltou aos palcos. Inicialmente Las Vegas era um lugar relativamente fácil de proteger, mas uma vez que ele saía em turnê, devia ser um pesadelo.

RW - Nas turnês sempre estávamos em guarda, mas no cinema estávamos fazendo o filme com ele. Eu estava em cada cena de luta, sendo seu dublê ou lutando com ele ou sendo o dublê de outra pessoa. Isso era divertido, nós não nos preocupávamos com nada então, talvez só com o caminho de casa para o estúdio e vice-versa, mas não muito. Estávamos todos envolvidos nos filmes e nos divertindo.

TS - Mas eu acho que enquanto vocês estavam em Los Angeles, dirigindo por Beverly Hills e assim por diante, não é tão incomum, mesmo naqueles dias, ver pessoas famosas na parte de trás de limusines, então o fato de que Elvis Presley estava dirigindo em Bel Air não teria feito muita diferença para as pessoas, ou teria?

RW - Não, embora sempre houvesse pessoas no portão esperando por ele para entrarem em seus carros e nos seguir, mas eram apenas pessoas que o amavam e não havia nenhum problema real.

TS - Ele conseguia fazer alguma coisa que você não quer falar? Você tem algum segredo sobre coisas que vocês faziam e que ninguém realmente sabia que estavam fazendo -  e eu não estou falando sobre aquela outra coisa, eu estou falando sobre o normal. (RW - Que outra coisa ??). Como vocês escapavam de tudo basicamente?

RW - Nós só não falávamos sobre aquilo. Eu realmente não sei como responder a isso. Ele tinha uma mesa de cassino em sua casa que as pessoas não deviam ter conhecimento; nós jogávamos e apostávamos um pouco. Mas não, não havia nada realmente incomum.

TS - Vocês visitavam Malibu, ou iam pescar, ou havia alguma maneira de vocês poderem escapar para onde ninguém os veria. Esse é o ponto que quero chegar.

RW - Não. A única vez que fomos pescar foi no início de sua carreira. Ele gostava de ir a Biloxi, Mississippi. Nós alugávamos um barco - seus primos, sua namorada e pessoas quaisquer, e era divertido. Nós pescamos, eu me lembro que peguei um tubarão, ele pegou um monte desses "bonita", seja o que for. Mas isso foi nos primeiros dias - 54/55.

TS - Há algumas filmagens encantadoras de Elvis indo para a Ilha Catalina. Você o acompanhou quando ele fez isso?

RW - Não. Acho que estava no Corpo de Fuzileiros Navais. Isso foi em 56/57, quando ele estava fazendo seu primeiro filme. Eu sinto falta disso, sinto falta daqueles dias porque devem ter sido - seu primo Gene estava com ele - a primeira vez em Hollywood deve ter sido uma experiência; eu queria poder ter visto aquilo, mas eu tinha entrado no Corpo de Fuzileiros Navais.

TS - Você acha que perdeu algo por não estar lá?

RW - Não, acho que as coisas funcionaram da maneira que deveriam para mim. Sim, eu perdi aquela conversão inicial de Memphis para o cinema, eu perdi os dois primeiros (filmes), e eu gostaria de poder ter estado lá porque eu vi fotos; aqueles foram realmente tempos loucos para Elvis porque ele era jovem e tudo isso foi jogado nele, e ele lidou com isso muito bem, mas ouvi dizer que houve alguns momentos bastante selvagens naqueles primeiros dois filmes.

Elvis, Priscilla e membros da Máfia de Memphis durante o jantar cerimonial na entrega dos Jaycees; 16 de janeiro de 1971

TS - Indo para Las Vegas, porque eu acho que há três escolas de fãs - os fãs que gostam dos anos 1950, os fãs que gostam do cinema - porque grande parte das músicas que tocamos em nossos eventos, acredite ou não, são de filmes que provavelmente Elvis não gostava, mas as músicas para todos nós aqui têm sua própria magia. Mas acho que é mais fácil se relacionar com Elvis nos anos 1970, que é claro, foi uma combinação de momentos muito felizes, com o sucesso da volta de Elvis Presley aos palcos, e tempos muito tristes. Quero dizer, sempre me lembro de uma dessas primeiras apresentações, há vários anos atrás, na qual havia um cara que se levantou e disse: "Eu nunca acreditaria que Elvis Presley jamais usaria drogas, e aquele bastardo que as receitou deveria ter sido morto!". Todos nós temos uma tendência de, de vez em quando, priorizar momentos felizes, mas para Elvis, a maior parte de sua vida foi uma experiência feliz?

RW - Sim. Foi o que eu disse antes. Quero me lembrar dos bons momentos porque eles eram excepcionalmente bons. Ele era como um irmão, estava mais perto de mim do que meus próprios irmãos, nós crescemos juntos do colégio até um ano antes de sua morte. Houve muitos, muitos bons momentos. Como eu disse, costumávamos ir a Biloxi pescar, tínhamos essas lutas de fogos de artifício à noite, no campo de golfe, as coisas loucas que fazíamos na estrada.

