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I'VE GOT TO FIND MY BABY!

Elvis In Concert - Parte 2: 20, 21 e 22 de junho de 1977

Elvis em Augusta, Maine; 24 de maio de 1977 (©Harold Newton)
Em 17 de junho de 1977, Elvis começou o que seria sua última turnê. Durante dez dias ele se apresentaria em 10 cidades diferentes, incluindo Omaha e Rapid City, nas quais gravou seu especial, e culminando com o magnífico, para aquele momento, show de 26 de junho de 1977 em IndianapolisIndiana.

No total, Elvis passaria por um público de 117 mil pessoas e arrecadaria mais de US$ 1,5 milhões naqueles poucos dias. Em 1977, seus 59 shows renderiam em torno de US$ 7 milhões, uma soma baixa se comparada aos anos anteriores quando somente uma temporada de 30 dias em Las Vegas arrecadava US$ 2,5 milhões e as turnês nacionais traziam mais, em média, US$ 50 milhões.

Claro, a saúde fraca de Elvis tinha uma porcentagem no por quê desses números baixos, uma vez que os fãs mais novos começaram a vê-lo como um dinossauro da música. Outro ponto era o estilo musical da época que também começava a mudar rapidamente em direção ao Punk Rock e Pop, afastando plateias mais jovens. O trabalho da mídia, que difamava Elvis sempre que podia , também teve parte nisso.

Mas Elvis era Elvis e se havia coisas com que ele podia contar, eram os milhões de fãs espalhados pelos EUA e pelo mundo. Sua voz, que naquele tempo começava a soar como a de tenores, era outra coisa que nunca o abandonava. Mesmo nos piores shows de 1977, e eles foram muitos, infelizmente, sua voz permaneceu intacta e sonora - apesar de arrastada e cansada, por vezes.

Abaixo resenhamos mais 3 shows da última turnê: 20, 21 e 22 de junho.


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20 DE JUNHO DE 1977 - LINCOLN, NEBRASKA

Elvis em Lincoln, Nebraska; 20 de junho de 1977
(©Shirley Stevenson)
Depois do show gravado para o especial Elvis In Concert em Omaha, Nebraska, na noite anterior, Elvis vai a Lincoln, capital do estado. Aquela seria a primeira vez em que o Rei do Rock se apresentaria na cidade nos anos 1970 e apenas a segunda em sua carreira; ele havia passado por lá com seu show solo em 19 de maio de 1956, mais de 20 anos antes.

 A plateia era pequena, mesmo para 1977; 7500 pessoas o assistiram se apresentar com a jumpsuit Mexican Sundial. Isso se deu não porque Elvis já não atraia público, mas simplesmente pelo fato de que a maior parte dos fãs da região tinham ido ao show em Omaha, a maior cidade e mais rica, ao invés de assisti-lo na capital. Outro motivo é que Lincoln havia sido adicionada à turnê de última hora, devido ao fato de que pelo menos 5 mil fãs não tinham conseguido ingresso para Omaha. e também que a cidade já vinha pedindo um show de Elvis há algum tempo.

Como de costume, a apresentação começou oficialmente às 19h30 daquela segunda-feira, com JD Sumner & The Stamps, Sherrill Nielsen e The Sweet Inspirations fazendo seus shows solo, além do ato do comediante Jackie Kahane. As luzes se apagaram pouco tempo depois das 20h30, dando início à fanfarra de abertura e ao delírio da plateia. A primeira coisa que se nota é que a voz de Elvis está muito mais forte do que em Omaha e quase sem nenhum sinal de arrasto. Sua presença de palco também se mostra eletrizante quando ele canta o primeiro verso de "See See Rider". Em comparação com a noite anterior, era uma melhora considerável.

"I Got a Woman / Amen" trouxe um "striptease" mais longo e um Elvis muito bem humorado. Sua energia está tão concentrada que ele até mesmo faz golpes rápidos de karatê e joga o violão para Charlie no fim da música - algo que havia sido abandonado quase completamente em 1977. "Love Me" segue a noite com uma multidão de fãs gritando e tentando pegar um lenço de Elvis, que usa vocais diferentes e surpreendentes durante a rendição. "If You Love Me, Let Me Know; if you don't, then buzz off", anuncia Elvis em clara mensagem a Ginger. A canção é bem executada e a plateia gosta do que ouve. Em seguida teríamos a segunda melhor "You Gave Me a Mountain" do ano, com o Rei do Rock apresentando controle vocal completo e uma voz extremamente forte que envolve o local.

