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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Rock Back the Clock (CD - Straight Arrow, 2007)

Título:
Rock Back the Clock
Selo:
Straight Arrow [SA 2007-8A/B-02]
Formato:
CD duplo
Número de faixas:
32
Duração:
85:00
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia extra
Ano:
2007
Gravação:
31 de dezembro de 1975
Lançamento:
Setembro de 2007
Singles:
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Rock Back the Clock é um trabalho da gravadora de bootlegs Straight Arrow, lançado em 2007. Ele contém o primeiro show de virada de ano feito por Elvis, no dia 31 de dezembro de 1975, em Pontiac, Michigan, em áudio amador. O CD ainda existe no mercado, apesar de ser difícil de encontrar.

Em meados de 1973 Elvis já se encontrava entediado com sua rotina em Las Vegas e Lake Tahoe, locais onde se apresentava, conjuntamente, cerca de 50 vezes por ano desde 1971. Além disso, sua vida pessoal vivia uma montanha russa de emoções que culminariam, nos próximos anos, em surtos de raiva e mesmo internações hospitalares. Acima de qualquer coisa, o que Elvis mais desejava era poder fazer turnês em cidades diferenciadas - e mesmo internacionais -, mas o Coronel frequentemente vetava os pedidos do cantor para isso, dizendo que eram apenas "aventuras que não trariam lucros".

No fim de 1975, mesmo depois de um ano conturbado em que parou no hospital por duas vezes, viu seu pai ter um ataque cardíaco e precisou cancelar duas temporadas em Las Vegas, Elvis via a chegada de 1976 de forma confiante. A temporada de dezembro no Hilton havia sido um sucesso, Linda havia voltado para seus braços, Lisa o acompanhava em diversos shows; não havia nada que podia impedir o Rei do Rock de comemorar seu "retorno", por assim dizer, ao ritmo vibrante dos palcos frente a um público de 60.500 pessoas. E, no último dia do ano, Elvis provou que 1976 estava chegando com surpresas inigualáveis.

Elvis havia se apresentado no Natal Ano Novo de 1954 e 1955, embora não como estrela principal, tendo gostado da experiência. Atendendo aos pedidos da Máfia, familiares e do próprio Elvis para que as coisas fossem modificadas, no ano de 1975 Parker rearranjou a agenda de shows e conseguiu um contrato com a cidade de PontiacMichigan, para um show no dia 31 de dezembro.

O que segue é a tradução da resenha oficial do evento, feita pelo jornalista Mike Maza e publicada no jornal Detroit News em 1 de janeiro de 1976. (artigo original)
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Elvis com o prefeito de Pontiac, Wallace Holland, e
Jackie Kallen, do jornal Oakland Press, nos bastidores do
show em Pontiac; 31 de dezembro de 1975
"New York City pode ficar com Guy Lombardo e a Times Square. Com Elvis no Pontiac Stadium, Detroit tem o começo de uma tradição realmente nova na Véspera de Ano novo. Pergunte a Nancy Fluegge.

A hora era 22:00, Véspera de Ano Novo, Lombardo e seus Royal canadenses estavam se aquecendo para sua 45ª apresentação de Ano Novo anual no Waldorf. Nancy Fluegge estava esperando Elvis - e as outras 27 mulheres à sua frente em uma fila do lado de fora de um banheiro do estádio.

A mãe de West Bloomfield, de 47 anos, amarrou um xale de renda em torno de seu vestido de chartreuse sem costas. Ela estremeceu e disse: "Eu amo isso, adoro cada minuto disso, amo Elvis, amo todas essas pessoas aqui - quantas, 60.000? Eu só queria que todas elas não estivessem na fila na minha frente".

Foi assim que passou a noite toda. Uma multidão geralmente bem-humorada esperando para ver o filho de um motorista de caminhão de bananas de Tupelo, Mississippi, se apresentar para eles - o maior público já visto em um show de Elvis, ele disse.

