I'VE GOT TO FIND MY BABY!

Elvis Invade o Canadá - Parte 2: Ottawa, 3 de abril de 1957

Elvis, Scotty, DJ e Bill durante apresentação em Ottawa, Canadá; Memorial Auditorium, 3 de abril de 1957

LEIA A PARTE 1: Elvis Invade o Canadá - Parte 1: Toronto, 2 de abril de 1957
LEIA A PARTE 3: Elvis Imvade o Canadá - Parte FINAL: Vancouver, 31 de agosto de 1957
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Com o sucesso de Elvis nos Estados Unidos e sua fama chegando ao Reino Unido, era natural que seu agente procurasse levá-lo a todos os cantos possíveis do mundo. Por mais centrado no dinheiro que fosse, esse plano e seus ganhos pareceu passar desapercebido pelo Coronel na época (claro, ainda não se sabia que sua recusa em sair dos EUA fosse devido ao fato de ser clandestino). Mas ele ouviu o clamor dos fãs canadenses, uma vez que o país vizinho não exigia passaporte para americanos, e fechou um contrato nada modesto para quatro shows no início de abril de 1957.

Durante uma pequena turnê entre gravações de filmes e discos, de 28 de março a 6 de abril de 1957, Elvis fez 14 shows previamente contratados e saiu dos EUA pela primeira vez na vida, embora fosse apenas para ir até o quintal do país. Lá, seus cinco shows, em 2 (Toronto) e 3 de abril (Ottawa) e 31 de agosto de 1957 (Vancouver), foram imensamente bem recebidos pelos fãs e totalmente odiados pela maior parte da imprensa.

Abaixo descrevemos como as duas apresentações de 3 de abril de 1957 em Ottawa se desenrolaram.
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3 DE ABRIL DE 1957 - OTTAWA, CANADÁ (2 shows, às 16:30 e 20:00)

Elvis Presley, o Rei do Rock and Roll, o maior ícone de entretenimento do século 20, fez apenas três visitas ao Canadá, todas em 1957, no auge de sua fama pré-exército, e uma dessas cidades visitadas foi Ottawa na quarta-feira, 3 de abril de 1957. Presley, que tinha 22 anos na época, já era o ídolo de milhões de adolescentes em todo o mundo. Ele era especialmente idolatrado por garotas que gritavam e desmaiavam por sua beleza selvagem e rebelde, seus movimentos, suas canções frenéticas e sua voz. Ele mudou a maneira como adolescentes e homens jovens usavam seus cabelos, seus colares de camisa, suas calças, o modo como eles andavam e a maneira como eles falavam.

Durante dias antes de sua chegada ao Canadá, jornais, emissoras de rádio e televisão em todo o país correram história após história, construindo sua chegada e, em 2 de abril de 1957, ele cruzou a fronteira em Buffalo para sua primeira aparição naquele dia no Maple Leaf Gardens em Toronto, em dois shows lotados. Lá, Elvis usou o traje completo do Gold Lame Suit pela última vez no palco. Mesmo que ele estivesse chegando a Ottawa no dia seguinte, centenas de moradores locais tinham ingressos para o show em Toronto, e fizeram a viagem de carro, ônibus ou trem para assistir ao fenômeno. Uma dessas pessoas era o proprietário de uma loja de discos, Alex Sherman, que conseguiu tirar sua foto com Elvis nos bastidores e exibiu cópias dela em suas filiais em torno de Ottawa.

Depois de seus shows no Maple Leaf Gardens, Elvis e sua comitiva de 15 homens pegaram o trem noturno para a Union Station de Ottawa e chegaram à capital às 8 da manhã. Apesar de seu meio e hora de chegada terem sido um segredo, uma dúzia de adolescentes ficaram sabendo daquilo e estavam na estação esperando por ele. Na manhã de 3 de abril de 1957, estava ensolarado, a temperatura era exatamente 0ºC, e Elvis saiu do trem vestindo um terno preto, uma camisa de veludo de gola aberta, uma capa de chuva rosada e um sapato branco. Debaixo de seu pompadour brilhante, seu rosto estava pálido e preocupado.