O que vem a seguir não é nada menos surpreendente. "Jailhouse Rock" soa clara como não soava há pelo menos dois anos e levanta o público. "O Sole Mio/It's Now or Never" e a rara "Love Me Tender" continuam as surpresas da noite, seguidas por "Teddy Bear/Don't Be Cruel", a também rara "Help Me" (executada com maestria), um trecho de "Suspicious Minds" (um segundo) e a rendição de "Unchained Melody" (excepcionalmente antes das introduções da banda) considerada a melhor de 1977. As apresentações dos membros da TCB Band, backing vocals e Joe Guercio e sua orquestra decorre como de costume, com JD e os Stamps cantando "Walk That Lonesone Road" e cada instrumentista fazendo um solo, acompanhado ou não por Elvis nos vocais.

"Hurt" trouxe Elvis novamente expondo seu poder vocal daquela noite e "Hound Dog" alucinou as fãs pelos movimentos pélvicos feitos pelo Rei do Rock. "Can't Help Falling In Love" é executada por Elvis com notas de baixo na duração e traz o fim da apresentação perante uma pateia que aplaude efusivamente. Em retrospecto, Felton Jarvis, RCA e CBS talvez tenham se arrependido de não terem gravado profissionalmente este show.



21 DE JUNHO DE 1977 - RAPID CITY, SOUTH DAKOTA

Elvis em Rapid City, South Dakota; 21 de junho de 1977
Assim como Lincoln, Rapid City receberia um show de Elvis pela primeira vez nos anos 1970. Diferente da primeira citada, o Rei do Rock não havia se apresentado lá nos anos 1950 e seria o primeiro artista a utilizar as instalações do recém construído Rushmore Plaza Civic Center. A lotação foi esgotada poucas horas depois do início das vendas dos ingressos e 10 mil pessoas assistiram Elvis se apresentar com a jumpsuit Mexican Sundial.

Depois do excelente show da noite anterior, a CBS e a RCA não perderiam a oportunidade de gravar a apresentação para incluir no LP In Concert e no especial de TV. Foi decidido que ali também seria capturado parte dos bastidores, com a chegada de Elvis ao local e a entrega de prêmios e comendas a ele, os mais significativos sendo a chave da cidade, dada pelo prefeito, e um Medalhão da Vida presenteado por uma garotinha da tribo local dos índios Sioux. Cercado dos membros da Máfia, Elvis é auxiliado com seu guarda-roupa a portas fechadas e então escoltado até a traseira do palco, de onde esperaria seu momento de entrada.

Acompanhe abaixo a resenha detalhada da apresentação.
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RESENHA: RAPID CITY, SOUTH DAKOTA, 21 DE JUNHO DE 1977
(THE ULTIMATE CBS SPECIALS - CD 2, 2013)

Título:
The Ultimate CBS Specials - CD 2 - Rapid City, SD - June 21, 1977
Selo:
MadCow
Formato:
CD duplo
Número de faixas:
31
Duração:
71:00
Tipo de álbum:
Disco comum
Vinculado a:
Discografia extra
Ano:
2013
Gravação:
21 de junho de 1977
Lançamento:
2013
Singles:
---


1. Also Sprach Zarathustra - Como sempre, a plateia se eletrifica com a chegada do momento mais esperado da noite.

2. See See Rider - Elvis não demora muito a entrar no palco e os fãs gritam e aplaudem de forma ensurdecedora. A canção começa e logo percebemos que a força da noite anterior permanecia. Mais surpreendente ainda, Elvis estava totalmente ciente do que acontecia a seu redor e foi capaz de perceber que entrara errado na segunda estrofe, parando a música e recomeçando-a daquele mesmo ponto. Notas altas e baixas são emitidas com maestria durante a rendição e a finalização é perfeita.

3. I Got a Woman / Amen - Elvis agradece à plateia e inicia sua rotina dos "well, well..." enquanto troca algumas piadas internas com a banda e backing vocals. Sua voz é constante durante toda a canção e "Amen" é bastante inspiradora, com o Rei do Rock emitindo notas de baixo. Elvis faz seu famoso "striptease" de forma muito mais dinâmica, seguido dos dive bombs de JD e uma finalização fantástica.

