Elvis Presley Index: Writing For the King (CD + Livro - FTD, 2006)

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Writing For the King (CD + Livro - FTD, 2006)

Título:
Writing For the King
Selo:
FTD [FTD 059] [88697 02027 2]
Formato:
CD duplo + livro
Número de faixas:
49
Duração:
137:00
Tipo de álbum:
Concerto / comum
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2006
Gravação:
24/08/69 MS a 14/02/72 MS
Lançamento:
Novembro de 2006
Singles:
---


Writing For the King foi o quinquagésimo nono CD da FTD. O maior projeto da gravadora até então traz faixas gravadas ao vivo entre 1969 e 1972, além de 26 demos de músicas que Elvis gravaria e que se tornariam sucessos em sua voz. O CD duplo é o acompanhamento para um livro sobre como diversos compositores contribuíram para o sucesso de Elvis. O trabalho encontra-se atualmente fora de catálogo.

Há tantos livros de Elvis lançados todos os anos, desde biografias banais, livros de fotos, até investigações de conspirações, mas nada tão detalhado quanto isso. Com 142 entrevistas e 400 páginas, "Writing For the King" é uma fascinante exploração textual da música de Elvis e seus compositores. Por incrível que pareça, o Rei do Rock nunca escreveu nenhuma de suas canções por completo, mas foi o maior intérprete do mundo e inovou com composições de outros. Elvis pôde pegar o doce estilo swing de Dave Bartholomew/Smiley Lewis em "One Night" e transformá-lo em seu blues avassalador número um cheio de insinuações sexuais, por exemplo. Então, um verdadeiro fascínio para qualquer pessoa interessada na herança musical de Elvis é, exatamente de onde vieram essas músicas clássicas? Como o cantor transformou "Burning Love" de Dennis Linde/Arthur Alexander em sua música por excelência?

Embora este livro seja definitivamente escrito para os fãs de Elvis que gostam de mergulhar e investigar sua música e criatividade em vez dos viciados em macacões, há tantas citações fascinantes e histórias paralelas que você mais de uma semana para realmente explorar seu conteúdo.

Os dois primeiros capítulos dedicados aos escritores de "Heartbreak Hotel", Mae Boren Axton e Tommy Durden, juntamente com a demo original, são uma maneira fabulosa de iniciar esta exploração em profundidade. Escolha uma das suas músicas favoritas de Elvis, seja "Anything That's Part of You", "It's Midnight" ou mesmo "A Dog's Life" e você poderá ler sobre sua criação enquanto ouve ao mesmo tempo. Você também descobrirá que os compositores dessas três músicas muito diferentes, Don Robertson, Jerry Chesnut e Ben Weisman, conheceram Elvis - e você poderá ler sobre seus sentimentos em relação ao nosso herói. Então, comparado a um livro de fotos que pode levar apenas algumas horas para ler, este é um para se debruçar e revisitar.

E enquanto o livro fornece uma abundância de material de leitura, há muitas fotos interessantes dos compositores, bem como memorabilia, como folhas de letras escritas à mão e imagens de Elvis, quando apropriado. O autor Ken Sharp, compositor e cantor, conseguiu ganhar a confiança dos seus entrevistados e há muitas histórias para fazer rir e emocionar. Há uma abundância de insights sobre todos os lados da composição do material de Elvis, o que nos faz perceber que sempre há algo novo para descobrir.

É fascinante aprender, e até mesmo ver, como o roteiro indicava aos compositores o que fornecer para as trilhas sonoras dos filmes. Há um trecho original do roteiro de "Blue Hawaii" indicando (para Don Robertson) como eles gostariam que uma música fosse inserida na ação. Descobrimos que às vezes os membros da TCB Band tocavam em suas demos. Também é surpreendente saber quantos compositores conheceram ou tiveram contato com Elvis, especialmente considerando que o Coronel gostava de tentar mantê-los separados. Ben Wiseman, por exemplo, tem uma ótima história sobre sentar e tocar piano com ele no estúdio antes de o cantor descobrir que era o escritor de  "Got a Lot O' Livin' to Do".