As garotas da pequena multidão gritaram quando o viram caminhando pela estação até um táxi. Elvis sorriu, deu-lhes um aceno e fez um rápido movimento com sua perna direita. Cercado pela polícia de Ottawa e sua comitiva, ele parou para assinar autógrafos antes de entrar no táxi, que o levou ao Beacon Arms Hotel para descansar antes de seus dois shows naquele dia no Auditorium, um às 16:30 e outro às 20h. Ingressos para ambos os shows custavam US$ 3,50 cada e ambos lotaram. Embora tenha chegado ao Canadá de trem dos Estados Unidos, dois de seus Cadillacs - um rosa e um amarelo - foram levados e estacionados no porão do hotel. A palavra logo se espalhou, e um adolescente foi expulso depois que conseguiu se esgueirar até um dos carros e quase arrancar e levar a placa da frente.

Elvis chega a Ottawa na manhã de 3 de abril de 1957

A grande maioria dos fãs de Ottawa desconhecia seu paradeiro, e todos os dias enxames de adolescentes vagavam pelos corredores e lobbies dos hotéis da cidade à procura dele. Além disso, ao longo do dia, os fãs de Presley invadiram a cidade de ônibus, carro e trem de todas as partes de Ontário, Quebec e Nova York. Um trem chamado "Presley Special", que tinha 10 vagões e transportava 800 fãs que pagaram US$ 11 pela viagem de ida e volta, chegou de Montreal, onde Elvis deveria ter se apresentado naquela noite em vez de Ottawa. O Conselho Municipal de Montreal o proibiu de aparecer, temendo que causaria um tumulto, além da indignação moral que seus movimentos corporais e música gerariam.

Não foram apenas os adolescentes que pegaram a febre de Elvis. Em uma sessão noturna da Câmara dos Deputados naquele dia, apenas 37 dos 259 membros estavam presentes, e o CCF Whip Stanley Knowles disse que os faltantes tinham ido ver Elvis. Era diferente na escola do Convento de Notre Dame; a Madre Superiora disse aos alunos que não podiam assistir aos concertos de Presley e que eles escreveriam seus nomes nos quadros prometendo obedecer o edital. Muitos fizeram. Muitos também desobedeceram. Muitos foram ver Elvis com seus pais e oito meninas da escola foram pegas e suspensas. Os pais que levaram seus filhos para ver Elvis e os pais das garotas suspensas ficaram indignados. Elvis, naquele momento, não era chamado de O Rei ou Rei do Rock, mas era referido como "o ídolo adolescente" ou "a sensação da música adolescente".

Ele usava sua famosa jaqueta de ouro de 2500 dólares com uma camisa preta, calças pretas e sapatos brancos para seus dois shows. Cada show durou apenas 40 minutos e teve nove canções, incluindo "Don't Be Cruel", "Hound Dog", "Heartbreak Hotel" e "Love Me Tender". A brevidade das performances era fiel à filosofia de seu agente, o Coronel Tom Parker, que andava de um lado para o outro em frente ao palco: "Dê-lhes apenas um gosto, deixe-os implorar por mais". Elvis canta, mas ninguém pode ouvi-lo sob o ensurdecedor pandemônio. É loucura total, uma parede de gritos sem parar. Quando ele cai de joelhos, quando toca a orelha com o polegar, quando bate as pernas, quando gira os quadris, quando treme, quando cantarola. Quando ele sorri aquele sorriso torto, é histeria em massa.

