Elvis Presley Index: Made in Memphis (CD - FTD, 2006)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Made in Memphis (CD - FTD, 2006)

Título:
Made in Memphis
Selo:
FTD [FTD 052] [82876 76965 2]
Formato:
CD
Número de faixas:
20
Duração:
72:00
Tipo de álbum:
Disco comum
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2006
Gravação:
14 de janeiro de 1969 a 6 de fevereiro de 1976
Lançamento:
Abril de 2006
Singles:
---


Made in Memphis foi o quinquagésimo segundo CD da FTD. Ele cobre uma gama de takes obtidos em estúdio de 1969 a 1976, bem como algumas raridades caseiras de 1973 somente lançadas anteriormente em bootlegs. O trabalho encontra-se atualmente fora de catálogo.


Assim como "Southern Nights" e, voltando para os anos iniciais da FTD, "Silver Screen Stereo", este é outro em uma série extensa de escavações da biblioteca aparentemente inesgotável de tomadas alternativas, não utilizadas e inacabadas de Elvis a ser emitida pela gravadora. E para nossa alegria, como acontece com muitas das tomadas não utilizadas, porque não sofreram overdubs ou perda de qualidade, temos um som muito mais próximo do que na maioria das gravações oficialmente lançadas de Elvis, mesmo nas edições devidamente remasterizadas; em algumas faixas sentimos estar tão perto do microfone que podemos ouvir cada respiração e até mesmo o sussurro das menores nuances em sua performance. Na verdade, quase perto demais em termos de detecção de falhas que são muito evidentes - mas o carisma vocal do Rei do Rock é sempre mais notável em tomadas falhas do que seria em leituras mais polidas e bem-sucedidas; o efeito é quase viciante para o ouvinte.

As tomadas aqui vão desde as sessões clássicas de Chips Moman produzidas no American Sound Studios em 1969 até sessões realizadas na Jungle Room de Graceland em 1976, passando pelos clássico Stax Studio e uma íntima sessão na casa de Sam Thompson, pai de Linda Thompson, em novembro de 1973. Como percebe-se, o título desse lançamento advém do lugar em comum de todas essas gravações: A bela Memphis.

Exceto pelas contagens e conversas iniciais, e algumas finalizações sem edição, muito deste material está perto de ser lançado como Master no sentido convencional - até mesmo fãs casuais podem ser atraídos pela presença de tomadas alternativas de "In the Ghetto" ou "Moody Blue". Mas seja uma tomada inacabada dos tempos de Moman ou uma "Three Corn Patches" quase perfeita de 1973, tudo é justificado neste lançamento. Na verdade, de muitas maneiras, as faixas deste e de outros semelhantes podem realmente converter quem não é fã pela energia bruta e sedutora. Além disso, Elvis era um cantor melhor em muitos aspectos no início dos anos 1970 do que em meados dos anos 1950, e estava trabalhando com alguns dos melhores músicos do ramo, o que aparece aqui tanto quanto (ou até mais) do que nas gravações finalizadas.

Abaixo segue nossa resenha deste trabalho.
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- 1. In the Ghetto (Take 13) [21/01/69]: Nunca poderia haver uma versão ruim desta música tão importante, uma das muitas capturadas no American Sound Studio. Embora o take 11 sempre tenha sido um favorito  do CD "Memphis Sessions" de 2001, este também é delicioso. O tempo é um pouco mais rápido, mas tem um fade out mais curto. Elvis também leva as letras em um ritmo mais rápido às vezes. O órgão é mais proeminente no mix em algumas partes, o que é bem vindo.

- 2. You'll Think of Me (Take 8) [14/01/69]: Uma música atípica no repertório de Elvis, mas que cresce no conceito de clássico constantemente. Embora o mix apresentado nos takes 14 e 16 no "Memphis Sessions" seja mais interessante, esta ainda é uma boa adição. Esta versão estava anteriormente no bootleg "Finding the Way Home", mas em mono, e esta mixagem estéreo é gloriosa.

- 3. Do You Know Who I Am (Take 4) [19/02/69]: Esse é um bônus com dois false starts. Logo após a primeira tentativa, Elvis comenta: "É, está muito lento agora, eu acho." Outra música de partir o coração em que o eco e os overdubs do Master original não favorecem o vocal emocional de Elvis. IO andamento é muito mais lento do que a versão vendida à época e, surpreendentemente, tem um arranjo ainda mais simples. Também há um final fascinante em que Elvis começa a cantar a linha como baixo. O cantor comenta corretamente: "Você vai salvar a última tomada, não é?" Uma adição importante à sua coleção e melhor do que o Master.

