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I'VE GOT TO FIND MY BABY!

The Complete Louisiana Hayride Archives 1954 - 1956 (MRS, 2011)

Elvis e seu trio em apresentação no The Louisiana Hayride; Shreveport, Louisiana, 1956 (©Shreveport Louisiana Hayride Co.)

Começando em 16 de outubro de 1954, Elvis passou 14 meses se apresentando regularmente no The Louisiana Hayride, o principal show e programa de rádio / televisão da região Sul dos EUA entre 1948 e 1960, transmitido ao vivo do Shreveport Municipal Memorial Auditorium em Shreveport, Louisiana. Agenciado por Scotty Moore, Elvis fazia aparições quinzenais na atração e o resultado era sempre uma casa lotada. Quando o Coronel Parker assumiu como seu agente, em janeiro de 1955, Elvis passou a ser escalado semanalmente no programa e em pouco tempo ganhou status de estrela principal. Parker, sempre pensando em faturar, já preparava o terreno para que seu protegido voar alto.

A partir de 8 de janeiro de 1955, no seu aniversário de 20 anos, o nome de Elvis Presley foi a atração principal em 56 shows do Louisiana Hayride até 16 de dezembro de 1956, já como um nome consagrado da RCA. A febre Presley já era grande neste período, com os ingressos para todos os shows em que o jovem cantor apareceu sendo totalmente vendidos com bastante antecedência. Seu nome foi suficiente para colocar 2816 pessoas no Shreveport Municipal Memorial Auditorium, um recorde para a época. Quando o Louisiana Hayride fazia turnês pelo Sul, até 6000 ingressos eram vendidos por apresentação. Em sua última apresentação na atração, quase 10 mil pessoas se amontoaram para ver Elvis se despedir do circuito sulista e atingir novos horizontes nacionais e mundiais.

Elvis, Scotty,  Bill e o apresentador Frank Page no palco do The Louisiana Hayride durante a primeira apresentação
do trio na atração; Shreveport, Louisiana, 16 de outubro de 1954

Infelizmente, o engenhoso Coronel Parker ainda não tinha pensado na ideia de capitalizar em tudo sobre Elvis e os shows não foram gravados profissionalmente, existindo posteriormente somente em fitas guardadas pela transmissora oficial do The Louisiana Hyride, a Rádio KWKH. As transmissões televisivas do evento, que começaram em 3 de março de 1955 e tiveram Elvis no spotlight por 35 vezes, também não foram aproveitadas para a posteridade, tendo pouquíssimas imagens sobrevivido ao tempo. Os registros que ainda existem estão em mãos da RCA e de outras empresas competentes no ramo de preservar arquivos importantes da história mundial.

Juntamente com a Sony, a RCA trabalhou extensivamente em cima destes arquivos para lançá-los no box Young Man With The Big Beat, de 2010, com a melhor qualidade possível. Apesar disso, as gravadoras pecaram em alguns aspectos e esqueceram de limpar e corrigir a velocidade de algumas fitas, lançando principalmente o último show no The Louisiana Hayride incompleto e com o pitch de Elvis soando bem mais alto do que ele realmente cantava.

Elvis e Scotty Moore com The Jordanaires no palco do The Louisiana Hayride; circa 1955


RESENHA: THE COMPLETE LOUISIANA HAYRIDE ARCHIVES 1954-1956 (MEMPHIS RECORDING SERVICE, 2011)

Título:
The Complete Louisiana Hayride Archives 1954-1956
Ano:
16/10/1954 - 16/12/1956
Lançamento:
2011
Selo:
Memphis Recording Service
Número de músicas:
29
Duração:
75 minutos
Principais faixas:
That's All Right (16/10/54)
Hearts of Stone (15/01/55)
Tweedle Dee (15/01/55)
Money Honey (22/01/55)
Maybellene (20/08/55)
I Was the One (16/12/56)
Extras:
Historia de June Carter
Remix de "Maybellene"

Coube à então relativamente nova gravadora Memphis Recording Service o trabalho de entregar excelentes materiais aos fãs no CD The Complete Louisiana Hayride Archives 1954-1956, de 2011. Além de disponibilizar todos os trechos de shows conhecidos com alta qualidade sonora e total correção de velocidade, a MRS ainda montou um livreto com 100 páginas de informações e fotos raras das apresentações.

Abaixo segue a resenha do CD.


PRIMEIRO SHOW - 16 DE OUTUBRO DE 1954

Faixa 1: Abertura musical do The Louisiana Hayride.

Faixa 2: Introdução / That's All Right. O apresentador Frank Page introduz Elvis e sua banda. Um tanto nervoso, o jovem cantor se identifica e diz estar feliz de participar da atração. A plateia gosta bastante da canção e da guitarra de Scotty Moore. Pode-se notar que Elvis ainda cantava e falava com um tom bastante sulista.

