Elvis Presley Index: A Minnesota Moment (CD - FTD, 2010)

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terça-feira, 10 de maio de 2022

A Minnesota Moment (CD - FTD, 2010)

Título:
A Minnesota Moment
Selo:
FTD [FTD 088] [506020 975008 2]
Formato:
CD
Número de faixas:
28
Duração:
76:30
Tipo de álbum:
Concerto
Vinculado a:
Discografia FTD
Ano:
2010
Gravação:
17 de outubro de 1976
Lançamento:
Fevereiro de 2010
Singles:
---


A Minnesota Moment foi o octogésimo oitavo CD da FTD. Ele cobre parcialmente o show de 17 de outubro de 1976 em MinneapolisMinnesota., e traz bônus de outubro e novembro do mesmo ano. O trabalho encontra-se atualmente fora de catálogo.


O ano de 1976 tinha sido de mais altos do que baixos e Elvis estava contente com o andamento das coisas. Sua vontade de gravar ainda era pouca, mas as sessões na Jungle Room de Graceland foram divertidas e bastante produtivas. Ele já não parecia interessado em Las Vegas, e Vegas era recíproca, fazendo o Coronel escalá-lo para apenas uma temporada de 2 a 12 de dezembro no Hilton; esta, como sabemos hoje, seria a última de sua carreira na cidade. Ao invés do ar seco do deserto de Nevada, o Rei do Rock preferiu fazer apenas mais uma temporada em Lake Tahoe, onde se apresentara pela última vez dois anos antes, entre 30 de abril e 9 de maio de 1976.

Na metade daquele ano, não parecia que Elvis tinha voltado à antiga forma ou que isso fosse possível. Suas apresentações ainda eram inconstantes, e ele se mostraria lento e por vezes confuso no início dos concertos, embora nada como as terríveis apresentações de agosto do ano anterior em Las Vegas. De fato, o cantor melhoraria em muito sua performance a partir de junho, culminando no ótimo show de 31 de dezembro de 1976 em Pittsburgh, mas era claro que ele já não tinha mais aquela chama que queimava em seu âmago.

1976 não é um ano fácil de se resenhar quando se trata de Elvis ao vivo. Não houve grandes mudanças no setlist, como acontecera nos anos anteriores, nenhuma "montanha-russa emocional" dramática de 1974 e nenhuma excitação de Huntsville em 1975. Além da explosão excepcional da última turnê de dezembro de 1976 (inspirada no desafio do novo e jovem amor Ginger), em retrospecto o ano parece um processo lento continuando a inevitável espiral descendente.

No ano de 2000, a FTD teve que ser totalmente elogiada quando lançou o soundboard de 1º de junho de 1976 em Tucson, mas infelizmente não porque foi um grande show - apenas porque anunciou o início de uma nova era de lançamentos oficiais de soundboards. Uma performance sem brilho, "Tucson" foi salvo puramente pela extraordinária performance única de "Danny Boy". Durante a maior parte da apresentação, o vocal de Elvis está sem vida e ele parece entediado, pois tem que passar pela velha rotina mais uma vez.

Um verdadeiro sinal dos tempos em 1976 foi que, desde a turnê de abril até a de agosto, Elvis basicamente usava seu "Bicentennial Suit" em todos os shows, certamente sinalizando um artista entediado. Na verdade, entre os fãs, a performance de 28 de agosto de 1976 em Houston é frequentemente apontada como seu "pior show de todos os tempos", mas os concertos durante a maior parte do verão muitas vezes soavam como se Elvis estivesse no piloto automático, entediado, acima do peso, infeliz, doente, muito medicado e desesperado. O FTD "New Haven '76" com a performance de 30 de julho é um dos casos em questão. Lançado por causa da excelente qualidade de áudio, Elvis soa entediado, medicado e apático e, no geral, é uma experiência de audição dolorosa.

