quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

All Shook Up (CD - FTD, 2005)

Título:
All Shook Up
Selo:
FTD [FTD 046] [82876 70306 2]
Formato:
CD
Número de faixas:
20
Duração:
75:00
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2005
Gravação:
26/08/69 MS
Lançamento:
Julho de 2005
Singles:
---

All Shook Up é o quadragésimo sexto CD da FTD. Ele contém o show completo de 26 de agosto de 1969 MS no International Hotel em Las VegasCD está atualmente fora de catálogo na gravadora.

Depois de oito anos sem subir aos palcos, Elvis estava apreensivo sobre os rumos de sua carreira. De fato, ele vinha temendo um esquecimento total por parte do público desde 1965, quando ocorreu a "Invasão Britânica" nos EUA que transformou o gosto popular e colocou bandas como The Beatles e The Rolling Stones, além de cantores como Tom Jones, nos primeiros lugares das paradas. Elvis, que lançava apenas trilhas sonoras duvidosas naquele momento, era um nome que quase já não trazia apelo.

Em 1968, após muito brigar com o Coronel Parker, o cantor finalmente conseguiu o primeiro sopro de esperança. Seu empresário assinou uma colaboração entre o Rei do Rock, a companhia de máquinas de costura Singer e a NBC-TV para um programa natalino no final daquele ano. O especial foi sendo reformulado com o passar dos meses, principalmente através da contato direto que o diretor Steve Binder estabeleceu com Elvis. De um mero programa natalino tedioso à la Bing Crosby, a atração se transformou no hoje celebrado "'68 Comeback Special" que colocou o cantor sob a atenção de seus antigos fãs e de toda uma nova geração.

O sucesso do programa só poderia logicamente levar ao retorno aos palcos e essa era mais uma oportunidade de lucrar que Parker não poderia recusar. O Coronel procurou opções e encontrou em Kirk Kerkorian, um milionário armênio com terras e projetos em Las Vegas, o par perfeito. Foi então firmado o maior e mais ambicioso contrato entre uma empresa e um artista: Kerkorian construiria o International Hotel e Elvis se apresentaria lá; o cantor receberia a maior parte da arrecadação de suas apresentações e o hotel ficaria com uma pequena porcentagem e todo o ganho sobre a hospedagem e o cassino. Celebrado em 26 de fevereiro de 1969, mas somente firmado realmente em abril, o contrato estabelecia que Elvis retornaria aos palcos em julho daquele ano.

Em 31 de julho de 1969, Elvis Presley estava caminhando para a frente e para trás como uma pantera. Em poucos minutos, ele marcharia para o que era então o maior showroom de Las Vegas, com capacidade para 2000 pessoas. Quando foi subir no palco, Elvis ficou muito quieto. Podia-se ver em seus olhos que ele estava pensando sobre o show, repassando a lista de músicas em mente. Ao apagar das luzes o público ficou em silêncio, a orquestra de Bobby Morris começou a tocar e nenhuma introdução adicional foi necessária. E assim a história se repetiu por 29 dias e 57 shows.

Para o segundo show completo daquela temporada, a FTD apresentou em 2005 o 53º show de Elvis no International, o concerto da meia-noite de 26 de agosto. Nos shows da meia-noite, Elvis não tinha limite de tempo, era capaz de se apresentar ao máximo e nesta noite em especial ele estava com um humor fabulosamente engraçado. Não há dúvidas de que "Live at The International", lançado pela gravadora em 2003 e que trazia a apresentação de 23/08/69 MS,  era uma performance poderosa de uma noite de sábado, enquanto "All Shook Up" apresenta um show de terça à noite com menos energia, mas é neste último que algumas das mais raras e mais apreciadas rendições aconteceriam.

Abaixo segue a resenha do conteúdo disponibilizado no CD.
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- 1. Opening Theme / Blue Suede Shoes [26/08/69 MS]: Como de costume nesta primeira temporada, a apresentação inicia com um pequeno riff genérico. Elvis toma o palco em sua jumpsuit Black Herringbone e a plateia vai à loucura; os primeiros versos do hit de 1956 são recebidos com entusiasmo eletrizante. É refrescante notar que, diferente de outras vezes em que o show foi lançado em diferentes selos, o mix permite que se ouça tanto Elvis quanto todos os instrumentos em perfeita harmonia.