Havia, naturalmente, o engarrafamento habitual vindo e indo para o estádio. Não foi tão ruim quanto alguns dos jogos de futebol, ou no mês passado, no concerto do The Who, disse a polícia de Pontiac. Mas inconveniente do mesmo jeito.

Dentro do estádio, havia alguns aborrecimentos sobre bilhetes. Alguns fãs queixaram-se de números duplicados dos assentos. Outros, a maioria deles portadores de ingressos de US$ 15 para a pista, não estavam preparados para a acústica da arena, reclamaram do som muito alto.

Outros não estavam felizes com a distância do palco, mas muitos fãs de Elvis pareciam satisfeitos em assistir a entrada de 1976 através de um par de binóculos.

Um apresentador não visto disse: "Um número limitado de lembranças de Elvis estão reservadas para o programa de hoje à noite, não fiquem desapontados." E a cada 10 metros havia filas de pessoas nas cabines de itens de Elvis. Eles pagaram de US$ 3 a US$ 12 por álbuns de fotos. Lenços autografados ("disponíveis em azul bebê e mansão branca do Sul", o anunciador aponta.) saíam por US$ 5. Mas o item mais quente parecia ser um button de 8cm com uma foto de Elvis por US$ 1. As mulheres os prendiam em todos os lugares, inclusive na frente dos casacos de vison.

Presley fará 41 em uma semana a partir de hoje. Mas seu apelo ainda parece transcender a idade.

Várias mulheres de cabelos brancos e um menino de 11 anos estavam entre os fãs de Elvis que jogavam seus programas para John Mole e imploraram: "Elvis, eu te amo" ou "Por favor, autografe isso".

Mole, de 26 anos, de Brighton, trabalha como polidor na fábrica Ford Wixom. Ele parece um pouco com a estrela. Então ele copiou a roupa de Elvis e passeou pelo estádio com seu macacão branco pontilhado com centenas de bolinhas de ouro (custou US$ 500, ele disse). "Eu tenho seguido Elvis por 20 anos - ele é meu ídolo", Mole explicou. "Espero que talvez isso chame atenção suficiente para que eu possa conhecer o homem."

Wreatha Shook, de Chesterhill, Ohio, disse que ela e seu marido, Claude, dirigiram "através da névoa forte desde Columbo" para ver Elvis. "Eu tenho ouvido ele desde que fazia tortas da lama e não vou perder minha chance de vê-lo," disse.

George Anson dirigiu com sua esposa e dois filhos adolescentes de Evansville, Indiana. Randolph Harter e sua esposa pagaram US$ 35 cada por um charter de London, Ontario.

Presley trouxe toda sua equipe de Las Vegas. Começando às 20h45, com apenas 15 minutos de atraso, um comediante e vários músicos de Bluegrass, Rock, Gospel, Jazz e Soul tomaram o palco em sucessão para aquecer o público.


Elvis e o Coronel nos bastidores do show em Pontiac;
31 de dezembro de 1975
Presley entrou no palco de 20 metros - uma plataforma a 3 metros do chão do estádio, cercada por alto-falantes e conectada a seu camarim por um túnel de 45 metros - às 23h10. As mulheres em vestidos de glitter e calças vistosas juntaram-se a crianças em uma corrida em direção ao palco. Muitos gritos. Tudo colorido por uma incessante explosão de flashes.

Jogando lenços para os fãs entre as músicas, Presley passou por mais de uma dúzia de músicas. As mais antigas trouxeram maior reação  - "All Shook Up", "Don't Be Cruel", "Heartbreak Hotel", "Love Me Tender" e naturalmente "(You Ain't Nothing But a) Hound Dog".

Quase meia-noite: uma contagem decrescente de 10 segundos termina em festa ... holofotes rodam e balões flutuam ao infinito enquanto Elvis e seus fãs cantam "Auld Lang Syne".


