Elvis Presley Index: Um Novo Despertar: Elvis

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Um Novo Despertar: Elvis

ELVIS (EUA, 2022)

Título brasileiro:
Elvis
Gravação:
28 de janeiro de 2020 - Março de 2021
Lançamento:
24 de junho de 2022 (Mundial)
14 de julho de 2022 (Brasil)
Duração:
159min
Produtora:
Warner Bros.
Bazmark Films
Roadshow Entertainment
The Jackal Group
Wholerock Industries
Orçamento:
US$ 85 milhões
Arrecadação:
US$ 65 milhões (MUNDIAL, até 1 de julho de 2022)
Elenco principal:
Elvis Presley
Austin Butler
Chaydon Jay
Tom Hanks
Olivia DeJonge
Helen Thompson
Richard Roxburgh
Luke Bracey
Dacre Montgomery
Trilha sonora:
"Elvis" (CD / CD duplo / Digital)
(24 de junho de 2022)


Elvis é o primeiro filme de cinema a tratar da vida do Rei do Rock. Nele, o Coronel Parker apresenta os fatos da vida do cantor através de sua ótica. É dirigido por Baz Luhrmann, que co-escreveu o roteiro com Sam Bromell, Craig Pearce e Jeremy Doner.


Foi anunciado em 2014 que Luhrmann dirigiria uma cinebiografia de Elvis Presley, embora o projeto não tenha sido anunciado oficialmente até março de 2019. Austin Butler foi escalado para o papel-título em julho, superando vários atores de alto nível.

As filmagens começaram na Austrália natal de Luhrmann em janeiro de 2020, mas foram interrompidas de março a setembro, após o início da pandemia do COVID-19 e o diagnóstico positivo para a doença de Tom Hanks. As filmagens terminaram mais de um ano após o início, em março de 2021.

A produção foi toda filmada em locação e em estúdio na Austrália. De fato, alguns atores secundários deixam seu sotaque australiano escapar diversas vezes enquanto atuam como norte-americanos.

Embora seja um filme que veio prometendo trazer a real história de Elvis Presley, algumas cenas e acontecidos foram totalmente inventados, inseridos em contextos que não os reais ou distorcidos para favorecer uma narrativa. O próprio diretor deixou claro que sua intenção foi essa desde o início, o que pode prejudicar a aceitação da trama por parte dos fãs mais íntimos com a verdadeira história do cantor.

Quando lançado mundialmente em 24 de junho de 2022, o filme teve uma boa aceitação nos cinemas, rapidamente assumindo o segundo lugar nas bilheterias em seu final de semana de estreia com US$ 31 milhões, atrás apenas de "Top Gun: Maverick(lançado em 25 de maio de 2022), com US$ 126 milhões. Até 1 de julho de 2022, o filme permanece em segundo lugar com US$ 65 milhões, ainda perdendo somente para os mais de US$ 1 bilhão de "Top Gun".
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Abaixo listamos alguns erros e fazemos observações sobre nossa experiência com o filme, dada a partir do ponto de vista de que não se deve modificar fatos para agradar partes ou criar polêmicas comerciais.

***************CONTÉM SPOILERS!***************
Por favor pule para a seção "trilha sonora" se inda não tiver visto o filme  

"Eu sou o lendário Coronel Tom Parker." As primeiras cenas mostram Andreas Cornelius van Kuijk em seu leito de hospital em Las Vegas, onde morreu devido a um AVC em 21 de janeiro de 1997, aos 87 anos, reavaliando sua vida e a relação com Elvis. Temos uma sensação de propagandismo de um protagonista que muito prejudicou Elvis e vemos as primeiras licenças poéticas do filme ao colocar uma Star Trek Experience em um outdoor em Las Vegas um ano antes de sua abertura e colocar Parker no International Hotel 25 anos depois de ter sido vendido para o Hilton.

Claro, Parker foi - com mérito - o responsável por alavancar a carreira do pobre menino vindo de Tupelo nos anos 1950, mas a história conta que essa relação passou a ser de quase - senão somente - exploração do cantor nos anos 1970, o que levou à piora de seus já existentes problemas de saúde. Parker até mesmo disse certa vez que não era ele que ficava com 50% do que Elvis ganhava, mas sim o contrário!

De início, parece que o filme quer nos fazer acreditar na ESTÓRIA e desacreditar a HISTÓRIA.

Da história da vida de Parker antes de Elvis até chegarmos ao verdadeiro objeto do filme, passam-se 10 minutos. As próximas cenas exploram o nascimento de Elvis e Jessie Garon, sua infância na pobreza e a prisão de Vernon, colocando-o no Shake Rag, o bairro pobre e negro de Tupelo, em 1947. Ali, ele aprende sobre o blues e os revivals evangélicos que tanto o fascinariam durante toda sua vida. São 2 minutos e meio que resumem de forma bastante trivial o que foi a infância de Elvis.