4. That's All Right - "Se ainda não sabem, vocês estão na televisão, então não deixem as luzes e câmeras derrubarem vocês e não derrubem elas, se puderem evitar", brinca Elvis. Ele pede a Charlie que lhe dê um pouco de água porque está "com a boca seca como algodão" e, após beber, morde a língua sem querer; tanto a secura na boca quanto a língua inchada, que o fazia arrastar as palavras, eram efeitos colaterais de suas medicações. Desde o dia 19, Elvis vinha diminuindo o consumo e sua dicção melhorara consideravelmente no decorrer daquelas 72 horas. "That's All Right" teve sua melhor rendição daquele turnê.

5. Are You Lonesome Tonight - "Depois gravamos uma canção chamada 'Are You Lonesome Tonight'. E eu estou... Quer dizer, estava...", introduz de forma sarcástica. Após uma breve reclamação sobre a qualidade das paletas que está usando (uma quebrara em sua mão), Elvis começa a canção. Sua voz está forte, mas a língua inchada o faz errar a pronúncia durante a parte falada da letra, o que acaba sendo uma oportunidade para que ele improvise. Mostrando ainda estar em contato com a realidade e de mente sã, ele relembra um episódio de 1969 quando riu incontrolavelmente durante a execução da mesma canção depois que fez um trocadilho com a letra devido à inusitada presença de um homem que deixa sua peruca cair em frente ao palco.

6. Love Me - "Boa noite, senhoras e senhores, meu nome é Wayne Newton", brinca lembrando que o cantor adorara seu estilo de cabelo. "Alguém me disse que este prédio é novo e eu sou a primeira pessoa a se apresentar aqui, é verdade?", Elvis pergunta à plateia que responde positivamente. Percebendo estar suando, ele diz ao público que está usando maquiagem por causa das filmagens e para que "não se preocupem porque qualquer coisa errada será "cortada, editada, censurada." A canção decorre como de costume, com Elvis entregando lenços para as fãs.

7. If You Love Me (Let Me Know) - "Esta canção foi gravada por Olivia Newton-John e se chama 'If You Love Me, Let Me Know... If you don't then move it!", Elvis novamente dá o recado a Ginger. Nota-se que essa é uma das músicas de que ele realmente gosta, porque pede à plateia que o acompanhe e ensaia alguns tímidos passos recebidos com entusiasmo por todos.

8. You Gave Me a Mountain - "Obrigado, muito obrigado. 'Mountain'", introduz rapidamente. A versão é a melhor do ano, com Elvis fazendo uma espetacular finalização.

9. Jailhouse Rock - "Meu terceiro filme foi Jailhouse Rock" é tudo que Elvis precisa dizer para enlouquecer a plateia. Fica claro que o pequeno inchaço na língua dificulta a rendição, que requer uma rápida sucessão de palavras complicadas, mas Elvis tira de letra.

10. O Sole Mio / It's Now or Never - Enquanto Sherrill Nielsen faz seu solo em italiano, Elvis faz caretas para tentar desconcentrá-lo. A versão em inglês de Elvis provaria ser uma das melhores da turnê, com uma nota alta surpreendente no final.

11. Tryin' to Get to You - "Esta próxima canção eu gravei há uns 18 anos e meu pai gosta, minha namorada Ginger gosta... Você precisa apertar o cinto nos lugares certos. Ela se chama 'Tryin' to Get to You'". É incrível ver que Elvis ainda tinha muito potencial se parasse de se automedicar em excesso. Sua voz brinca através das notas e atinge seu objeto sem esforços, criando sem dúvidas a melhor rendição do ano. Coincidentemente, esta seria a última vez em que ela seria apresentada.

12. Hawaiina Wedding Song - "Eu fiz um filme chamado 'Blue Hawaii' e nele havia uma canção chamada 'Hawaiian Wedding Song'. Foi tão real que eu precisei de dois anos antes de perceber que era só um filme, que eu não era nada da garota", Elvis explica. A versão é regular, tento muitas melhores, mas termina em alto estilo com o Rei do Rock entregando uma lei para Kathy Westmoreland e lhe dando um beijo.

13. Teddy Bear / Don't Be Cruel - O medley transcorre como esperado, com Elvis entregando muitos lenços a fãs enlouquecidas na beira do palco.

14. My Way - "Esta canção foi gravada por Frank Sinatra e se chama 'My Way'". A rendição de Elvis é feita de uma forma muito boa, como não era já há algum tempo. Notas executadas brilhantemente terminam a canção em um tom bastante alto.