- 4. If You Don Don't Come Back (Take 5) [21/07/73]: Passando para as gravações no STAX em 1973, esta faixa foi um dos poucos sucessos da sessão inicial de julho. Elvis está obviamente lento, mas isso na verdade dá à música uma sensação bastante interessante e descontraída. Aqui, a música é impulsionada pelos backing vocals. Há um ótimo final com James Burton trabalhando um wah-wah em sua guitarra, com Elvis cantarolando junto. Interessante, senão essencial.

- 5. Three Corn Patches (Takes 5 & 6) [21/07/73]: Com esta melodia muito discreta de Leiber / Stoller, Elvis parece, com razão, desinteressado e indiferente. No entanto, este andamento mais lento e o arranjo instrumental e de backing vocals diferente na verdade se adequam melhor à música do que no Master. O piano é mais proeminente na mistura e isso tem a sensação de um arranjo ao vivo, desleixado, de fim de noite na Beale Street. Não de qualquer maneira, mas se fosse genuinamente Elvis ao vivo na Beale Street em 1973, então seria outra coisa!

- 6. Find Out What's Happening (Take 7) [22/07/73]: Outra música de julho de 1973. Elvis anuncia no início que este é o "7 da sorte", mas ainda parece um pouco desconectado. O andamento é um pouco mais rápido do que no Master e mais uma vez os backing vocals conduzem a música. Elvis obviamente começa a desfrutar da viagem ao ouvir as respostas deles. Temos como um bônus a oportunidade de ouvir o final genuíno do take em vez de um fade out e Elvis comenta: "Boa, garotas, seja lá o que quer que estejam fazendo."

- 7. It's Midnight (Take 11) [10/12/73]: Das excelentes sessões no STAX de dezembro, é ótimo ter outra versão deste clássico. Enquanto os overdubs originais combinavam com os ares setentistas, a música é muito melhor sem eles. No take 10 presente no box "Platinum", os backing vocals foram mixados mais agudos e algum eco foi adicionado. Aqui, sem aquele eco, a pungência e a pureza dos sentimentos de Elvis transparecem. A clareza da gravação revela até mesmo o zumbido do equipamento de gravação do STAX! Os backing vocals escorregam no final - este nunca poderia ser o Master.

- 8. Thinking About You (Take 3) [12/12/73]: Elvis inicialmente ri e pratica as letras em dois false starts. "Vamos acertar o andamento", diz. O take 4 em "Rhythm & Country" teve um leve eco adicionado, mas esta é uma combinação bonita e limpa. Elvis canta junto com alguns deliciosos trabalhos de guitarra de James Burton e, com um vocal perfeitamente proeminente, este é um destaque genuíno. Uma versão estendida, mais uma vez obtemos a música inteira sem o fade out.

- 9. You Asked Me to (Takes 1 & 2a) [11/12/73]: É muito divertido escutar Elvis provocando Charlie Hodge: "Não consigo ouvir o Charlie direito, mas provavelmente é para melhor." Felton pergunta: "Você quer mais volume?". "Inferno, claro que não!", responde rindo. Há outro false start enquanto David Briggs acrescenta uma linha de 'Son of a Preacher Man' de Dusty Springfield. Há verdadeiro humor no estúdio e tudo ajuda a elucidar os sentimentos positivos de Elvis no final de 1973. Isso leva a uma primeira execução bastante áspera e pronta da música com um arranjo muito diferente. James Burton ainda não adicionou sua parte de guitarra, embora também inclua os backing vocals que seriam retirados do take 2. O solo de James Burton é muito diferente e Elvis parece estar mais envolvido no final da música.

- 10. Solitaire (Take 7) [03/02/76]: Passando para as sessões na Jungle Room de Graceland em 1976, essa faixa não é das melhores, mas comparada ao Master soterrado de overdubs por Felton Jarvisé muito boa. Com um arranjo de bateria e guitarra mais leve, esta versão tem um mix mais esparso, tornando-a ainda mais íntima. O andamento também é mais lento. Claramente não se encontrando com o feeling da composição, Elvis dispara: "Vou matar Neil Sedaka quando o vir."