Tínhamos um certo jogo para quebrar o tédio. Dirigíamos ao longo do campo até atravessar uma ponte. Tínhamos essa brincadeira em que alguém estava falando sobre algo que achava realmente importante e você batia na cabeça dela, então a pessoa deveria gostar de mudar o assunto para algo completamente diferente. Você falaria: "Eu acho que a coisa que fizemos ..."; alguém batia na sua cabeça, então você diria: "Oh, para o inferno com isso, tire os sapatos e jogue-os no rio pela janela!!". Coisas assim, pequenas coisas estúpidas só para quebrar a monotonia, mas elas eram divertidas e loucas. Bill Black foi um dos caras mais loucos que eu já conheci, sabe, o baixista. Tivemos alguns bons momentos na estrada naqueles dias iniciais e eles superam de longe os maus momentos, embora eles fossem muito ruins, mas tivemos muitos bons momentos para esquecer disso. É apenas algo que aconteceu.

Agora estamos falando sobre isso, e eu, eu estou morrendo de vontade de fumar um cigarro!!! Eu tenho um irmão que é viciado em jogos de azar. Eu poderia muito bem entrar nesse assunto (vícios) e dizer que pessoas vieram até mim e perguntaram: "Por que diabos você não fez algo para detê-lo?" (referindo-se a Elvis). Eles não sabem o quanto eu tentei. Eles não sabem que eu fui demitido porque tentei, mas um de seus meio-irmãos e um membro de um dos grupos estavam trazendo essas coisas para ele. Quando descobri sobre isso, eu chutei uma porta, pisei e quebrei o pé do cara, e disse: "Se você continuar trazendo isso, eu vou partir para cima". Elvis, é claro, descobriu sobre isso e eu fui demitido. Eu estava com ele desde a escola, mas as drogas tomaram conta no final e eu posso entendê-lo, de certa forma, porque ele não tinha privacidade, ele estava entediado com sua vida.

Deixe-me repassar as coisas aqui. Começou a fazer grandes apresentações, depois entrou no cinema, os filmes começaram a ser mal feitos por causa do que estávamos falando - as músicas eram terríveis, os roteiros eram terríveis. Então, ele foi para Las Vegas e ao invés de trabalhar talvez 5 noites por semana  com 2 noites de folga ou 6 noites com 1 folga por apenas algumas semanas, como Frank Sinatra e todo mundo fazia, ele trabalhava por 4 semanas, 7 noites por semana, com 2 shows por noite. O Coronel ficava no andar de baixo apostando.

Então, foi assim .. "OK. Eu quero voltar à estrada, eu quero sair disso. Os filmes começaram a serem chatos, isto está começando a ser chato, eu quero voltar para a frente da audiência em torno do país, do mundo". O Coronel começou a colocá-lo em shows nas mesmas cidades. Em cada turnê íamos a  Roanoke, Virgínia, aqui, lá e lá, Atlanta, Geórgia. Ele queria vir aqui (à Inglaterra). Ele queria ir para a Austrália, queria ir para a Alemanha, queria ir a qualquer lugar além de Roanoke, Virgínia e Atlanta, Georgia; mas não. E por que o Coronel fez isso? Eu frequentemente perguntava ao Coronel por que não podíamos ir à Europa; por que não podíamos ir à Austrália. "Problemas com a segurança, problemas com a segurança". Nós não sabíamos que ele era imigrante ilegal e não podia sair dos EUA.

Eu me perguntava por que ele nunca foi à Alemanha enquanto estávamos lá. Ele sempre enviava outras pessoas. Ele nunca deixou os EUA; chegou e nunca mais saiu, e isso prejudicou Elvis. Se Elvis pudesse fazer turnês e entreter vocês e todos os outros, poderia ter sido diferente, mas ele era um prisioneiro de seu próprio sucesso e vamos apenas dizer que o Coronel o levou ao sucesso, mas também o colocou onde estava.

TS - Dentro de alguns momentos vou repassar algumas perguntas para você, mas tenho aqui uma que é a combinação de várias outras que eu acho que já foram discutidas, mas deixe-me fazer a questão... Tony Curtis disse certa vez que beijar Marilyn Monroe era como beijar Hitler. Elvis Presley chegou a beijar Marilyn Monroe?

RW - Não, ele não; foi uma das que ele não conseguiu.

1 de julho de 1961: Elvis foi o padrinho de Red
em seu casamento com Pat
TS - De B. ​​Davis, a senhora que fez a primeira pergunta, há uma outra pergunta que, obviamente, você está muito bem ciente porque esteve envolvido nela. Um recente lançamento da RCA foi o álbum "Private Elvis" e eu sei que a maioria das fitas, se não todas, foram fornecidas por você para Ernst Jorgensen. Existe mais material, ou eles agora têm tudo em mãos?

RW - Acredito que não, a menos que haja algo em meu sótão - tenho um par de fitas lá que preciso ouvir - mas não acho que haja qualquer outra coisa. Acho que essas gravações caseiras foram as últimas. Não consigo pensar que haja qualquer outra coisa por aí que eles possam lançar.

TS - Esta é uma pergunta pungente, todo mundo olha para trás em sua vida. Esta é de Margaret Smith, ela pergunta se há qualquer "e se..." sua. Existe alguma coisa que você pensa, "e se..." em conexão com Elvis?