15. Introduções - Elvis apresenta The Sweet Inspirations, JD Sumner, The Stamps (individualmente), Kathy Westmoreland e Sherrill Nielsen. Ele se enrola durante a introdução de Nielsen, comentando "eu consigo cantar, mas não consigo falar".

16. Solos - John Wilkinson (Elvis canta "Early Morning Rain"), James Burton (Elvis canta "What'd I Say" e "Johnny B. Goode"), Ronnie Tutt, Jerry Scheff, Tony Brown (Elvis canta "I Really Don't Want to Know") e Bob Ogdin. Aparte de "I Really Don't Want to Know" e o solo de Ogdin, todos os outros trechos foram cortados pela CBS diretamente na fita, impossibilitando que eles sejam encontrados e recolocados na gravação.

17. Introduções II - Elvis apresenta Charlie Hodge, seu pai (que é levado até o palco e aplaudido por todos) e sua namorada. Joe Guercio e sua orquestra fazem seu solo.

18. Hurt - "Uma das minhas últimas 'Hurt' foi gravações... Gravações foi 'Hurt'!", Elvis brinca. A plateia claramente se emociona com a rendição bastante significativa naquela época. Por se tratar da gravação de um especial de TV com tempo limitado, Elvis não faz a repetição costumeira da última estrofe.

19. Hound Dog - "Obrigado, muito obrigado". O riff de James Burton no início da canção ressoa pela arena e faz o público vibrar. Elvis está animado desde o início e distribui lenços para a plateia. No final, ele até tento alguns passos elaborados de dança, já raros naquele ponto.

20. Unchained Melody - "Há uma canção que quero cantar...", Elvis começa a introduzir quando um fã grita "Love Me Tender!" e outro, "Moody Blue!". O Rei do Rock responde: "Não, 'Moody Blue' e 'Love Me Tender' eu vou cantar depois, preciso tocar esta antes." Infelizmente, elas nunca seriam apresentadas naquele show. Outra curiosidade é que Elvis anuncia que havia gravado "Unchained Melody" recentemente e que ela seria lançada em duas semanas; como o álbum Moody Blue, que possui a versão ao vivo de 26/04/77, só foi às lojas exato um mês depois, crê-se que Elvis se referia a um trabalho de estúdio que seria vendido como single, mas se ele já existiu, nunca foi colocado no mercado e a RCA o tem em seus cofres, o destruiu ou perdeu. A rendição de Elvis é bastante boa, mas não tanto quando a citada acima.

21. Can't Help Falling In Love / Closing Vamp - Elvis agradece aos engenheiros de som, sua banda, backing vocals, orquestra e equipe de filmagens antes de se dirigir ao público. "Quando nos quiserem de volta, deixem-nos saber e nós voltaremos. Adios." Assim como na noite anterior, Elvis faz notas de baixo enquanto rende sua canção mais famosa e que leva ao fim da apresentação. Durante a fanfarra de encerramento, a plateia aplaude efusivamente enquanto Elvis cumprimenta seus fãs e posa para fotos antes de se dirigir aos bastidores e sair do local às pressas em seu carro.











22 DE JUNHO DE 1977 - SIOUX FALLS, SOUTH DAKOTA

Elvis em Sioux Falls, South Dakota; 22 de junho de 1977
(©Ken Pope)
A segunda e última parada em South Dakota se daria em Sioux Falls, em um show em que Elvis usaria a jumpsuit Mexican Sundial mais uma vez perante uma plateia de 7911 pessoas. Assim como com Lincoln e Omaha, a maioria dos fãs resolvera ir à cidade maior, Rapid City, para assistir Elvis, e por isso o público em Sioux Falls foi pequeno para os padrões de 1977.

O show de 22 de junho de 1977 não está disponível em áudio ou vídeo, tornando difícil resenhá-lo. As únicas informações vem de fãs e jornalistas da época, que montam um cenário mediano a precário. Elvis estava de bom humor, mas já começando a exibir sinais de retorno ao abuso de remédios e com a voz um pouco arrastada. Devido à falta de informações confiáveis, não se sabe qual foi a tracklist da apresentação, mas crê-se que tenha sido igual ou parecida ao restante da turnê.

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LEIA TAMBÉM:

- Elvis In Concert - Parte 1: 17, 18 e 19 de junho de 1977 (clique aqui)
- Elvis In Concert - Parte 3: 23, 24 e 25 de junho de 1977 (clique aqui)
- Elvis In Concert - Parte 4: Adios - 26 de junho de 1977 (clique aqui)

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