Elvis Presley Index: Live in Las Vegas (CD - FTD, 2011)

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terça-feira, 8 de março de 2022

Live in Las Vegas (CD - FTD, 2011)

Título:
Live in Las Vegas
Selo:
FTD [FTD 098] [506020 975023 2]
Formato:
CD
Número de faixas:
19
Duração:
73:00
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2011
Gravação:
26 de agosto de 1969 DS
Lançamento:
Fevereiro de 2011
Singles:
---

Live in Las Vegas é o nonagésimo oitavo CD da FTD. Ele contém o show completo de 26 de agosto de 1969 DS no International Hotel em Las VegasCD está atualmente fora de catálogo na gravadora.


Depois de oito anos sem subir aos palcos, Elvis estava apreensivo sobre os rumos de sua carreira. De fato, ele vinha temendo um esquecimento total por parte do público desde 1965, quando ocorreu a "Invasão Britânica" nos EUA que transformou o gosto popular e colocou bandas como The Beatles e The Rolling Stones, além de cantores como Tom Jones, nos primeiros lugares das paradas. Elvis, que lançava apenas trilhas sonoras duvidosas naquele momento, era um nome que quase já não trazia apelo.

Em 1968, após muito brigar com o Coronel Parker, o cantor finalmente conseguiu o primeiro sopro de esperança. Seu empresário assinou uma colaboração entre o Rei do Rock, a companhia de máquinas de costura Singer e a NBC-TV para um programa natalino no final daquele ano. O especial foi sendo reformulado com o passar dos meses, principalmente através da contato direto que o diretor Steve Binder estabeleceu com Elvis. De um mero programa natalino tedioso à la Bing Crosby, a atração se transformou no hoje celebrado "'68 Comeback Special" que colocou o cantor sob a atenção de seus antigos fãs e de toda uma nova geração.

O sucesso do programa só poderia logicamente levar ao retorno aos palcos e essa era mais uma oportunidade de lucrar que Parker não poderia recusar. O Coronel procurou opções e encontrou em Kirk Kerkorian, um milionário armênio com terras e projetos em Las Vegas, o par perfeito. Foi então firmado o maior e mais ambicioso contrato entre uma empresa e um artista: Kerkorian construiria o International Hotel e Elvis se apresentaria lá; o cantor receberia a maior parte da arrecadação de suas apresentações e o hotel ficaria com uma pequena porcentagem e todo o ganho sobre a hospedagem e o cassino. Celebrado em 26 de fevereiro de 1969, mas somente firmado realmente em abril, o contrato estabelecia que Elvis retornaria aos palcos em julho daquele ano.

Em 31 de julho de 1969, Elvis Presley estava caminhando para a frente e para trás como uma pantera. Em poucos minutos, ele marcharia para o que era então o maior showroom de Las Vegas, com capacidade para 2000 pessoas. Quando foi subir no palco, Elvis ficou muito quieto. Podia-se ver em seus olhos que ele estava pensando sobre o show, repassando a lista de músicas em mente. Ao apagar das luzes o público ficou em silêncio, a orquestra de Bobby Morris começou a tocar e nenhuma introdução adicional foi necessária. E assim a história se repetiu por 29 dias e 57 shows.

Para o quarto show completo daquela temporada, a FTD apresentou em 2011 o 52º show de Elvis no International, o concerto das 20h30 de 26 de agosto. Nos shows da meia-noite, Elvis não tinha limite de tempo, era capaz de se apresentar ao máximo e nesta noite em especial ele estava com um humor fabulosamente engraçado. Não há dúvidas de que "Live at The International", lançado pela gravadora em 2003 e que trazia a apresentação de 23/08/69 MS,  era uma performance poderosa de uma noite de sábado, enquanto "All Shook Up" apresenta um show de terça à noite com menos energia, mas é neste último que algumas das mais raras e mais apreciadas rendições aconteceriam.

Abaixo segue a resenha do conteúdo disponibilizado no CD.
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- 1. Opening Theme / Blue Suede Shoes: Como de costume nesta primeira temporada, a apresentação inicia com um pequeno riff genérico. Elvis toma o palco em sua jumpsuit White Herringbone e a plateia vai à loucura; os primeiros versos do hit de 1956 são recebidos com entusiasmo eletrizante, embora o mix não priorize o público - mas permite que se ouça tanto Elvis quanto todos os instrumentos em perfeita harmonia.