RW - Claro. Há sempre essa pergunta, "e se...", então eu acho que você pensa no passado. Eu fiz o máximo que pude no final, mas você sabe que há um monte de coisas que eu não posso realmente afirmar, mas tenho certeza que há várias que eu diria "e se... isso"; as coisas poderiam ter sido diferentes, mas não sei de mais nada que pudéssemos ter feito no final. Fizemos tudo o que podíamos.

TS - Você, durante sua vida, trabalhou com várias estrelas. Muitas estrelas. Quem era a melhor, com quem foi mais divertido estar?

RW - Elvis. Ele era o mais divertido de se estar por perto. Eu trabalhei com John Wayne em "The Man Who Shot Liberty Valance", Lee Marvin, James Stewart, eu trabalhei com muitas pessoas. Robert Conrad, nos divertimos muito -  ele era louco, e ainda é! Eu trabalhei em "Wild Wild West" como dublê, quebrei todos os ossos do meu corpo, então tive a sorte de co-estrelar "Black Sheep Squadron". Eu não sei se você já viram essa série, é sobre Pepe Borington, o herói da Segunda Guerra Mundial.

Eu tenho que dizer que Elvis foi o mais divertido porque tudo foi com ele. Fizemos coisas no set que deixaram os diretores loucos, como uma vez, por exemplo, em que ele estava fazendo seu cabelo, prendendo-o e alisando (para o papel); levou 30 minutos para que o cabelo ficasse no lugar, eu estava esperando. Isso foi na Universal. Estávamos no velho set do Corcunda de Notre Dame. Eu estava na passagem aérea com um balão de água. Depois que o maquiador fez o trabalho, Elvis saiu, deu cerca de dois passos e eu joguei o balão de água. Bateu bem no cabelo, e eles naturalmente foram para o lado direito do rosto dele. Ele nem sequer olhar para cima! Apenas se virou e voltou para o trailer e começou de novo.

Outra coisa que aconteceu no mesmo set, com Charlie Hodge - alguém tinha jogado água nele. Ele tirou a camisa, e eles tinham um ventilador grande para circulação do ar, um grande ventilador de chão. Ele pendurou sua camisa sobre este ventilador para secar, depois se afastou e pegou outra camisa, mas de vez em quando ele voltava para verificar se estava seca. Mas enquanto ele estava longe nós apenas íamos derramando mais água na camisa! O dia todo!

Alan Fortas... quando estávamos fazendo King Creole, Alan estava sempre fazendo piadas sobre todo mundo, então nós o pegamos com uma. Nós dissemos "Alan, você vai ter uma fala hoje, você vai ser um ator, vá para a maquiagem". Então ele foi para a maquiagem, e eles colocaram um lenço sobre sua camisa para não sujá-la com a maquiagem. Então ele ficou sentado lá toda a manhã, nós lhe demos uma fala qualquer e tivemos certeza de que ele a tinha memorizado, então ele ficou praticando a fala com aquele lenço na camisa. A hora do almoço chegou, estávamos perto. Depois do almoço seria a filmagem, e eles sempre retocavam a sua maquiagem porque você poderia ter gordura na sua boca ou qualquer outra coisa. Então, eles retocavam a maquiagem, diziam para continuar com o lenço, e ele ficou sentado lá toda a tarde memorizando sua fala, esperando sua vez. No final do dia, assistente veio e disse: "Alan, estamos sem tempo, vamos ter que fazer isso amanhã". "Vocês estão brincando comigo", ele disse, e todo mundo riu muito daquilo! Estávamos sempre fazendo coisas assim.

TS - Há uma pergunta interessante aqui que, como pai, você vai se identificar. Elvis era um bom pai, e ele alguma vez trocou uma fralda?

RW - Nunca. De jeito nenhum ele iria trocar uma fralda! Ele teria feito uma bagunça. Essa não era uma das coisas que ele faria bem.

TS - Você acha que, se houvesse naquela época uma Clínica Betty Ford, Elvis teria se internado voluntariamente, ou ele achava que o que estava acontecendo não era um problema?

RW - Acho que ele nunca soube que era um problema, mas no final ele sempre tinha o Dr. Nick ou uma enfermeira ou alguém do tipo perto dele. Acho que ele pensou que se alguma coisa acontecesse eles iriam chegar a tempo ou algo assim. Nós pensamos nisso muitas vezes, se houvesse uma Clínica Betty Ford... mas mesmo quando ele ia para o hospital, o que ele fez algumas vezes no final, eu perguntava "o que você acha que está causando isso?", ele dizia que era apenas um problema com seu estômago, e eu retrucava "você não acha que é por causa das coisas que você está tomando?".

E então algo que vem à minha mente é quando, voltando ao que eu lhe disse sobre quebrar a porta e pisar no pé do cara... bem, quando isso chegou até Elvis, ele me chamou e disse: "Eu quero que você deixe essas pessoas em paz, eu preciso daquilo". Eu respondi "não, você precisa disso"; e ele "não, eu preciso daquilo". Eu disse: "Bem, você passou muitos anos sem aquilo", e ele disse "mas agora eu preciso daquilo". E então, quando voltamos das turnês, ele foi para Las Vegas e seu pai me ligou, estava com Sonny e Dave Hebler, e disse: "Estamos cortando as despesas e infelizmente vocês vão ter que sair". Eu saí, foi isso. Mas eu tentei.