No entanto, como em tudo que se refere a Elvis, sempre há contradições, mudanças e às vezes uma luz no fim do túnel. Apenas três meses depois, as coisas de alguma forma melhorariam. Mesmo com a ameaça do livro "Elvis: What Happened?" prestes a ser publicado (ou possivelmente por causa disso), houve uma mudança definitiva e positiva no mês que antecedeu a turnê de outubro de 1976. Elvis havia perdido bastante peso, e quando pisou no palco em Chicago, na primeira noite da turnê de outubro, ele parecia um homem rejuvenescido. Não só isso, mas Elvis estava mais uma vez vestindo macacões diferentes todas as noites - e até se encaixando naqueles que ele usava em 1974! Bootlegs como "Bringin' the House Down" de 15 de outubro em Chicago demonstram um desempenho muito melhor.

Claro que com Elvis há sempre aquela presença em cada show que nenhum soundboard mediocremente mixado pode capturar. A magia e a emoção de ver Elvis ao vivo sempre foi aparente para qualquer fã que assistiu a seus shows, independentemente do estado de saúde em que ele estivesse. "Royal Gambit in Richfield", de 23 de outubro de 1976, onde a gravação de alta qualidade do público consegue capturar aquela pura "magia de Elvis" e faz você desejar ter estado lá, mesmo em 1976!

O que nos leva a alguns dias antes em Minnesota, em 17 de outubro. Outro show da turnê de outubro e inédito. Enquanto o concerto apresenta a setlist "regular", ele também captura Elvis naquela sensação rejuvenescida de 1976. A apresentação não só recebeu uma crítica fabulosa no jornal local, mas os fãs que estavam presentes também lembram da noite emocionante. Então, talvez a "secura" deste soundboard roube a atmosfera selvagem de 16 mil fãs e também revele um pouco demais de Elvis "acordando" enquanto lentamente entra na performance, mas no geral não há dúvida da sensação de que Minnesota foi outro passo positivo, já que o cantor se dirigia para os grandes shows do final daquele ano.

Abaixo segue nossa resenha deste CD.
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- 1. Also Sprach Zarathustra: A fanfarra anuncia o começo do show. O áudio tem um mix seco, parecido com o de "America".

- 2. See See Rider: Elvis entra na música soando muito melhor do que em "New Haven '76", não parecendo sem fôlego ou cansado e sem murmurar palavras. As fotos do CD realmente mostram um Elvis em melhor forma física do que anteriormente naquele ano, e sua voz é a prova secundária dessa mudança para melhor.

- 3. I Got a Woman / Amen: "Muito obrigado." Elvis começa cantando com um indício de risada em sua voz, indicando seu bom humor e a alegria de estar se apresentando para os fãs, diferente das versões com a impressão de "acabei de sair da cama" de dias antes. Sua rotina do striptease e os dive bombs de JD são a finalização comum da música.

- 4. Love Me: "Muito obrigado, senhoras e senhores. Boa noite. Bem-vindos ao show..." Ele interrompe a frase para responder a fãs que pedem que ele volte para o outro lado do palco: "Eu voltarei aí, eu prometo. Prometo pela vida de John Wilkinson!" O cantor continua de onde parou anteriormente: "Vamos cantar muitas músicas, velhas e novas, e esperamos que haja algo que vocês gostem." Fãs pedem que ele aumente o volume do microfone e Elvis responde gritando, de brincadeira: "Ouçam, maldição! Vamos fazer isso certo de uma maneira ou de outra!" A versão até que não é de todo ruim.

- 5. If You Love Me (Let Me Know): "Muito obrigado. If You Love Me." É tão bom ouvir uma versão onde Elvis demonstra estar vivo e atento depois da rendição pobre de New Haven que ficamos até com vontade de reprisar a faixa.

- 6. You Gave Me a Mountain: "Mountain." Esta é sempre uma das showstoppers, e aqui não é diferente. Elvis faz uma interpretação entusiasmada e não tem problemas de falta de fôlego ou em alcançar as notas mais altas.

- 7. Jailhouse Rock: "Muito obrigado. Obrigado, vocês são uma ótima plateia. Obrigado." O medley de hits dos anos 1950 se inicia. Elvis se mostra animado, fazendo uma versão muito acima da média daquele ano.

