I'VE GOT TO FIND MY BABY!

Recruta Presley: Elvis Serve ao Exército dos EUA (1958 - 1960)



Em 19 de janeiro de 1953, Elvis alistou-se no exército dos EUA como todo jovem de 18 anos é obrigado a fazer. Sob o sistema de rascunho, esperava-se que homens jovens de boa saúde estivessem disponíveis para servir no exército durante dois anos de serviço ativo e, em seguida, quatro anos nas reservas (este sistema continuou até depois da Guerra do Vietnã, quando os EUA migraram para um sistema militar voluntário). Elvis Presley se inscreveu para o Serviço Seletivo dos Estados Unidos e recebeu a licença nº 40-86-35-16.

Ele então terminou seu último ano no L.C. Humes High School e, logo após a formatura, começou o que se tornaria sua ilustre carreira como artista. Em janeiro de 1956, Presley completou vinte e um anos e agora era elegível para ser recrutado. O Coronel Tom Parker estava bem ciente do status de seu cliente e de como isso poderia afetar sua carreira. No verão daquele ano, Parker escreveu ao Pentágono pedindo que Presley fosse considerado para os Serviços Especiais, que permitiria que Presley fizesse apenas seis semanas de treinamento básico e então retomasse a vida normal, com a exceção de que deveria se apresentar várias vezes por ano para as tropas das Forças Armadas em diversas bases pelo mundo. No entanto, Parker não tinha intenção de permitir que seu cliente se inscrevesse para os Serviços Especiais, o que exigiria que se apresentasse de graça e cada show seria gravado e filmado para venda a estações de televisão em todo o mundo. Somente as Forças Armadas lucrariam com essas gravações, e Parker não estava de modo algum disposto a permitir que ninguém, nem mesmo o "Tio Sam", desfrutasse dos talentos de Presley de graça.

Ao longo dos próximos doze meses Parker levou Elvis a acreditar que ainda era possível fugir do recrutamento completamente mas, por trás de suas palavras, ele não tinha nenhuma intenção de evitá-lo. Em seus olhos, depois de um ano de alguma publicidade negativa sobre Presley, esta era a oportunidade perfeita para mudar a visão que a América antiga tinha dele. Em 4 de janeiro de 1957 ele se apresentou ao Kennedy Veteran's Hospital em Memphis para um exame físico de pré-seleção e no dia de seu aniversário de 22 anos de idade, o Memphis Draft Board realizou uma conferência de imprensa anunciando que Elvis seria classificado como soldado 1A e provavelmente seria posicionado em algum momento daquele ano. Na época, os EUA não estavam envolvidos em conflitos ou guerras. Com a notícia da indução de Elvis, a Marinha e a Força Aérea fizeram ofertas por seus serviços - a Marinha oferecendo a criação de uma "Companhia Elvis Presley" especialmente treinada e a Força Aérea achando que seria bom para ele visitar seus centros de recrutamento. Elvis recusou suas ofertas, não querendo nenhum tratamento especial. Ele iria servir como um simples soldado.

Em 20 de dezembro de 1957 Elvis finalmente recebeu sua convocação. Como ele já estava envolvido com as filmagens vindouras de "King Creole" e gravações da trilha sonora, um pedido de adiamento foi entregue ao exército pelo Coronel Parker em nome de seu cliente e dos produtores da RCA e Paramount. A resposta veio no dia 26, dando a Elvis uma licença até o dia 20 de março de 1958. Coincidentemente ou não, a trilha sonora do filme e a gravação de outras músicas que seriam lançadas até 1960 terminaram no fim de fevereiro e as filmagens se encerraram no dia 10 de março. Às 6:35 da manhã de 24 de março de 1958 Elvis se apresentou com família e amigos no Memphis Draft Board, de onde foi levado para fazer seu juramento no Kennedy Veteran's Hospital e receber o número de série 53-310-761. De lá, foi levado ao Fort Chaffee, no Arkansas, para a continuação do processo e receber seu corte de cabelo antes de ser designado para a unidade Hell On Wheels da 2ª Divisão Armada (liderada anteriormente pelo General Patton) e estacionado no Fort Hood, Texas, onde receberia seis meses de treinamento.

