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I'VE GOT TO FIND MY BABY!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Elvis no Havaí - Parte 1: 10 e 11 de Novembro de 1957

Poster de jornal publicado em 4 de novembro de 1957
anunciando os shows de Elvis em Honolulu
Ao longo dos anos, ficou evidente que Elvis tinha um grande apreço pelo Havaí. Foi lá que alguns dos melhores momentos de sua carreira ocorreram, como o concerto beneficente em Pearl Harbor e o filme "Blue Hawaii", ambos em 1961. As ilhas do arquipélago ainda serviriam de cenário para "Girls! Girls! Girls!" e "Paradise, Hawaiian Style", de 1962 e 1966, respectivamente, além do especial "Aloha From Hawaii" em 1973.

Mas o amor pelas belas ilhas havaianas havia começado bem antes, em 1957, quando Elvis as visitou pela primeira vez. O Rei do Rock ficou tão maravilhado com o lugar que decidiu que aquele seria seu recanto, passando várias de suas férias dali até 1977 no arquipélago. Mais tarde, em 1968, ele compraria uma casa à beira da praia de Lanikai, em Oahu, e faria dela seu refúgio sempre que possível.

Abaixo descrevemos a primeira experiência de Elvis no Havaí: o primeiro show em Honolulu.










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Em 29 de outubro de 1957 Elvis apresentou o último show daquele ano, em Los Angeles, e estava se preparando para gravar cenas de seu próximo filme (King Creole, à época ainda sem título). Devido a imprevistos, a produção foi adiada até janeiro de 1958 e o cantor se viu com dois merecidos meses de férias em suas mãos. Foi então que o promotor de turnês, Lee Gordon, sugeriu ao Coronel Parker a ideia de que Elvis poderia passar férias no Havaí se concordasse em fazer um show em Honolulu. Para Parker, a oportunidade de lucro extra era perfeita e tudo foi resolvido em uma reunião de meia hora sem a presença de Elvis. Tais decisões abruptas em nome do lucro já começavam a ser comuns e a incomodar o Rei do Rock, mas ele sempre cumpria com suas obrigações em função dos fãs.

Parker voou no dia 30 de outubro para o Havaí para fazer os preparativos e aproveitou para informar o jornal Honolulu Star Bulletin sobre a chegada e as duas apresentações programadas do astro nas ilhas. Elvis seguiu viagem no navio USS Matsonia com sua comitiva em 5 de novembro, acatando um desejo de Gladys e obedecendo seu próprio medo de voar, uma vez que faziam poucos meses que o avião em que estava tinha feito um pouso de emergência após uma pane durante um voo de Amarillo para Nashville. Em entrevista  a bordo no dia 6, o cantor revelou que "foi uma surpresa saber sobre os shows, pois o Coronel apenas me pediu que arrumasse as malas e me avisou do contrato na última hora e, quando vi, aqui estava eu."

Elvis se diverte a bordo do USS Matsonia; 6 de novembro de 1957

Durante o percurso, Elvis procurou relaxar e teve a oportunidade de socializar com  as pessoas a bordo, muitas delas fãs declaradas, como nunca poderia fazer em terra. Ele participava de atividades diárias, jogava bingo, cantava e tocava piano no lounge do navio, se entrosava com todos, parava para tirar fotos com os membros da tripulação e dava autógrafos sempre que podia.

No dia 8 de novembro, Elvis deu uma segunda entrevista onde falou de seu estilo de roupas: "Sou muito simples, não pago mais de sete dólares por uma camisa nem mais de dez por sapatos." Sobre ser chamado de "Elvis the Pelvis", ele disse: "Acho bastante infantil, é como uma criança procurando uma rima para Elvis.". Ao ser perguntado sobre por quê ter ido de navio, o cantor respondeu: "Não gosto de aviões. Tenho muito medo deles. Na verdade, poderíamos estar no que desapareceu." (referindo-se a um voo da PAN AM que caíra no Pacífico na noite anterior e estava desaparecido). De fato, Elvis chegou a pensar que os Jordanaires estavam no avião mencionado e ficou aliviado quando o grupo chegou são e salvo a Honolulu em um voo comercial que saíra umas horas depois de Los Angeles.

Depois de 4 dias e meio de viagem em um percurso de 4 mil quilômetros, Elvis finalmente chegou ao Havaí às 10 horas da manhã do dia 9 de novembro. Seus fãs adolescentes esperavam no porto desde as 6h30 e faziam um coro de gritos de excitação e euforia, às vezes chegando à histeria. Com o navio já aportado, o Rei do Rock acenou para a multidão de quatro mil pessoas e tirou fotos com garotas vestidas de hula para efeito de marketing. Snookie Skoglund, que viera de Minneapolis, foi uma das sortudas que conseguiu entregar uma lei e beijar Elvis, ao que ele respondeu: "Querida, faz cinco dias que não vejo uma garota, é melhor você tomar cuidado." O cantor não sabia, mas Snookie tinha apenas 15 anos, o que poderia ter gerado um problema se a cena e a frase tivessem ocorrido em outro lugar.