Fãs vão à loucura com as apresentações de Elvis; Municipal Auditorium, Ottawa, Canadá, 3 de abril de 1957 

Durante sua interpretação pélvica de "Hound Dog", três policiais percorreram o corredor central jogando fãs de volta em seus assentos como sacos de batatas. Mais de 100 policiais, especialmente designados para o auditório, guardaram o palco e foram colocados em toda a multidão. Fãs foram avisados ​​de que qualquer um que atacasse Elvis seria expulso. Foi um belíssimo caos com gritos incessantes.  O repórter Richard Jackson do The Ottawa Journal escreveu: "A maior parte da multidão era adolescente, as meninas sua meias compridas brancas e calças largas, saias plissadas e blusas soltas, e os meninos de jeans, jaquetas e botas. Com cada balanço, os joelhos do ídolo chegavam mais perto do assoalho. Quanto mais perto, mais altos os gritos, e quando ele finalmente tocou o chão - trovão! Muitos na multidão usavam buttons 'I Like Elvis' de 75 centavos e tinham programas de um dólar".

Sob a dupla revisão de Greg Connolley e Gerry Mulligan do The Citizen: "Os gritos eram tão devastadores que era praticamente impossível ouvir qualquer coisa que Presley estava supostamente cantando". A repórter do The Ottawa Journal, Helen Parmalee, falou com um embaixador na plateia que timidamente lhe disse que estava lá em missão "para estudar a cultura canadense." Parmelee escreveu "Alguns choraram, alguns gemeram, alguns apertaram suas cabeças em êxtase. Cada corpo gritou, bateu palmas, uma pessoa caiu de quatro e bateu no chão. Elvis me mandou para casa com uma dor de cabeça enorme, ainda estou perplexa ... A exposição contorcionista de ontem à noite no Auditorium foi a mais próxima da selvageria que eu jamais conseguiria imaginar".

Duas adolescentes tinham vindo naquela manhã de Montreal a pé até que um empresário lhes deu carona. Quando chegaram a Ottawa, foram expulsas do Beacon Arms Hotel por tentarem procurar Elvis. Elas não tinham ingressos para seus shows, mas conseguiram convencer um repórter a deixá-las a entrar com seu passe de imprensa. Sua obsessão foi superada apenas pelos 10 fãs no trem de Montreal que deixaram seus empregos em tempo integral para que pudessem ver Elvis. O DJ da estação de rádio CFRA Gord Atkinson patrocinou o show de Presley e mais tarde conduziu aos bastidores várias meninas que tinham ganhado o concurso para encontrar seu ídolo. Uma garota, depois de conhecê-lo, chorou e disse que nunca mais lavaria o braço direito, que Elvis beijara. Outra garota não conseguia parar de chorar porque Elvis tinha autografado seu braço.

Sentado de pernas cruzadas sobre uma mesa em um dos vestiários de hóquei Elvis foi perguntado pelo repórter James Perdue sobre quanto tempo ele pensava que seu sucesso duraria. Elvis disse que achava que seus dias estavam chegando ao fim, que sua popularidade provavelmente não duraria mais de um ano, dois no máximo. Ele disse que queria capitalizar rapidamente a mania do Rock 'n' Roll para que ele pudesse economizar dinheiro para a meia-idade e um casamento mais tarde. Quando perguntad sua opinião sobre o Convento de Notre Dame ele expressou surpresa: "Eu gostaria de convidar o diretor para o meu show; pular, remexer e dançar não é indecente - eu não incito os jovens a roubar bancos ou comprar uma arma." Um repórter lhe perguntou se ele alguma vez pensou em se tornar um médico ou um psiquiatra, e Elvis disse: "Não senhor, eu não pensei em me tornar um psiquiatra, mas muitas vezes pensei em ir a um."