Elvis faz seu juramento, recebe o corte de cabelo militar e é deslocado para o Fort Chaffee

SOLDADO PRESLEY SE APRESENTANDO AO SERVIÇO

Poucos dias depois de sua ida para o exército, Elvis recebeu toneladas de cartas no escritório do Coronel. Nelas, fãs pediam desesperadamente o lançamento de novas gravações do cantor, o que a RCA não dispunha em número suficiente nem mesmo para um EP. Elvis recebeu folga de 15 dias que se iniciaria em 1 de junho de 1958, voltando a Memphis e Graceland ainda na noite daquele sábado. Na sua chegada, Elvis, ainda vestindo seu uniforme, parou em meio a uma multidão de fãs na entrada da mansão para cumprimentá-los e explicar o significado de suas insignias. Ele também aproveitou para avisá-los de que novas gravações estavam a caminho. Vendo oportunidade de ganho na grande demanda, o Coronel arranjou com a RCA uma sessão de gravação na madrugada de 10 para 11 daquele mês, na qual Elvis gravou algumas faixas que seriam imediatamente lançadas em EPs e posteriormente, em 13 de setembro de 1959, unidas no LP Elvis' Gold Records, Vol. 2.

Elvis no Fort Chaffee; 28 de março de 1958
Nestes 15 dias em casa, Elvis atendeu questões sobre o estado de saúde de sua mãe. É estimado que por volta desta época ele já estivesse fazendo uso de speed para manter as forças no exército e o golpe da notícia pode ter aumentado o quanto ingeria. Antes disso, é alegado que Elvis já roubava os remédios de Gladys e que ela pode ter sido a fonte inicial do que viria a ser um vício que comprometeria em muito a saúde do filho nos próximos anos.

Retornando ao exército em 14 de junho, Elvis enfrentou mais dez semanas de treinamentos. Seus pais se mudaram para perto da base e o cantor pediu uma permissão para morar fora das dependências militares, um direito que todo soldado tinha. No mês seguinte, a saúde de Gladys piorou consideravelmente e Vernon teve de retornar com ela a Memphis para tratamentos mais delicados. Com sua mãe doente, Elvis recebeu uma licença de emergência para visitá-la.


GLADYS LOVE PRESLEY

Às 11:30 da manhã de  9 de agosto, enquanto Elvis completavam seu treinamento com tanques, Vernon chamou uma ambulância a Graceland e Gladys foi levada para o Memphis Methodist Hospital, onde sua condição foi declarada como grave. No dia 12, depois de receber dezenas de telefonemas do médico de sua mãe e ameaçar desertar para visitá-la, Elvis recebeu uma nova licença de emergência do exército e partiu juntamente com Lamar Fike para Memphis. No dia seguinte, Elvis chega ao hospital e se junta a Vernon, que havia passado a noite toda ao lado de Gladys; Elvis só saiu por breves momentos e no fim da noite, quando se juntou a membros da Máfia na sala de conferências para esperar notícias dos médicos.

Aproximadamente às 3:15 da madrugada de 14 de agosto de 1958, Gladys Love Presley, de 46 anos, morre devido a complicações de duas doenças - hepatite aguda e cirrose. Elvis e Vernon ficaram extremamente abalados e foram consolados por amigos e familiares. O corpo de Gladys foi levado para Graceland no início da tarde e recebido por centenas de fãs que queriam oferecer suas condolências. Depois de uma pequena cerimônia no Memphis Funeral Home o cortejo seguiu para o Cemitério Forest Hill, onde o grupo The Blackwood Brothers (do qual JD Sumner fazia parte) cantou a música Gospel favorita de Gladys e um Elvis visivelmente abalado chorava copiosamente e dizia: "Ó Deus, tudo que eu tinha se foi". Inclinado sobre seu túmulo e inconsolável, Elvis ainda disse: "Adeus, querida, adeus. Eu te amo muito. Você sabe o quanto eu vivi minha vida só para você." A vida não era a mesma, mas tinha de continuar. Ao longo dos próximos dias, 100 mil cartas e cartões, 500 telegramas e 200 coroas de flores foram enviados por fãs que queriam demonstrar o sofrimento pela perda.