Memphis, 1954. O ritmo de Luhrmann sempre foi frenético em seus filmes, e isso se mostra aqui. Meros segundos resumem como a secretária de Sam Phillips teve seu pressentimento milionário - para Phillips -, a "invenção" de "That's All Right" e a chegada ao The Louisiana Hayride.

Há um mérito em mostrar que Elvis estava sempre em contato com a cultura negra e gostava de circular pela famosa Beale Street enquanto morava em Lauderdale Courts, mas isso pode ser encarado como apropriação cultural - o que já vem ocorrendo na opinião da geração Z - por não ter sido explicado da maneira correta e com a tomada de tempo necessária. Era preciso que essas cenas deixassem claro que Elvis jamais roubou algo dos negros - o que o próprio Little Richard, que sempre brincava sobre o cantor ter roubado suas oportunidades, sempre deixou claro - e sim criou seu próprio estilo usando o conhecimento que tinha.

A próxima sequência é importantíssima. Gladys nunca confiou no Coronel e isso - graças a Deus - é mostrado claramente. Ela sabia, como nós ficaríamos sabendo depois, que Parker tinha algo a esconder. Seu vício em jogatinas era saciado enquanto Elvis se apresentava de cidade em cidade, fazia viagens perigosas à noite enquanto cansado, se aventurava com garotas desconhecidas e recorria a antidepressivos para manter sua energia. Parker, ocupado com suas visitas a cassinos, não via ou não se importava com o que isso poderia acarretar contanto que seu "cofre" trouxesse o financiamento de seus vícios.

Através de manobras psicológicas que sempre giravam em torno de enriquecimento e vida boa, Parker conseguiu convencer os Presley - mas não totalmente a Gladys - a assinarem contrato como "uma empresa de família" para que Elvis fosse para a RCA.

O problema de Luhrmann nessas próximas sequências é que muita coisa foi retirada de contexto e tiveram sua linha de tempo modificadas para justificar algumas outras coisas. Elvis compra Graceland ao assinar com a RCA em 1955, quando na realidade foi em 1957; Gladys reclama o tempo todo de ser abandonada, quando ela na realidade mantinha quase tudo somente para si; Elvis brigava com ela, o que nunca foi o caso; Elvis canta "Trouble" ao vivo em 1956, uma música escrita somente dois anos depois para o filme King Creole.

"É o exército ou a cadeia." Esta é a desculpa do Coronel no filme para que Elvis e Gladys aceitassem seu alistamento e a ida para a Alemanha por dois anos. Aqui há mais uma mudança pouco bem-vinda na linha de tempo, mostrando a morte de Gladys antes mesmo que Elvis fosse chamado para ir ao Texas para sua primeira parte do serviço militar. Na realidade, Elvis ameaçou desertar porque o comando do exército não queria permitir que ele fosse ver a mãe doente, conseguindo através de Parker uma permissão para dois dias - sendo que Gladys faleceu no final do primeiro.

Alemanha, 1959. Chegamos ao ponto da história em que Elvis conhece Priscilla. Aqui nada é mencionado sobre ela ter apenas 14 anos e ter alegadamente manipulado o então namorado Currie Grant para que a apresentasse ao cantor. A alegada manipulação usada por ela foi levada por Grant ao tribunal nos anos 1980, quando Priscilla o processou por ter dito que tinha fotos comprometedoras dela em 1959. Currie perdeu o processo, mas teria recebido uma quantia em dinheiro para devolver fotos que a defesa de Priscilla dizia não existirem.

"Elvis era um jovem e se distraía, então fizemos filmes mais rápidos e baratos." Verdade maior não poderia existir. Depois de omitir os sensacionais 4 primeiros filmes de Elvis, Luhrmann resume bem o tempo em que Elvis passou em Hollywood nos anos 1960, fazendo filmes cada vez mais medíocres acompanhados de trilhas sonoras com o mesmo tom.

A mudança de comportamento de Elvis em relação aos rumos de sua carreira começam a aparecer em 1968. Há uma bela e necessária licença poética aqui quando Steve Binder diz a Elvis que sua carreira cinematográfica está "na privada" e o convence a fazer um especial de TV completamente diferente do programa natalino que Parker queria. O que o filme omite é que o Coronel fez de tudo para que Elvis se sentisse rejeitado pelo público, inclusive escondendo os ingressos para as filmagens do especial e não os enviando aos revendedores. As plateias foram apenas compostas de pessoas sortudas que estavam próximo ao estúdio e o viram de graça.

Embora este seja o trecho mais sólido do filme, novamente a sensação de se estar contando uma ESTÓRIA e não uma HISTÓRIA aparece. Não há menção da entrada de um personagem chave na vida de Elvis e Priscilla dali para a frente: Mike Stone. De fato, não há menção nem ao real motivo da separação do casal, que foi o já estabelecido relacionamento com Stone.