Elvis dando entrevistas no bastidores do Municipal Auditorium; Ottawa, Canadá, 3 de abril de 1957

O Rei do Rock fez um comentário sobre Ottawa quando um repórter perguntou o que ele pensava da cidade: "Bem, senhor, eu não tive a chance de vê-la. As pessoas são muito amigáveis, mas é um pouco legal lá fora". Enquanto Presley estava em sua entrevista, a polícia estava envolvida em brigas com vários adolescentes que tentavam abrir caminho através da parte de trás do auditório para ver Elvis. Hordas de fãs de Presley marcharam ruidosamente pelas ruas da cidade, cantando suas canções e gritando seu nome. Cinco adolescentes foram detidos por soltarem fogos de artifício na rua e no lobby do Chateau Laurier Hotel.

O Esquadrão Presley do Departamento de Polícia de Ottawa foi mantido ocupado durante muito tempo naquela noite. Todos os que assistiram aos dois concertos terão lembranças a serem valorizadas por toda a vida - vieram, viram, se emocionaram com o Rei do Rock naquele dia histórico em que ele foi a Ottawa.


FOTOS: MUNICIPAL AUDITORIUM, OTTAWA, 3 DE ABRIL DE 1957

























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Texto original: Elvis InfoNet
Fotos: Elvis InfoNet, A. Andrews, C. Buckman, D. Gall, T. Grant; Andrews-Newton Photographers Fonds Copyright: City of Ottawa Archives
Tradução: Elvis Presley Index | http://www.elvispresleyindex.com.br
>> a re-disponibilização desta tradução só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<
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CONCERTOS NO CANADÁ EM ÁUDIO

Título:
Elvis Presley Canada 1957
Selo:
Elvisone
Formato:
CD
Número de faixas:
25
Duração:
77:30
Tipo de álbum:
Compilação
Ano:
1957
Gravação:
Ao longo de 1957
Lançamento:
2016


Embora muitos sonhem em ouvir esses cinco únicos shows de Elvis fora dos EUA em sua totalidade, infelizmente isso foi dado como impossível ao longo dos sessenta anos que já se passaram. O que foi encontrado nessas seis décadas estava em estado tão ruim que muito pouco pode ser salvo.

Em 2016 o selo Elvisone, uma gravadora de bootlegs, lançou um CD com trechos dos shows em boa qualidade de áudio. Tais faixas são de músicas e falas, todas com menos de um minuto de duração. Para completar as 25 trilhas do trabalho, a Elvisone incluiu os dez singles lançados no Canadá em 1957, várias entrevistas dadas para os três shows no país e alguns extras. Somente cinco faixas são músicas das apresentações. Confira:


SINGLES CANADENSES DE 1957
01. Too Much
02. Playing For Keeps
03. All Shook Up
04. That's When Your Heartaches Begin
05. Loving You
06. (Let Me Be Your) Teddy Bear
07. Jailhouse Rock
08. Treat Me Nice
09. Mean Woman Blues
10. Have I Told You Lately That I Love You
GRAVAÇÕES AO VIVO
11. Heartbreak Hotel (Toronto, April 2, 1957)
12. Hound Dog (Toronto, April 2, 1957)
13. Heartbreak Hotel (Vancouver, August 31, 1957)
14. I Got A Woman (Vancouver, August 31, 1957)
15. Introduction / I Was The One (Vancouver, August 31, 1957)
16. That's When Your Heartaches Begin (Vancouver, August 31, 1957) 
TRANSMISSÕES DE RÁDIO
17. Elvis Presley comes to Canada (CBC Radio, 04/02/1957)
18. Bill McNeil and Maria Berrett talks about the Elvis show in Toronto (CBC Radio, 04/04/1957)
19. CKOY Radio's Mac Lipson interviews Elvis in Ottowa, April 3, 1957 (CBC Radio, 04/04/1957)
20. Concert report from Toronto, Canada (CBC Radio, 04/04/1957)
21. Red Robinson at the Empire Stadium, Vancouver (CKWX Radio, 08/31/1957)
CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
22. Vancouver, Canada, August 31, 1957
BÔNUS
23. About the April 3rd 1957 shows
24. Norm Pringle introduces the Vancouver Press Conference
25. Red Robinson introduces the Vancouver Press Conference



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VÍDEOS


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