TS - Você é obviamente um homem muito forte, eu posso lhe garantir porque há cerca de 10 minutos, quando você me bateu na cabeça, acho que você quebrou meu crânio! Você é um homem muito forte, e eu queria te contar uma história muito engraçada também. Bem, não foi engraçado no momento, mas talvez vocês todos gostem de compartilhar.

Em 1972 levamos um grupo de fãs para os Estados Unidos, para ver Elvis Presley em concerto em Las Vegas. Foi algo fabuloso, maravilhoso, realmente boa diversão! O Coronel foi muito hospitaleiro para todos, ganhamos bons lugares no salão. Eu acho que o erro aconteceu realmente quando decidimos voltar no ano seguinte. O Las Vegas Hilton não foi tão tolerante desta vez porque havia 250 pessoas da Grã-Bretanha que, no geral, não tinham qualquer intenção de jogar no cassino do Hilton, mas queriam ver Elvis e todos tinham reservas. De uma só vez as reservas foram canceladas, cada uma delas, e não podíamos entrar no Hilton. Poderíamos até entrar, mas não podíamos entrar no salão.

O que tínhamos que fazer era fingir sermos uma organização mais forte do que realmente éramos, e havia duas pessoas naquela viagem - uma de um jornal nacional da Grã-Bretanha, chamado Daily Mirror, e o DJ Tony Prince da Luxembourg Radio. O que fizemos foi ir a uma estação de rádio em Las Vegas e fingirmos ser da BBC e estarmos cobrindo uma história de que 250 britânicos tinham sido expulsos do Las Vegas Hilton. Fui então convocado para encontrar Emilio (Hilton),que jogou o esquema de assentos do salão na minha cara e disse: "Escolha 250 nomes e caia fora!".

Então eu fui com Tony Prince e nós escrevemos 250 nomes duas vezes, e todo mundo tinha um nome. Não eram seus nomes verdadeiros, e nós escrevemos em pedaços de papel, e dissemos a todos no nosso grupo para lembrarem deles; mas é claro que havia muitos nomes judeus - Bloombergs e coisas assim, e as pessoas não se lembravam. Então você podia ver todo este grupo de pessoas vestidas com roupas simples, totalmente conspícuas, com um pequeno cartão com seus próprios nomes, esperando para entrar no salão.

Para mim foi um trauma, minha primeira esposa estava traumatizada pelo fato de que em 90 por cento do tempo eu estava no bar porque realmente não podia lidar com aquela situação. Quando chegou a hora para a fotografia com um prêmio dado por um jornal britânico (um jornal sobre música chamado New Musical Express), fomos convocados pelo Coronel e ele estava bastante chateado, para dizer-lhe o verdade, porque o Hilton lhe cobrou explicações; não fomos realmente bem vindos lá, Elvis não sabia que estávamos lá, foi traumático para todos nós. E minha primeira esposa, que Deus a abençoe, decidiu contar a Elvis o que estava acontecendo na tentativa de me proteger! Agora você (Red) pode não se lembrar disso, mas você a pegou e a jogou contra a parede! Mas esse tipo de coisa deve ter acontecido com você inúmeras vezes.

Elvis, Linda Thompson e Red West em 11 de maio de 1974

RW - Sim. Acho que me lembro disso! O que aconteceu, por que vocês não (ganharam entradas), quero dizer, depois de vir de tão longe para vê-lo, houve uma confusão no Hilton?

TS - Não houve confusão no Hilton, todos tinham seus formulários de reserva, mas alguém - se houve uma mudança de gerenciamento no cassino  - tinha decidido que as pessoas que deveriam estar sentadas nos assentos do cassino deviam ser da alta sociedade e que 250 pessoas comuns em um salão de 2000 lugares - mais de 10% do espaço - era mais do que eles queriam suportar, assim como um negócio que realmente não nos quer lá. E claro, foi a única vez que eu não pude contatar o Coronel Parker, por isso tivemos que fazer essa manobra. Nós a fizemos, ela realmente funcionou, mas foi-me dito que se tentasse entrar lá  novamente eles iria me levar para visitar uma barragem ali perto!


RW - Sim, houve alguns dos rapazes em Vegas, que! Peço desculpas a você. (Red apresenta sua esposa na platéia). Esta é uma história. Ela estava no camarote, no meio, e quando Elvis estava lá eles tinham mesas que iam até o palco, mesas longas. Elvis tinha feito um show muito bom naquela noite. As cortinas estavam se fechando, eu estou saindo, Sonny está saindo, estamos andando junto com as cortinas. Uma garota usando uma minissaia veio correndo por baixo de uma mesa e foi até Elvis. Eu a vi e, como as cortinas se fechavam, ela bateu contra minhas costas; Elvis, naturalmente, deu um passo para trás, riu e continuou caminhando. Mas ela estava tentando passar por mim e eu a segurei, coloquei meus braços em torno dela. Então eu ouço aplauso e estes assobios, todo mundo está tendo festejando lá fora e eu estou querendo saber o que está acontecendo. Minha esposa me disse que, quando ela chegou aos bastidores e eu a agarrei através das cortinas, a minissaia da garota levantou e ela e não estava usando nada embaixo! E todos esses caras gritando ... "segura ela, Red!".