- 11. She Thinks I Still Care (Takes 3 & 4) [02/02/76]: Depois de um belo começo, quase a cappela, Elvis diz: "Ei, rapazes, não parem de me incentivar." Sem a introdução vocal do take 2, presente em "The Jungle Room Sessions", a música transcorre em um ritmo lento e mais descontraído. Os vocais de Elvis soavam "mais fortes" no 2, mas aqui o arranjo de guitarra mudou para uma sensação de dedilhado em comparação com a anterior. Ele soa ainda mais sincero cantando sobre seu coração partido e esta versão dura um minuto a mais do que o take 2. Novamente, com um arranjo de bateria mais leve, há uma sensação mais de versão acústica.

- 12. Moody Blue (Take 6) [04/02/76]: A chave para todos esses outtakes é a sensação fabulosa que você pode ter de realmente estar em Graceland com a banda, que desaparece assim que os overdubs de Felton são adicionados. Claro que isso não é tão divertido quanto escutar a "versão italiana" de "The Jungle Room Sessions", mas ainda assim uma adição interessante e melhor do que o Master. O vocal de Elvis soa muito mais seguro do que nas versões anteriores, mesmo que sua concentração se desvie no início. Essa versão dura quatro minutos, enquanto o Master tinha apenas 2:45.

- 13. Bitter They Are, Harder They Fall (Take 1) [02/02/76]: É ótimo ter acesso ao primeiro take desta música. Para uma primeira tomada, é surpreendentemente semelhante em som e arranjo ao Master, mas o vocal de Elvis é um pouco mais alto aqui. O adorável final com a colcheia em sua última nota é excepcional.

- 14. Love Coming Down (Take 4) [06/02/76]: Bastante semelhante ao take 3, no entanto, apresenta uma mistura mais rica e um arranjo de piano mais complicado. O vocal de Elvis está mais seguro aqui e é uma ótima tomada.

- 15. For The Heart (Take 5a) [05/02/76]: Esta é uma versão lenta e descontraída. O mix é muito diferente das versões mais conhecidas, com mais guitarra acústica e menos da elétrica. Há uma boa interação entre Elvis e J.D Sumner e isso parece empurrar o cantor para uma versão mais longa e para um delicioso fade out no final.

- 16. Baby What You Want Me to Do [Casa de Sam Thompson, 11/1973]: As cinco últimas músicas do CD encontram Elvis na casa dos pais de Linda Thompson em algum lugar entre os dias 3 e 4 de novembro de 1973, um ano que havia sido muito turbulento na vida do cantor. O divórcio com Priscilla fora finalizado em 9 de outubro, e apenas 6 dias depois Elvis foi internado no Hospital Batista de Memphis em estado de semi-coma. Linda estava presente como sua companheira em tempo integral durante a estada de mais de 2 semanas. Elvis precisava de se recuperar e voltar à sua melhor forma. Neste contexto descontraído, esta versão de uma das músicas que o cantor mais gostava desde 1968 é perfeita.

-17 . I'm So Lonesome I Could Cry [Casa de Sam Thompson, 11/1973]: Outra preferida de Elvis, é ouvida aqui em uma versão legitimamente country, bastante diferente da rendição orquestrada que nos acostumamos a ouvir no "Aloha". O cantor ainda insere as estrofes deixadas de lado na versão do especial de 1973, além de um solo de violão muito interessante.

- 18. Spanish Eyes [Casa de Sam Thompson, 11/1973]:  Uma versão da música que seria gravada em estúdio um mês depois e que se tornaria parte do repertório ao vivo em 1974, após seu lançamento como uma das faixas do disco "Good Times", é interpretada de maneira bem estilizada e Elvis ainda dá um bis cantarolando algumas linhas.

- 19. See See Rider [Casa de Sam Thompson, 11/1973]: Elvis toca uma versão "cajun" da música que abria seus concertos desde 1972. 

- 20. That's All Right / Ode to a Robin [Casa de Sam Thompson, 11/1973]: Existem algumas diferenças em relação ao lançamento desta faixa em "Elvis By The Presleys". Houve ainda mais melhorias de som para eliminar alguns chiados da fita, embora a distorção permaneça lá, e o pequeno erro de velocidade foi corrigido. É uma pena que os duetos de Elvis e Linda ("Your Life Has Just Begun" e "Teardrops") tenham sido deixados de fora, mas a FTD foi corajosa o suficiente para incluir o "poema" "Ode to a Robin", escrito por Elvis:

Quando acordei esta manhã
Quando todas as coisas doces nascem
Um pisco se empoleirou no peitoril da minha janela
Para receber a manhã que chegava
Ele cantou uma canção muito bonita
E pausou para um momento de calmaria
Eu gentilmente abri a janela
E esmaguei a porra da cabeça dele
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