Elvis Presley Index: Raised On Rock (CD/LP - FTD, 2007/2021)

TRANSLATE THIS SITE / TRADUCIR ESTE SÍTIO

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Raised On Rock (CD/LP - FTD, 2007/2021)

Título:
Raised On Rock
Selo:
FTD [FTD 064] [88697 12843 2]
Formato:
CD duplo
Número de faixas:
44
Duração:
147:00
Tipo de álbum:
Comum
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2007
Gravação:
21 de julho a 24 de setembro de 1973
Lançamento:
Julho de 2007
Singles:
---


Raised On Rock foi o 87º LP de Elvis e o 64º CD da FTD. Ele contém faixas gravadas entre 20 de julho e 24 de setembro de 1973 nas famosas sessões no Stax Studio de Memphis e na casa de Elvis em Palm Springs.

O ano de 1973 seria o de maiores mudanças na vida de Elvis. Se por um lado o "Aloha from Hawaii" e seu LP duplo tinham sido grandes sucessos, por outro o cantor já não tinha tanta vontade de entrar em um estúdio e gravar as faixas que lhe eram enviadas sempre por uma turma limitada da agência de publicação associada a Parker, a Hill & Range. Sem inspiração, o Rei do Rock preferira ficar nos palcos e não se envolver em sessões de estúdio desde março de 1972, o que, àquela altura, mais de um ano depois, já causava uma correria aos cofres da RCA para suprir a demanda de novas gravações exigidas pelos fãs.

Após o lançamento do LP "Aloha from Hawaii" a gravadora se viu em um dilema ainda maior do que o vivido em 1972, quando teve de recorrer a discos de budget com gravações ao vivo de fevereiro e de estúdio em março daquele ano, bem como sobras de sessões de 1971 e singles de sucesso no passado para manter o orçamento. Com os problemas em seu casamento e a recusa de Elvis em entrar em estúdio para gravar, a RCA agora só tinha como saída reunir sobras de sobras e lançá-las em um disco intitulado simplesmente "ELVIS", cuja recepção era algo obscuro para a gravadora mas acabou surpreendendo com mais de um milhão de cópias vendidas.

Em junho de 1973, Parker, que visava o lucro acima de tudo e não estava nada contente com o desânimo de Elvis, arranjou uma reunião com a RCA e vendeu todos os direitos das músicas pré-1973 por um valor muito abaixo do mercado e sem o aval do cantor.  Por insistência do Coronel e da RCA, Elvis ainda foi obrigado a gravar pelo menos dez músicas novas para um disco de inéditas, mas somente aceitou após ficar sabendo da falcatrua de Parker e perceber que não teria fundos suficientes para cobrir as despesas da oficialização de seu divórcio em outubro daquele ano.

Como o Rei do Rock não queria ir até o Studio B em Nashville, alternativas foram buscadas em Memphis. O Sun Studio, procurado primeiro, era pequeno para acomodar Elvis e sua banda; o American Sound era grande, mas já havia fechado suas portas. Sobrava o Stax Studio, que já fora famoso por suas gravações com nomes como Otis Redding, mas que no momento estava em plena decadência e a menos de dois anos de declarar falência.

Com as sessões programadas para começarem em 20 de julho, a tensão se voltava para a questão de que ninguém sabia o que Elvis iria fazer. De fato, ele não foi ao estúdio no primeiro dia e, na madrugada do dia 25, seu microfone sumiria do estúdio e faria o cantor ter um acesso de raiva que o levaria a abandonar as sessões e se autodeclarar em férias, indo para sua casa em Palm Springs, na California., com apenas 7 das dez faixas necessárias para um LP obtidas. É claro que Parker e a RCA não aceitariam aquilo e, depois de muita discussão, convenceriam Elvis a colocar sua voz em apenas mais três músicas.

single "Raised On Rock/For Ol' Times Sake" chegou às lojas em 1 de setembro de 1973 e agradou o público. A gravadora então resolveu intitular o trabalho como "Raised On Rock", muito embora a única faixa do estilo fosse aquela mesma. Em seu lançamento em 1 de outubro do mesmo ano o disco foi bem sucedido, vendendo mais de um milhão de cópias apesar de falhar em atingir o Top 10 no Reino Unido e alcançar apenas a 50ª posição nos EUA. O trabalho foi relançado em CD em 1994 sem alterações no número ou posição das faixas.