Outra vez uma garota estava correndo sobre as mesas, caiu no colo de um cara e a peruca dele saiu fora do lugar. Ela nem se abalou, apenas se levantou com e continuou indo em direção ao palco!! Eu não sei se você já ouviu aquela música ao vivo de Elvis (Are You Lonesome Tonight). Bem, lá está esse cara sentado com sua peruca, e uma garota que estava tentando chegar a Elvis a tira do lugar; e Elvis está canta "...do you gaze at your bald head..." (você olha para sua cabeça careca). Ele simplesmente caiu na risada, se você ouvir a gravação vai saber que era esse o motivo; Elvis estava cantando, o cara perdeu a peruca e ele não conseguia mais cantar o resto da canção. Os backing vocals não saíram do sério e mantiveram-se cantando o correto enquanto Elvis estava cantando "...do you gaze at your bald head...". Bem, esse foi o motivo.




TS - Há, naturalmente, a famosa história sobre vocês todos irem ao salão do Hilton e pintarem os querubins de preto. Agora todo mundo sabe a história, mas a pergunta que eu gostaria de fazer é de onde vocês tiraram a tinta, porque lojas de tintas em Las Vegas não são tão fáceis de encontrar?

RW - A parte traseira do palco tinha uma armação alta de metal. Atrás dela ficava todo o material para reformas no palco, tintas, o que quer que fosse. Então estávamos nos bastidores após o show, o salão estava vazio e Elvis disse: "Eu quero pintar eles de pretos". Então eu tirei meus sapatos e subi nesta coisa que devia ter 20 metros de altura! Eu fui até o outro lado, peguei a tinta, prendi-a ao meu cinto, voltei, peguei meus sapatos e fomos pintá-los de preto. Na noite seguinte ninguém pareceu notar, e ele disse: "Quero que vocês notem o que fizemos na noite passada para mudar o salão e para agradar as nossas backing vocals, as Sweet Inspirations. Tudo era branco... Mas não mais, olhem!". Os holofotes focaram aqueles rostos negros e as Sweet Inspirations morreram de rir! Foi assim que aconteceu.

TS - Vocês faziam essas coisas por tédio ou apenas por serem simplesmente idiotas?

RW - Nós éramos maliciosos, mesmo em nossos últimos anos. Eu sempre estava pensando em coisas loucas para fazer; aquela foi ideia dele, e foi apenas para quebrar o tédio, mas também para se divertir e provavelmente para chocar a direção do Hilton. Quero dizer, quem ousaria fazer algo assim? Mas eles deixaram quieto. Ficou lá por um longo tempo antes de eles mudarem. Na verdade, a última vez que voltei lá eu olhei para ver se eles estavam no lugar, mas foi mudado. Mas isso foi divertido, todas as noites nós íamos ao palco e olhávamos, e ainda estavam lá.

TS - Se Elvis Presley tivesse vivido, e eu acho que você o conhecia tão bem como qualquer um conhecia Elvis Presley, o que você acha que, na grande idade de 65 anos, ele estaria fazendo agora?

RW - Ele estaria fazendo a mesma coisa que estava fazendo naquela época. Se você notar, eu sei que eu notava, depois que Elvis morreu a música pareceu mudar. Não é como era antes, o Country dominou os EUA depois disso, mas é claro que você não pode chamar tudo de Country agora; mas Elvis ainda estaria cantando "Hound Dog" e coisas assim, ainda fazendo a mesma coisa. Seria bom que ele tivesse feito algumas mudanças, mas ainda estaria fazendo isso. Ele não teria mudado sua música.

TS - Ele queria mudar a música dele? Ele nunca pensou em fazer um ato mais voltado ao Gospel?

RW - Não. Estávamos assistindo Bobby Darin uma vez. Bobby Darin, se você está familiarizado com ele, começou com "Splish Splash" e então foi para Frank Sinatra, começou a soar muito parecido com Frank Sinatra. Nós estávamos na platéia uma noite e ele cantou "Splish Splash", parou no meio dela, e disse que era hora de cantar outra, passando a interpretar um de seus hits novos em que soava como Frank Sinatra. Elvis gritou "não jogue fora o que o trouxe até aqui!". E Darin parou, sabendo quem era, e disse: "Você sabe o quê? Você está certo."

E é isso que ele sentia, sabe? Bobby Darin fez a transição de "Splish Splash" para apresentações do tipo de Frank Sinatra. Elvis estava tão envergonhado quando fez o show com Frank Sinatra depois que saiu do Exército. Ele estava cantando uma das canções de Frank Sinatra e Frank Sinatra estava cantando uma das suas. Aquilo foi horrível, constrangedor para ele, porque não era seu tipo de canção.