Apesar de profundamente deprimido, Elvis quis atender no dia 16 ao funeral do pai de Red West, que havia morrido no dia anterior. Na manhã seguinte, ele insistiu em visitar novamente o túmulo de sua mãe. Para ajudar a melhorar o humor de Elvis, o Coronel arranjou com o departamento de polícia de Memphis para que levassem o cantor para passeios de helicóptero sobre Graceland e a cidade. Independente do que se fizesse, Elvis permaneceu em depressão pelos próximos dias e procurou responder cartas e cartões de pêsames, além de gerenciar junto a Vernon os detalhes pós-enterro. No fim de sua licença, em 24 de agosto de 1958, Elvis, ainda deprimido, retornaria a Fort Hood e deixaria ordens para que o quarto de sua mãe em Graceland permanecesse intacto.

ACIMA: 1 - Elvis conversa com fãs nos portões de Graceland em 1 de junho de 1958. 2 -  Foto de família de junho; Elvis e a Máfia esperam notícias de Gladys
na sala de conferências do Memphis Methodist Hospital em 13 de agosto.
ABAIXO: 1 - Vernon e Elvis choram a morte de Gladys em 14 de agosto. 2 - Elvis visita o túmulo de sua mãe no Cemitério Forest Hill em 17 de agosto de 1958.


ELVIS EMBARCA PARA A ALEMANHA

De volta ao treinamento no Texas, Elvis fica sabendo em 11 de setembro que foi designado para o 1º Batalhão de Tanques Médios do 32º Destacamento da 3º Divisão Armada na Alemanha. Junto de seus colegas, ele parte no trem militar do dia 19 para Nova York, chegando à estação do Brooklin às 9 horas da manhã do dia 22 e sendo rebebidos por uma multidão de fãs ensandecidos que queriam ver Elvis partindo para sua jornada de quase dois anos no que na época era a Alemanha Ocidental. À tarde, o cantor dá uma entrevista coletiva rápida antes de embarcar no navio U.S.S. Randall para Bremershafen e depois de quase 10 dias chega a Friedburg, onde centenas de fãs esperam para pedir um autógrafo ou tirar uma foto. Foi durante esta viagem que ele conheceu Charle Hodge, que se tornaria um membro da Máfia e residente de Graceland de 1960 a 1977. Hodge, que tinha um pouco de fama como cantor Gospel, convenceu Elvis a ajudá-lo a fazer um show para as tropas - embora Presley somente tenha aceitado tocar piano devido à recomendação de Parker de que ele não deveria fazer shows de qualquer tipo durante seu serviço.

1ª FOTO: Elvis e Anita Wood se dirigem ao porto
onde Elvis embarcaria para Alemanha; 22/09/58.
2ª FOTO: Embarcando no U.S.S. Randall; 22/09/58.
3ª E 4ª FOTO: Chegada a Friedburg; 01/10/58.
5ª FOTO: Elvis em frente a sua companhia; 03/10/58.
Como nos EUA, Elvis ficaria em uma casa particular fora da base. Ele e sua família se mudaram para o Hotel Hilberts Park em Bad Nauheim, mas em três semanas eles se mudaram para o mais elegante Hotel Grunewald. Lá, ele recebia cartas de Parker falando de como iam as coisas nos EUA quase diariamente. Ele havia conseguido acordos com a RCA e a 20th Century-Fox para garantir que o retorno de Presley à vida pública fosse o mais fácil possível.