Em rara oportunidade desde que o selo FTD foi inventado, a gravadora teve a vantagem de trabalhar somente com materiais realmente inéditos. Apesar de ser um dos discos menos inspirados dos anos 1970, a temática central ainda assim era bastante voltada ao que ocorria na vida pessoal de Elvis. Das adições mais interessantes disponibilizadas pela gravadora estão as trilhas instrumentais de "Sweet Angeline", a qual foi gravada em julho de 1973 no Stax mas somente recebeu a voz de Elvis dos meses depois em sua casa em Palm Springs, e "Color My Rainbow", a qual infelizmente não tem uma versão vocal. Com uma remasterização impecável, mas que ainda assim deixa clara a precariedade do Stax Studio que tanto irritou Elvis à época, podemos ouvir todo o processo enquanto as canções são trabalhadas à perfeição. Finalizando a reedição, a gravadora disponibiliza um booklet com 16 páginas de memorabilias, fotos e fatos sobre o disco, as músicas e suas sessões de gravação.

Abaixo segue resenha do trabalho.
________________________________________________________________________________________________________________

CD 1 - O ÁLBUM ORIGINAL

- 1-10. LP original: Masters como lançados em 1973.

HIGHLIGHTS DAS SESSÕES

- 11. I Miss You (Takes 10, 11): Este é um compósito sem overdubs que soa muito melhor e mais íntimo do que o Master original.

- 12. Find Out What's Happening (Take 6): Uma canção country muito boa, é ouvida aqui sem as interferências dos overdubs do Master e em uma versão um pouco mais centrada.

- 13. It's Diff'rent Now (Rehearsal): Ouvindo apenas este trecho, é uma pena que esta música não tenha sido gravada para lançamento ou que o conteúdo completo deste ensaio tenha se perdido ou nunca tenha sido capturado.

- 14. Three Corn Patches (Take 1, 2): Para uma música tão sem graça ou conteúdo, é impressionante que Elvis tenha se dado ao trabalho de fazer 15 takes. Aqui todos tentam dar o seu melhor, mas a conclusão clara é a mesma que o cantor teria mais à frente: "Você não pode tentar fazer essa coisa explodir nem colocando uma dinamite no rabo dela!"

- 15. If You Don't Come Back (Take 5): Apesar de tentar, é notável que Elvis está arrastando a voz e tendo dificuldades com a música. Este take é interessante, mesmo assim, por ser óbvio que as irmãs Ginger e Mary Holladay, junto a Kathy Westmoreland, é que estão dando o impulso necessário.

- 16. Girl of Mine (Take 9): Evidentemente esta é outra música que nunca deveria ter sido oferecida a Elvis em sã consciência. Há uma melhora significativa no áudio quando comparado com lançamentos anteriores, posicionando a voz do cantor mais à frente no mix.

- 17. I Miss You (Take 5): Aqui temos uma versão menos intimista e mais próxima ao Master (Take 15) do que o splice dos takes 10 e 11.

- 18. Three Corn Patches (Takes 13, 14): É fascinante como um pouco de trabalho pode recuperar e dar nova vida a uma música tão descartável quanto esta. Elvis claramente já perdeu o entusiasmo do take 1, mas o novo mix tem os backing vocals mais destacadas e soa razoavelmente bem.

- 19. Are You Sincere (Take 2): Esta é com certeza a música que soa mais fantástica em todo o CD 1. É fácil imaginar apenas Elvis, James Burton e o pianista do Voice Donnie Sumner gravando esta faixa sozinhos na solidão da suíte do cantor. No fim, Donnie continua tocando e Elvis brinca: "Donnie, a música já acabou!"

- 20. Find Out What's Happening (Takes 8, 7): Esta edição alternativa foi uma brilhante ideia da FTD. Depois de elogiar o trabalho das backing vocals, Elvis deslancha em uma versão gostosa e despretensiosa que termina com um maravilhoso solo de guitarra.

- 21. For Ol' Times Sake (Take 4): Essa tomada prova que a música pode ser muito poderosa se for interpretada da forma correta. Sem os ecos adicionados ao Master, a solidão providenciada pelo espaço aberto do estúdio faz com que esta seja uma versão magnífica.

TRILHAS INSTRUMENTAIS

- 22. Color My Rainbow (Instrumental): Faixa instrumental para a qual Elvis nunca gravou vocais.