Faixa 3: Blue Moon of Kentucky. Frank Page pergunta a Elvis como ele inventou aquele estilo chamado Rhythm & Blues e o futuro Rei do Rock responde "nós simplesmente tropeçamos nele". "Tropeçaram nele... vocês foram muito sortudos, sabiam? Eles estavam procurando algo novo no campo da música folk por muito tempo e eu acho que vocês conseguiram", diz Page. A versão da canção feita por Elvis é quase idêntica à ouvida no compacto lançado mais de um ano antes, em 17 de julho de 1954.

15 DE JANEIRO DE 1955

Faixa 4: Hearts of Stone. Estudiosos creem que essa seja uma das canções mais raras que Elvis já cantou, tendo aparecido em apenas cinco apresentações no The Louisiana Hayride e nunca sendo oficialmente gravada. Nota-se que a música não está muito dentro do estilo de Elvis naquele momento, mas ela é executada com um certo charme. Apesar de todo o trabalho da MRS para recuperar essa raridade, o áudio ainda é bastante precário.

Faixa 5: That's All Right. Uma versão mais solta e descontraída, com mais gritos da plateia e a adição de pelo menos uma guitarra e um piano aos instrumentos. O problema no áudio continua.

Faixa 6: Tweedle Dee. Outra das raras de Elvis e nunca gravada profissionalmente, parece agradar bastante ao público. O piano está mais presente no mix e faz um ótimo solo com a guitarra de Scotty. O áudio melhora repentinamente no fim da faixa.

22 DE JANEIRO DE 1955

Faixa 7: Money Honey. A canção que seria gravada pela RCA em 1956 é apresentada aqui pela primeira vez em um ritmo mais bluesy do que o do single posterior. A voz melodiosa de Elvis se encaixa perfeitamente com o piano e a guitarra, arrancando gritos das mulheres na plateia.

Faixa 8: Blue Moon of Kentucky. Uma versão um pouco mais rápida do que a original, é bastante diferente pela adição do piano. Durante o solo de Scotty, Elvis provavelmente fazia seus passos considerados sensuais à época, devido à resposta do público.

Faixa 9: I Don't Care if the Sun Don't Shine. O show tem um ritmo bastante rápido e Elvis não perde tempo entre uma música e outra. A canção é ouvida com um pouco de silêncio da plateia, causado pela não apreciação da música ou simplesmente pelo alcance fraco dos microfones.

Faixa 10: That's All Right. Sem muita diferença da gravação original, mas o piano dá um toque especial.

Uma das fotos mais raras de Elvis no Louisiana Hayride; Shreveport, Louisiana, 10 de março de 1956


30 DE ABRIL DE 1955

Faixa 11: Tweedle Dee. Elvis chega atrasado ao show devido a fatores desconhecidos e é o último a se apresentar. O The Louisiana Hayride é apresentado excepcionalmente do ginásio de uma escola em Gladewater, Texas, para rádio e TV. Frank Page diz a Elvis que ele tem dois minutos para cantar uma versão de "Tweedle Dee" e é isso que ele faz. Apesar disso, não há correria e a canção é executada com maestria.

16 DE JULHO DE 1955

Faixa 12: I'm Left, You're Right, She's Gone. Frank Page abre o show e apresenta Elvis: "Há alguns meses, um jovem fez sua primeira aparição aqui no palco do Louisiana Hayride, a qual pode ter feito uma grande mudança na música folk - e ele certamente colocou ritmo nela, não há dúvida disso -  e ele se tornou bastante popular no sul, sudeste e sudoeste do Estados unidos. Elvis Presley é seu nome!". Promovendo sua mais nova gravação, o Rei do Rock faz uma versão standard da música e a plateia aprova.

20 DE AGOSTO DE 1955

Faixa 13: Baby Let's Play House. "Vamos trazer o estouro de Memphis agora, Elvis Presley é seu nome", diz o produtor e apresentador Horace Logan. Depois de alguns anúncios sobre sua turnê pelo Texas, Elvis faz uma versão da canção que, por sua letra, causava um pouco de polêmica na época. Como sempre, não houve problemas e ele foi bem recebido pelo público, especialmente as mulheres, cujos gritos podiam ser ouvidos quase mais do que a música e faziam Elvis rir.

Faixa 14: Maybellene. Elvis decide cantar o primeiro hit de um cantor que iniciava sua carreira, chamado Chuck Berry. A canção havia saído em um compacto de Berry há apenas alguns dias e ainda era bastante desconhecida, por isso a plateia permanece quieta. Um outro motivo para o silêncio era a segregação da época, pois aplausos só são ouvidos no fim. "Amigos, nós somos muito legais para sermos vaiados", diz Elvis no final.

Faixa 15: That's All Right. Elvis e os meninos começam uma versão bem divertida da canção, brincando e fazendo várias paradas devido a um dito problema com os instrumentos (que não existia, claro). É uma versão bastante explosiva quando realmente se inicia, mas infelizmente a bateria de D.J. Fontana mal é ouvida.