A RCA concordou em lançar um EP da entrevista coletiva de Presley no dia em que partiu para a Alemanha Ocidental, intitulado "Elvis Sails", e a 20th Century-Fox concordou em pagar US$ 200.000 para um novo filme de Presley, com opção de um segundo por US$ 250 e uma divisão 50/50 sobre os lucros. A Paramount também tinha assinado acordos para produzir um número de novos filmes após a sua liberação; o que acabaria por se tornar "G.I. Blues" foi acordado por US$ 175.000 com opção de outros três filmes incluída. Parker também tranquilizou seu cliente sobre a cobertura da imprensa no exterior, que recebia artigos diretamente do Coronel para serem divulgados. Histórias de festas selvagens no quarto de hotel de Presley também estavam indo aos jornais regularmente, e Parker foi forçado a realizar uma conferência de imprensa para dissipar esses rumores.

Para Elvis, no entanto, estar longe de casa na Alemanha Ocidental não era um tempo nada feliz. Muitas vezes ele escrevia para amigos e familiares sobre como estava com saudade, como desesperadamente sentia falta de sua mãe e de como seus medos sobre sua carreira ainda nublavam sua mente. Introduzido às anfetaminas por um sargento enquanto fazia manobras, Elvis tornou-se "praticamente evangélico sobre seus benefícios" - não apenas pela energia, mas também pela "força" e perda de peso - e muitos de seus amigos se juntaram a ele. O exército também apresentou Presley ao karatê, que ele estudou a sério, mais tarde, incluindo-o em suas performances ao vivo.

Companheiros soldados atestam o desejo de Presley de ser visto como um soldado capaz e comum, apesar de sua fama, e a sua generosidade enquanto estava no serviço. Ele doou seu salário para a caridade, comprou aparelhos de TV para o batalhão e um conjunto extra de fardas para todos. Já instalado, Presley era um soldado como qualquer outro e muito bem disciplinado. Durante os próximos meses, Elvis passaria por severos treinamentos em campo com tanques, bazucas e armas de grande porte.

No início de 1959, depois de queixas de outros hóspedes sobre o comportamento de Presley e seus amigos, o grupo deixou o Hotel Grunewald e se mudou para uma casa de cinco quartos nas proximidades. Os fãs reuniam-se fora da casa para ver Presley enquanto ia e vinha do trabalho, e um cartaz foi posto no muro indicando que autógrafos seriam dados somente entre 19:30 e 20: 00. Embora o agente de Presley o tivesse proibido de se apresentar no exército, a pressão da RCA para que ele gravasse novo material levou a Parker a enviar um microfone e um gravador para a Alemanha Ocidental. Elvis tinha gravado um punhado de canções antes de partir, para cobrir seu tempo ausente, mas a gravadora estava preocupada com a chance do material acabar antes de seu retorno e março 1960.

Em uma carta, Parker explicou que se as gravações fossem de Elvis cantando algumas faixas com um piano de acompanhamento seria bom o suficiente porque seus fãs só queriam ouvi-lo cantar alguma coisa. Presley usou o gravador para se divertir com amigos e familiares, cantando principalmente Gospel e hits da época, mas nenhuma dessas gravações foi enviada para lançamento pela RCA e o conteúdo só seria ouvido décadas mais tarde. Em junho, com 15 dias de licença para desfrutar, Presley e seus amigos viajaram por dois dias para Munique e ficaram mais de uma semana de festas em Paris, onde, em várias ocasiões, Elvis convidaria todas as dançarinas de um clube para seu quarto de hotel às 4 da manhã.


DEE STANLEY

Nessa época, Dee Stanley, a esposa do sargento do exército Bill Stanley, convidou Elvis para um jantar, contando que o havia visto ao vivo durante uma de suas primeiras apresentações nos anos 1950. Como não havia interesse em sair com alguém consideravelmente mais velha, Elvis enviou seu pai. A maioria dos biógrafos afirmam que Dee já estava no processo de se divorciar quando conheceu Vernon, mas outros afirmam que o casal o conheceu junto e queria usá-lo para ajudar a salvar seu casamento. Quando Presley ouviu falar da relação, ele se enraiveceu; em sua mente, seu pai não tinha nenhum direito de se estabelecer com outra mulher tão logo após a morte de Gladys. Dee e Vernon retornaram aos EUA no verão de 1959, onde Bill recebeu uma "boa recompensa" por sua assinatura nos papéis do divórcio, e o par voltou à Alemanha já como um casal e eventualmente se casando em 1960. Embora Elvis nunca tenha gostado de Dee, ele se tornou muito próximo de seus filhos - agora seus meio-irmãos - e os acolheu em sua casa; nos anos posteriores eles seriam empregados como guarda-costas e motoristas.