- 23. Sweet Angeline (Instrumental): Faixa instrumental sobre a qual Elvis gravou vocal para o Master.

CD 2 - SESSÕES DE GRAVAÇÃO

ROUGH MIXES

- 1. For Ol' Times Sake: Não é claro como a FTD teve acesso a estes seis mixes nem de onde eles vieram, mas certamente são uma grande adição a este trabalho. Porém, é muito provável que Felton Jarvis fornecesse a Elvis estas edições dos Masters antes de receberem overdubs para que ele os aprovasse ou rejeitasse. Não há muita novidade aqui, em termos acontecimentos durante as sessões, uma vez que se tratam dos Masters já conhecidos, mas há adições muito importantes.

- 2. If You Don't Come Back: Excelente mix com um solo de guitarra fenomenal no final.

- 3. Find Out What's Happenning: O mix se beneficia por podermos ouvir Elvis cantando durante o solo de guitarra.

- 4. Raised On Rock: Sem nenhum take extra encontrado até o momento, é muito bom termos acesso a este mix. A bateria soa tão bem aqui que temos pena do que os overdubs posteriores fariam com esta faixa.

- 5. Three Corn Patches: O mix dura cerca de um minuto a mais do que o Master final e podemos ouvir Elvis cantarolando e fazendo baixo ao longo da finalização.  A opção de colocar eco e encurtar a duração no disco realmente não foi a melhor.

- 6. Just a Little Bit: São três da manhã e Elvis está cansado, mas de bom humor. Enquanto a banda toca uma peça despretensiosa, o cantor brinca: "Tudo bem, a banda enlouqueceu e retornará em breve." Aqui a finalização novamente surpreende e nos faz pensar sobre como seria bom que tudo tivesse sido usado no Master do disco.

OUTTAKES

- 7. If You Don't Come Back (Takes 1, 2, 3): Os takes 1 e 2 são apenas false starts. A terceira tentativa é executada até o fim e em um tempo mais lento - e mais agradável - do que o Master. Próximo ao fim do take, Elvis comenta: "Há uma chance de fazer seus baixos, JD. O tempo está só um pouco mais lendo do que o da demo."

- 8. I Miss You (Take 1): O primeiro take da primeira música gravada na mansão de Palm Springs é simplesmente fenomenal. Há um tom mais intimista e solitário do que no take 2 ou no Master com overdubs.

- 9. Girl of Mine (Take 1): Embora não seja digna de Elvis, esta música ganha algum espaço nesta versão sem os horríveis overdubs do disco. O violão quieto é uma ótima adição, mas seria substituído por um slide de guitarra a partir do take 3.

- 10. Find Out What's Happenning (Takes 1, 2, 4, 5): O take 1 acaba em segundos com Elvis reclamando: "Errei a letra. Não consigo nem ler mais!" O 2 termina de maneira similar: "Maldição!" O take 4 dura mais, mas o cantor novamente erra a letra e profere alguns palavrões antes de se desculpar: "Não! Desculpem, desculpem, meninas! Eu me deixei levar. Não deveria falar isso na frente do JD." Elvis novamente erra a letra na quinta tentativa, mas a música é levada até o final com o cantor se divertindo e entrando no clima.

- 11. Three Corn Patches (Takes 4, 5, 6): É incrível imaginar que Elvis faria 15 takes desta música medíocre, mas aqui estamos no quarto deles. Ronnie erra a entrada e o cantor dispara: "Droga, Ronnie!" Os takes 5 e 6 são divertidos, com um piano descuidado e um feel de bar na Beale Street.

- 12. For Ol' Times Sake (Takes 5, 6, 7): A faixa abre com Felton Jarvis comentando: "O take 4 foi ótimo, Elvis!" O cantor inicia a quinta tomada, mas logo erra a letra. Na sexta tentativa há um tom áspero na voz de Elvis que deixa tudo fantástico, mas ele se perde no andamento. No take 7 há um tom melancólico magnífico e até a rouquidão do cantor contribui, mas ele erra no final e comenta rindo: "Maldição! Filho da mãe! Eu olho para cima uma vez e estrago tudo!"

- 13. I Miss You (Take 10): Temos um vocal delicioso da parte de Elvis aqui. A surpresa é que ele ainda não está contente com este take completo.

- 14. If You Don't Come Back (Takes 8, 6): Depois de Elvis errar a letra, o take é interrompido. O cantor não soa entusiasmado durante a sexta tentativa, mas cantarola junto no final.