- 2. I Got a Woman [26/08/69 MS]: Após uma rápida rotina do famoso "well, well, well", Elvis ri ao iniciar a canção e isso demonstra como estará seu humor pelo resto da noite. A versão é bem ritmada e uptempo, com o cantor arriscando notas bastante altas.

- 3. All Shook Up [26/08/69 MS]: As pernas de Elvis parecem querer se mexer sozinhas e ele logo diz: "Lá vamos nós de novo". A versão feita aqui é completa, ao contrário das posteriores que seriam interpretadas em menos de um minuto. "Boa noite, senhoras e senhores. Bem vindos ao International Hotel, com essas bonecas esquisitas nas paredes e esses anjos funky no teto; você não viu nada até ver anjos assim. É minha primeira aparição ao vivo em nove anos... Eu apareci morto algumas vezes, mas essa é a primeira vivo. Antes de a noite terminar eu terei feito papel de total idiota, então espero que vocês se divirtam com isso." Como de praxe, ele fala de sua Gatorade (Gator: jacaré; a[i]de: ajuda) e como ela "supostamente ajuda meu jacaré".

- 4. Love Me Tender [26/08/69 MS]: "Uma das primeiras gravações que fiz... em 1927, eu acho." O sucesso estrondoso de 1956 leva Elvis a sua sessão de distribuição de beijos e, pelas risadas e sons que o cantor faz, as mulheres estão bem assanhadas; a histeria é comprovada pelos gritos delas.

- 5. Jailhouse Rock / Don't Be Cruel [26/08/69 MS]: "Gostaria de fazer um medley dos meus maiores discos, senhoras e senhores... Na verdade eles são do tamanho normal, mas soa impressionante. Quando comecei, tínhamos três instrumentos: um violão, uma guitarra e um joelho que tremia muito." Elvis interpreta um dos seus medleys mais raros, uma mistura interessante que foi cantada em poucos shows. A rendição é perfeita e o cantor faz trocadilhos rápidos na letra para sua própria diversão.

- 6. Heartbreak Hotel [26/08/69 MS]: O blues toma conta do ambiente com essa versão rápida mas genuína. É interessante notar que o mix favorece o delicioso piano de Larry Muhoberac mesmo durante o inspirado solo de James Burton.

- 7. Hound Dog [26/08/69 MS]: "Quando tentei pensar sobre uma música especial para essa noite, uma que tivesse mensagem, que realmente significasse algo, essa é a que consegui." Um curto monólogo cheio de trocadilhos sexuais leva à rendição e a voz de Elvis mostra toda sua potência.

- 8. I Can't Stop Loving You [26/08/69 MS]: "Me deem licença enquanto tomo um pouco de 'wawa'." É interessante notar como Lisa Marie nunca saía de seus pensamentos, pois aquela era a forma com que ela pronunciava a palavra "água". Brigando com suas pernas nervosas, Elvis inicia uma versão que se mostra um tanto inferior a outras do período, mas ainda assim é uma adição bem vinda.

- 9. Mystery Train / Tiger Man [26/08/69 MS]: "Uma das minhas primeiras gravações foi péssima... Não! Era assim, senhoras e senhores... Aliás, aquela gente nos banquinhos [os backing vocals] parece um bando de malucos! Estão sentados, mas tocando tamborins e se mexendo para lá e para cá... É esquisito." Gravada em 1955 no Sun Studio, a música era uma das mais apreciadas por Elvis. "Tiger Man" se encaixa perfeitamente com sua acompanhante e há provas de que o cantor a gravou um ano antes, mas a fita se perdeu. Durante a rendição, o Rei do Rock conversa com os backing vocals e ri de seu comentário sobre eles.

- 10. Monólogo [26/08/69 MS]: "Gostaria de sentar e contar sobre como comecei nesse negócio, quando e como, do meu ponto de vista." Durante dez minutos, Elvis faz seu maior monólogo sobre os fatos de sua vida com muitas piadas e trocadilhos sexuais. Falando sério, ele conta desde sua ascensão ao sucesso absoluto até o retorno aos palcos.

- 11. Baby, What You Want Me to Do [26/08/69 MS]: "Estamos gravando um disco ao vivo hoje. Se errarmos teremos que recomeçar tudo de novo, então aguentem conosco." Elvis pega sua guitarra para tocar no próximo seguimento. "Eu sei tocar um pouco dessa filha da...", brinca. A canção é apresentada em uma versão puxada ao blues e felizmente o mix nos deixa ouvir a guitarra de Elvis, diferentemente do que se ouve em outros lançamentos. A música foi interpretada somente nesta temporada de 1969.