Quase todos os compositores têm boas histórias para contar, incluindo os famosos como Phil Spector (ele apresentou Priscilla a Mike Stone), Otis Blackwell, Mark James, Leiber & Stoller. Mac Davis ("In The Ghetto", etc) conta algumas histórias maravilhosas. Aprendemos que ele escreveu "A Little Less Conversation" com Aretha Franklin em mente e há uma linda descrição dele visitando a casa de Elvis e tocando para ele "Don't Cry Daddy" pela primeira vez. Depois, há a grande dupla Doc Pomus/Mort Shuman. Mort Shuman escreveu algumas das melhores músicas de Elvis e ele tem grandes histórias para contar sobre "Little Sister" e "A Mess of Blues". No entanto, para dar a você o escopo do livro, ele também escreveu a nauseante "Double Trouble" e sua honestidade sobre a escrita daquele peso morto em meados dos anos sessenta é de abrir os olhos.

Outros compositores são igualmente honestos sobre algumas de suas contribuições. Lenore Rosenblatt fala sobre sua música "Startin' Tonight" (de "Girl Happy"). considerando-a "uma porcaria". Estes, claro, são equilibrados pelas histórias das canções clássicas de Elvis com contribuições fascinantes de pessoas como Red West, histórias fabulosas de Jerry Reed ("Guitar Man", etc) e, claro, Dennis Linde. Dolores Fuller ("Rock-a-Hula Baby"), outra compositora que passou algum tempo com Elvis, conta algumas histórias maravilhosas sobre encontra-lo em um elevador, e depois lamentar ter recusado jantar em sua casa porque seu namorado se opôs, e também sobre o preconceito do Coronel contra as mulheres.

À medida que você vira as páginas e toca as músicas, há novos petiscos maravilhosos para descobrir ao longo do caminho. Você pode aprender como Elvis deu ao cantor Sherrill Neilsen um transplante de cabelo no meio da sessão de gravação, ótimas histórias de Phil Spector e, nas recordações, confira a folha de letra original escrita à mão para "If I Can Dream", onde Elvis escreveu "MEU GAROTO, MEU GAROTO - ESTA PODERIA SER A TAL! - E" - e como ele estava certo.


Mesmo Fred Burch, que escreveu A horrível "Yoga is as Yoga Does", tem uma boa história sobre conhecer Elvis e encontrar sua geladeira de hambúrgueres Krystal. No final, há duas entrevistas fascinantes com os músicos Freddy Bienstock, bem como com o amigo de Elvis, Lamar Fike. A única grande objeção para com o livro é que não há índice de músicas para uma referência rápida, e os compositores são colocados em ordem cronológica. Uma pequena decepção é que alguns deles também têm surpreendentemente pouco a dizer. Mitch Leigh, que escreveu "The Impossible Dream", não tinha ideia de que Elvis havia gravado sua música, por exemplo.

Abaixo segue nossa resenha deste CD espetacular.
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CD 1: AS VERSÕES DE ELVIS

- 1. Blue Suede Shoes [24/08/69 MS]: Começando com um de seus primeiros sucessos pela RCA, esta versão tem uma introdução mais longa do que o normal. Também nota-se que a plateia está um pouco ausente no mix, mas todo o resto - bem como a voz e performance de Elvis - estão perfeitos.

- 2.  I Got a Woman [24/08/69 MS]: Elvis inicia sua rotina do "well, well, well..." com bastante humor e "reclamando" de suas pernas que não param de se mexer. Elvis soa muito bem e estas versões dos primeiros shows realmente são marcantes, criando um enorme contraste com as que viriam em meados dos anos 1970.

- 3. All Shook Up [24/08/69 MS]: "Lá vamos nós de novo, cara. Hmm, well... É isso, vai daqui para lugar nenhum" O primeiro comentário do show faz uma alusão à insignificância dos "well" colocados no início de praticamente todas os rocks dos anos 1950 e 1960. A versão é, no entanto, magnífica.

- 4. Love Me Tender [24/08/69 MS]: "Muito obrigado. Boa noite, senhoras e senhores. Bem vindos ao esquisito International Hotel, com essas bonecas estranhas nas paredes e os anjos esquisitos no teto." Depois de mais observações sobre estar "aparecendo ao vivo" e ter aparecido "ao morto" antes, sobre o motivo de tomar tanta "wawa" e a cor do Gatorade, Elvis anuncia que renderá uma das primeiras músicas que gravou, "por volta de 1927". A rendição é a padrão, com Elvis distribuindo beijos e lenços para a plateia enquanto canta.