- 2. I Got a Woman: Após uma rápida rotina do famoso "well, well, well", Elvis brinca: "É isso. Meio que nos leva a nada, sabem?" Vocalizando mais um pouco, ele se repreende: "Ah, cala a boca!". A versão é bem ritmada e uptempo, embora mais lenta do que a do show seguinte, e tem uma ótima finalização. Uma novidade deliciosa é podermos ouvir o trabalho da orquestra.

- 3. All Shook Up: "Lá vamos nós de novo". A versão feita aqui é completa e Elvis a interpreta bem. "Obrigado. Boa noite, e bem vindos ao grande e esquisito International Hotel, com essas bonecas esquisitas nas paredes e esses anjos funky no teto. Vejam, eles arrumaram essas luzes para a Nancy Sinatra, mas se recusaram a fazer para mim. Mostra o que é um gente legal. É minha primeira aparição ao vivo em nove anos... Eu apareci ao morto algumas vezes, mas essa é a primeira vivo. Antes de a noite terminar eu terei feito papel de total idiota, e vocês ficarão totalmente convencidos de que estou louco, sabem? Eles estão me vigiando, tem caras por todos os lados dizendo: 'Pegue-o, pegue-o, cuide dele!' Então espero que vocês se divirtam com o show." Como de praxe, ele fala de sua "wawa" e sua Gatorade.

- 4. Love Me Tender: "Uma das primeiras gravações que fiz, em 1927. Comecei bem jovem, sabem?" O sucesso estrondoso de 1956 leva Elvis a sua sessão de distribuição de beijos e, pela calmaria, as mulheres não estão tão assanhadas quando estariam mais tarde. O delicioso arranjo de piano de Larry Muhoberac é um extra aqui.

- 5. Jailhouse Rock / Don't Be Cruel: "Gostaria de fazer um medley dos meus maiores discos, senhoras e senhores... Na verdade eles são do tamanho normal, mas soa impressionante." Elvis interpreta um dos seus medleys mais raros, uma mistura interessante que foi cantada em poucos shows. A rendição é perfeita e o cantor Está concentrado em fazer uma boa versão e ao mesmo tempo se divertir com alguns trocadilhos.

- 6. Heartbreak Hotel: Uma fã faz uma proposta indecente e Elvis responde brincando: "Depois do show, baby." O blues toma conta do ambiente com essa versão espetacular. É interessante notar que o mix favorece o inspirado solo de James Burton, mas não ofusca o delicioso piano de Larry Muhoberac. No fim da música, Elvis decide que quer cantar mais um pouco e a banda o segue.

- 7. Hound Dog: "Quando tentei pensar sobre uma música especial para essa noite, uma que tivesse mensagem, que realmente significasse algo, essa é a que consegui." Um monólogo de 3 minutos cheio de trocadilhos sexuais sobre sua namorada que tinha "um único olho quadrado" leva à rendição e a voz de Elvis mostra toda sua potência. O solo de James Burton é magnífico.

- 8. Memories: "Uma música que fiz para meu recente programa de TV... Que não foi tão boa, mas não se pode ganhar todas." Elvis quase não canta no início enquanto ri e atende suas fãs. Em dado momento, uma o agarra e o faz brincar: "Nunca vou voltar para essa parte do palco, cara!" O restante da rendição é muito boa, mas é claro que Elvis não gosta muito da música.

- 9. My Babe: Esta rara música é interpretada com bastante entusiasmo. As respostas dos backing vocals são muito boas.

- 10. Mystery Train / Tiger Man: "Uma das minhas primeiras gravações foi péssima! Quando comecei nesse negócio, eu tinha três peças... Três instrumentos! Eu disse, eles vão vir me pegar, cara! Eu tinha uma guitarra, um baixo e um violão. Enfim, era assim." Gravada em 1955 no Sun Studio, a música era uma das mais apreciadas por Elvis. "Tiger Man" se encaixa perfeitamente com sua acompanhante e há provas de que o cantor a gravou um ano antes, mas a fita se perdeu. Tirando o efeito exagerado do apito do trem, o mix é bastante agradável e a rendição é mediana.