Elvis em foto com seu regimento (1958), em manobras e tocando piano em sua casa em Bad Nauheim (1959)


PRISCILLA BEAULIEU

Em 13 de setembro de 1959, o aviador Currie Grant, que conhecera Presley alguns meses antes, apresentou-o sua namorada, Priscilla Beaulieu, de 14 anos, a Elvis durante uma festa onde todos os outros eram adultos e em sua maioria homens. Testemunhas recordam que Presley gostou imediatamente de Priscilla, e o par ficou praticamente inseparável ​​durante o restante de seu tempo na Alemanha. Eles acabariam se casando depois de um namoro de sete anos e meio. Em sua autobiografia, Priscilla diz que apesar de suas preocupações de que isso estragaria sua carreira, Parker convenceu Elvis de que para ganhar o respeito popular ele deve servir seu país como um soldado regular ao invés de entrar para os Serviços Especiais, onde poderia ter feito apenas algumas apresentações musicais e permanecer em contato com o público.

Parker viria a moldar o pensamento de Elvis novamente para que se casasse com Priscilla em 1967, algo que ele não queria fazer naquele momento, e tal comportamento dominador e de quem dá a decisão final continuaria até seus últimos dias. Felizmente, algo proveitoso saiu da relação e Elvis ganhou seu maior tesouro, sua primeira e única filha Lisa Marie. O divórcio em 9 de outubro de 1973, depois que Priscilla, ainda em janeiro de 1972, admitiu traí-lo com seu professor de karatê, Mike Stone, minou o psicológico de Elvis para sempre. Não pelo fato de que Elvis realmente a amava, o que claramente já não era reciproco, mas porque seu orgulho sulista fora ferido - isso ele jamais admitiria. Sem conseguir recuperar seu orgulho, ele acabou tendo um tempo muito difícil.


PRISCILLA X CURRIE GRANT 

Currie Grant, por sua vez, voltaria ao cenário em 1997 com sua autobiografia, onde contava um segredo da ex-namorada. Segundo Grant, ela havia feito uma oferta bastante adulta para chegar a seu objetivo final - sua virgindade em troca de um encontro com Elvis. Isso significaria que Priscilla nunca foi uma "noiva virgem", muito menos uma "noiva criança", nem era virgo intacta há muito tempo em seu casamento com o Rei do Rock. Inocente certamente não era, pois ela mesma declarou em 2002 que "ao invés de consumarmos nosso amor da forma usual, Elvis começou a me ensinar outras formas de dar prazer a ele" e que "nossa conexão era muito forte e na maior parte, sexual".

Priscilla, claro, rebateu a história judicialmente, processando Currie em US$ 10 milhões por calúnia e difamação. Ela também contou que ele não só havia requerido sexo várias vezes durante o relacionamento, mas também havia tentado estuprá-la e que ela havia conseguido fugir em tempo. O processo foi finalizado com a ordem de que a Sra. Beaulieu deveria receber uma indenização de US$ 75 mil. Muitos dizem que, se ela não tinha nada a temer, não deveria ter tentado se defender tanto nem tomado as "ofensas" seriamente. Com o tempo, até mesmo a cantora e biógrafa de Elvis Allana Nash lançou dúvidas sobre a autenticidade das histórias de Priscilla em seu livro "Baby, Let’s Play House: Elvis Presley and the Women who Loved Him". Para ela, "havia algo esquisito naquilo".