TS - Você e Elvis foram a muitos shows em Las Vegas?

RW - Nós fomos a muitos deles, sim. Isso é o que ele fazia antes.. Veja, nós chegávamos lá uma semana antes (dos shows) para ensaiar, então passávamos pelas 4 semanas de inferno, e depois ficávamos mais uma semana para relaxar, e ele ia para (shows), especialmente Tom Jones. Ele ia para tantos shows quanto pudesse, Andy Williams... Nós estávamos falando mais cedo sobre ele socializar com as pessoas. Ele fez isso. Sempre convidava Tom Jones, o quarteto (The Stamps) sempre estava lá, e depois de fazer um show por uma hora e meia ou o que fosse, ele ia para a suíte e Tom Jones, Elvis e o grupo cantavam. Tom Jones talvez tenha se juntado algumas poucas vezes, mas Andy Williams, pessoas assim... ele gostava de convidá-los e ficar acordado, então era o que fazíamos depois do show. Elvis estava sempre cantando, ele adorava ter o quarteto e as Sweet Inspirations lá, e e eles cantavam canções Gospel ou o que quer que seja, e apenas se divertiam.

TS - Havia muitas garotas?

RW - Havia centenas de garotas, de fato minha esposa estava lá uma vez e eu a levei para vê-lo. Quero dizer, era isso que ele queria. Ele queria um público de pessoas só para falar, ele tinha suas citações religiosas e gostava de falar com todas essas pessoas. Claro que ele estava analisando a multidão e observando como eles se portavam, mas isso era a norma depois do show para relaxar, ele queria um monte de gente na suíte e sempre havia um monte de gente lá.

TS - Você diria, e eu sei que algumas mulheres gostariam de saber isso, mas você diria que Elvis Presley era um macho predatório?

RW - Ok. Há um antes e um depois. Quando ele foi para Las Vegas, e eu acho que nos primeiros filmes, nenhuma mulher estava segura, mas nos últimos anos Linda estava lá ou Priscilla estava lá. Nos últimos dois anos, não consigo pensar em ninguém a não ser em quem ele estava namorando naquela época. Linda, a outra garota (Sheila), e as outras eram apenas alguém com quem conversar. Essa é a verdade. Eu acho que ele estava ficando velho! Ele tinha esses livros que as pessoas lhe davam, alguns deles um pouco estranhos, mas ele estava interessado naquilo mais do que em qualquer outra coisa. Ele estava começando a ver coisas no céu e coisas assim.

Durante boa parte de 1976 Elvis portou o livro "The Omen"
(A Profecia), que virou filme no mesmo ano, onde quer que fosse.
O livro trata de uma criança gerada a partir de uma relação sexual entre
sua mãe e Satanás e do dilema do marido que precisa escolher entre
a ética de não matar ou impedir que Satanás venha à Terra.
TS - Você acha que isso foi prejudicial para a psique de Elvis na época? Você acha que essas pessoas não deveriam ter feito o que fizeram?

RW - Essas coisas nunca deveriam ter sido trazidas a ele porque as pessoas que as trouxeram eram estranhas, e ainda são, e isso o levou a outra coisa. Ele estava procurando algo e pensou que era isso.

TS - Você, ainda hoje, vê aquelas pessoas? Linda, Ginger e assim por diante.

RW - Não, só visitamos Linda. Minha esposa, eu e alguns do grupo estávamos na Califórnia, saímos e fomos visitá-la. Linda é legal, sabe, ela está bem. Ela fez o melhor que pôde, mas o grupo está dividido agora. Eu fui o primeiro cara, quando eles começaram a nos chamar de Máfia de Memphis. Eu fui o primeiro cara, depois vieram Lamar, Sonny, Marty e Billy. Billy sempre estava lá, era como nosso irmão mais novo, mas ele não estava envolvido em todas as coisas da estrada tanto quanto nós até ficar mais velho. Mas então ele tinha o outro grupo, nós meio que nos separados, as coisas aconteceram, e nós não nos entendemos bem.


TS - Agora eu vou passar para eles (o público). Há alguém que queira fazer uma pergunta?

RW - Estou ficando velho e minha audição está ruim, então sejam gentis comigo.


Público:

P - Como era a mãe de Elvis?

RW - Sua mãe era um anjo. Ele amava a mãe, ela o amava, ficava doente de preocupação, não aguentava desaforo de ninguém e era uma mulher de espírito muito forte; eu sinto falta dela. Na última vez que a vi, eu estava no Corpo de Fuzileiros Navais. Eu estava em casa de licença. Elvis estava fazendo King Creole e eu fui a Graceland ver ela e Vernon, e eles ligaram para Elvis. Disseram que Elvis queria que eu pegasse um avião e então o trem de volta para Nova Orleans. Elvis não voava naqueles dias e eles estavam terminando (o filme) em Hollywood, e então nós temos um passeio no trem para Nova Orleans. Eu tinha uma licença de uma semana e a última coisa que sua mãe me disse foi "cuide bem de Elvis", e eu levei isso a sério para o resto da minha vida.

P - Você acha que Elvis precisava do '68 Comeback para voltar ao sucesso novamente?