- 11. Monologue: "Gostaria de conversar com vocês um pouco, senhoras e senhores. Falar sobre como comecei nesse negócio, quando e como, do meu ponto de vista. Muitas pessoas contaram do ponto de vista delas, mas eu nunca disse nada." Durante oito minutos, Elvis faz seu monólogo sobre os fatos de sua vida com muitas piadas e trocadilhos sexuais. Falando sério, ele conta desde sua ascensão ao sucesso absoluto até o retorno aos palcos.

- 12. Baby, What You Want Me to Do: A canção é apresentada em uma versão puxada ao blues e felizmente o mix nos deixa ouvir a guitarra de Elvis, diferentemente do que se ouve em outros lançamentos. A música foi interpretada somente nesta temporada de 1969.

- 13. Runaway: "Um cara fez uma música por volta de 1926, antes de eu lançar 'Love Me Tender'. Um ano antes de eu a lançar, foi em 1927, antes da Grande Depressão. O cara lançou uma gravação que se chamava 'Runaway', o nome dele era Del Shannon. Gostaria de interpreta-la agora para vocês." Raridade também executada somente em 1969, é bem interpretada e tem um delicioso solo de James Burton sob o mix que privilegia o piano. No segundo show do mesmo dia, Elvis apresentaria Del Shannon na plateia.

- 14. Inherit the Wind: "Vamos tentar uma música nova que nunca fizemos, então nos desculpem se errarmos. Estamos gravando um disco ao vivo hoje e preciso fazer algumas músicas novas. Então se errarmos teremos que recomeçar tudo de novo. Talvez fiquemos aqui a noite toda, mas..." Interpretada somente esta vez, a música não foi tão bem recebida quanto era esperado. Elvis até faz uma excelente versão, mas o fato de ela ter sido abandonada diz que não era material de concerto.

- 15. Yesterday / Hey Jude: "Minha versão de..." Embora ainda se diga que Elvis odiava os Beatles, com certeza era o contrário. "Yesterday" é interpretada de forma séria e sóbria, enquanto "Hey Jude" serve como mais um momento para Elvis distribuir beijos e abraços para a plateia. Há versões melhores, mas a pena mesmo é que esse medley nunca tenha sido lançado de forma completa durante a vida do cantor.

- 16. Band and Celebrities Introductions: "Antes de mais nada, gostaria de apresentar os membros da minha banda. Charlie, este é o Jerry... Agora que eles já se conhecem, podemos continuar com o show." Elvis apresenta The Sweet InspirationsThe Imperials, James Burton na guitarra, John Wilkinson na guitarra rítmica, Ronnie Tutt na bateria, Jerry Scheff no baixo, Larry Muhoberac no piano (Glen Hardin chegaria somente em 1970), Charlie Hodge, o maestro Bobby Morris (Joe Guercio o substituiria em 1970) e sua orquestra. Na plateia, Elvis apresenta a atriz e cantora Barbara McNair e Mama Cass do The Mamas & The Papas.

- 17. In the Ghetto: "Uma gravação que vendeu muito bem recentemente, senhoras e senhores." Um dos maiores sucessos de 1969, é interpretada um pouco diferente do que no Master e o mix privilegia a orquestra em partes e a banda em outras, deixando sempre a voz de Elvis e das Sweets em evidência.

- 18. Suspicious Minds: "Uma canção que acabei gravar, senhoras e senhores, espero que gostem - e quero canta-la especialmente para Barbie -, se chama 'Suspicious Minds'". O single que havia sido levado às lojas naquele mesmo dia é interpretado, assim como todas as rendições iniciais do clássico de Mark James, de forma apaixonada. A duração é uma das mais extensas, com 7 minutos, e Elvis dá tudo de si.

- 19. Can't Help Falling in Love: "Obrigado. Vocês são uma plateia linda, senhoras e senhores. Quero cantar esta música especialmente para vocês." Aquele era o sinal para as fãs tentarem qualquer coisa para conseguirem mais um beijo, abraço ou lenço  de Elvis. Como à época ainda não existia a "Closing Vamp", o show terminava com a banda silenciando após a rendição.
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