Em posse de documentos sigilosos do processo, ela escreve: "Eles dizem que Priscilla pode dizer à mídia que se sentiu vingada pelo resultado, enquanto Grant não precisará pagar um centavo contanto que nunca mais fale sobre ela em público. Além disso, Currie receberia US$ 15 mil pela devolução de fotos dela que ele havia feito durante o namoro. Claramente Priscilla tomou medidas extremas para calar Currie Grant, presumivelmente para tentar preservar o mito de como conheceu Elvis e de sua virgindade na época. [...] A Priscilla de 1959 não era exatamente a menina inocente do romance de conto de fadas aceito hoje. Miserável por ter sido arrancada do Texas para ir viver em Wiesbaden, Alemanha, onde seu padrasto estava servindo, ela logo estava flertando com uma multidão de garotos em um clube da Força Aérea na cidade."

ACIMA: 1. Priscilla e Currie Grant; 2. Com Elvis em 13/09/59; acenando para Elvis no dia de seu retorno aos EUA (02/03/60).
ABAIXO: Em vários momentos de fevereiro de 1960.


ELVIS RETORNA AOS EUA

Perto de 1960, os medos de Elvis sobre sua carreira estavam se tornando reais, mas o produtor da RCA Steve Sholes e Freddy Bienstock da Hill & Range tinham pensado com cuidado sobre seus dois anos de ausência. Armados com uma quantidade substancial de material inédito, eles mantiveram um fluxo regular de lançamentos bem sucedidos. Entre sua indução e retorno, Presley tinha dez hits no Top 40, incluindo "Wear My Ring Around Your Neck", o best-seller "Hard Headed Woman", e "One Night" em 1958, e "(Now and Then There's) A Fool Such as I" e o número um "A Big Hunk o 'Love" em 1959. A RCA também conseguiu gerar quatro álbuns compilando material antigo durante este período, sendo o de maior êxito o LP Elvis' Golden Records, que atingiu o número três nos gráficos, seguido de sua segunda parte, Elvis' Gold Records, Vol. 2 (AKA 50.000.000 Fans Can't Be Wrong).

Em 20 de janeiro de 1960, Presley foi promovido a Sargento. O exército realizou uma conferência de imprensa no dia 1 de março, antes que Elvis fosse embora da Alemanha Ocidental, na qual ele foi questionado sobre sua decisão de servir como soldado regular e respondeu sobre suas expectativas quando ao retorno aos EUA. Em 2 de março, com Priscilla presente, Presley deu adeus para os fãs e meios de comunicação da Alemanha e voltou para casa em Memphis. Na rota, seu avião parou no aeroporto de Prestwick, na Escócia, para abastecer; esta seria a única vez em que ele colocaria os pés no Reino Unido. Em 3 de março, o avião de Presley chegou à Base da Força Aérea McGuire, perto de Fort Dix, Nova Jersey, às 7:42 da manhã. Nancy Sinatra, representantes da RCA e Parker estavam lá para recebê-lo, bem como uma enorme multidão de fãs.

Elvis durante a conferência de imprensa de 1 de março de 1960 em Friedburg, Alemanha Ocidental

Dois dias depois, em 5 de março, Presley foi oficialmente dispensado do serviço ativo e recebeu um pagamento de US$ 109,54 por seu trabalho. Durante seus 18 meses na Alemanha, ele foi extremamente proficiente em seus exercícios nas manobras e ganhou várias medalhas de pontaria em armas de diversos calibres. Sua conduta exemplar lhe rendeu uma medalha de Boa Conduta. A vida seguiu tranquila pelo Sargento de ranque E-5 Elvis Presley, que usou sua farda pela última vez para as gravações do "The Frank Sinatra Timex Show - Welcome Home Elvis" e do filme "G.I. Blues". Sua carreira musical voltou ao normal e, mais importante, com ele ainda no topo das paradas. Elvis foi oficialmente dispensado do quadro de reservistas em 23 de março de 1964.

ACIMA: 1. Elvis E suas divisas de Sargento (11/02/60); 2. Dando adeus à multidão na Alemanha (02/03/60); 3. Com Nancy Sinatra na chegada aos EUA (03/03/60).
ABAIXO: 1, 2. Mostrando seu "polpudo" cheque ao Coronel e indo para Memphis (05/03/60); 3. Chegando à Union Station de Memphis (07/03/60).

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