Elvis posa com as hulas que o recepcionaram no Havaí; 9 de novembro de 1957

Elvis e seus amigos foram então levados de carro até o Hawaiian Village Hotel. Aquele era o prédio mais alto da praia de Waikiki à época e o décimo quarto e último andar foi todo reservado para o cantor. A segurança dos 18 acres do hotel, que tinham acesso livre por todos os lados, normalmente era feita por cinco homens, mas devido às circunstâncias, o contingente foi aumentado para 12. Portas, escadas e elevadores eram vigiados atentamente durante as 24 horas do dia para evitar que ninguém que não pertencesse ao grupo de Elvis ou à imprensa, quando os repórteres tinham passes, tivesse acesso ao local. Mesmo assim, algumas fãs conseguiram entrar em contato com o cantor através de brechas na segurança e puderam entregar leis em troca de beijos e abraços.

Quando o dia 10 de novembro amanheceu, Elvis começou a se preparar para as apresentações daquele dia. A venda de ingressos tinha sido aberta no dia 4 na bilheteria do Honolulu Stadium e na loja Thayer Piano Company, com preços variando de US$ 2,50 a US$ 3,50 dependendo do lugar comprado e também havia cotas a US$ 1,50 para pessoas que não se importassem de ficar de pé. De fato, ninguém viu problema em ficar mais para trás ou para a frente na plateia, de pé ou sentado, pois o estádio de 31 anos tinha arquibancadas em somente três lados e o palco foi montado na área livre, dando acesso visual ilimitado a todos.

Elvis com seus fãs havaianos; 10 de novembro de 1957

O tempo estava bastante instável naquele dia, com bastante vendo e chuvas esporádicas, mas nada que pudesse parar o show ou diminuir o entusiasmo dos quase 15 mil fãs que pagaram a soma de US$ 32 mil para ver Elvis. A plateia esperou pacientemente enquanto os atos de abertura eram feitos e explodiu em gritos histéricos quando os locutores anunciaram a entrada do Rei do Rock.

Elvis chegou de limusine ao palco, o que era costume quando a apresentação era em um local aberto. Com seu terno dourado, calça, camisa e sapatos pretos, ele remexeu o corpo por alguns segundos para testar o público. A resposta foi uma explosiva histeria em massa. Em sua matéria no Honolulu Star Bulletin do dia seguinte, o repórter Bob Kraus escreveria que "daí para a frente, o show foi similar a um tipo de cerimônia religiosa primitiva".

Elvis no palco do Honolulu Stadium; 10 de novembro de 1957

Ambos shows daquele dia, um à tarde e um á noite, seriam iguais em termos de qualidade, comprometimento de Elvis com a banda e a plateia e histeria dos fãs. O Rei do Rock balançaria, dançaria e remexeria de um lado para outro por cerca de 40 minutos, rendendo os grandes sucessos da época: "Heartbreak Hotel", "I Was the One", "I Got a Woman", "Blue Suede Shoes", "That's When Your Heartaches Begin", "Don't Be Cruel", "Jailhouse Rock", "Love Me", "Teddy Bear", "Love Me Tender" e "Hound Dog".

Embora Elvis tivesse a fama de ser "lascivo no palco", como muitos jornalistas conservadores o descreviam, a população e a imprensa havaiana não viu nada absurdo em suas apresentações. De fato, até mesmo Kraus confessou ter ficado "boquiaberto e em êxtase com a ótima rendição lenta e sexy de 'Hound Dog' que finalizou os dois shows." Elvis olhava para as garotas como se as desejasse intensamente enquanto recitava os versos da música e rebolava, resolvendo descer do palco e se ajoelhar na grama do estádio para terminar a rendição, finalizando a apresentação deitado ali mesmo.

Elvis na finalização de "Hound Dog"; 10 de novembro de 1957

Assim que a música parou e somente os gritos alucinados dos fãs ecoaram pelo estádio, Elvis se levantou, acenou para o público, entrou em sua limusine e saiu em disparada para o hotel. Após a apresentação da noite, o cantor deu mais uma entrevista no auditório do hotel e falou sobre sua experiência no Havaí, demonstrando grande satisfação.

Uma das únicas pessoas que estavam no local e não pertenciam ao grupo de Elvis ou à imprensa era Barbara Wong, de 17 anos, presidente de um dos fã-clubes havaianos, que confessou ao repórter Cobey Black que não dormia havia quatro dias apenas para acompanhar o ídolo em todos os seus passos. "De fato", escreveu Black, "os olhos dela estavam vidrados como os de quem não dorme há muito tempo." Ao ser perguntada sobre o que via em Elvis, a resposta foi óbvia: "A aparência dele, sua voz, o sotaque sulista. Ele é um homem e tanto!"

Quando o Rei do Rock adentrou o auditório, Barbara voou de sua cadeira direto para o pescoço de Elvis, que, após abraçá-la por alguns segundos, teve de usar de força moderada para se desvencilhar da garota e levá-la de volta até seu lugar na plateia. A primeira pergunta, ainda antes de as mesmas serem liberadas, veio dela: "Você recebeu minhas cartas e meu ursinho?". Desconcertado, Elvis respondeu "recebi, sim, querida" e trocou de assunto rapidamente. Antes do fim da entrevista, ela ainda leria com voz chorosa um artigo que contava como o cantor supostamente levava fãs para a cama e se esgueiraria entre os repórteres para entregar um colar a ele. Parecendo irritado, Parker encerrou a coletiva após mais essa interrupção.