- 8. All Shook Up: "Obrigado. Gostaria de fazer um medley dos meus discos para vocês - só uns diferentes." Elvis se volta a seus fãs e sua voz soa fraca pela primeira vez na noite, mas é algo esperado por ele estar concentrado em atender a todos na beira do palco.

- 9. Teddy Bear / Don't Be Cruel: Descartável, apesar de soar bem melhor do que algumas anteriores, mas o cantor se mostra entediado.

- 10. And I Love You So: "Muito Obrigado. And I Love You So." Embora a plateia pareça pouco entusiasmada, pode-se notar que Elvis está genuinamente interessado nesta versão. Ele a rende de forma sincera e majestosa, cantando-a muito bem em todo a duração.

- 11. Fever: "Obrigado, muito obrigado. Fever." Esta é uma das melhores da noite e Elvis se diverte com ela no início. Ao se abaixar para atender as mulheres histéricas, ele demonstra certa preocupação com a roupa: "Espero que essa jumpsuit aguente." Quando uma fã se mostra muito afoita, ele observa: "Querida, não vá enlouquecer completamente agora!" Apesar de ele rir da reação de suas fãs, esta é uma versão séria e muito bem interpretada.

- 12. Steamroller Blues: Uma raridade em 1976, esta é uma versão excelente. Claro, não chega a se comparar com as do início de 1973, mas Elvis está centrado e faz uma rendição fenomenal. Ele se mostra entusiasmado durante o solo de James Burton e o piano de Tony Brown soa perfeito.

- 13. Introductions / Early Morning Rain: "Gostaria de apresentar os membros do meu grupo a vocês, antes de qualquer outra coisa." Elvis introduz The Sweet Inspirations, JD Sumner e os Stamps, Sherrill Nielsen, Kathy Westmoreland e John Wilkinson.

- 14. What'd I Say / Johnny B. Goode / Solos: "Na guitarra solo, de Los Angeles, está James Burton." James faz seu trabalho como de costume nos dois solos que lhe competem. Na sequência Ronnie Tutt, Jerry Scheff, Tony Brown e David Briggs apresentam seus solos.

- 15. Love Letters: "Na primeira vez que David e eu trabalhamos juntos, era sua primeira sessão de gravação e fizemos uma música chamada 'Hurt'. Foi em 1944. Não! 'Hurt'? 'Love Letters'. Meu Deus!" Sem murmurar as palavras como em Tucson e New Haven, esta é uma das melhores versões do ano. No final da rendição, Elvis apresenta Charlie Hodge.

- 16. School Days (30/11/76): Por avaria no som, esta parte foi substituída pelo áudio da apresentação em Anaheim, California, em 30 de novembro de 1976. Elvis apresenta o maestro Marty Harrell - trombonista da orquestra que substituía Joe Guercio quando este não podia comparecer ao show - e a Joe Guercio Orchestra.

- 17. Hurt (30/11/76): Pelo mesmo motivo explicado acima, esta faixa também foi substituída pela versão de Anaheim. "Nossa mais nova gravação se chama 'Hurt', então gostaria de cantá-la." Infelizmente esta versão não traz a reprise da música como no show de 17 de outubro, o que ajudaria a demonstrar o bom humor e a disposição de Elvis, mas o mix bastante diferente é outra coisa que chama a atenção. Com o piano bem à frente no áudio - até mais do que Elvis -, a orquestra e a banda ficam um tanto escondidas. A finalização é fenomenal.

- 18. Hound Dog: Versão descartável, com Elvis distribuindo lenços e beijos.

- 19. One Night: "Querem ouvir 'One Night', é isso? Estamos aqui para entretê-los, então o que quiserem ouvir é o que faremos." Demonstrando um grande entusiasmo nesta rendição, algo que já não existia na interpretação de seus outros clássicos dos anos 1950, Elvis se delicia com os vocais e faz uma ótima versão  -  a penúltima de apenas 8 em 1976.