O ataque cardíaco do Coronel e a tentativa de Elvis de se separar de Parker em 1969 são os assuntos abordados rapidamente aqui. Através de uma manipulação psicológica que somente um psicopata teria capacidade de fazer, o velho tira uma carta da manga e convence Elvis a ficar em Las Vegas ao invés de sair em uma turnê mundial. Ao menos este fato histórico não pôde ser transformado em estória, apesar de o filme pular diretamente para as gravações de That's the Way it is em 1970.

Há uma grande confusão de linhas de tempo aqui, uma vez que, ainda em agosto de 1970 em Las Vegas, Elvis começa a receber as ameaças de morte. Este é um fato e a data está próxima da correta, mas a sequência de imagens e acontecimentos coloca a grande invasão do palco e a briga que se seguiu em 1973 como ocorridas ainda em 1970. Outro fato de 1973, sua primeira internação pública no Memphis Memorial Hospital, foi ligado ao ano de 1972 e a Elvis On Tour.

Nesta trama, Priscilla deixa Elvis em 1973 logo após Elvis atirar em um aparelho de TV. Na realidade, ela anunciou que iria embora ainda em 24 de dezembro de 1971 em Graceland, saindo da propriedade no dia 31 em uma aparente tentativa de estragar as festividades da família. Ela contaria a Elvis sobre Stone em 26 de janeiro de 1972, dia de seu primeiro show do ano. O aparelho de TV sendo alvejado aconteceu em 1975 e Linda Thompson estava lá. Há uma proteção e distorção descabida aqui, talvez pelo filme ter sido supervisionado de perto por interessados na ESTÓRIA e não na HISTÓRIA.

Os ocorridos a seguir também estão distorcidos de sua realidade. O ocorrido de 21 de maio de 1977, quando Elvis teve um colapso no hotel antes de seu show em Louisville, Kentucky, e teve de ser reanimado colocando sua cabeça em um balde com água gelada foi transferido ainda para 1973. Elvis cai no corredor do hotel, na frente de todos, o que nunca ocorreu. Elvis usa uma jumpsuit de 1972 durante o show de 1974 em que fala sobre ter descoberto que o Coronel era clandestino nos EUA, um erro que poderia ter sido evitado. Por fim, a briga que Elvis teve com Parker em seu quarto de hotel na madrugada de 4 de setembro de 1973 é transferida para o palco em 1972. Ponha-se licença poética nisso!

A sequência de erros ou licenças continua quando Elvis usa roupas de 1977 em um evento de 1974 que também não ocorreu como mostrado. Como contado por diversos amigos e pessoas próximas, Priscilla nunca realmente parou para conversar seriamente com Elvis e saber como ele estava - havia conversa, mas não profunda.

A cena da conversa se passa em Indianapolis, Indiana, em 26 de junho de 1977, dia de seu último show, fazendo o público que não conhece a verdadeira HISTÓRIA de Elvis -  e talvez até mesmo fãs - pensar que a ESTÓRIA de que eles estiveram juntos até o final é verdadeira. Na verdade, Linda Thompson, que foi omitida do filme - assim como Ginger Alden -, foi sua grande consoladora a partir de 1972.

"O filme vai até 1977," disseram o diretor e os produtores. Mas não é o caso. Como sempre, temos um filme que somente chega até 1973 e pincela rápidos fatos dos quatro anos seguintes. A única cena em 1977 é a reprodução de Elvis cantando "Unchained Melody" que se vê no final - com maquiagem bastante dúbia em Butler - e nada mais, uma vez que fatos daquele ano foram movidos para 1973.

O filme termina com breves segundos sobre a morte de Elvis, uma homenagem à rendição de "Unchained Melody" em 21 de junho de 1977 e imagens de seu discurso no Jaycee's de 1971. Há uma explicação no fim sobre os processos contra Parker pelo abuso que praticava com Elvis, o que ele fez com o resto de sua vida e a importância de Elvis para a música.
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TRILHA SONORA

Para promover o filme,
a RCA e a Sony produziram uma trilha sonora com 36 faixas que incluem novos remixes de versões originais de Elvis e colaborações de artistas como Eminem, Doja Cat, PNAU, Les Greene, Swae Lee, Kacey Musgraves, Shonka Dukureh, Tame Impala, Austin Butler, e outros.

A trilha sonora foi lançada no mesmo dia do filme em todas as plataformas digitais e em CD duplo. Antes disso, uma série de singles começou a ser emitida em 3 de junho de 2022.







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2 comentários:

  1. Em um tempo de segregação racial Elvis abriu as portas para musica negra, isso foi reconhecido por Little Richard. Elvis foi amigo de B B King e James Brown

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