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Este não é o primeiro  lançamento a trazer este show. O disco pioneiro foi "Happy New Year From Pontiac 1975", da Quality Music, em 2001, cujo diferencial era trazer também o pré-show. "Rock Back the Clock" omite essa parte, mas ganha na melhora significativa do áudio. Abaixo segue resenha do material disponibilizado no CD.
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1 - Also Sprach Zarathustra: A fanfarra à qual já estamos acostumados.

2 - See See Rider: Elvis assume o palco e a multidão vai ao delírio. A versão ouvida aqui é rápida e bem mais ritmada do que qualquer outra de 1975. Elvis começa a cantar depois de 1:30 de introdução e sua voz está clara, vibrante e ressoando alegria.

3 - I Got a Woman /Amen: Elvis não perde tempo e logo começa sua conhecida rotina do "well, well, well" antes de agradecer e fingir que está indo embora. Em algumas partes desta rendição, ele soa como se estivesse em 1971 ou 1972. O acompanhamento da banda também chama bastante atenção. "Amen" faz a plateia gritar pela expectativa de ver o já esperado "striptease". JD faz seus dive bombs e a canção é encerrada com Elvis jogando seu violão para Charlie Hodge após alguns rápidos golpes de Karatê.

4 - Love Me: "Muito obrigado. Boa noite senhoras e senhores. Preciso de água... Eu rasguei minha calça, sabiam? 60 mil pessoas e eu rasgo as calças!", observa Elvis (o palco era composto de dois níveis, e Elvis rasgou as calças ao tentar se apoiar entre um e outro para cumprimentar alguns fãs). "Se eu pareço nervoso, é porque estou; essa é a maior plateia para a qual já tocamos... e eu rasguei as calças!", ele brinca. "Love Me" faz as mulheres vibrarem com a chance de receberem um beijo ou um lenço.

5 - Trying to Get to You: "A próxima canção é uma das minhas gravações mais antigas e que estamos tocando bastante ultimamente", anuncia. A rendição não é uma das melhores do ano, mas não decepciona.

6 - And I Love You So: "Espero que estejam felizes... com a falha com as minhas calças", Elvis brinca. A versão da canção que se segue é bastante básica, praticamente igual às outras do período.

7 - All Shook Up: Uma versão excelente para 1975, com fãs aos gritos enquanto tentam pegar um lenço.

8 - (Let Me Be Your) Teddy Bear / Don't Be Cruel: Rendição padrão de 1975, começa colada à canção anterior e continua o frenesi de fãs em busca de lenços e beijos.

9 - Heartbreak Hotel: Sem parar entre um clássico e outro, Elvis canta a canção que tornou-se uma raridade após 1973 para o delírio total da plateia. O solo inspirado de James Burton mostra que a mudança era bem vinda também pela banda.

10 - One Night: Outro clássico dos anos 1950 e raridade nos shows (ela aparecera pela última vez em 1972) que levanta os fãs. É uma versão standard, no entanto.

11 - You Gave Me a Mountain: A letra forte e a interpretação impecável de Elvis, embora em uma nota abaixo da costumeira, traz arrepios a quem ouve e, certamente, a quem lá estava.

12 - Polk Salad Annie: Uma poderosa versão da canção começa logo de imediato. Elvis se diverte durante a rendição e finaliza com alguns golpes de Karatê, como costumava fazer em 1970. "Tenho novidades para vocês, senhoras e senhores. Este é o melhor Ano Novo que já tive", Elvis confessa à plateia.

13 - Sweet, Sweet Spirit: "Vou ter que sair e trocar de roupa, só vai demorar um minuto. Então, quero que os Stamps cantem 'Sweet Spirit'", diz Elvis, antes de sair do palco para trocar de jumpsuit, pois sua calça havia rasgado a um nível além do que se podia esconder durante a canção anterior. JD Sumner & The Stamps interpretam o clássico Gospel que maravilhou multidões quando foi visto pela primeira vez no documentário "Elvis On Tour".

14 - Introduções: Elvis apresenta seus backing vocals - Jd Sumner, The Stamps Quartet, The Sweet Inspirations, Sherrill Nielsen, Kathy Westmoreland - e o guitarrista rítmico John Wilkinson.