RW - Ele estava se questionando depois de todos os filmes, estava um pouco inseguro de si mesmo e isso foi exatamente o que aquilo foi, algo para ver se ele ainda tinha popularidade. A ideia que o Coronel tinha para o especial teria destruído (Elvis). Ele queria que Elvis gravasse um programa com um monte de canções de Natal! E Elvis disse "para o inferno com isso, eu vou fazendo assim", de modo que aquele foi seu "teste de resistência".

P - Você diz que se tornaram tão próximos quanto dois irmãos. Você já teve alguma briga com Elvis?

RW - Nunca. Nunca. Como eu acabei de dizer, a mãe dele disse para cuidar dele, não para machuca-lo. Houve três vezes que cheguei muito perto, mas ele teria puxado uma arma ou uma faca contra mim antes de eu bater nele. Não, eu não faria isso.

P - Elvis sempre quis conhecer Marilyn Monroe quando teve a chance, e há alguma fotografia em qualquer lugar que você conheça?

RW - Sim, ele queria conhecer Marilyn Monroe, mas ela estava ocupada. Isso nunca aconteceu.

P - Elvis tinha alguém em quem confiava, fora aqueles que estavam na folha de pagamento ou dependiam dele financeiramente?

RW - Não.

Depois de serem demitidos por Vernon, Red, Sonny
e David Hebler escreveram "Elvis: What Happened?",
com histórias altamente caluniadoras.
P - Quando você escreveu o livro desacreditando Elvis  (Elvis: What Happened?) e ele morreu algumas semanas depois, você sentiu alguma responsabilidade por sua morte?

RW - Não, eu não senti nenhuma responsabilidade porque Elvis já havia morrido uma vez antes, mas nós o encontramos a tempo. Eu sabia que essa hora estava chegando e essa foi uma das principais razões pelas quais escrevi o livro porque, como eu disse anteriormente, eu tentei parar o que estava acontecendo enquanto estava com ele e isso não funcionou, então escrevemos este livro para colocar diretamente em sua frente o que estava acontecendo e ainda não adiantou. Foi uma coincidência, eu concordo, mas sei como ele estava mal.

Vocês não sabem como ele estava mal. Eu sabia e todos que estavam com ele sabiam que se não estivéssemos lá um par de vezes antes ele teria morrido. Estávamos tentando abrir seus olhos, como você (TS) disse, não havia lugar para colocá-lo e não podíamos colocá-lo no hospital, a única pessoa que poderia colocá-lo lá era seu pai, o que não aconteceu. Então ele estava sozinho, impotente.

P - Quando foi a última vez que você falou com Elvis, e foi amigável?

RW - A última vez que falei com Elvis foi quando ele me ligou, quando ele sabia que o livro estava sendo escrito. Na verdade, essa conversa está no livro, e ele me ligou para ver como eu estava indo. Eu acho que ele estava um pouco nervoso sobre o que havia no livro. Tivemos uma longa conversa. Essa foi a última vez que falei com ele.

P - Você não poderia ter feito isso de maneira diferente?

RW - Sim, eu poderia ter mentido muito, mas tudo naquele livro é verdade. Eu não sei se vocês leram o livro, mas alguém viu as coisas boas nele? 90% desse livro são de coisas positivas, mas você tem que cobrir tudo. Uma coisa sobre esses outros livros, eles são um monte de besteiras!

P - Onde você estava quando Elvis morreu?

RW - Eu estava no meio (da gravação) de um episódio de Black Sheep Squadron chamado "The 200 Pounds Gorilla". Era sobre mim, eu estava filmando com Robert Conrad e o coordenador de dublês - estávamos ensaiando uma cena, era de manhã cedo, e Chuck veio correndo e disse: "Cara, acho que acabo de ouvir algo no rádio sobre Elvis ter morrido". Bem, Robert Conrad tinha se tornado amigo de Elvis, e conversamos muitas vezes sobre o que acontecera. É a única vez que eu saiba que uma gravação foi interrompida. Nada interrompe (a gravação de) um filme ou programa de TV, "o show deve continuar"; pois bem, esse show parou naquele dia. Minha esposa e meus dois filhos vieram chorando, e estávamos miseráveis no resto daquele dia e desse episódio, mas eu me lembro bem.

P - Elvis pensou em escrever canções com você, Red?

Ele me dava títulos. Ele me deu o título de "That's Someone You Never Forget". Acho que ele se sentou para escrever uma vez. Charlie e eu nos sentávamos e tentávamos escrever algo, mas ele não conseguia ficar muito tempo. Ele me dava um título e dizia "vá e escreva-a", então era assim que isso acontecia.

P - Você estava dizendo mais cedo que você sempre se considerou como um dos amigos mais próximos de Elvis. Esta é uma espécie de pergunta em duas partes. Se fosse esse o caso, acho que se você fosse um dos meus amigos eu não teria escrito um livro assim e tornado-o público, e também acho que você foi citado como dizendo que fez isso Para ajudar Elvis e conscientiza-lo. Se for esse o caso, se você apenas fez isso para ajudá-lo, seria justo dizer que todo dinheiro ganho com o livro foi doado para caridade?