- 12. Runaway [26/08/69 MS]: "Há alguns anos um cara chamado Del Shannon lançou uma música que eu gostaria de interpretar agora." Raridade também executada somente em 1969, é bem interpretada e tem um delicioso solo de James Burton sob o mix que privilegia o piano. Ao fim da rendição, Elvis apresenta Del Shannon à plateia.

- 13. Are You Lonesome Tonight [26/08/69 MS]: O ritmo intimista toma conta do palco, mas por pouco tempo. Logo no início, Elvis começa a rir e o resto da rendição é deliciosamente insana. Tentando cantar em meio a risadas copiosas, ele encerra a música de forma rápida. Há relatos de que Elvis ria de um homem que perdera sua peruca ao tentar impedir que a namorada chegasse próximo ao palco e outros que dizem que ele apenas ria do ciúme dele. No fim, o cantor constata: "É isso, cara! 14 anos ralo abaixo, vou te contar!" Esta versão passaria a ser conhecida como "Laughing Version" e o trabalho da soprano Millie Kirkham é excepcional.

- 14. Rubberneckin' [26/08/69 MS]: Um dos mais recentes trabalhos de Elvis é rendido em seguida e é uma raridade interpretada somente neste show. Parte da trilha sonora de "Change of Habit", a música tem um simpático false start omitido em lançamentos anteriores e que mostra que aquela não tinha sido uma das mais ensaiadas. No fim, depois de corrigir levemente o tempo, uma versão sólida que certamente deveria ter aparecido no "In Person" é obtida. 

- 15. Yesterday / Hey Jude [26/08/69 MS]: "Senhoras e senhores, minha versão de..." Embora ainda se diga que Elvis odiava os Beatles, com certeza era o contrário. Este medley tem duas partes distintas: "Yesterday" é interpretada de forma séria e sóbria, enquanto "Hey Jude" serve como mais um momento para Elvis distribuir beijos e abraços para a plateia. Há versões melhores, mas a pena mesmo é que esse medley nunca tenha sido lançado de forma completa durante a vida do cantor.

- 16. Introduções [26/08/69 MS]: "Antes de mais nada, gostaria de apresentar os membros da minha banda. Charlie, este é o James... Agora que eles já se conhecem, podemos continuar com o show." Elvis apresenta The Sweet InspirationsThe Imperials, James Burton na guitarra, John Wilkinson na guitarra rítmica, Ronnie Tutt na bateria, Jerry Scheff no baixo, Larry Muhoberac no piano (Glen Hardin chegaria somente em 1970), Charlie Hodge, o maestro Bobby Morris (Joe Guercio o substituiria em 1970) e sua orquestra.

- 17. In the Ghetto [26/08/69 MS]: "Uma gravação que vendeu muito bem recentemente, senhoras e senhores." Um dos maiores sucessos de 1969 e faixa de encerramento do LP "From Elvis In Memphis", é interpretada um pouco diferente do que no Master e o mix privilegia a orquestra.

- 18. This is the Story [26/08/69 MS]: "Querem tentar 'This is the Story'? Como é que começa? Estou em frente a duas mil pessoas e agindo como um completo idiota." Outra raridade, também é interpretada apenas neste show. Elvis não consegue se concentrar na execução e começa a rir antes da metade da rendição. É uma forma de dizer que a ideia não foi boa, mas mesmo assim a versão vale à pena.

- 19. Suspicious Minds [26/08/69 MS]: "Uma canção que acabei gravar, senhoras e senhores, e que já deve estar à venda. Espero que gostem, se chama 'Suspicious Minds'". Sem querer, Elvis se mostra bastante envolvido no processo de lançamentos da RCA, pois o single da música havia sido levado às lojas naquele mesmo dia. Assim como todas as rendições iniciais do clássico de Mark James, esta também é eletrizante. A duração não é muito extensa, com apenas 6 minutos e 22 segundos, mas Elvis dá tudo de si. Esta é provavelmente uma das dez melhores versões de 1969.

- 20. Can't Help Falling In Love [26/08/69 MS]: "Vocês são uma plateia linda, muito obrigado. Foi um prazer trabalhar para vocês. Vou cantar esta música especialmente para vocês." Aquele era o sinal para as fãs tentarem qualquer coisa para conseguirem mais um beijo, abraço ou lenço  de Elvis. Como à época ainda não existia a "Closing Vamp", o show terminava com a banda silenciando após a rendição.
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