- 5. Jailhouse Rock / Don't Be Cruel [24/08/69 MS]: "Gostaria de fazer um medley dos meus maiores discos... Na verdade eles são do tamanho dos outros, mas soa impressionante." Há um corte aqui, onde a FTD retira grande parte do monólogo de 8 minutos sobre a história de Elvis sob seu ponto de vista. Como sabemos, mais tarde os shows do Rei do Rock trariam rendições supérfluas e cansativas do medley "Teddy Bear / Don't Be Cruel", o que poderia muito bem não ter acontecido se essa ótima versão não tivesse sido descartada após poucas apresentações e tivesse sido usada como estepe aqui e ali.

- 6. Heartbreak Hotel [24/08/69 MS]: A canção é rendida como um blues bastante pungente, quase como fora gravada em 1956. É um Elvis em seu primor.

- 7. Hound Dog [24/08/69 MS]: Elvis faz seu monólogo sobre ter namorado uma garota com um olho quadrado e bastante desligada antes de entrar na rendição da música com uma nota excepcional. O rock do final dos anos 1960 se faz bastante presente nessa primeira versão ao vivo, bem como a guitarra e o solo de James Burton.

- 8. Words [25/08/69 DS]: Rara nas apresentações, sendo esta a segunda de apenas cinco rendições ao vivo, é cantada de forma bem intimista. É a fonte da gravação que prioriza a voz de Elvis, o que proporciona esse efeito. No relançamento do show completo em 2019, a Sony consertou o mix.

- 9. Yesterday / Hey Jude [25/08/69 MS]: Um corte brusco leva direto à rendição dos clássicos dos Beatles. Apesar do que muitos tentam fazer acreditar, essas versões provam que não havia ressentimentos quanto ao quarteto de Liverpool. De fato, "Something", "Get Back" e "Lady Madonna" fariam parte de muitas apresentações de Elvis até o fim de sua carreira. O cantor aproveita o trecho longo de "Hey Jude" para atender suas fãs histéricas nesta que seria uma das últimas vezes que o medley apareceria.

- 10. In the Ghetto [25/08/69 MS]: Um clássico sucesso de vendas em 1969, é rendido aqui em um ritmo um pouco diferente do que nos acostumaríamos no ano seguinte. Em comparação simples, é como ouvir o take 1 ao invés do Master, dois dos mais geniais obtidos em estúdio.

- 11. Don't Cry Daddy [16/02/70 DS]: Embora ainda em evolução, sendo esta apenas a quinta rendição ao vivo, aqui já ouvimos um clássico de 1970 que infelizmente esteve presente somente em 25 shows daquele ano.

- 12. Polk Salad Annie [16/02/70 DS]: Também aparecendo apenas pela quinta vez ao vivo, ainda é um protótipo do que ouviríamos no "That's the Way it is", mas a versão é excelente.

- 13. Kentucky Rain [17/02/70 DS]: "O que eu ia... Ah! Tenho uma nova gravação! É mais ou menos assim..." Quinta rendição da música nas apresentações, tem um andamento bastante parecido com o do single de estúdio. A plateia ouve muda e aplaude efusivamente no final.

- 14. Walk a Mile in My Shoes [16/02/70 DS]: A FTD corta aqui o diálogo sobre "estes homens com o coração partido" e nos joga diretamente na música. É a quarta vez que Elvis canta essa música e ele ainda se mostra apreensivo, rindo nas partes que quase erra.

- 15. Something [11/08/70 DS]: "Uma canção dos Beatles, senhoras e senhores." A versão, apenas a segunda vez ao vivo, é bem parecida com a original do grupo britânico em andamento mas difere em arranjo. Mais tarde o andamento seria levemente acelerado.

- 16. You've Lost That Lovin' Feelin' [11/08/70 DS]: Outra que aparece pela segunda vez apenas, é a que Elvis precisa reiniciar devido a problemas com microfonia. A versão que se segue é excelente e é uma verdadeira pena que ela não tenha ido para o "That's the Way it is".