RW - Concordo com você, mas eu estava sem dinheiro. Sim, eu escrevi isso por dinheiro. É isso que você quer ouvir? Eu o escrevi por dinheiro e para tentar ajudá-lo. Vocês vão insistir nisso? Sinto muito que você se sinta assim, mas eu amei muito aquele homem. Vocês não sabem o que eu passei tentando mantê-lo longe daquilo (das drogas). Sim, você tem sua opinião sobre eu escrever o livro. Ok, já lhe disse o meu lado e se você não pode aceitar isso, então eu sinto muito, mas sim eu escrevi o livro para tentar salvá-lo e eu escrevi para ganhar dinheiro.

P - É verdade que Elvis carregava uma arma em todo lugar, e você tem alguma história para contar sobre isso?

RW - Sim. Todos nós carregávamos. Depois que todos nós fomos condecorados como delegados em Denver, Las Vegas e Memphis. Fizeram investigações de segurança sobre o nosso passado. Estávamos todos armados e (éramos) perigosos.

Red e Sonny West leem repercussão do lançamento de seu livro; reportagem principal: "Elvis luta para banir livro que conta tudo"

TS - Eu acho que o que devemos fazer agora é terminar com uma história engraçada. De todas as brincadeiras que Elvis Presley fez com os membros da Máfia de Memphis, qual você considera ser a mais engraçada?

RW - Ok. Esta é uma das coisas que fizemos para quebrar o tédio em Las Vegas e está no livro, um dos bons tempos. Nós tínhamos essas ameaças (de morte), então não tínhamos nada para fazer e resolvemos brincar com o Stamps Quartet. Elvis, Sonny e eu combinamos tudo e dissemos "vamos enganar os Stamps, vamos dizer-lhes que tivemos outra ameaça, isso, isso e aquilo...". Ok, então foi o que fizemos. Em primeiro lugar, pedimos aos guardas da segurança do hotel para esvaziarem suas armas - depois pensamos "e se alguém tivesse realmente tentado algo naquela noite?". Mas de qualquer maneira, no camarim, depois do show, nós pegamos os Stamps e dissemos: "Ei, amigos, agora isso é sério; nós temos outra ameaça esta noite, então eu quero que vocês peguem o elevador, vão até o 30º andar, saiam, caminhem através do corredor até a suíte".

Assim, por todo o caminho, Sonny e eu estamos preparando esses caras... "Caras, estejam preparados para qualquer barulho". Eles estavam totalmente nervosos durante todo o caminho; no elevador, através das alas, dos corredores, através da sala de jantar, da sala de estar. Eu entrei com eles, fechei a porta, Sonny ficou para trás. Assim que chegamos na suite eu disse: "Ok, parece que estamos bem". Então, de repente, Sonny gritou "filho da puta!". Boom ... nós colocamos festins em em nossas pistolas. JD Sumner se agarrou a Elvis e se jogou em cima do corpo dele; Donnie Sumner saltou sobre o bar, bateu o joelho no balcão e quase quebrou as pernas - estava escondido atrás do bar. Fui correndo por uma escadinha, disparei um par de tiros, Sonny disparou um tiro. Coloquei a mão na barriga, disse "oh, fui atingido!" e caí sobre esses degraus.

Todos os guardas haviam sido atingidos, todos esses disparos, todos esses guardas estavam "mortos". Um dos Stamps estava embaixo da mesa, ele era muito religioso e estava rezando! E o outro, o homem selvagem do grupo diz: "Dê-me uma arma, me dê uma arma!". Ele se aproximou e agarrou uma dessas armas de um guarda morto. "A filha da puta está vazia!". Naquele momento, Sonny colocou um braço em torno de Elvis (que ainda estava no chão com JD Sumner em cima dele) e tudo que Donnie Sumner podia ver por trás deste bar era esta mão com uma arma. Ele pegou uma lata grande de suco de tomate e a jogou, quase acertou a mão de Sonny, e Sonny se virou e ele disse "filho de uma..." e caiu rindo. Esse é o tipo de coisas que fazíamos para nos divertir.


Red West em 2014
Mensagem de encerramento do Red para os fãs:

Eu só quero dizer como estou emocionado por estar aqui com vocês e compartilhar essas coisas. Eu esperava que pudéssemos manter-nos em uma coisa otimista, porque essa é a maneira que ele teria gostado, e eu sinto muito que vocês nunca tenham chegado a ver este homem em pessoa.













--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

LEITURA COMPLEMENTAR:

- A história contada por Red no final da entrevista também pode ser lida nas entrevistas com JD Sumner: CLIQUE AQUI.

- Leia e ouça a ligação telefônica à qual Red se refere na íntegra: CLIQUE AQUI.
_________________________________________________________________________________________________________________

Texto original: Elvis 100%
Fotos: Google e Elvis 100%
Vídeos: Youtube
Tradução: Elvis Presley Index | http://www.elvispresleyindex.com.br
>> a re-disponibilização desta tradução só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário!

LEMBRE-SE: Não postaremos mensagens com qualquer tipo de ofensa e/ou palavrão.

Postagens populares