Elvis, The Jordanaires e Scotty Moore durante o último show de Elvis no Louisiana Hayride; Shreveport, Louisiana, 16 de dezembro de 1956


ÚLTIMO SHOW - 16 DE DEZEMBRO DE 1956

Faixa 16: Heartbreak Hotel. Já consagrado como estrela da RCA, Elvis aparece no Louisiana Hayride pela última vez. O delírio da plateia é evidente desde o primeiro momento em que ele começa a cantar e a agitação faz Elvis rir. Quando ele faz seus movimentos pélvicos durante o solo de guitarra e bateria, o lugar simplesmente vem abaixo com os gritos enlouquecidos das fãs. Elvis mal consegue se apresentar para a plateia após a canção.

Faixa 17: Long Tall Sally. "Essa é uma música muito triste", brinca Elvis. Emprestando o hit de Little Richard, ele novamente enlouquece o público. Mal se pode ouvir Elvis falando no microfone antes que as fãs se acalmem um pouco.

Faixa 18: I Was the One. "Estamos só no rádio?", pergunta Elvis, provavelmente pelo comportamento inapropriado de alguma fã. The Jordanaires são chamados ao palco para acompanhá-lo nas canções seguintes. Elvis canta com romantismo e as fãs se derretem por seus movimentos sensuais. Andando de um lado para o outro do palco, ele consegue capturar através de seu microfone a histeria na plateia.

Faixa 19: Love Me Tender. A canção-título de seu primeiro filme, lançado um mês antes, é anunciada. "É a música do filme... no qual eu fui bombardeado com críticas negativas", diz Elvis; as fãs vaiam. A canção tem um efeito sedativo na plateia, que, com exceções, agora ouve calmamente. Elvis canta uma letra ligeiramente diferente da original e da versão alternativa do final do filme.

Faixa 20: Don't Be Cruel. "Obrigado, amigos. E agora, um dos meus maiores...Amigos, vamos cantar todas as músicas que quiserem ouvir, mas... Agora gostaria de cantar um dos meus maiores lixos... sucessos, uma música chamada...", diz Elvis antes de entrar direto na canção. A versão apresentada é um pouco mais lenta do que a do single da RCA, mas bem recebida mesmo assim.

Faixa 21: Love Me. Percebendo que a plateia estava saindo do controle, Elvis chama a atenção dos fãs e anuncia que vai cantar uma das músicas de seu mais novo LP. A canção faz com que a plateia se concentre novamente em ouvi-lo e esqueça o que quer que estivessem pensando em fazer no momento do tumulto. Elvis canta de forma bastante sexy e hipnotiza a todos.

Faixa 22: I Got a Woman. "Weeeeellll...", assim como nos anos 1970, anuncia o início da canção. A bateria de D.J. Fontana é bem ouvida e estabelece o ritmo. Elvis faz seus movimentos pélvicos seguindo as batidas e a plateia não se cansa de gritar. O final da canção é o mesmo ouvido nos shows das décadas seguintes, um rápido riff de blues. Elcvis a teria cantado muito antes na atração, não sendo o fato de que sua gravação no Sun fora perdida.

Faixa 23: When My Blue Moon Turns To Gold Again. Elvis pede a ajuda dos Jordanaires nos backing vocals novamente e canta uma versão idêntica à de seu LP, se aproximando da plateia e talvez até mesmo apertando algumas mãos. Aqui ouvimos Elvis tentando fazer um de seus primeiros dive bombs.

Faixa 24: Paralyzed. A plateia sai do controle novamente e Elvis é obrigado a gritar para retomar o rumo do show. A canção é padrão para a época e não arranca tanto entusiasmo do público, apesar de as fãs continuarem gritando por Elvis.

Faixa 25: Hound Dog. "Amigos, nós agradeceríamos bastante se não jogassem seus flashes no chão, nós não precisamos deles", diz Elvis a respeito dos fãs descuidados que jogavam suas coisas no chão. A plateia enlouquecida acompanha cada passo de Elvis desde o início da música até o fim. Após segundos Elvis comanda a reprise do último refrão da canção de forma lenta e sensual três vezes seguidas. Elvis sai do palco rapidamente enquanto uma versão instrumental da música é tocada por sua banda.

Faixa 26: Elvis Has Left the Building. A famosa frase é ouvida pela primeira vez: "Certo, Elvis deixou o recinto. Eu lhes digo positivamente que, neste momento, Elvis já deixou o palco, saiu por trás com a polícia e agora já não está mais no recinto", avisa Horace Logan.

Faixa 27: Hayride End Jingle. Jingle instrumental do final da atração.

Faixa 28: June Carter Talks about Elvis on the Hayride. A história gira em torno de Elvis e June Carter tentando esquiar durante uma turnê pela Florida. O trecho é impossível de traduzir, pois a rima seria estragada e o sentido seria perdido.

Faixa 29: Maybellene (Tunzi Remix). Faixa 14 remixada, com um som mais claro.



VÍDEO
(Áudio completo do CD resenhado)

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