15 - What'd I Say: Como de costume, Elvis apresenta James Burton e pede a ele que toque a canção.

16: Solo de bateria (Ronnie Tutt).

17: Solo de baixo (Jerry Scheff).

18: Solo de piano (Glen Hardin).

19: Solo de teclado (David Briggs).

20: Solo da Joe Guercio Orchestra (School Days).

21 - My Way: "Temos muitos pedidos para esta canção que cantamos no especial de televisão 'Aloha From Hawaii'. Na verdade, não fui eu, foi meu dublê, sabe...", brinca. Elvis entra errado na música, mas consegue consertar após alguns segundos. A rendição é básica, mas emocionante.

22 - Love Me Tender: "Essa próxima canção foi meu primeiro filme, eu gostaria de cantar para vocês". Elvis volta a distribuir lenços e beijos para o delírio de todos.

23 - Auld Lang Syne: "Senhoras e senhores, falta um minuto para o Ano Novo, e nós desejamos um Feliz Ano Novo a todos vocês. E se quiserem, eu gostaria que cantassem 'Auld Lang Syne' comigo... 60 mil pessoas cantando 'Auld Lang Syne'...". Elvis e a plateia fazem uma contagem regressiva de dez segundos e cantam a canção característica da virada do ano. "Feliz ANo Novo! Feliz Ano Novo! Espero que tenhamos um ótimo ano."

24 - How Great Thou Art: Como de costume, Elvis entrega uma versão vinda diretamente de sua alma. Os aplausos efusivos do público puxam uma reprise da parte final da canção.

25 - It's Now Or Never: "Senhoras e senhores, gostaria de cantar essa canção porque foi o disco que mais vendeu em minha carreira", Elvis anuncia antes de começar sua interpretação. Nessa época, Sherrill Nielsen ainda não fazia seu solo no início e Elvis canta uma versão parecidíssima com a presente no clássico lançado em 1960.

26: America, the Beautiful: Com a chegada do 200º aniversário dos EUA, em 4 de julho de 1976, Elvis aproveita para fazer sua homenagem ao país em uma rendição realmente inesquecível. "Eu gostaria de agradecer por quem fez este show ser possível... mas não tenho tempo para isso", Elvis alfineta o Coronel. "Gostaria de agradecer todos vocês por virem, porque, sem brincadeiras, eu estava muito nervoso em vir aqui e vocês fizeram tudo valer à pena; muito obrigado", diz Elvis à plateia. "E eu apresentei o negócio todo com as calças rasgadas...", brinca. Elvis apresenta Charlie Hodge, que havia esquecido nas introduções, e agradece aos seus produtores. O Rei do Rock também apresenta Lisa e Vernon antes de prosseguir com o show.

27 - Hound Dog: "O que vocês querem ouvir?", indaga Elvis. A plateia responde com um sonoro "Hound Dog!". A versão de Elvis é curta, mas faz o público vibrar.

28 - Wooden Heart: O público também pede "Wooden Heart", um dos muitos clássicos do filme "G.I. Blues", mas Elvis só consegue lembrar de algumas linhas da canção.

29 - Can't Help Falling In Love: "Muito obrigado, senhoras e senhores, e até nos vermos de novo, que Deus os abençoe. Muito obrigado." As rápidas palavras de Elvis levam ao início da canção que, desde 1969, representava o fim de seu show.

30 - Closing Vamp: A fanfarra anuncia aos fãs que a apresentação realmente acabou.

31 - Elvis fala sobre o show #1: Trecho de conversa com fãs no show de 26 de abril de 1976.

32 - Elvis fala sobre o show #2: Trecho de conversa com fãs no show de 5 de junho de 1976.

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FOTOS: PONTIAC, MICHIGAN, 31 DE DEZEMBRO DE 1975
(©George Hill)









VÍDEO (SÓ ÁUDIO): PONTIAC, 31 DE DEZEMBRO DE 1975

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