- 15. Find Out What's Happenning (Takes 8, 7): Aqui o tempo é um pouco mais rápido do que no Master. Elvis erra na metade do take 8 e parece genuinamente irritado: "Vou achar quem escreveu isso e quebrar os dedos dele!" A sétima tomada soa ainda melhor do que o Master.

- 16. Are You Sincere (Take 1): Com a qualidade desta versão, é incrível que a FTD não a tenha incluído nos highlights do CD 1. O take é ouvido completo aqui, ao invés de pela metade como em "Our Memories of Elvis", e mesmo o erro de Donnie Sumner no final é uma delícia. A sinceridade na voz de Elvis durante o solo sutil de guitarra faz desta uma experiência memorável.

- 17. Girl of Mine (Takes 3, 4, 5, 6): O take 3 é interrompido por Jarvis porque Elvis produziu um estouro no microfone ao pronunciar a palavra "pillow". Rindo, ele comenta: "Senhor! Como pronunciar 'pillow' sem o P?" Na tentativa seguinte, o cantor pronuncia apenas "illow" e ri, fazendo o take ser cortado. "Isso acaba com a merda toda, não é? Uma nova palavra, 'illow'." A tomada 5 acaba em segundos e a sexta é completa, trazendo um feel diferente, mas ainda longe de ser boa. É interessante ouvir Elvis de bom humor aqui, uma vez que minutos depois ele sairia enraivecido do estúdio por terem roubado seu microfone dourado.

- 18. Three Corn Patches (Takes 9, 10): O take inicia com Felton Jarvis pedindo a Elvis que cuide para não provocar estouros no microfone ao pronunciar "three" e "patches". "Sim, eu percebi. Fiz 36 filmes e nunca aprendi a contornar esse 'P'." A tomada 9 consiste apenas em alguns segundos de instrumental. Elvis completa o take 10  sem mudanças em relação aos anteriores.

- 19. I Miss You (Takes 12, 13, 14, 15 - Undubbed Master): Temos aqui três false starts e alguma conversa de estúdio, com Elvis falando sobre astrologia. O único take completo é o 15, que foi usado como Master. Aqui ele funciona muito melhor em sua versão mais honesta e modesta.

TRILHAS INSTRUMENTAIS

- 20. The Wonders You Perform: Faixa instrumental para a qual Elvis nunca gravou vocais.

- 21. Good, Bad But Beautiful: Faixa instrumental para a qual Elvis nunca gravou vocais.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Título:

Raised On Rock - I've Got Rhythm in My Soul
Selo:
FTD [FTD 328] [506020 975 158 7]
Formato:
LP duplo
Número de faixas:
25
Duração:
80:00
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2021
Gravação:
21 de julho a 24 de setembro de 1973
Lançamento:
Dezembro de 2021
Singles:
---



Para os amantes do vinil, a FTD preparou um disco duplo com MastersRough Mixesouttakes e outros extras. No trabalho constam as faixas:

LP 1
LADO A
1. Find Out What's Happening (Rough Mix)
2. For Ol' Times Sake (Rough Mix)
3. Raised On Rock (Rough Mix)
4. I Miss You (Take 1)
5. If You Don't Come Back (Rough Mix)
6. Are You Sincere (Master)
7. The Wonders You Perform (Instrumental)
LADO B
8. Just a Little Bit (Rough Mix)
9. Three Corn Patches (Rough Mix)
10. Girl of Mine (Takes 3, 4, 5, 6)
11. Find Out What's Happening (Takes 2, 4, 5)
12. Sweet Angeline (Instrumental)

LP 2
LADO A
1. Are You Sincere (Take 1)
2. If You Don't Come Back (Take 5)
3. For Ol' Times Sake (Take 4)
4. Three Corn Patches (Takes 5, 6)
5. Find Out What's Happening (Take 8)
6. Color My Rainbow (Instrumental)
LADO B
7. Sweet Angeline (Master)
8. Just a Little Bit (Master)
9. I Miss You (Take 5)
10. Raised On Rock (Master)
11. Girl of Mine (Take 9)
12. It's Diff'rent Now (Rehearsal)
13. Good, Bad But Beautiful (Instrumental)
________________________________________________________________________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por seu comentário!

LEMBRE-SE: Não postaremos mensagens com qualquer tipo de ofensa e/ou palavrão.