- 20. It's Now or Never: "Gostaria de cantar uma música que gravei há uns dez anos, chamada 'It's Now or Never'." Sem  o solo de "O Sole Mio" de Sherrill Nielsen, esta versão em que somente Elvis canta é deliciosa. Raridade naquele ano, é aplaudida efusivamente pela plateia.

- 21. Mystery Train / Tiger Man: "Mystery Train, baby!" Elvis parece estar com energia de sobra esta noite e interpreta o medley que só entra em sua setlist quando ele está muito bem de humor e saúde. Apesar de sofrer com um mix incorreto para a música, ainda assim é uma rendição fantástica.

- 22. Funny How Time Slips Away: "Gostaria de acender as luzes da casa e dar uma olhada em vocês, porque não consigo vê-los daqui." Quando as luzes se acendem, o cantor comenta : "Nossa@ Vocês são uma ótima plateia." Elvis faz trocadilhos na letra para mexer com JD antes de se concentrar em cantar enquanto atende seus fãs.

- 23. Can't Help Falling in Love: "Gostaria de dizer que quando nos quiserem de volta, deixem-nos saber e nós voltaremos. Então, até vermos vocês novamente, Deus os abençõe, tenham cuidado ao voltarem para casa e adiós!" Como sempre, Elvis atende aos fãs e canta em partes. Alguns segundos da "Closing Vamp" podem ser ouvidos antes do fade.

FAIXAS BÔNUS

- 24. Fairytale: A seção de bônus começa aqui e as primeiras duas faixas vêm de Sioux Falls, South Dakota, em 18 de outubro de 1976. como sempre, também é outro deleite agradável, mesmo que não tenha o poder das versões de 1975. Elvis está obviamente se divertindo no final enquanto ele soca as palavras com seu poder vocal. Esta é uma das poucas rendições desta música em 1976 lançada oficialmente.

- 25. America: "Senhoras e senhores, uma vez que é o ano de nosso bicentenário, gostaria de cantar nossa versão de 'America, the Beautiful' para vocês." Em Minnesota, por alguma razão, Elvis a deixou de fora do setlist, embora ainda a estivesse apresentando na maioria das noites. A rendição aqui é uma das melhores e há alguma discussão prévia mais uma vez mostrando que Elvis continuava de bom humor na noite seguinte. Elvis brinca inteligentemente sobre o sistema de alto-falantes: "Por que essa coisa está zumbindo? Talvez não conheça a letra!"

- 26. Hawaiian Wedding Song: As últimas três faixas bônus do CD vêm de Anaheim, California, em 30 de novembro de 1976. Em estéreo, a música mais famosa de "Blue Hawaii" soa de ótima qualidade. Elvis tem um desempenho muito comedido, mas esta é uma performance muito melhor do que a de New Haven.

- 27. Blue Christmas: "O que querem ouvir? 'Blue Christmas'? Ok, farei 'Blue Christmas' para vocês. Onde está o violão? Está afinado?" Outra joia, com a qualidade do som sendo tão boa. Há um toque encantador onde Elvis diz em uma voz profunda "última linha". Ele cantaria essa música apenas mais 14 vezes e a versão aqui tem uma sensação muito mais lenta e "country" em comparação com o concerto de Norman de 26 de março de 1977 que conhecemos. Este foi de fato o único lançamento oficial desta música no ano de 1976 até a FTD produzir "Chicago Stadium", 10 meses depois.

- 28. That's All Right: "A primeiríssima música que gravei se chamava 'That's All Right, Mama'. E tudo que tínhamos era uma guitarra rítmica, um contrabaixo e... Uma banheira." Alguém na plateia sugere "Lonesome Cowboy" para Elvis, que reage com choque: "'Lonesome Cowboy'?!" A banda até começa a tocar alguns compassos da música, mas o cantor ordena o início de seu hit de 1954. Esta não é uma música muito comum no último ano de sua vida, mas soa muito bem para 1976, embora talvez tenha um ritmo muito rápido. Elvis, no entanto, soa animado enquanto incentiva a banda. Mais uma vez, surpreendentemente, este é o único lançamento oficial desta música em 1976 antes de "Elvis in Alabama - The Last Double Date", também da FTD, em 2015.
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