- 17. I Just Can't Help Believin' [13/08/70 DS]: Elvis continua a entregar rendições de extrema qualidade. Aqui a fonte usada ajuda ainda mais na ambientação da música, tendo um mix quase perfeito. Aparte de umas risadinhas incidentais, este bem poderia ser um Master para uma compilação ao vivo.

- 18. Never Been to Spain [14/02/72 MS]:  O que acontece aqui é exatamente o que exemplificamos acima. Este seria o Master da música para a compilação ao vivo que se chamaria "Standing Room Only", a qual nunca foi lançada para não ofuscar o vindouro LP com o show completo de 10/06/72 ES no Madison Square Garden em Nova York. Elvis está um pouco rouco e brinca com Charlie no início, mas tudo isso colabora ainda mais para maravilhar nossos ouvidos.

- 19. Love Me [14/02/72 MS]: Mais uma que seria lançada em "Standing Room Only", é a versão padrão para atender fãs. É bastante notável quer a voz de Elvis se assemelha à sua interpretação cansada dos anos finais de sua carreira.

- 20. Teddy Bear / Don't Be Cruel [14/02/72 MS]: "Ás pessoas que beijei, quero dizer que estou gripado. Se eu peguei, vocês também." Mais uma que estaria presente em "Standing Room Only". Novamente soando cansado, Elvis faz a rendição padrão enquanto tenta acalmar um pouco da histeria das fãs.

- 21. A Big Hunk O' Love [14/02/72 MS]: É mais tarde na noite e Elvis parece ter recuperado sua voz. Esta rendição, mais uma que iria para o disco abandonado citado acima, é bastante parecida com a que Elvis faria para "Elvis On Tour" - a qual também acabaria sendo descartada.

- 22. Suspicious Minds [24/08/69 MS]: "Esta é uma nova gravação, deve chegar às lojas amanhã. É uma nova gravação, se chama 'Suspicious Minds'." Com pouco mais de seis minutos, uma raridade em uma época em que as rendições da música se estendiam por pelo menos sete minutos, é uma das melhores de 1969. Elvis parece gostar bastante da canção e soa como se estivesse dando tudo de si. 

 -23. Cant Help Falling in Love [24/08/69 MS]: "Vocês são uma plateia realmente fantástica. Quero cantar essa música especialmente para vocês." É o fim do show e já sabemos o que significa: Elvis cantará enquanto distribui lenços e beijos para as últimas sortudas da noite.
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CD 2: OS DEMOS

Por não se tratarem de músicas cantadas por Elvis e sim pelos artistas originais ou compositores, não faremos resenha detalhada de cada faixa. No segundo CD constam as faixas:

- 1. Heartbreak Hotel (Glenn Reeves)
- 2. Teddy Bear (Otis Blackwell)
- 3. Don't Ask Me Why (Jimmy Breedlove)
- 4. Hard Headed Woman (Jimmy Breedlove)
- 5. Trouble (Unknown)
- 6. Wear My Ring Around Your Neck (Gus Colleti)
- 7. Pocketful of Rainbows (Jimmy Breedlove)
- 8. No More (Don Robertson)
- 9. His Latest Flame (Mort Shuman)
- 10. Good Luck Charm (Robert Moseley)
- 11. Devil in Disguise (Bill Giant)
- 12. Viva Las Vegas (Mort Shuman)
- 13. C'Mon Everybody (Bob Johnston)
- 14. Kissin' Cousins (Malcolm Dodd)
- 15. My Desert Serenade (Kenny Karen)
- 16. Could I Fall in Love (Malcolm Dodd)
- 17. The Love Machine (Gerald Nelson)
- 18. Clambake [Alternate song] (Winfield Scott)
- 19. Wearin' That Loved On Look (Dallas Frazier)
- 20. I've lost You (Peter Lee Sterling)
- 21. The Next Step is Love (Paul Evans)
- 22. Mary In The Morning (Johnny Cymbal)
- 23. Burning Love (Dennis Linde)
- 24. T.R.O.U.B.L.E (Jerry Chestnut)
- 25. Raised On Rock (Mark James)
- 26. Way Down (Layng Martine Jr.)
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