Elvis, Barbara Wong (E) e uma fã; 10 de novembro de 1957

Elvis e sua trupe retornaram ao hotel e trataram de descansar antes das obrigações do dia seguinte. Por ser Dia dos Veteranos, o Coronel arranjara uma apresentação improvisada para os militares estacionados em Schofield Barracks, uma área do exército ao norte de Pearl Harbor, na região norte de Oahu. Apesar de ser idealizado para os soldados e suas famílias, o show também pode ser visto por civis, uma vez que o ingresso custava apenas US$ 1,00. O local da apresentação tinha capacidade para 10 mil pessoas e ficou abarrotado.

Elvis nunca havia se apresentado para 10 mil pessoas de uma única vez (os shows do dia anterior reuniram quase 15 mil pessoas somando o público de ambos, cerca de 7500 em cada apresentação). Todas as músicas ouvidas no Honolulu Stadium foram rendidas na ocasião, umas de forma rápida e resumida, e outras em sua totalidade.

Aquela era a maneira perfeita de terminar os shows da década de 1950, uma vez que este seria seu último compromisso nos palcos dali até 1961, e de iniciar seus dias no exército, dado que ele deveria se apresentar para o serviço em algum ponto do início de 1958.

Elvis em Schofield Barracks; 11 de novembro de 1957

De volta a Honolulu ainda na noite do dia 11, o Rei do Rock foi para seu quarto de hotel e teve o dia seguinte livre. Apesar disso, ele tinha receio de ir à praia e preferia ficar nas dependências do Village, sempre bombardeado pelos gritos em coro das fãs pedindo que ele ao menos saísse na janela do seu quarto. Quatorze andares abaixo, um grupo de garotas, que, claro, incluíam Barbara Wong, pernoitava desde o dia 9. Para a alegria de todas, Elvis resolveu jogar discos, fotos, duas gravatas, uma toalha de banho e um lenço para elas. Como havia poucos itens para tantas fãs, elas decidiram dividir as peças em tamanhos iguais para que todas ganhassem algo.

Mais tarde no mesmo dia, Elvis quis visitar a praia e Gordon Stoker, dos Jordanaires, o encorajou a ir com ele e os outros membros do grupo. De início haviam apenas pessoas mais velhas na areia, mas elas logo começaram a reconhecê-lo e a pedir fotos e autógrafos. Antes que a situação saísse do controle, o cantor decidiu voltar para o quarto e passar a noite a portas fechadas.

Elvis com uma fã na praia de Waikiki; 12 de novembro de 1957

No dia seguinte, Elvis estava de malas prontas para voltar ao continente. Nenhuma segurança extra foi solicitada para seu trajeto até o porto, uma vez que Parker dizia confiar na hospitalidade havaiana e, além disso, as escolas estariam funcionando normalmente até as 3 da tarde, impedindo que adolescentes pudessem causar algum caos. Mas, claro, havia uma fã que decidira não ir à escola naquele dia e conseguira convencer centenas de amigos a não fazê-lo também. Quando Elvis chegou ao porto, havia uma multidão de cinco mil pessoas que foram até o local vê-lo partir - incluindo a senhorita Wong.

Elvis teve de enfrentar a multidão, distribuir beijos e abraços, evitar que as fãs o tocassem de forma imprópria e receber leis delas. Alguns sortudos até mesmo puderam subir a bordo e socializar com ele até meia hora antes da partida. O cantor zarpou às 4 da tarde a bordo do USS Lurline em direção a Los Angeles. Enquanto o navio se movia para longe do porto, ele fez questão de acenar e jogar beijos para os fãs.

A bordo do USS Lurline, Elvis acena para os fãs; 13 de novembro de 1957

Elvis chegou a Los Angeles em 18 de novembro de 1957 e se dirigiu para Las Vegas, onde ficou um breve período antes de voltar a Memphis. Em 20 de dezembro, ele receberia a nota do exército que pedia sua apresentação para o serviço em 24 de março de 1958.

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Tradução: Elvis Presley Index | http://www.elvispresleyindex.com.br
>> a re-disponibilização desta tradução só é permitida se mantidos os créditos e sem edições.<<
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LEITURA COMPLEMENTAR:

- Elvis no Havaí - Parte 2: 25 de Março de 1961 (clique aqui)
- Elvis no Havaí - Parte 3: 17 e 18 de Novembro de 1972 (Aloha From Hawaii Original) (clique aqui)
Elvis no Havaí - Parte 4: 12 e 14 de janeiro de 1973 (Aloha From Hawaii via Satellite [Single/LP - RCA, 1973]) [CD - Sony Legacy, 2013] (clique aqui)
Elvis no Havaí - Parte 5: Visitando as Ilhas (clique aqui)

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